Tadej Pogacar vence Liege Bastogne Liege e conquista primeiro Monumento da Carreira!

O esloveno Tadej Pogacar (UAE Team Emirates) venceu esta tarde a 107ª edição da Liege Bastogne Liege, batendo ao sprint, após 259.1km de corrida, o francês Campeão Mundial Julian Alaphilippe (Deceuninck – Quick Step), e o também francês David Gaudu (Groupama – FDJ), com o veterano espanhol Alejandro Valverde (Movistar) a ficar de novo às portas do pódio e a ser quarto classificado num dia em que rubricou mais uma excelente exibição.

A edição de 2021 da Liège-Bastogne-Liège consistia num percurso de 259.1 km, com a habitual partida e chegada na cidade de Liège, na região belga da Valónia. No menu, constavam 12 colinas, com o principal destaque em termos de decisão de corrida a ir para as três últimas: a Côte de La Redoute (1.9 km a 8.9%, com zonas a 20%!), a Côte des Forges (1.3 km a 6.8%), e a Côte de la Roche-aux-Faucons (1.2 km a 10.9%), que seria a última dificuldade do dia, antecedendo 15 km em descida e plano até à meta no centro de Liège.

No início da corrida, formou-se a fuga da jornada, com a movimentação de: Laurens Huys e Mathijs Paasschens (Bingoal Pauwels Sauces WB), Loïc Vliegen e Lorenzo Rota (Intermarché-Wanty-Gobert Matériaux), Sergei Chernetski (Gazprom-Rusvelo), Tomasz Marczynski (Lotto Soudal), e Aaron Van Poucke (Sport Vlaanderen-Baloise). Este grupo conseguiu alcançar uma vantagem de 5 minutos, quando faltavam ainda 246 km para o final.

O pelotão estava satisfeito com esta situação de corrida e, com tantos km ainda por percorrer, havia margem para deixar a fuga ganhar terreno. Com 233 km para a meta, eram 10 os minutos que separavam os corajosos do dia do grupo principal de atletas. Com essa marca atingida, algumas equipas acordaram da hibernação em que seguiam, nomeadamente aquelas que levavam os grandes candidatos à vitória, como a Deceuninck-Quick Step, a Jumbo-Visma, e a UAE-Team Emirates. Com o pelotão a controlar o ritmo, a vantagem dos fugitivos estabilizou em torno dos 10 minutos durante vários km, sendo a margem que se verificava quando a fuga atingiu as primeiras subidas do dia, já dentro dos 200 km finais.

A primeira dificuldade consistia na Côte de La Roche-en-Ardenne (2.8km a 6.2 %), com as seguintes ascensões a sucederem-se até ao final. A partir desse ponto, a fuga começou a perder tempo.

As subidas iam sendo ultrapassadas, com a principal consequência para já a ser apenas a perda de tempo da fuga. Com 100 km para a meta, o avanço era de 6:23.

A 82 km do final, começam as mexidas no pelotão, com o campeão espanhol Luis Leon Sanchez (Astana) ao ataque, sendo acompanhado por diversos corredores. A 75 km do final, com a fuga já a 4:23, continuavam as movimentações, agora com Philippe Gilbert (Lotto) e elementos da Deceuninck, da Astana, da Ag2R, entre outras, a testarem as águas antes de mergulharem decisivamente nos ataques.

A 72 km da meta, ataca o campeão olímpico, Greg van Avermaet (Ag2R), com vários ciclistas a seguirem o belga. Com o ritmo a aumentar cada vez mais, a margem da fuga caía para 2:23 com 60 km para a meta, enquanto no pelotão nomes como Brandon McNulty e Enric Mas iam passando dificuldades.

Era possível ver os grandes favoritos à vitória na frente do grupo principal, entre eles Julian Alaphilippe, ladeado por João Almeida, com o português hoje num papel de apoio dentro do Wolfpack.

Com a noção de que se a corrida não fosse atacada de longe, os favoritos iriam facilmente impor-se nas subidas finais, as restantes equipas iam fazendo pela vida, lançando ciclistas ao ataque e tentando quebrar o pelotão ainda antes das fases de maior decisão da competição.

A 50 km do final, a vantagem dos fugitivos crescia para os 4 minutos, com um grupo intermédio formado por Mark Padun (Bahrain Victorious), Mark Donovan (Team DSM), e Harm Vanhoucke (Lotto Soudal), a rodar de forma equidistante entre fuga e pelotão.

Aproximava-se a passos largos o tríptico final de subidas que iria decidir a corrida. À entrada da Côte de la Redoute, com a fuga já abaixo dos 2 minutos de vantagem, o grupo da frente desfez-se, enquanto no grupo principal era a Ineos a controlar, com João Almeida perto da frente do grupo.

No entanto, a Ineos forçou o andamento e conseguiu mesmo quebrar o pelotão, deixando a Deceuninck cortada numa fase em que Julian Alaphilippe estava menos bem posicionado. Mauri Vansevenant e James Knox acabaram por levar depois o Campeão Mundial de novo ao grupo principal, numa fase em que a frente ia perdendo tempo e Loic Vliegen se juntava a Huys e Rota e os passava diretamente.

A 24km do final em nova subida Vliegen ficou a pé na estrada, e a Ineos voltou a aumentar o ritmo, alcançando também o duo de Huys e Rota. O gripo principal acabou mesmo por partir com as acelerações de Tao Geoghegan Hart, com a equipa britânica a colocar Yates e Carapaz num grupo que incluía Tadej Pogacar, David Gaudu e Sergio Higuita, entre outros. O grupo que ficou mais atrás viu a Movistar assumir a perseguição, na companhia da Astana e da QuickStep, com muitos dos líderes aí presentes.

A 21km do final, Richard Carapaz (Ineos Grenadiers) atacou e isolou-se do grupo da frente, quando ninguém quis perseguir o equatoriano que tentava alcançar uma belíssima vitória. O grupo de Pogacar preferiu depois esperar pelo grupo com os restantes líderes para se poder assumir uma perseguição mais coordenada, o que acabou por acontecer pouco depois com a vantagem de Carapaz a situar-se nos 20s com 19km para a meta.

A vantagem manteve-se quando Carapaz entrou no Côte de la Roche-aux-Faucons, e no já bastante pequeno pelotão era James Knox (Deceuninck – Quick Step) quem trabalhava e colocava um ritmo altíssimo, e levava os favoritos atrás de si à procura de colocação para responder aos possíveis ataques. Davide Formolo (UAE Team Emirates) meteu uma mudança a mais a 400m do topo, e rapidamente conseguiu alcançar Carapaz, levando consigo um conjunto muito interessante de ciclistas. Michael Woods (Israel Start-Up Nation) acelerou após esse momento, com Gaudu a responder de novo na companhia de Alejandro Valverde (Movistar), Julian Alaphilippe (Deceuninck – Quick Step) e Tadej Pogacar (UAE Team Emirates). Primoz Roglic (Jumbo – Visma) não conseguiu responder à movimentação de Woods, e acabou por ficar num segundo grupo com Jakob Fuglsang (Astana – Premier Tech), Marc Hirschi e Davide Formolo (UAE Team Emirates).

A 12km do final, Roglic recebeu a companhia de um novo grupo maior que seguia mais atrás, mas o quinteto que liderava parecia estar a trabalhar bastante bem, pelo que seria um trabalho difícil chegar de novo à dianteira. Na última rampa do dia foi Michael Woods a acelerar de novo, com Alaphilippe a responder muito bem, e o resto do trio a chegar logo a seguir e a vantagem para o grupo de Roglic a aumentar cada vez mais. O esloveno que venceu a edição de 2020 tentou fechar o espaço com Michal Kwiatkowski (Ineos Grenadiers) agarrado à sua roda e a UAE Team Emirates na marcação, mas a perseguição não era de todo a mais coordenada, com Hirschi e Formolo a destruírem os esforços de quem perseguia.

A vantagem foi aumentando para os 35s com 5km para o final, com a perseguição muito descoordenada e ninguém a querer levar os adversários para serem batidos no risco de meta. Na frente, a coordenação era praticamente perfeita, e onde todos trabalhavam, a harmonia não podia ser melhor.

A 1.5km do final, Woods lançou um primeiro ataque, mas sem sucesso, e foi Alaphilippe quem entrou na frente no km final, com a típica paradinha para o sprint a acontecer. Na última curva, Valverde acabou por ser apanhado desprevenido e ficou na frente do grupo, numa fase em que já se via a perseguição a tentar chegar à frente. O sprint foi lançado ainda cedo pelo espanhol, que temia a chegada do grupo da perseguição, e quando parecia que Alaphilippe tinha tudo para vencer, o francês acabou por ser batido uma vez mais sobre o risco de meta sobre um esloveno, desta vez sem ter os braços no ar. E era a vitória de Tadej Pogacar, a primeira num Monumento, para um jovem de 22 anos que tem o Mundo pela frente!

Rui Costa (UAE Team Emirates) e João Almeida (Deceuninck – Quick Step) chegaram na 62ª e na 64ª posição, respetivamente, a 3:06 do vencedor.

O sprint final

O lançamento de bicicleta para a vitória

Classificações

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Releated

Please turn AdBlock off  | Por favor desative o AdBlock