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A justificação da ausência feminina dos Mundiais de Wollongong e um guia para o evento!

A Federação Portuguesa de Ciclismo comunicou os nomes que pretende levar ao Campeonato do Mundo de Estrada em Wollongong, na Austrália. Após várias nações abdicarem de ocupar todas as vagas que tinham disponiveis, Portugal também o fez, e depois de nos Europeus ter levado apenas 9 atletas, 1 para a prova de estrada e menos 5 dos que poderia convocar, a Federação publicou no seu site um artigo inidicando que as “especiais exigências logísticas e orçamentais, por disputar-se na Austrália” do Mundial fazia Portugal optar apenas por participar nas categorias onde poderia de forma “realista aspirar à discussão das primeiras posições“, isto é Juniores e Elites masculinos.

Quanto à participação feminina nos Mundiais de Wollongong, o Ciclismo Mundial falou com Cristina Azevedo, diretora da FPC, que nos garantiu que a convocatória estava feita para Juniores e Elites, planeando desta forma ocupar todas as vagas disponíveis. No escalão de Elites, Maria Martins, Daniela Campos e Vera Vilaça seriam as convocadas, mas acabaram por ver a sua participação condicionada por diversos motivos. Perante um traçado que não era ao seu estilo, Maria optou por se focar na preparação para o Mundial de Pista, onde será uma das grandes candidatas, e por isso abdicou da ida à Austrália, enquanto Daniela optou por recuperar da doença que a afetou durante o Challenge da La Vuelta, também para se focar depois nos Mundiais da Pista. Vera, por outro lado, ainda não se encontrava a 100% da lesão que sofreu no braço, e por isso não estava em condições de alinhar. As juniores optaram por se focar nas suas obrigações escolares, o que retrata de forma evidente aquela que é, ainda, a baixa expectativa de profissionalização da carreira de ciclista para as meninas.

No ar ficam as questões da possibilidade de integração de outras atletas na convocatória. Sabemos de antemão que, nas Elites, estas são três das atletas com mais qualidade em Portugal, mas outros nomes poderiam ter sido integrados, como são os casos de Beatriz Roxo, Sofia Gomes, Beatriz Pereira, Ana Caramelo, Daniela Pereira, Melissa Maia, entre outras. O porquê de não terem sido chamadas e terem uma oportunidade que sem dúvida merecem e as ajudaria a crescer enquanto ciclistas, já não conseguimos responder.

Nos Sub23, Portugal poderia inscrever um ciclista, mas ainda não há justificação para a ausência da categoria uma vez mais.

https://www.ciclismomundialblog.com/artigos/noticias/portugal-leva-apenas-9-atletas-aos-campeonatos-europeus-em-munique/

José Poeira, selecionador nacional, convocou o trio português da UAE Emirates, Ivo OliveiraJoão Almeida e Rui Oliveira, e ainda o super gregário da Movistar, Nelson Oliveira, para as corridas de elite e os juniores António MorgadoDaniel Lima e Gonçalo Tavares, da Bairrada, José Bicho da Almodôvar Formação / Team SCAV e Tiago Nunes da Silva & Vinha / ADRAP / Sentir Penafiel.

Na equipa júnior, por ter apenas 5 vagas, difere apenas na não convocatória de João Martins quando comparado com a equipa que a seleção Portugal levou ao Giro Lunigiana, onde António Morgado foi o grande vencedor. Fica também de fora Ruben Rodrigues, campeão nacional em 2021, e que tinha sido também presença assídua ao longo do ano na Seleção.

No que toca aos elites, sabe-se que era do interesse do Selecionador levar também Ruben Guerreiro e Rui Costa, mas que ambos foram impedidos por parte dos seus compromissos com as equipas que representam.

Com duas vagas para os contrarrelógios em cada um dos escalões, serão João Almeida e Nelson Oliveira, nos elites e António Morgado e Gonçalo Tavares, nos juniores, a competir na prova contra o tempo em representação das cores lusas.

Para o selecionador nacional a ambição é de “discutir os primeiros lugares nas provas de fundo de juniores e de elite. Nos contrarrelógios será mais complicado, porque, sendo quase totalmente planos, adequam-se menos aos nossos corredores”

A participação Portuguesa arrancará dia 18 de setembro, domingo, com o contrarrelógio de elites, uma prova de 34.2km. Dois dias depois, 20, terça, é a vez da dupla júnior percorrer os 28.8km na luta individual contra o tempo. Morgado e Tavares terão 2 dias de descanso para dia 23, sexta, atacarem a prova de fundo, com 135.6km e 2016m de desnível positivo acumulado. Por último dia 25, domingo, os elites terão que cumprir 266.9km com 3945m de desnível positivo acumulado.

Perfil do CRI Júnior Masculino
Perfil do CRI Elite Masculino

As provas de fundo terão lugar num circuito urbano de Wollongong, com ascensão ao Mount Pleasant, colina com 1.1km a uma inclinação média de 7,7%, e rampas máximas de 14%. Este circuito será percorrido 8 vezes na prova junior e 12 na prova elite.

O circuito da prova de fundo

No caso da prova de estrada de elite começam em Helensburgh, descendo até Wollongong pela costa e pela ponte Sea Cliff. O percurso segue para o circuito do Monte Keira e circuito da cidade.

O circuito do Monte Keira leva a corrida até a uma escarpa, atingindo 473 metros após uma subida de 8,7 km com uma inclinação média de 5%. A subida nos arredores subtropicais dá lugar a uma rápida descida até ao centro da cidade. Aqui entrarão no circuito da cidade de Wollongong que vai do centro da cidade, passando passando por vários subúrbios antes de voltar para para a zona beira mar, onde se encontrará meta. Ainda que seja passada bastante cedo, espera-se que a ascenção ao Monte Keira faça a primeira seleção e prevê-se que seja um momento determinante da prova.

Prova Fundo Elite Masculina Mundial 2022

Calendário dos Campeonatos Mundiais com hora (Portugal Continental)
18 de setembro

19 de setembro

20 de setembro

21 de setembro

23 de setembro

24 de setembro

25 de setembro

https://www.ciclismomundialblog.com/artigos/noticias/desistencia-de-avenir-e-vagas-nao-ocupadas-nos-europeus-o-que-a-fpc-nao-fala-sobre-o-ciclismo-em-portugal/
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