Um monstro chamado Roglic!

O esloveno Primoz Roglic (Team Jumbo-Visma) venceu a 10ª etapa da Volta a Espanha, a sua terceira da prova, batendo toda a concorrência no final em ligeira subida que acabou por selecionar bastante o pelotão. No 2º posto terminou o austríaco Felix Grossschartner (BORA) enquanto o 3º lugar ficou para o italiano Andrea Bagioli (Deceuninck-Quick Step) e o 4º para o espanhol Alex Aranburu (Astana).

Além dos 10 segundos de bonificação à chegada, Roglic beneficia ainda dos cortes que houve no pelotão para ganhar mais 3 segundos a Carapaz, o que significa que o esloveno recupera a camisola vermelha, com o equatoriano a ficar agora na 2ª posição com o mesmo registo do homem da Jumbo-Visma!

Os corredores enfrentavam uma ligação de 185 km entre Castro Urdiales e Suances e apenas uma contagem de montanha de 3ª categoria ao longo do percurso. Este não seria, no entanto, um dia fácil. Apesar de um perfil aparentemente plano, existiam algumas subidas curtas que podem armadilhar a corrida, e no geral seria um dia “rompe pernas”, subidas, descidas, curvas, estreitamentos, etc. Note-se que a grande maioria das subidas do dia, incluindo a 3ª categoria (4.5 km a 4.1%), não seriam à partida suficientemente duras para fazer descolar mesmo os ciclistas mais pesados, no entanto, com um final numa subida com 1.5 km e 5.9% de inclinação, as equipas dos puncheurs poderiam querer manter a corrida dura, de forma a desgastar as equipas dos sprinters, impossibilitando qualquer hipótese de vitória.

No início da jornada, formou-se a fuga do dia, composta por Bret Van Moer (Lotto Soudal), Jonathan Lastra (Caja Rural), Pim Ligthart (Total Direct Energie), e Alex Molenaar (Burgos-BH). O pelotão, que ia sendo controlado por Deceuninck-Quick Step e por equipas como a Astana, permitiu que estes fugitivos alcançassem uma vantagem relativamente grande e, com 100 km para o final, a margem era de 8 minutos entre os grupos. A partir desse ponto, o pelotão começou a recuperar o tempo perdido. A 50 km do fim, a vantagem da fuga era apenas de 3:37.

Entretanto, juntava-se à perseguição a equipa da Mitchelton-Scott. A 25 km do fim a margem dos fugitivos era de apenas 1 minuto e passados 5 km já era de apenas 20 segundos. A 16,5 km da meta tínhamos uma situação de pelotão compacto.

Dentro dos 10 km finais, os ataques iniciaram-se no pelotão e dois ciclistas conseguiram mesmo isolar-se: Remi Cavagna (Deceuninck-Quick Step) e Ivo Oliveira (UAE-Team Emirates), os campeões francês e português de contrarrelógio, respetivamente! A vantagem da dupla não chegou a ser muito significativa e, com 5 km para o final, Cavagna decidiu tentar a sua sorte isolado, com Ivo Oliveira a ser alcançado pelotão, que seguia em ritmo alto sob comando da INEOS.

A 3,5 km do fim, Cavagna foi alcançado com as equipas em alta rotação na tentativa de se colocar na melhor posição possível na frente do grupo para atacar uma subida final curta e não muito inclinada. Na frente, seguia Andrey Amador (INEOS) num ritmo diabólico, com o líder da corrida, Richard Carapaz, logo na sua roda. Dentro dos 2 km finais, no início da subida final, veio a Jumbo-Visma para a frente, numa demonstração dos interesses de Roglic. Bem colocados seguiam também os homens da Deceuninck, para Bagioli, e da Astana, para Aranburu.

Entretanto, atacou o líder da montanha, Guillaume Martin (Cofidis), mas este não conseguiria isolar-se de forma decisiva. Nos últimos metros, veio o ataque da abelha assassina, o monstro esloveno, o Canibal de Trbovlje, Primoz Roglic, com um ataque fortíssimo que deixou todos sem reação. Pela terceira vez nesta edição da Volta a Espanha, Roglic levantou os braços ao cruzar da meta, garantindo além de mais uma vitória uma bonificação de 10 segundos!

Ficou a ideia de que teria havido cortes no grupo, no entanto, após uma primeira análise dos comissários, foi decidido que não havia diferenças entre os primeiros classificados. Essa decisão seria, no entanto, revogada, determinando-se uma diferença de 3 segundos entre 8º e 9º da jornada. Carapaz tinha sido 14º, pelo que via assim a sua vantagem esfumar-se por completo. Roglic bonificou os 10 segundos da vitória e também esses 3 segundos, o que coloca o esloveno novamente no topo da geral, sendo Carapaz agora 2º com o mesmo tempo de Roglic! O 3º classificado da geral é o irlandês Dan Martin (Israel Start-Up Nation), a 25 segundos.

O melhor português da jornada acabou por ser Rui Costa, fechando no 44º posto, a 32 segundos de Rogla. Na geral, o campeão português é o melhor luso, seguindo na 37ª posição, a 43:37.

Amanhã disputa-se uma etapa duríssima, que promete impactar e muito a luta pela vitória na Volta a Espanha. Serão 170 km entre Villaviciosa e Lagos de Somiedo, no Alto de la Farrapona e 5 contagens de montanha, sendo que 4 delas serão de 1ª categoria, todas bastante exigentes, incluindo a contagem final, coincidente com a meta!

Rodrigo Rodrigues vence etapa no Passatempo e aumenta vantagem na classificação geral.

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