A vitória mais merecida para um gregário fenomenal! Dylan van Baarle vence a Paris – Roubaix!
O neerlandês Dylan van Baarle (Ineos Grenadiers) venceu a 119ª Paris – Roubaix, apósi 257km entre Compiegne e o Velódromo de Roubaix, após um ataque a 19km do fim, que o deixou isolado para conquistar o seu primeiro Monumento da carreira! No segundo lugar terminou Wout van Aert (Jumbo – Visma) e em terceiro o suíço Stefan Kung (Groupama – FDJ), ambos a 1:47 do vencedor.

Em pleno dia de Páscoa, assistimos a uma Paris – Roubaix que desde a primeira hora se mostrou muito rápida! A batalha pela fuga do dia foi imensa, mas, incrivelmente, nenhum ciclista conseguiu isolar-se durante muito tempo e não tivemos nenhuma escapada! A 210km do fim, a Ineos começou a jogar as suas cartas, e usou o vento lateral em seu favor para partir a corrida! Todos os elementos da equipa britânica ficaram na frente, com Mathieu van der Poel (Alpecin – Fenix), Wout van Aert e Christophe Laporte (Jumbo – Visma), Stefan Kung (Groupama – FDJ), Kasper Asgreen (Quick-Step Alpha Vinyl) e Mads Pedersen (Trek – Segafredo) a serem apanhados desprevenidos e a ficarem no pelotão de trás!
A vantagem do primeiro pelotão rapidamente ultrapassou o minuto, e colocou-se no 1:20 durante muito tempo, com uma grande colaboração a existir à frente, mas atrás os líderes não queriam queimar ainda muito cedo na corrida todos os seus gregários antes das fases decisivas. A corrida manteve esta situação estável até à chegada ao primeiro setor de pavê, e foi aí que a ação voltou a acontecer. No segundo pelotão, Pedersen e Asgreen eram os primeiros a sofrer com quedas, mas rapidamente voltaram ao grupo.

A 152km do fim, deu-se um momento importante de corrida, com Filippo Ganna (Ineos Grenadiers) a furar na frente e a precisar de dispender bastantes energias para reentrar. O ritmo no primeiro pelotão abrandou e a diferença voltou pouco depois a baixar para os 35s, com o segundo pelotão a ter o primeiro à vista e a acreditar que poderia voltar a discutir a corrida. Quando Ganna reentrou, uma queda deu-se a meio do primeiro pelotão, e pouco depois Laporte furava no segundo pelotão, o que fez a diferença voltar a subir para a casa do minuto.
Niki Terpstra (TotalEnergies) tentou atacar na frente, a 140km do fim, mas o neerlandês não se conseguiu manter muito tempo isolado, e foi rapidamente absorvido pelo primeiro pelotão. Mais atrás, Stefan Kung dava também uma ajuda no trabalho, na tentativa de fechar o espaço. A 120km do fim, Ganna teve novo problema mecânico e foi obrigado a trocar de bicicleta, mas a corrida estava já novamente a movimentar-se. Jens Reynders (Sport Vlaanderen – Baloise) liderava isolado, e Silvan Dillier (Alpecin – Fenix) deixava tudo na estrada para fechar o espaço, que era já de apenas 1min. A Ineos voltou a abrandar no primeiro pelotão, alcançou Reynders furado, e os grupos juntaram-se, a cerca de 115km do fim.
A corrida voltou a ganhar uma nova chama e os ataques aconteceram uma vez mais, com Matej Mohoric (Bahrain Victorious), Davide Ballerini (Quick-Step Alpha Vinyl), Casper Pedersen (Team DSM), Lauren Pichon (Arkea – Samsic) e Tom Devriendt (Intermarche – Wanty – Gobert) a conseguirem escapar e isolar-se do pelotão. Connor Swift (Arkea – Samsic) e Nils Politt (Bora – Hansgrohe) colocaram-se em posição intermédia, a 35s, e com o pelotão a 1:10 deu-se a entrada no primeiro grande setor do dia, o Trouee d’Arenberg!

No Arenberg, Ballerini e Politt furaram, e no pelotão foi van Aert a sofrer com problemas mecânicos. A corrida voltou a ganhar uma nova figura, com quatro ciclistas na dianteira, Swift e Ballerini intermédios, e o pelotão desfeito. A junção entre grupos voltou a acontecer depois do setor seguinte, com a frente a perder Pedersen, após um problema mecânico, e a ficar um trio na dianteira, com o pelotão a mais de 1:30. O grupo intermédio recebia Pedersen, mas também Stefan Bissegger (EF Education – EasyPost), que atacava de trás, mas era alcançado pelo pelotão a cerca de 70km da meta.
O trio escapado teve mais de 2:00 de vantagem, mas a Jumbo – Visma estava investida em mudar a situação de corrida, e depois de mais um setor de empedrado, Wout van Aert acelerou e voltou a partir o pelotão, levando consigo van der Poel e Guillaume van Keirsbulck (Alpecin – Fenix), Yves Lampaert e Florian Senechal (Quick-Step Alpha Vinyl), Jasper Stuyven (Trek – Segafredo), Dylan van Baarle e Ben Turner (Ineos Grenadiers), Matteo Trentin (UAE Team Emirates), Adrien Petit e Taco van der Hoorn (Intermarche – Wanty – Gobert) e Stefan Kung. O grupo foi ganhando tempo ao trio escapado, e colocou rapidamente a vantagem na casa dos 45s.
Antes da entrada no segundo grande setor do dia, o Mons-en-Pevele, van Baarle atacou em busca do grupo na dianteira, e ganhou alguns segundos importantes. Mal se entrou no setor, Pichon perdeu o contacto na frente e foi apanhado no final do setor, enquanto van Aert atacou e levou consigo apenas Kung e van der Poel, alcançando também van Baarle e Pichon, que rodavam a 20s da frente da corrida.
A 40km do fim, os dois grupos de favoritos voltavam a juntar-se em posição intermédia, a 30s da frente que já só tinha Mohoric e Devriendt. Van Aert sofria com um furo logo de seguida, e trocava de bicicleta, voltando a gastar energias extra que lhe poderiam fazer falta no final. Pouco depois, na frente, Matej Mohoric sofria com um furo e era alcançado pelo grupo perseguidor, com Devriendt a ficar isolado na frente.

A 32km do fim, o grupo voltou a partir, com Yves Lampaert e Matej Mohoric a escaparem e a rapidamente fazerem a ponte para Devriendt. Perante a falta de colaboração, van Baarle colocou-se em posição intermédia, a menos de 10s do trio na frente. A falta de colaboração no grupo perseguidor colocou-os desde logo a 25s, com Kung, van Aert e van der Poel a terem de se coordenar para voltarem a chegar aos adversários.
Perante a indefinição na perseguição, a vantagem chegou aos 35s a 25km do fim, enquanto van Baarle chegava também à frente e era mais um elemento importante para dar força ao grupo. A 23km do fim, a vantagem era já de 40s e Stuyven havia atacado. Van Aert fez pela vida e atacou também com Stefan Kung, e van der Poel não foi capaz de responder! O duo rapidamte chegou a Stuyven e com todos eles sendo tão fortes roladores, era o momento de colaborarem para chgar à frente.
A chegada ao Camphin-en-Pevele foi decisiva, com Stuyven a furar um pouco antes e van Aert a ficar sozinho com Kung em posição intermédia. Na frente, van Baarle aproveitou as forças que ainda tinha e atacou para deixar Mohoric e Lampaert um pouco atrás. Devriendt era quem passava pior e descolava definitivamente da dianteira. Rapidamente se entrava também no Carrefour de l’Arbre, onde van Baarle aumentou a diferença que tinha para os adversários. Mohoric e Lampaert estavam logo atrás, mas van Aert e Kung ainda não tinham sequer conseguido alcançar Devriendt. Mais atrás, van der Poel voltava a acordar e alcançava Stuyven.

A 13km do fim, van Baarle seguia isolado até ao Velódromo, com Mohoric e Lampaert a 20s, e ainda Kung, van Aert e o já alcançado Devriendt a 55s. Para que a corrida voltasse a abrir, era fundamental que Mohoric e Lampaert chegassem à frente, mas van Baarle é dono de grandes habilidades contra o cronómetro que o poderiam ajudar e muito neste esforço final. Os 20s cresceram e rapidamente passaram a 50s, com o grupo de van Aert a 1:10, e uma junção de grupos iminente para se discutir a segunda posição.
A 7.5km do fim, van Baarle tinha já 1:00 de vantagem para os primeiros perseguidores, mas Mohoric ficava sozinho depois de uma grande queda de Yves Lampaert após um toque num espectador. Sozinho, Mohoric deixava-se esperar pelo grupo de van Aert, mas Lampaert estava claramente em mau estado e com a bicicleta avariada, e nem sequer no grupo de van der Poel conseguia seguir!
Van Baarle continuou a sua cavalgada triunfal para o Velódromo de Roubaix, e levantou os braços merecidamente para conquistar a maior vitória da sua carreira, o seu primeiro Monumento, depois de vários segundos lugares noutras corridas e vários anos dedicados a toda a estrutura da Ineos! Na luta pela segunda posição, Stefan Kung ainda tentou surpreender, mas foi Wout vn Aert o mais forte, acabando por fechar na segunda posição, com o suíço em terceiro. Tom Devriendt foi quarto e conquistou o maior resultado da sua carreira, enquanto Mohoric foi quinto. Mathieu van der Poel foi apenas nono.
Pódio do Dia

