Simon Clarke vence em dia de pavê fatídico para Roglic e O’Connor!

O australiano Simon Clarke (Israel – Premier Tech) venceu a quinta etapa do Tour de France, uma ligação de 157km entre Lille e Arenberg, batendo ao sprint, num grupo reduzido, o neerlandês Taco van der Hoorn (Intermarche – Wanty – Gobert) e o norueguês Edvald Boasson-Hagen (TotalEnergies), que chegou já com uma diferença de 2s. Tadej Pogacar (UAE Team Emirates) atacou, mas ganhou apenas 13s para a maioria dos favoritos, enquanto Primoz Roglic (Jumbo – Visma) e Ben O’Connor (AG2R Citroen Team) foram os principais azarados do dia.

Em dia de paralelos, a etapa do Tour prometia, com um dia onde a classificação geral se poderia naturalmente jogar. A fuga do dia formou-se nos kms iniciais, com Magnus Cort (EF Education – EasyPost), Taco van der Hoorn e Edvald Boasson-Hagen. A eles juntar-se iam, alguns kms depois, Neilson Powless (EF Education – EasyPost), Alexis Gougeard (B&B Hotels – KTM), e ainda Simon Clarke. O pelotão deixou-os ganhar cerca de 3:00 de vantagem, mas a batalha pelo posicionamento começou bem cedo e toda a gente queria estar na frente.

A 94km do fim, Wout van Aert (Jumbo – Visma) foi ao chão com Steven Kruijswijk (Jumbo – Visma), e os dois tiveram de gastar algumas forças para voltar a reentrar, já que o pelotão não abrandou imediatamente para esperar pelo camisola amarela. Só 10km depois os dois reentrariam no pelotão, que já estava assim a 4:00 dos escapados. O primeiro setor de pavê, a 78km do fim, foi passado tranquilamente com a exceção de Peter Sagan (TotalEnergies), que foi ao chão a poucos metros de se entrar no paralelo.

Após o setor, a vantagem da fuga reduziu-se para cerca de 3:30, e Jack Bauer (BikeExchange – Jayco) foi o primeiro a atacar, tendo resposta de Mads Pedersen (Trek – Segafredo). Os dois rolaram juntos durante alguns kms, mas seriam alcançados pelo pelotão, que rodava a uma velocidade elevada. A cerca de 8km da entrada no setor 10, Aleksandr Vlasov (Bora – Hansgrohe) furou, mas conseguiu reentrar a tempo de poder ainda respirar antes de se entrar de novo no paralelo.

O setor 10 viu a TotalEnergies sofrer ainda mais com a queda de Anthony Turgis, enquanto o líder da geral, Wout van Aert, jogava de forma fria, posicionando-se no último terço do pelotão. Kasper Asgreen (Quick-Step Alpha Vinyl) aumentou o ritmo e ganhou alguns metros de distância, mas seria também alcançado pouco depois. O setor 9 chegou logo de seguida, e foi Ben O’Connor (AG2R Citroen Team) a sofrer, com um furo a fazê-lo perder imenso tempo, que não mais seria recuperável. O australiano esteve a 1:00 do pelotão, mas a vantagem nunca conseguiu ser inferior a isso mesmo. À saída do setor, Floran Senechal (Quick-Step Alpha Vinyl) e Alexander Kristoff (Intermarche – Wanty – Gobert) sofreram com furos e ficaram também eles bastante atrasados.

Primoz Roglic foi vítima de queda a 30km do final.

Os setores foram passando e foi já no 6 que o caos voltou a surgir, quando Jonas Vingegaard (Jumbo – Visma) avariou e teve de trocar de bicicleta. Foi Nathan van Hooydonck (Jumbo – Visma) o homem mais próximo que lhe deu a sua, mas a diferença de alturas era evidente, pelo que foi preciso depois nova troca com o carro, e assim o dinamarquês ficou a 40s dos restantes favoritos. Toda a Jumbo descaiu para o ajudar, incluindo o camisola amarela, Wout van Aert, à exceção de Christophe Laporte, que ficou no pelotão com Primoz Roglic. Mathieu van der Poel (Alpecin – Fenix) sofria também com um furo e ficava atrasado.

A 27km do fim, uma queda de Caleb Ewan (Lotto Soudal) numa rotunda levou Primoz Roglic (Jumbo – Visma) ao chão, e o esloveno ficava ainda mais para trás do que Vingegaard. A Jumbo teve de se adaptar, e deixou van Aert e Laporte com o dinamarquês, enquanto Benoot, van Hooydonck e Kruijswijk descaíam para ajudar Roglic. No pelotão, já a 1:30 da frente, Alberto Bettiol (EF Education – EasyPost) acelerava, com Tadej Pogacar a seguir a roda do italiano, numa movimentação que não daria em nada.

Com o passar dos kms, Vingegaard e os Jumbo iam alcançando alguns dos candidatos que estavam em posição intermédia, como foi o caso de Geraint Thomas, Adam Yates e Daniel Martinez (Ineos Grenadiers), assim como de Enric Mas (Movistar), que seguia já só com o grande auxílio de Nelson Oliveira (Movistar). O grupo foi ganhando força, mas apenas a Jumbo trabalhava, pelo que a vantagem não diminuía, e estava já na casa do 1:00. Mais atrás, em grupos distintos, seguiam Primoz Roglic e Ben O’Connor, já sem qualquer expectativa de chegarem aos grupos da frente.

A 15km do fim, já no setor 3, Jasper Stuyven (Trek – Segafredo) atacou, e apenas Tadej Pogacar foi capaz de seguir o belga, com o duo a ganhar segundos atrás de segundos a todos os adversários e a chegarem perto dos escapados. Ainda assim, a 10km do fim, a diferença chegaria aos 40s, mas não diminuiria mais, mostrando que a fuga estava com a vitória de etapa na mão. Florian Vermeersch (Lotto Soudal) sofreu uma queda feia à saída do antepenúltimo setor, mas conseguiu prosseguir.

O grupo onde seguia Pogacar antes do ataque contava com David Gaudu (Groupama – FDJ), Nairo Quintana (Arkea – Samsic) e Aleksandr Vlasov (Bora – Hansgrohe), mas a colaboração não foi de todo a desejada, e o grupo foi perdendo tempo atrás de tempo. No grupo de Vingegaard, a Jumbo foi recebendo a colaboração da Ineos, e assim os dois grupos uniram-se já com cerca de 8km para o fim, numa fase em que já recuperavam tempo para Pogacar e Stuyven. Na dianteira, que entretanto ia ficando esquecida, Gougeard era já uma unidade a menos.

Tadej Pogacar e Jasper Stuyven ao ataque!

A entrada no último setor viu a fuga perder Magnus Cort, que pagava o grande esforço feito em mais uma grande etapa, enquanto Pogacar e Stuyven mostravam estar já no limite das suas forças. O grupo atrás de si permanecia junto, trabalhando de forma eficiente para ganhar segundos, e a 5km do fim a diferença era já de 35s. O quarteto colaborou até ao km final, e Powless atacou em busca da vitória, sabendo que era o pior sprinter dos quatro. Boasson-Hagen foi forçado a reagir, sabendo que podia chegar à amarela, e alcançou o estadunidense já nos últimos 400m. Taco van der Hoorn lançou o sprint ainda cedo, mas a astúcia de Simon Clarke levaria a melhor, com o australiano a manter-se na roda até aos últimos 100m e a bater o neerlandês no lançar de bicicleta, que lhe deu a maior vitória da carreira!

Perante o triunfo da fuga, Pogacar e Stuyven chegavam 51s, e o grupo com os principais líderes logo atrás, a 1:04. O esloveno da UAE Team Emirates gastou muitas forças, mas acabou por ganhar uma margem mínima para os rivais e pode vir a pagar caro o esforço de hoje. Em pior situação ficou Primoz Roglic, que chegou a apenas 2:59 do vencedor, perdendo assim já 2:00 para os principais adversários. Ben O’Connor foi quem mais sofreu, terminando a 4:12 e ficando assim já mais longe de fechar no pódio final que tanto desejaria.

Wout van Aert suou e deu tudo pela locomotiva das abelhas, e foi recompensado, mantendo a liderança da geral, agora com 13s sobre Powless. O belga lidera ainda por pontos, enquanto Magnus Cort continua na frente da montanha após um dia sem qualquer contagem. Tadej Pogacar é o melhor jovem e a Ineos Grenadiers a melhor equipa.

Nelson Oliveira e Ruben Guerreiro (EF Education – EasyPost) chegaram integrados no grupo de Vingegaard, a 1:04 do vencedor, em 26º e 43º, respetivamente.

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