O britânico Simon Yates (BikeExchange – Jayco) venceu a 14ª etapa do Giro d’Italia, uma ligação de 147km entre Santena e Torino, num dia de grande espetáculo, batendo o australiano Jai Hindley (Bora – Hansgrohe), o equatoriano Richard Carapaz (Ineos Grenadiers) e o italiano Vincenzo Nibali (Astana Qazaqstan Team) por 15s.
Com um perfil recheado de montanha, a 14ª etapa do Giro superou todas e mais algumas expectativas existentes à partida. Vários foram os homens que tentaram integrar a fuga do dia nos primeiros kms, mas o pelotão simplesmente não deixou que qualquer movimentação tivesse sucesso. Com 27km percorridos, o pelotão acabou por cortar e a Ineos acelerou com alguns dos rivais em dificuldades devido a estarem posicionados na parte de trás. Tudo se voltou a juntar alguns kms depois, e a notícia principal era a do abandono de Tom Dumoulin (Jumbo – Visma) devido a problemas nas costas.
Ao km 43.3, Diego Rosa (EOLO – Kometa) venceu a primeira contagem de montanha do dia, a terceira categoria de Il Pilonetto, e a fuga do dia começou então a formar-se com Rosa, Nans Peters (AG2R Citroen Team), Oscar Riesebeek (Alpecin – Fenix), Joe Dombrowski (Astana Qazaqstan Team), Filippo Zana (Bardiani – CSF – Faizane), Ben Zwiehoff (Bora – Hansgrohe), Diego Camargo (EF Education – EasyPost), Ignatas Konovalovas (Groupama – FDJ), Sylvain Moniquet (Lotto Soudal), Ivan Sosa (Movistar), James Knox (Quick-Step Alpha Vinyl) e Alessandro Covi (UAE Team Emirates).
A vantagem da fuga chegou aos 3:00, mas a Ineos e a Bora assumiram um ritmo abismal na frente do pelotão e toda a corrida começou a mudar de figura. Uma descida acabou por cortar Juan Pedro Lopez (Trek – Segafredo) e João Almeida (UAE Team Emirates), com o português a ter de fazer um esforço enormíssimo para encostar, com Diego Ulissi e Alessandro Covi a ajudarem enquanto podiam, o que acabou por acontecer já durante a primeira subida a Superga, a 65km do fim. O pelotão foi sendo completamente dinamitado, e apenas um grupo de doze ciclistas acabou por ficar na frente, com Almeida, Yates, Carapaz, Nibali, Lopez, Mikel Landa e Pello Bilbao (Bahrain Victorious) Domenico Pozzovivo e Jan Hirt (Intermarche – Wanty – Gobert), e o trio da Bora – Hansgrohe com Hindley, Emanuel Buchmann e Wilco Kelderman, que era quem assumia as despesas da corrida.
Com o neerlandês ao trabalho, o grupo completou a primeira volta ao percurso e perante tão alto ritmo, quem perseguia estava mesmo em dificuldades e não conseguia fechar qualquer tempo. Guillaume Martin (Cofidis) e Alejandro Valverde (Movistar) eram os principais nomes do top10 em dificuldades e tudo levava a crer que iam ficar já fora da luta pela classificação geral.
Na entrada para a última subida a Superga, Kelderman terminou o seu trabalho e Jai Hindley atacou, selecionando o grupo com apenas Richard Carapaz, Vincenzo Nibali e o camisola rosa, Juan Pedro Lopez, a conseguirem seguir o australiano. Mikel Landa ficou em posição intermédia, e mais atrás João Almeida seguia a ritmo, tentando limitar perdas sem ir ao choque e passar por maiores dificuldades. Com Landa a encostar na frente a 30.5km do fim, Com toda a gente no limite, João Almeida foi deixando os adversários com o seu ritmo e encostou de novo a 30km do fim, com os adversários a marcarem-se e atrás dele chegaram logo os restantes elementos do grupo, à exceção de Jan Hirt, que ficava nos seus limites.
Emanuel Buchmann tentou mexer, mas Landa fechou rapidamente o espaço, e depois disso foram Bilbao e Almeida a assumirem o trabalho para colocar um ritmo alto. Quem aproveitou foi Richard Carapaz, atacando sem resposta dos adversários para abrir um espaço de 20s e deixar Juan Pedro Lopez sozinho e em dificuldades! O equatoriano colocou-se na liderança virtual da corrida, mas o grupo perseguidor parecia não ter atirado a toalha ao chão e continuar a perseguir com todas as forças existentes.
Carapaz conseguiu aumentar a diferença para 30s, com a colaboração entre a Bora e a Bahrain a não ser de todo a melhor. Almeida procurava recuperar forças, já que as equipas com 2 elementos eram as que tinham de perseguir. Lopez Perez era quem passava pior, e entrava já na última subia ao Colle della Maddalena a 2min da frente. Nibali era o primeiro a atacar e apenas Hindley o conseguia seguir, com Yates a ficar em posição intermédia e João Almeida a seguir a ritmo, mais atrás, com Pozzovivo. Hindley era o primeiro a chegar a Carapaz, mas também Nibali e Yates o faziam pouco depois. Os quatro cruzavam o topo juntos, com Almeida e Pozzovivo a cerca de 15s.
A descida acabou por não favorecer nem Pozzovivo nem Almeida, e o português foi mesmo quem passou por maiores dificuldades. Yates atacou ainda antes do sprint intermédio e não mais foi alcançado, com o trio a marcar-se para perceber quem ia seguir o britânico que rapidamente ganhou 15s de vantagem. Almeida passava por dificuldades e não conseguia seguir o veterano italiano, mas defendia-se da melhor forma que podia. Yates vencia tranquilamente, enquanto Hindley levava a melhor no sprint pela segunda posição, a 15s do britânico. Pozzovivo era quinto, a 28s, e Almeida sexto, a 39s. O camisola rosa, Juan Pedro Lopez, chegava 4:25 depois, em 10º, e perdia assim a liderança da geral.
Richard Carapaz é o novo líder da geral, com 7s de vantagem sobre Hindley e 30s sobre Almeida, que se mantém em terceiro na geral e é agora o líder da juventude. Arnaud Demare (Groupama – FDJ) segue na liderança da classificação por pontos e Diego Rosa da classificação da montanha.
Rui Costa (UAE Team Emirates) foi 72º, a 30:22, enquanto Rui Oliveira (UAE Team Emirates) foi 151º, a 39:43.
