Simplesmente demolidor! Nova vitória para Pogačar na Planche des Belles Filles!
Tadej Pogacar voltou a vencer no Tour de France, ao impor-se à concorrência no final em alto da etapa 7! Num dia em que a vitória parecia estar certa para o último sobrevivente da fuga, Kämna, e depois para o primeiro do pelotão, Vingegaard, Pogacar deu mais uma demonstração de força, classe, e superação, conseguindo ultrapassar o dinamarquês no último suspiro!
A sétima tirada da Volta a França trazia um dia com 176.3 km, entre Tomblaine e La Super Planche des Belles Filles, num dia em que o prato forte seria a subida final, uma 1ª categoria com 7 km a 8.5%, incluindo um quilómetro extra em gravilha antes da meta.
A etapa começou em ritmo frenético, como vem sendo hábito, com inúmeros ataques, mas sem que nenhum se estabelecesse de imediato.
Apenas ao fim de 50 km de corrida, acabou por se formar a fuga do dia, com a movimentação de 11 corredores: Vegard Stake Laengen (UAE Team Emirates), Lennard Kämna (Bora-Hansgrohe), Maximilian Schachmann (Bora-Hansgrohe), Kasper Asgreen (QuickStep-AlphaVinyl), Imanol Erviti (Movistar), Simon Geschke (Cofidis), Dylan Teuns (Bahrain-Victorious), Mads Pedersen (Trek-Segafredo), Giulio Ciccone (Trek-Segafredo), Luke Durbridge (Team BikeExchange-Jayco), e Cyril Barthe (B&B Hotels). O “Sr. Fuga”, Magnus Cort, ainda tentou fazer a ponte, mas acabou por desistir dessa ideia, enquanto o restante pelotão acalmava também um pouco depois do caos inicial.
Ao fim de 70 km de etapa, a vantagem da fuga chegava aos 2’30”. Poderia pensar-se que o pelotão fosse relaxar e permitir que a fuga ganhasse alguma margem, pelo menos numa fase inicial, mas a UAE Team Emirates, do líder Tadej Pogacar, tinha outros planos em mente e rapidamente se colocou na perseguição, mantendo a fuga sob rédea apertada. A formação dos Emirados Árabes Unidos decidiu que 2 minutos era uma margem aceitável, mantendo a margem para os fugitivos nesse intervalo. Em consequência deste cenário de corrida, a Emirates acabou por dar instruções a Laengen para parar o seu trabalho na fuga e aguardar pelo pelotão, o que deixava agora 10 homens na dianteira da corrida. Com a vantagem da fuga a cair abaixo da barreira dos 2 minutos, ficava claro que o Pequeno Pogi tinha grandes ideias para a chegada de hoje!

A meio da jornada, os ciclistas encontravam uma primeira contagem de 3ª categoria, que acabou por ser a plataforma ideal para o ataque dos homens da BORA na fuga. Kämna e Schachmann arrancaram, e Durbridge, Teuns, e Geschke seguiram os dois alemães, e a fuga ficava assim despedaçada. No topo da contagem, a 70 km do final, o quinteto da frente rodava novamente com alguma folga sobre o pelotão, com a margem a cifrar-se em 2’30”.
Esta alteração de configuração da fuga trouxe uma dinâmica diferente, com o grupo de 5 a colaborar bem entre si e a conseguir aumentar a vantagem sobre o pelotão nos quilómetros seguintes.
Depois, Durbridge e Barthe conseguiram reentrar no grupo da dianteira, formando um conjunto de 7 elementos que rodava, a 50 km do final, com 3 minutos de margem sobre o pelotão.
Nos quilómetros seguintes, a fuga colaborou de forma efetiva, conseguindo manter o pelotão, sempre liderado pela Emirates, a uma distância relativamente estável. A 25 km da meta, a margem era de 2’30”.
Já dentro dos 20 km finais, surge finalmente algum apoio para a Emirates, com Árkea, Movistar, e Cofidis a chegarem-se à frente do grupo principal. A margem dos fugitivos caía para baixo da barreira dos 2 minutos.
A 7 km do final, a fuga entrou então na subida final, para a Super Planche des Belles Filles, com 1’30” de avanço sobre o pelotão, que ia sendo liderado por Filippo Ganna, da INEOS Grenadiers.
Na subida, a Emirates tomou conta da dianteira do pelotão, enquanto na fuga começavam os ataques, com Geschke a conseguir isolar-se e com Kämna a conseguir encostar no seu compatriota
Pouco depois, Kämna atacou, seguindo em solitário para os quilómetros finais. A 3 km do final, o alemão rodava com 50 segundos de avanço sobre o grupo dos favoritos, onde ia passando dificuldades precisamente o líder da BORA, Aleksandr Vlasov.
O final ficava cada vez mais tenso! O único sobrevivente da fuga, Kämna, ia conseguindo manter a sua vantagem, que rondava 48 segundos a 2 km da meta. No grupo dos favoritos rodavam apenas cerca de 20 unidades, com Rafal Majka a realizar um extraordinário trabalho, rebocando autenticamente Pogacar e restantes candidatos à geral.
Faltava então o quilómetro final, que além de extremamente inclinado, seria em gravilha, num desafio hercúleo para os ciclistas! Kämna entrou nos últimos 1000 metros com 35 segundos de avanço e começava a temer-se o pior para o alemão, pois era notória a diferença de ritmo entre ele e os seus perseguidores.
Quando o grupo de favoritos chegou à entrada do “sterrato”, Majka saiu a da frente e fez sinal a Pogacar, como que dizendo: “Vai, agora é contigo!” E o Pequeno Pogi não se fez rogado, impondo logo um ritmo forte, com os rivais a seguirem na roda do esloveno. Sobravam apenas 8 unidades no grupo.
Kämna pedalava claramente num esforço brutal, com cada metro a ser uma agonia para o alemão! Faltavam apenas 200 metros para o final, mas parecia uma eternidade para o homem da BORA. Um pouco atrás de si, atacava Jonas Vingegaard, numa movimentação forte que parecia dar para a vitória. O dinamarquês passou por Kämna, no entanto, na roda vinha ainda um incansável Pogacar, ainda com alguma energia no tanque. Nos metros finais, o esloveno conseguiu dar aquele impulso extra, o suficiente para passar Vingegaard e garantir o seu segundo triunfo neste Tour! Um autêntico monstro com um apetite insaciável por vitórias!
Pogacar vence então a etapa, com Vingegaard a fazer 2º, com o mesmo tempo, seguindo-se depois Primoz Roglic, a 12 segundos, e depois Kämna e também Geraint Thomas a 14 segundos. Seguiram-se depois os restantes favoritos a conta-gotas: Gaudu, Mas, Bardet, Yates, estes ainda a menos de 30 segundos de Pogacar.
Na geral, o canibal esloveno segue agora com 35 segundos de avanço sobre Vingegaard, com Geraint Thomas no 3º posto, a 1’10”.
Quanto aos portugueses, Ruben Guerreiro foi 30º, a 2’16”, enquanto Nelson Oliveira foi 69º, a 7:38 do vencedor. Na geral, o corredor da Movistar ocupa o 45º posto, a 13’38”, enquanto o homem da EF é agora 90º, a 25’06”.
Amanhã será disputada a etapa 8, com 186.3 km, entre Dole e a cidade suíça de Lausanne, numa jornada de média montanha que irá terminar numa subida de 3ª categoria.
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