Pogačar começa a devorar!

O esloveno Tadej Pogacar venceu a etapa 6 do Tour de France, batendo um pelotão reduzido no sprint em subida! No segundo posto, terminou o australiano Michael Matthews, com o francês David Gaudu a fechar o pódio. Com esta vitória, o Pequeno Pogi assume a camisola amarela, com 4 segundos de avanço sobre Neilson Powless.

A etapa 6 da Volta a França constituía a jornada mais longa da prova, com 219.9 km, num percurso entre a cidade belga de Binche a localidade francesa de Longwy. Apesar do perfil relativamente suave da maior parte da jornada, o final seria bastante acidentado, com quatro curtas colinas no acesso à meta.

A tirada começou em ritmo frenético, com inúmeros ataques, e com corredores como Vlasov e o próprio Pogacar a surgirem entre as primeiras movimentações. A primeira fornada de ataques não surtiu efeito, mas quando Tim Wellens saiu parecia haver condições para a fuga se formar, no entanto, lá atrás, era o camisola amarela, Wout van Aert, que ia também ele tentando sair, puxando todo o pelotão atrás de si e incentivando novos ataques logo de seguida.

Ao fim de mais de 50 km e uma hora de corrida, continuava a não haver fuga definida, e mantinha-se WVA como um dos mais inconformados na frente do grupo principal. A certo ponto, quase todos os nomes da geral rodavam perto da frente, num dia verdadeiramente louco!

Depois, um grupo de 11 conseguiu sair, mas novamente sem consenso do pelotão, com a margem a crescer apenas até aos 20 segundos. Na frente rodava o residente fixo das fugas deste Tour, Magnus Cort.

A 155 km do final, nova situação de pelotão compacto, e iniciava-se nova leva de ataques. Pouco depois, a 147 km do fim, um trio consegue sair, com Wout van Aert, Quinn Simmons, e Jakob Fuglsang, e formava-se finalmente aquilo que era possível chamar de fuga do dia.

À entrada da contagem de 3ª categoria colocada a 133 do final, a fuga rodava com 1 minuto de avanço, a maior margem do dia. Nesse ponto, azar para o camisola amarela, obrigado a parar para colocar a corrente no sítio, e tendo que fazer um esforço extra para recuperar a posição na frente. No grupo principal, havia finalmente algum acalmia, dando alguma margem à fuga, apesar da presença de um homem potencialmente perigoso como Fuglsang. As formações da INEOS, da BORA, e da Emirates, ocupavam a largura da estrada, impedindo novos ataques nesta fase. Note-se que a equipa de Pogacar rodava já sem todos os elementos no pelotão, nomeadamente George Bennett, que ia perdendo bastante tempo.

No topo da contagem de montanha, o trio da frente passou já com 2’30” de avanço sobre o grupo principal. Na perseguição, colocava-se a Emirates, o que ia desgastando ainda mais o bloco de Pogacar.

A margem continuava a crescer, chegando aos 4 minutos a 116 km da meta. Os ciclistas cumpriam mais de 100 km de corrida em apenas duas horas, num dia brutal de ciclismo. Na frente do pelotão, ia surgindo a Alpecin-Deceuninck, a dar algum auxílio à Emirates, embora de forma algo surpreendente, dada a forma atual de Mathieu van der Poel, aparentemente longe do seu melhor.

A 100 km da meta, com a vantagem da fuga a baixar ligeiramente para os 3’45”, juntava-se a BORA e também a EF à perseguição à frente da corrida.

Depois, a 74 km do final, a fuga passou na frente do sprint intermédio do dia, com Wout van Aert a passar na frente. O trio rodava agora com uma margem de 2’54” sobre o pelotão. À passagem do grupo principal pelo sprint intermédio, Jasper Philipsen bateu Fabio Jakobsen na luta pelos pontos da quarta posição.

A 66 km do fim, a margem da fuga baixava para 1’52”, com Fuglsang a ser obrigado a parar por problemas mecânicos e a acabar por ser absorvido pelo pelotão. Ficavam na frente apenas Simmons e Van Aert, mas o grupo principal continuava a rodar em bom ritmo e a ganhar terreno. A jornada estava a ser disputada num ritmo alucinante, acima dos 50 km/h, o que a tornava uma das mais rápidas da história do Tour!

Nos quilómetros seguintes, a fuga voltou a ganhar algum espaço, situando-se na mesma margem de 1’52” a 50 km da meta.

A 35 km do risco, a margem rondava 1’30”, com a EF a intensificar o esforço de perseguição. Seria Ruben Guerreiro a aposta da formação norte-americana para o dia de hoje?

Pouco depois, Van Aert arrancava na frente, deixando Simmons para trás, rumando em solitário em direção à meta. A margem do camisola amarela era de cerca de 1 minuto, e assim se manteve durante vários quilómetros.

Lá atrás, vinha para a frente a INEOS, baixando a diferença para WVA para 50 segundos a 20 km do final. O trabalho dos granadeiros foi fulcral nesta fase, com a margem do camisola amarela a esfumar-se rapidamente ainda antes das quatro subidas finais.

À entrada da primeira dessas quatro colinas, uma ascensão de 4ª categoria, a 16 km do final, o King Kong possuía apenas 20 segundos de margem sobre o pelotão, que ia perdendo ciclistas como fruta madura logo nas primeiras inclinações. No topo da subida, Van Aert passou ainda com 14 segundos sobre o grupo principal.

No início da segunda subida, esta não categorizada, o pelotão alcançou WVA, que assim ficava sem etapa e também sem amarela, visto ter descolado pouco depois. Chegava ao fim o reinado do King Kong, o grande patrão do Tour nesta primeira semana.

Depois, na terceira e penúltima subida, a mais difícil, uma 3ª categoria com apenas 800 metros mas com 11% de inclinação, colocada a 6 km da meta, entrou na frente a BikeExchange, tentando preparar o final para Michael Matthews.

Na subida, o ritmo foi imposto por Benoot, da Jumbo-Visma, com Matthews, Vingegaard, Pogacar, Gaudu, e restantes favoritos, todos de seguida.

A 300 m do topo, ataca Vuillermoz, e pouco depois, é a vez do monstro Pogacar, embora sem conseguir sair nesta fase. O homem da TotalEnergies passou na frente da contagem de montanha, seguindo isolado em direção à subida final, também não categorizada, com 1.6 km a 6%.

Vuillermoz entrou na subida final com o pelotão logo atrás, a cerca de 5 segundos, com a Jumbo a liderar, no lançamento para Vingegaard e com Pogacar bem atento.

À entrada do km final, a UAE Emirates veio para a frente, impondo ritmo na fase mais inclinada.

Depois, a 400 metros do final, o primeiro a arrancar para o sprint foi mesmo Primoz Roglic, com Pogacar na sua roda, e de seguida Gaudu, Matthews, Pidcock. O ataque de Rogla acabou por ser a plataforma perfeita para Pogi atacar. Quando o homem da Emirates saiu de trás da roda do corredor da Jumbo, ninguém foi capaz de acompanhar. Pogacar festejava assim a primeira vitória em etapa no Tour 2022, a sua sétima no historial da prova.

O melhor que a concorrência conseguiu fazer foi fechar na roda de Pogacar, com Matthews a ser o melhor dos restantes, seguido de David Gaudu.

Na geral, Pogi assume a liderança, com 4 segundos de avanço sobre Neilson Powless e 31 sobre Jonas Vingegaard.

Quanto aos portugueses, Nelson Oliveira foi 66º enquanto Ruben Guerreiro terminou no 96º posto. Na geral, o homem da Movistar é 46º, a 5’50”, enquanto o ciclista da EF é 135º, a 22’40”.

Amanhã disputa-se a etapa 7, na verdadeira primeira chegada em alto da prova. Será um dia com 176.3 km, entre Tomblaine e La Super Planche des Belles Filles.

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