Van der Hoorn rouba o doce!

O holandês Taco Van der Hoorn, da Intermarché-Wanty-Gobert, nem conseguiu acreditar mas venceu mesmo a 3ª etapa da Volta a Itália, triunfando a partir da fuga do dia! A equipa da BORA-hansgrohe controlou durante todo o dia, mas nos km finais não finalizou o trabalho, deixando a perseguição para a Cofidis e a UAE-Team Emirates, que não foram capazes de impedir que Van der Hoorn chegasse isolado à meta! No 2º posto da etapa, terminou o italiano Davide Cimolai (Israel Start-Up Nation), com o 3º lugar a ficar Peter Sagan (BORA).

Na classificação geral, Filippo Ganna mantém a liderança, mas o 2º posto deixa de ser ocupado por Edoardo Affini, que perdeu hoje algum tempo. Tobias Foss é agora o vice-líder, com 16 segundos de atraso para Gannar, seguindo-se depois a dupla da Deceuninck Quick-Step, Remco Evenepoel e João Almeida, a 20 segundos da frente.

A 3ª etapa do Giro d’Italia consistia num percurso de 190 km, entre Biella e Canale, com algumas dificuldades perto do final e que prometiam baralhar as contas aos sprinters que passem menos bem as subidas. A primeira parte da jornada seria praticamente plana, mas depois os ciclistas encontravam uma contagem de 3ª categoria e duas de 4ª e ainda uma subida não categorizada (2.6 km a 6.8%) colocada a 14 km da meta.

Perto do final, os ciclistas passavam pela localidade de Alba, na região de Piemonte, famosa por ser a casa dos famosos Ferrero Rocher. Restava saber quem ia levar o doce no final do dia.

À partida da etapa, a chuva fazia-se sentir de forma consistente, o que prometia um desafio bem complicado para o pelotão nesta jornada. Os ataques começaram logo a partir do primeiro km, com a fuga a formar-se rapidamente através da movimentação de oito corredores, incluindo o líder da montanha, Vincenzo Albanese (Eolo-Kometa), e também Samuele Rivi (Eolo-Kometa), Alexis Gougeard (AG2R Citroën), Simon Pellaud (Androni Giocattoli-Sidermec), Andrii Ponomar (Androni Giocattoli-Sidermec), Samuele Zoccarato (Bardiani-CSF-Faizane), Lars van den Berg (Groupama-FDJ), e Taco Van Der Hoorn (Intermarché-Wanty-Gobert Matériaux).

A vantagem dos escapados cresceu até aos 6 minutos e meio, com 150 km para o final, altura em que o pelotão começou a pedalar de forma mais intensa, ciente que não poderiam deixar a fuga ganhar muito mais tempo, o que impossibilitaria a tarefa de alcançá-la na parte mais acidentada da etapa.

A fuga do dia na 3ª etapa da Volta a Itália (Getty Images)

No pelotão ia trabalhando a BORA-hansgrohe, que tinha o interesse claro em levar Peter Sagan à vitória nesta tirada. O grupo principal seguia muito alongado pelas estradas da região de Piemonte, rolando com uma diferença de 5:39 para a fuga, quando estávamos a 125 km do final.

A 100 km da meta, a margem continuava a ser reduzida paulatinamente, situando-se então nos 4:18. Nos km seguintes, manteve-se o mesmo cenário de corrida, com os ciclistas a entrarem na segunda metade da corrida, onde as maiores dificuldades da jornada se concentravam.

Na primeira das subidas categorizadas, passou em primeiro Vincenzo Albanese, cimentando a sua liderança na classificação das montanhas. Na descida, acabariam por começar a surgir as quedas no pelotão, em virtude do piso molhado, embora sem consequência de maior.

Na abordagem à segunda subida do dia, era possível verificar as equipas de Giacomo Nizzolo e de Caleb Ewan, Qhubeka Assos e Lotto Soudal, a trazerem para a frente os seus sprinters, na tentativa de aguentar o ritmo imposto pela BORA.

A 50 km da meta, a diferença entre fuga e pelotão era de 3:13 e com o ritmo a aumentar no grupo principal, começava a tornar-se claro que não ia ser dia para a fuga. Pouco depois, um dos principais sprinters perdia o contacto com o pelotão: Tim Merlier, vencedor da 2ª etapa. A BORA continuava a impor ritmo, tentando descolar mais velocistas e abrir caminho para um sprint tranquilo de Sagan no final.

E o objetivo da equipa alemã ia sendo cumprido logo na subida seguinte, ainda a 44 km do final, com Ewan e Nizzolo a passarem dificuldades na cauda do pelotão. Quem seguia bem colocado era Fernando Gaviria, naquele ponto porventura o principal perigo para Sagan.

A 40 km da meta, a fuga levava 1:53 de avanço sobre o grupo principal, numa fase em que a chuva dava tréguas aos corredores, que ia rolando agora em estradas totalmente secas. Pouco depois, na terceira ascensão categoriazada do dia, ficava para trás Nizzolo, com a BORA ainda e sempre a impor um ritmo sufocante, até para o próprio Sagan, que seguia bem posicionado mas pedalava em claro sinal de esforço.

Seguia-se uma longa descida até à subida final, a 15 km da meta, uma ascensão não categorizada, mas ainda assim com mais de 2 km a quase 7%, e com zonas a 12%, o que poderia ser o último prego no caixão para os sprinters que ainda sobreviviam no grupo. No topo dessa subida não havia pontos para a montanha mas havia um sprint bonificado, o que poderia atrair ataques

A 20 km da meta, pouco mais de um minuto era a diferença que o pelotão tinha ainda de recuperar para a fuga. Nesse ponto, algum azar para Ruben Guerreiro, que sofria um furo numa altura em que a corrida ia lançada. A 17 km do fim, a fuga despedaçava-se na subida final, ficando apenas três na frente, os suficientes para levar todos os segundos em disputa no sprint.

A 15 km do final, começam os ataques no pelotão, com Tony Gallopin (AG2R) e Giulio Ciccone (Trek) a saltarem do grupo. No topo da subida, passavam ainda os fugitivos, com o pelotão a 30 segundos e a dupla de atacantes a meio caminho. Quem seguia no grupo principal era Elia Viviani, o que o tornava um sério candidato ao triunfo.

Nos 10 km finais, Pellaud e Van der Hoorn seguiam isolados, com Gallopin e Ciccone na perseguição, a 26 segundos, e o pelotão a perder agora 38 segundos.

A 8 km da meta, Van der Hoorn deixou o seu companheiro de fuga, arrancando sozinho para um último esforço rumo à vitória! O pelotão ia perdendo 45 segundos, com a BORA a tirar o pé do acelerador, tentando que a Cofidis e a UAE-Team Emirates se juntassem ao trabalho de perseguição. Essa diferença ia-se mantendo, quando faltavam apenas 5 km para a meta, com a dupla Gallopin/Ciccone a pedalar em posição intermédia.

A 3 km da meta, o homem da Intermarché-Wanty levava 33 segundos de avanço sobre o pelotão, e a tensão era palpável no grupo principal. Não era claro se o pelotão ia conseguir alcançar o último fugitivo! A Cofidis e a UAE-Team Emirates iam imprimindo o ritmo, com a BORA mais escondida. A tentativa de puxar para o trabalho as equipas rivais poderia estar a custar a etapa à equipa alemã!

A 2 km, eram 20 segundos de diferença, e à entrada do km final eram ainda 15! A vitória estava na mão de Taco Van der Hoorn! O holandês pedalava vigorosamente nas curvas finais do percurso. Ao sair da última curva, e percebendo que a vitória já não lhe fugia, o holandês pôs a mão à cabeça, incrédulo com o que tinha acontecido! Sobre a meta, levantou os braços, celebrando uma extraordinária vitória para ele e para a formação belga. Logo depois, apenas a 4 segundos do vencedor, chegava o pelotão, com Davide Cimolai a vencer o sprint para a 2ª posição, à frente de Peter Sagan, Elia Viviani, e Patrick Bevin.

João Almeida terminou no 34º posto da etapa, enquanto Nelson Oliveira (Movistar) foi 53º e Ruben Guerreiro (EF Education-Nippo) 70º, todos integrados no pelotão.

Na classificação geral, Filippo Ganna (Ineos Grenadiers) mantém-se na liderança, com o 2º posto a ser ocupado agora por Tobias Foss (Jumbo-Visma), uma vez que o seu companheiro de equipa, Edoardo Affini, acabou por perder algum tempo. O norueguês segue a 16 segundos da camisola rosa, seguindo-se depois a dupla da Deceuninck: Remco Evenepoel e João Almeida, ambos a 20 segundos da frente.

Quanto a Nelson Oliveira, subiu seis lugares na geral, ocupando agora o 11º posto, a 32 segundos de Ganna, enquanto Ruben Guerreiro subiu 24 posições, seguindo no 51º posto, a 50 segundos da rosa.

Amanhã, disputa-se a 4ª etapa da Volta a Itália, com 187 km, entre Piacenza e Sestola, numa jornada bem mais dura que aquelas disputadas até agora e que promete mexer com a classificação geral.

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