Hindley conquista Blockhaus e Almeida sobrevive a noite mal dormida!
O australiano Jai Hindley (Bora – Hansgrohe) venceu a nona etapa do Giro d’Italia, uma ligação de 192km entre Isernia e o mítico Blockhaus, com uma chegada dificílima numa contagem de primeira categoria, batendo ao sprint o francês Romain Bardet (Team DSM) e o equatoriano Richard Carapaz (Ineos Grenadiers). Mikal Landa (Bahrain Victorious) e João Almeida (UAE Team Emirates) chegaram logo atrás, sem perder tempo, e continuam na disputa da Maglia Rosa.
Em dia da etapa mais complicada da primeira semana e uma das mais difíceis deste Giro, o pelotão começou desde logo com um ritmo elevado e os ataques começaram também a surgir. Diego Rosa (EOLO – Kometa), Natnael Tesfazion (Drone Hopper – Androni Giocatolli) e Matthew Holmes (Lotto Soudal) foram os primeiros a distanciar-se, com o britânico a ser o primeiro a passar na primeira contagem de montanha, a terceira categoria de Valico del Macerone. Depois da descida, apenas Rosa conseguiu seguir na frente, passando na dianteira na contagem de segunda categoria de Rionero Sannitico.
Em posição intermédia, Tesfazion recebia a companhia de Joe Dombrowski (Astana – Premier Tech) e Felix Gall (AG2R Citroen Team). Com apenas 15km percorridos, uma queda deu-se no pelotão envolvendo Pello Bilbao (Bahrain Victorious) que ficava em mau estado, mas conseguia prosseguir. Com 30km percorridos, todos os escapados se juntavam na frente da corrida, com Rosa, Dombrowski, Gall, Tesfazion, e ainda Nans Peters (AG2R Citroen Team), Eduardo Sepulveda (Drone Hopper – Androni Giocatolli), Filippo Zana (Bardiani – CSF – Faizane), Jonathan Caicedo (EF Education – EasyPost) e James Knox (Quick-Step Alpha Vinyl). O pelotão estava já a mais de 2min, seguindo tranquilamente depois de todo o esforço dos kms iniciais.
Na terceira contagem do dia, uma nova segunda categoria, Rosa voltou a ser primeiro e colocou-se em posição de poder subir à liderança da classificação dos trepadores. A vantagem nunca passou os 5:20, com a Trek a controlar a distância para Gall, que era o melhor colocado dos escapados à geral. Ao km 95, a Ineos assumiu o controlo do pelotão e fez a diferença cair para os 2:30, preparando as duas subidas finais para Carapaz, que procurava aqui vencer a etapa e poder chegar à liderança da geral.
Com a entrada para a subida do Passo Lanciano, Peters foi o primeiro a atacar, com Tesfazion e Sepulveda a seguirem-no. Os restantes pareciam já a tirarem bilhete para serem alcançados pelo pelotão, mas Diego Rosa acelerou e colocou o seu ritmo para chegar à frente. O italiano fê-lo com 5km para o topo da subida e tentou passar direto pelo grupo. Tesfazion foi o único que o conseguiu seguir, mas o italiano fez todo o trabalho até ao topo e passou na frente para assumir a liderança virtual da classificação da montanha.
Na descida do Passo Lanciano, Tesfazion acabou por arriscar demasiado e cair, com Rosa a ficar sozinho na frente e a receber depois a companhia de Peters e de Dombrowski. Os três permaneceram juntos até próximo da entrada para o Blockhaus, mas Dombrowski ainda tentou resistir a solo, sendo apanhado a 14km do fim. Com o sprint intermédio à entrada da subida, a Ineos manteve-se na frente e Carapaz foi buscar, apenas, 1s, talvez por distração.

O início da subida ao Blockhaus começou logo a fazer vítimas, com Mauri Vansevenant (Quick-Step Alpha Vinyl), o portador da camisola da juventude, a ser o primeiro a descolar. Após ele, Tom Dumoulin (Jumbo – Visma) também cedeu, enquanto Giulio Ciccone (Trek – Segafredo) e Rein Taaramae (Intermarche – Wanty – Gobert), terceiro à geral, descolavam do pelotão. A Ineos colocava ritmo, mas rapidamente Rui Costa (UAE Team Emirates) se chegou à frente, acabando com Ben Tulett (Ineos Grenadiers) e aumentando o ritmo. Quem sofreu com o trabalho do português foi Simon Yates (BikeExchange – Jayco), que ficou atrasado ainda com 11.8km pela frente.
Rui Costa abriu para o lado a 10.8km da meta e foi Pavel Sivakov (Ineos Grenadiers) a assumir o ritmo, num grupo já bastante reduzido com cerca de 25 unidades. O francês abriu a 9km do fim, e logo após ele entrou Richie Porte (Ineos Grenadiers) ao trabalho, com muita gente em dificuldades na traseira do grupo. João Almeida havia descaído e parecia em algumas dificuldades, mas o português foi subindo no grupo ao seu ritmo, com a ajuda de Davide Formolo (UAE Team Emirates). O espanhol Juan Pedro Lopez (Trek – Segafredo), líder da geral, teve de colocar um pé no chão e perdeu alguns metros importantes, mas lutava para não ficar definitivamente descolado. Pello Bilbao também passava por dificuldades, após a queda sofrida no início da etapa.
João Almeida ia eliminando os adversários que descolavam por terem ido ao choque, agarrando-se às rodas da frente, apesar das diversas mudanças de ritmo de Porte. Wilco Kelderman (Bora – Hansgrohe) descolava também da roda de Almeida, e era mais um dos favoritos em dificuldades. Porte fez um trabalho magnífico e colocou toda a gente em dificuldades, para preparar o ataque de Carapaz, que surgiu a 4.7km do fim! O ataque do equatoriano foi fortíssimo e apenas Landa e Bardet o foram capaz de seguir. João Almeida colocou o seu ritmo e foi passando adversários na tentativa de chegar à frente. Jai Hindley (Bora – Hansgrohe) era quem ajudava João Almeida, com Domenico Pozzovivo, Alejandro Valverde e Vincenzo Nibali na roda. O ritmo elevado do português colocou Valverde em dificuldades e obrigou todos a trabalharem na frente para que Almeida não reentrasse.
A 3km do fim, Nibali cedeu e abriu terreno, deixando apenas Hindley e Pozzovivo com João Almeida que logo a seguir encostava no trio da frente. Apercebendo-se disso mesmo, Landa acelerou e voltou a abrir diferenças, mas Almeida não foi ao choque, e novamente no seu ritmo voltou a chegar aos adversários que se perguntavam onde é que o português ia buscar forças. A 1.9km do fim, Pozzovivo ainda atacou, tentando surpreender os adversários, mas foi rapidamente marcado. Bardet voltou a atacar e a distanciar-se com Landa e Carapaz, mas a marcação para os metros finais permitiu que Almeida, Hindley e Pozzovivo voltassem a encostar uma última vez. A discussão caiu então para o sprint final e todos apertavam as camisolas para o derradeiro esforço. Hindley tentou surpreender e abriu o sprint após a última curva, e ninguém o conseguiu passar, com Bardet e Carapaz a protagonizarem ainda um grande final e quase a passarem o australiano. Almeida aguentou-se já nos limites, fechando na quinta posição, com o mesmo tempo do vencedor.
A maior expectativa era para a chegada de Juan Pedro Lopez, que foi 15º a 1:46 e conseguiu manter a camisola rosa, tendo agora 12s de vantagem para João Almeida, que é segundo. Bardet está em terceiro a 14s, Carapaz em quarto a 15s e Hindley em quinto a 20s, numa classificação geral muitíssimo disputada. O português irá envergar a camisola branca, símbolo da juventude, por empréstimo do espanhol. Diego Rosa é o novo líder da montanha e Arnaud Demare (Groupama – FDJ) segue na liderança da classificação por pontos.
Pela negativa, destaque para Ciccone, que perdeu 9:26, Kelderman, que perdeu 10:53 e Yates, que perdeu 11:15.
Rui Costa cruzou a meta na 46ª posição, a 18:20, enquanto Rui Oliveira (UAE Team Emirates) foi 150º, a 44:29.
