Tignes catapulta o “Cavaleiro de Gelo” O’Connor para a sua maior vitória!

O australiano Ben O’Connor (AG2R Citroen Team) conquistou a nona etapa do Tour de France, uma ligação de 144.9km entre Cluses e Tignes, chegando em solitário à meta final, situada acima dos 2000m de altitude em Tignes, após uma etapa hercúlea. O segundo lugar foi para o italiano Mattia Cattaneo (Deceuninck – Quick Step), que chegou já a 5:07, e o terceiro para o italiano Sonny Colbrelli (Bahrain Victorious), a 5:34.

A nona etapa do Tour de France foi também ela marcada por um dia bastante frio e chuvoso, em mais uma passagem pela região dos Alpes. Os ataques começaram desde cedo, e foi uma dupla composta por Davide Ballerini (Deceuninck – Quick Step) e Harry Sweeny (Lotto Soudal) a ganhar vantagem ao pelotão nos kms iniciais. A dupla chegou a ter uma diferença de 50s, mas a chegada à primeira contagem de montanha do dia, a segunda categoria do Côte de Domancy, foi decisiva para anular a iniciativa, com os ataques a acontecerem por parte de Julian Alaphilippe (Deceuninck – Quick Step), Pierre Latour (Team TotalEnergies), Michael Woods (Israel Start-Up Nation) e Nairo Quintana (Arkea Samsic).

Na parte de trás do pelotão, o grupeto começava já a formar-se, com Mark Cavendish (Deceuninck – Quick Step) a ser dos primeiros a descolar, acompanhado de três colegas de equipa. Os ataques continuaram a acontecer após a contagem, com Sonny Colbrelli (Bahrain Victorious) a mexer em busca do sprint intermédio e a ganhar uma vantagem de alguns segundos. Os diversos ataques sucederam-se e o pelotão começou a espalhar-se pela estrada em diversos grupos, perante a dureza da jornada e o forte ritmo.

Com Colbrelli adiantado, vários ciclistas foram fazendo a ponte para o Campeão Italiano, com um grupo de cerca de 40 ciclistas a ganhar 40 segundos ao pelotão. Na aproximação ao sprint, um grupo de 6 unidades que incluía os principais interessados nos pontos em disputa, ganhou vantagem, com Colbrelli a ser o mais forte e a bater Michael Matthews (Team BikeExchange) para conquistar os 20 pontos disponíveis.

A subida ao Col des Saises voltou a juntar toda a gente e os ataques voltaram a acontecer naturalmente. Com 7km para o topo, o líder da montanha, Wout Poels (Bahrain Victorious) isolou-se e ganhou uma vantagem entre 15 e 20 segundos para um grupo que perseguia, composto por Nairo Quintana e Warren Barguil (Arkea – Samsic), Michael Woods (Israel Start-Up Nation), Ben O’Connor (AG2R Citroen Team), Ruben Guerreiro e Sergio Higuita (EF Education – Nippo), Sepp Kuss (Jumbo – Visma), Mattia Cattaneo (Deceuninck – Quick Step), Guillaume Martin (Cofidis), Lucas Hamilton (Team BikeExchange) e Omar Fraile (Astana – Premier Tech). O grupo foi-se mantendo junto na perseguição, mas com 2km para o topo Quintana, Woods, O’Connor e Higuita ganharam vantagem aos restantes, e já dentro do último km foi o colombiano da Arkea a atacar para alcançar Poels sobre o risco da meta de montanha, mas sem conseguir passar o holandês.

O pelotão fez uma subida bastante tranquila, e cruzou o topo com 6 minutos de desvantagem para Poels e Quintana, mostrando estar bastante tranquilo e pouco preocupado com a vantagem que os muitos escapados levavam. Quintana continuou sozinho na descida, enquanto Poels perdeu alguns metros, mas sem perder o colombiano de vista. O grupo de Woods seguia a 20s de atraso, enquanto o grupo de Kuss e Guerreiro rolava já a 1:10. Hamilton estava intermédio e conseguiu também ele reentrar no grupo de Woods, perfazendo assim um quarteto na perseguição da dupla adiantada.

Na entrada para a subida mais difícil desta primeira semana, o Col du Pré, a única contagem de categoria especial da primeira semana, e na passagem pela zona de alimentação apeada, o grupo na dianteira fracionou-se, com Woods e Poels a perderem terreno para o restante quarteto. Woods ainda conseguiu descarregar Poels e regressar ao grupo, mas o holandês líder da montanha teve maior dificuldades, e manteve-se a uma distância de 15-20s do quinteto que já seguia com Woods, e os restantes 30 ciclistas intermédios já a dois minutos.

Tadej Pogacar voltou a ganhar tempo aos adversários.

A 71km do final, Poels voltou a reentrar no grupo da frente, mas não por muito tempo, voltando a descair logo de seguida e a rodar a 15s de desvantagem do quinteto. Os abandonos do dia também começavam, e depois de Roglic e van der Poel não partirem, era o francês Nans Peters (AG2R Citroen Team) a não chegar ao fim da primeira semana de corrida. No pelotão, Richie Porte (Ineos Grenadiers) passava por dificuldades e descolava, não podendo auxiliar o equatoriano Richard Carapaz na fase decisiva da jornada. Os abandonos prosseguiram com o belga Tim Merlier (Alpecin – Fenix) a retirar-se, após já ter conquistado uma vitória de etapa, tal como no Giro d’Itália.

Vários ciclistas foram passando por dificuldades na subida mais difícil da jornada, mesmo sendo o norueguês Vegard Stake Laengen (UAE Team Emirates) a comandar o pelotão, ele que não é propriamente um bom trepador. Wout van Aert (Jumbo – Visma) também passou por dificuldades, e acabou por abdicar da luta pela classificação geral, já que esse não era o objetivo do Campeão Belga.

A 2km do topo do Col du Pré, Hamilton perdeu contacto de vez com o grupo da frente, e pouco depois foi Nairo Quintana a atacar em busca da liderança da classificação da montanha. Woods ainda conseguiu seguir numa fase inicial, mas Quintana estava noutro nível, e passou em primeiro na contagem sem grandes dificuldades. Woods, O’Connor e Higuita passaram na frente com 10s de desvantagem, e na curta descida que se sucedeu, Higuita e O’Connor conseguiram efetivamente chegar à frente, deixando Woods a meio caminho, e o canadiano rapidamente perdeu imenso terreno enquanto isolado.

Pouco depois assistíamos a mais uma situação pouco comum, com Julian Alaphilippe (Deceuninck – Quick Step) completamente encharcado a parar para trocar de roupa, e na frente era o próprio Nairo Quintana a trocar de jersey enquanto em andamento.

O trio na frente colaborou muito bem ao longo da penúltima subida do dia, e foi continuando a ganhar vantagem para os adversários, enquanto todos se tentavam agasalhar com o frio a notar-se cada vez mais. O pelotão rodava a 8:30, ainda com Marc Hirschi ao comando, e a UAE Team Emirates pouco preocupada em fechar o espaço que se criava, e até a liderança virtual de O’Connor.

Na longa descida para a contagem final, Higuita e Quintana distanciaram-se de O’Connor, mas o australiano não atirou a toalha ao chão. Higuita ainda chegou a ficar sozinho sem Quintana, mas o colombiano esperaria pelo compatriota e os dois seguiram juntos durante uma dezena de kms, até O’Connor progressivamente se reaproximar e reentrar na frente para a disputa da etapa na subida a Tignes. No pelotão, a UAE manteve-se ao controlo e na descida uma situação caricata aconteceu, com Brandon McNulty a distrair-se na frente do pelotão e a cair numa zona em relvado.

Com a junção do trio novamente a acontecer a 25km da chegada, O’Connor aproveitou para respirar um bocadinho e acelerar mal o terreno inclinou, deixando rapidamente Nairo Quintana em dificuldades. O conceituado colombiano passou um momento menos bom, provavelmente devido a má alimentação. O’Connor e Higuita seguiram na frente com o australiano a parecer mais capaz que o compatriota de Quintana, e com 17km para o final foi o momento para atacar e se isolar na frente da corrida em busca da vitória da etapa, abrindo rapidamente 30s de diferença, uma vantagem que cresceu progressivamente.

Rui Costa voltou a estar em destaque ao trabalho no pelotão.

No pelotão, a UAE aumentava o ritmo, com Rui Costa, Davide Formolo e Rafal Majka no auxílio a Pogacar. O ciclista português fez uma grandíssima primeira semana sempre muito bem no auxílio ao líder da UAE Team Emirates e a mostrar uma importantíssima capacidade como chegamos a ver nos tempos áureos da Movistar. O pelotão era já bastante reduzido, e quase que até o poderíamos chamar de grupo do camisola amarela, já que era composto por apenas 25 unidades.

O’Connor continuava a ganhar tempo, tendo ganho 3:00 a Higuita em 8km de subida, pelo que a vitória estava no bolso para o ciclista australiano. Pogacar seguia a quase 8:00, com Formolo a comandar o grupo com Rui Costa na sua roda, e depois logo o próprio esloveno. O ritmo era alto, quer na frente quer no grupo do líder, e os ataques não conseguiam sequer acontecer.

A Ineos assumiu o controlo do grupo do camisola amarela, com Jonathan Castroviejo a tomar conta do pelotão e a colocar um ritmo que deixou bastante gente em dificuldade, incluindo o próprio Rui Costa, que era o único homem restante no bloco do camisola amarela. O grupo ficou apenas reduzido aos líderes das respetivas equipas, e foi Geraint Thomas a assumir o pelotão. Depois de uma ontem ter perdido tempo, o britânico apareceu hoje em grande nível para auxiliar Carapaz e mostrou que pode ainda ser muito útil no que resta de Tour.

A vantagem de O’Connor foi caindo um pouco e o australiano voltou a perder a liderança virtual da corrida, após o trabalho da Ineos, numa fase em que o próprio já seguia de língua de fora, tal era o esforço e a dificuldade de chegar aos 2000m de altitude. Thomas fez a vantagem reduzir-se ainda mais, mas O’Connor estava já com as duas mãos na vitória de etapa e para lá cavalgou, alcançando assim a sua primeira vitória de etapa no Tour de France, e subindo à segunda posição da classificação geral!

A 4km da chegada, Richard Carapaz lançou um forte ataque, tendo sido rapidamente seguido por Pogacar, e depois por Kelderman trazendo Mas, Vingegaard e Uran. Na resposta, Pogacar lançou um fortíssimo ataque e foi embora em solitário, deixando os adversários da geral completamente a pé. Uran tentou responder pouco depois, mas não conseguiu despoletar colaboração no grupo para perseguir o camisola amarela. Vingegaard assumiu o grupo, mesmo não sendo ele o mais prejudicado, mas não dava para o grupo se aproximar do esloveno.

Já dentro dos 3km finais, Enric Mas desferiu um grande ataque, que foi rapidamente seguido por Uran e por Carapaz, com Kelderman e Vingegaard a passarem por mais dificuldades. Os cinco ainda se voltaram a juntar para os metros finais, mas Kelderman acabou por ceder algum terreno. Pogacar foi sexto, chegando a 6:02, o que lhe permitiu ganhar mais 32s sobre Carapaz e os restantes favoritos, que hoje chegaram a 6:34. Kelderman chegou a 6:47, e os que mais tempo perderam, David Gaudu e Alexey Lutsenko, chegaram já a 7:32.

Com este resultado, Tadej Pogacar aumenta a liderança da classificação geral e da juventude. Nairo Quintana é o novo líder da classificação da montanha e Mark Cavendish (Deceuninck – Quick Step) mantém a liderança da classificação por pontos.

Quanto aos portugueses, Ruben Guerreiro (EF Education – Nippo) fez uma grande jornada na fuga, e foi 12º a 6:47. Rui Costa (UAE Team Emirates) teve um grande dia de trabalho e foi 37º a 17:49.

Classificações Completas

Classificações do Passsatempo

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