Sobre gravilha e debaixo de chuva! Vitória à campeão de Bernal!

O colombiano Egan Arley Bernal Gómez, da Ineos Grenadiers, triunfou na chegada em alto da 9ª etapa do Giro d’Italia, ao ser o mais forte na subida em gravilha que marcava o final da jornada! No 2º posto, terminou o italiano Giulio Ciccone, da Trek-Segafredo, enquanto Aleksandr Vlasov, da Astana, quedou-se pela 3ª posição. Com esta vitória, Bernal assume a liderança da corrida italiana, passando a ser ele a envergar a camisola rosa, com o anterior líder Attila Valter a ceder tempo, embora apenas na última subida.

Quanto aos portugueses, Ruben Guerreiro esteve na fuga, sendo alcançado pelo pelotão já perto do final, enquanto Nelson Oliveira trabalhou para a sua equipa, tal como João Almeida, que conseguiu ainda fechar no 10º lugar da etapa, a 12 segundos da frente da corrida, tendo subido dois lugares na geral, onde continua a ser o melhor luso, no 23º lugar, a 4:55 de Bernal.

A 9ª etapa do Giro d’Italia apresentava uma ligação de 158 km, entre Castel di Sangro e Campo Felice (Rocca di Cambio), uma jornada montanhosa, com um final em alto, numa subida de 1ª categoria, curta, mas com um km final em gravilha e com inclinações máximas de 14%!

No início da etapa, começaram os ataques, com Ruben Guerreiro entre os mais inconformados, tal como na etapa de ontem. Um grupo de fugitivos conseguiu escapar, ao fim de mais de 30 km, mas neles seguiam Damiano Caruso (Bahrain) e também Daniel Martinez (Ineos), o que deixava bastante frustrados os restantes elementos da fuga. A vantagem não subia, o que permitia alguns contra-ataques no pelotão.

A 117 km do final, com a Bahrain- Victorious a dinamitar a corrida, dá-se uma queda arrepiante para um dos grandes animadores desta Volta a Itália, Matej Mohoric, com o esloveno a sair disparado da sua máquina, numa curva em descida, aterrando sobre o pescoço contra o asfalto! O homem da Bahrain acabou por abandonar a corrida e ser transportado para o hospital, com o pescoço imobilizado com um colar cervical.

A 92 km do final, um grupo de 10 corredores seguia na frente, mas com apenas 20 segundos de avanço sobre o pelotão. Logo depois, ataca Ruben Guerreiro do pelotão, juntando-se a um grupo que continha: Tony Gallopin (AG2R), Geoffrey Bouchard (AG2R), Luís León Sánchez (Astana), Filippo Zana (Bardiani), Matteo Fabbro (BORA), Nicolas Edet (Cofidis), Simon Carr (EF), George Bennett (Jumbo-Visma), Kevin Bouwman (Jumbo-Visma), Tanel Kangert (BikeExchange), Michael Störer (DSM), Bauke Mollema (Trek), e Diego Ulissi (UAE-Team Emirates). A 82 km do final, este grupo levava 1:34 de vantagem sobre o pelotão.

Juntavam-se depois à fuga Einer Rubio (Movistar), Giovanni Visconti (Bardiani), e Eduardo Sepúlveda (Androni) numa altura que a margem era de 2:21, com 67 km para a meta. No pelotão controlava a equipa do líder Attila Valter, da Groupama-FDJ, contente de existir uma situação de corrida mais estabilizada por esta altura. À entrada dos 50 k m finais, a diferença continuava a subir, mas muito lentamente, situando-se nos 3:05.

A 33 km do final, com a diferença entre fuga e pelotão a baixar a barreira dos 3 minutos, vinha para a frente do pelotão a Ineos Grenadiers, o cenário menos amigável para o sucesso dos escapados. Num curto espaço, a margem da fuga diminuiu mais de 30 segundos, numa fase em que faltava ainda uma subida de 2ª categoria, além da 1ª categoria final. Cientes da aproximação do pelotão, os fugitivos deram corda aos sapatos, forçando o ritmo na subida. Faltavam 30 km para o final e a diferença era de 2:16. Começavam os ataques entre os homens da frente, com Ruben Guerreiro entre os homens a tentar sair do grupo.

Na frente, acabariam por ficar Bouchard e Carr, com os restantes fugitivos a tentarem alcançar o duo da frente. Com 23 km para a meta, eram 3 os minutos a separar a dupla da frente do pelotão. Lá atrás, mudava o figurino da corrida, com a Bahrain, a Astana, e a Alpecin-Fenix a tomarem conta da frente do grupo principal, juntando-se ainda a equipa do líder, a Groupama-FDJ, com o ritmo a aumentar e a distância para a frente a diminuir. Pela frente passava também um dos homens da geral, Remco Evenepoel, da Deceuninck Quick-Step, numa altura em que no reduzido pelotão começavam a escassear as unidades de trabalho em algumas equipas.

Faltavam 13 km para o fim, incluindo os 6 km da subida final, e a margem dos dois fugitivos era de 2:22 sobre o pelotão e de 14 segundos para o primeiro grupo de perseguidores.

A 9 km da meta, Bouchard atacou, deixando Carr para trás, rumando sozinho em direção à vitória. Formava-se um grupo de quatro na perseguição ao francês, com Carr, Mollema, Storer, e Bowman. O pelotão, cada vez mais reduzido, rodava a 2:12 do homem da AG2R, e ainda não estava garantida a vitória da fuga!

No pelotão, passava para a frente a Movistar, colocando Dario Cataldo e Nelson Oliveira na dianteira no grupo principal, preparando a subida final para Marc Soler. Bouchard rodava bem na frente, entrando na subida final com 23 segundos de avanço sobre o grupo de perseguidores e 1:55 sobre o pelotão, já a menos de 6 km para a meta.

Vinha depois para a frente a Ineos, e a diferença voltava a baixar para os fugitivos, com o líder Attila Valter a descair no grupo principal. Estava em risco a camisola rosa do jovem húngaro, depois de tanto trabalho da equipa francesa ao longo da jornada! João Almeida seguia bem colocado, oferecendo proteção a Evenepoel, e caminhando para mais um dia de subida na classificação geral do Giro.

A 4 km do final, ataca Bowman no grupo de perseguidores, com Mollema a tentar seguir o homem da Jumbo-Visma na peugada de Bouchard!

A 2 km do risco de meta, e à entrada dos 1.600 m finais, com piso em gravilha, a chuva fazia-se sentir com intensidade, tornando o final ainda mais épico! Na frente, seguia Bouchard, com Bowman muito perto do francês, e com o pelotão a 50 segundos, mas a aproximar-se a todo o gás!

Na parte final, com o sterrato a fazer mossa nos dois homens da frente, o pelotão galgou metros, numa velocidade bem elevada, tornando muito complicada a missão dos dois sobreviventes da fuga.

Quem parecia passar dificuldades no pelotão era Remco Evenepoel, com Almeida bem colocado na frente e olhar para trás, em busca do seu líder. O pelotão despedaçava-se, com Gianni Moscon a dizimar o grupo, levando Bernal na sua roda, com Almeida e Ciccone logo atrás dos dois Ineos.

Depois atacou Aleksandr Vlasov (Astana), sendo seguido por Bernal e Ciccone. E à entrada dos 500 m finais, na zona mais dura do km final, ataca Bernal, de forma demolidora, levando Ciccone na roda, e passando direto por Bouchard e Bowman! A aceleração do homem da Ineos foi devastadora para toda a concorrência, e mesmo Ciccone não foi capaz de aguentar a pedalada diabólica do antigo campeão da Volta a França! O ritmo brutal de Bernal no piso de terra batida, já bastante fustigado pela chuva, não deu qualquer hipótese, confirmando uma grande vitória para a equipa britânica!

Na meta, passou em primeiro Bernal, visivelmente desgastado depois de um final bem duro, em vários sentidos. No 2º posto, terminou Ciccone, com Vlasov a ser 3º, ambos a 7 segundos do vencedor. Logo depois chegou Remco Evenepoel, que fez uma recuperação fantástica na parte final da etapa, terminando em conjunto com Dan Martin (Israel), os dois a 10 segundos de Bernal.

Desta forma, o ciclista colombiano assume a camisola rosa, com 15 segundos de avanço sobre Remco Evenepoel e 21 sobre Aleksandr Vlasov, com Giulio Ciccone no 4º posto, a 36 segundos.

João Almeida fez uma excelente subida final, terminando no 10º lugar da etapa, a 12 segundos de Bernal, o que lhe permitiu subir dois lugares na CG, onde ocupa agora o 23º posto, a 4:55 da rosa.

Quanto a Ruben Guerreiro, que acabou por ser alcançado pelo pelotão já na subida final, terminou no 32º lugar, a 1:13 do vencedor. Na geral, o Iceman de Pegões subiu três posições, seguindo agora no 25º posto, a 7:18 de Bernal.

Já Nelson Oliveira, da Movistar, teve um dia de trabalho em prol da formação espanhola, fechando a jornada na 76ª posição, a 8:42 da frente da corrida.

O primeiro dia de descanso desta Volta a Itália virá apenas na terça-feira, sendo que amanhã disputa-se ainda a 10ª etapa da prova, com uma ligação de 139 km, entre L’Aquila e Foligno, num dia com algum sobe e desce, mas que poderá acabar por sorrir aos sprinters do pelotão.

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