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Por meia roda se perde, por meia roda se ganha!

Após várias tentativas, Wout Van Aert venceu mesmo a sua segunda etapa do Critérium du Dauphiné, ao bater toda a concorrência no sprint da etapa 5! Num dia em que a fuga apenas foi eliminada a 200 m do risco, o camisola amarela bateu por pouco Jordi Meeus, da BORA-hansgrohe, com o terceiro lugar a ficar para o britânico Ethan Hayter, da INEOS Grenadiers.

A quinta etapa do Critérium du Dauphiné apresentava uma ligação de 162.3 km, entre Thizy-les-Bourgs e Chaintré, num dia com algumas subidas, em especial duas contagens de 4ª categoria perto do final, mas que não deveriam ser suficientes para evitar um sprint em massa.

Com todos cientes que este seria um dia para a fuga pôr à prova a capacidade de perseguição do pelotão, desprovido de algumas das principais unidades que costumam realizar esse trabalho, os ataques foram mais que muitos no início da corrida. Nomes como Remi Cavagna e Nils Politt iam tentando a sua sorte mas sem grande sucesso.

Ao fim de mais de 30 km de competição, um grupo de três conseguiu isolar-se do pelotão: Fabien Doubey (TotalEnergies), Jan Bakelants (Intermarché – Wanty – Gobert Matériaux), e Sebastian Schönberger (B&B Hotels – KTM). As despesas de perseguição ficavam a cargo da Jumbo-Visma, formação do líder Wout Van Aert.

Depois, dois corredores saíram do pelotão e conseguiram alcançar a frente: Pierre Rolland (B&B Hotels-KTM) e Benjamin Thomas (Cofidis), formando-se um quinteto na dianteira.

Na subida de 2ª categoria colocada a pouco mais de 100km do final, Rolland passou na frente, cimentando a sua liderança na classificação da montanha. Cumprida a sua missão, o corredor gaulês preferiu abdicar do seu esforço nesta jornada e aguardou pelo pelotão. Nesse ponto, a fuga rodava com uma margem de cerca de 2:40 sobre o grupo principal. De seguida, vinha para a frente a formação de um dos grandes candidatos ao triunfo na etapa, a BikeExchange, de Dylan Groenewegen.

O pelotão ia controlando as operações. A 70 km do final, a margem entre os grupo situava-se em 1:30, com Jumbo e BikeExchenge ainda e sempre bem presentes. No entanto, nos quilómetros seguintes a situação alterou-se ligeiramente. Com a corrida a entrar em zonas de estradas mais estreita e sinuosas, a fuga aumentou o ritmo, e a diferença começou a aumentar novamente. Apesar dos esforços do pelotão, a vantagem da fuga tinha aumentado até à casa dos 2 minutos, com 30 km para o final.

Pouco depois, chegava a primeira das duas subidas finais. Aí, veio para a frente a formação da INEOS Grenadiers, impondo um ritmo forte, certamente tentando encurtar a distância para a frente mas também na expetativa de fazer descolar sprinters como Groenewegen. Na dianteira do pelotão pedalava o vencedor da etapa 4 e campeão do mundo de contrarrelógio, Filippo Ganna, preparando terreno para Ethan Hayter.

O trabalho da INEOS rapidamente retirou 30 segundos aos homens da frente. No topo da primeira 4ª categoria, a 24 km da meta, a fuga possuía 1:30 sobre o grupo principal.

Nos quilómetros seguintes, a estrada apresentava-se mais larga, o que ajudava a perseguição. Ainda assim, os quatro fugitivos colaboravam bem, mantendo a incerteza sobre o desfecho desta tirada. Vinha para a frente do pelotão a Quick-Step, aumentando o ritmo de forma violenta, com alguns ciclistas inclusive a isolarem-se. As estradas voltavam a ser muito estreitas, o que tornava fulcral o posicionamento. A INEOS voltava a tomar conta das operações, tentando manter o grupo sob controlo e a fuga a uma distância alcançável.

No início da última subida do dia, a 14 km da meta, o avanço da fuga era de 1 minuto. Seriam menos de 2 km de ascensão, mas ao ritmo a que rodava o pelotão, não se adivinhava uma tarefa fácil para a fuga. A meio da subida, Groenewegen descolou mesmo, com a Jumbo a auxiliar a INEOS na frente do pelotão. Ficava frustrado todo o trabalho da BikeExchange durante a jornada.

No topo da subida, a 12 km do risco, o quarteto da frente possuía 40 segundos de margem. Depois, Doubey perdeu o contacto com a fuga, ficando um trio na luta com o pelotão.

Nos quilómetros finais, bem rápidos, a fuga tentou espremer ao máximo a sua vantagem. Os segundos iam caindo, mas não ao ritmo desejado pelo pelotão. Com o aproximar da meta, aumentava a tensão! Voltaria a fuga a iludir o pelotão no último fôlego, à imagem da segunda etapa?

À entrada dos 2 km finais, eram ainda 15 os segundos de vantagem da fuga, com o pelotão a mirá-los uns metros à frente! À passagem pela barreira do último km, a margem era já inferior a 10 segundos, com a fuga e pelotão a darem tudo pela vitória!

A 400 m da meta, os fugitivos lançaram o seu sprint, com Benjamin Thomas a parecer o mais forte do grupo, mas uns metros atrás, era a Jumbo também a lançar o sprint, com Laporte a levar Van Aert na sua roda! A 200 km do risco, o grupo principal alcançou os fugitivos, com Laporte a sair para o lado e a deixar WVA lançar o seu sprint! O francês acabou por encostar demasiado nas barreiras e por pouco não arrastava o seu líder para o chão!

Mas o King Kong estava atento, contornando o seu lançador e lançando-se em velocidade rumo à meta! Na roda do camisola amarela vinha Jordi Meeus, da BORA-hansgrohe, que num último esforço por pouco não passava Van Aert! Mas o campeão belga não facilitou, triunfando por cerca de meia roda, e desta feita festejando apenas após o risco. Após ter perdido o sprint da etapa 3 por muito pouco, era agora altura de garantir um triunfo bem apertado, o segundo desta edição!

Ruben Guerreiro, da EF Education-EasyPost, terminou no 21º posto, integrado no pelotão, enquanto Ivo Oliveira foi 104º, cedendo 2:43 para a frente da corrida.

Na classificação geral, WVA lidera agora com 1:03 de avanço sobre Mattia Cattaneo e 1:06 sobre Primoz Roglic. Quanto aos portugueses, Guerreiro é 21º, a 2:49, enquanto Ivo Oliveira é 111º, a 21:21.

Amanhã disputa-se a etapa 6, com 196.4 km, entre Rives e Gap, numa das chegadas mais emblemáticas do mundo do ciclismo e que promete novamente grande espetáculo! Será mais um dia para o King Kong?

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