Show de Sagan e Almeida num grande dia de ciclismo!

Num grandioso dia de ciclismo, muito semelhante a uma clássica, o eslovaco Peter Sagan, da BORA-hansgrohe, conseguiu levar de vencida a décima etapa da Volta a Itália, voltando às vitórias mais de um ano depois, numa bela demonstração de força e querer ao conseguir vencer a partir da fuga do dia.

Na segunda posição, ficou o norte-americano Brandon McNulty (UAE-Team Emirates), enquanto no terceiro posto terminou o líder da competição, o Foguete das Caldas, João Almeida (Deceuninck-Quick Step)! O ciclista de 22 anos realizou mais uma grande exibição, colocando todos os favoritos em sentido ao longo do dia e no sprint final que garantiu importantes segundos de bonificação. Almeida aumenta a sua vantagem em quatro segundos, possuindo agora 34 segundos sobre o segundo classificado, o holandês Wilco Kelderman (Team Sunweb).

A décima jornada do Giro d’Itália apresentava uma extensão de 177 km entre Lanciano e Tortoreto, com quatro contagens de montanha, duas de terceira categoria e duas de quarta, além de diversas ascensões curtas e duras não categorizadas. A última ascensão do dia seria uma quarta categoria, com 1.9 km a 7.4%, colocada a 11 km do final, e surgia na sequência de várias subidas semelhantes.

Se a hipótese da fuga vencer existia claramente, em função do perfil da etapa e do reduzido número de candidatos a controlar a corrida, o anúncio antes da partida que Michael Matthews tinha abandonado a competição, fruto de um teste positivo à covid-19, significava que provavelmente apenas a BORA iria controlar a etapa, com intenções de levar Sagan à vitória ao sprint. Ciente do esforço que teria de despender para controlar uma tirada deste género, a formação alemã optou por outra estratégia, que o Ciclismo Mundial já tinha referido na preview: colocar Peter Sagan na fuga e acreditar que esta teria mesmo uma forte chance de triunfar. Refira-se que duas equipas não alinharam à partida para a etapa: a Jumbo-Visma, em função do teste positivo de Steven Kruijswijk, e da Micthelton-Scott, na sequência de quatro testes positivos a elementos do staff da formação australiana.

No início da jornada, muitos ciclistas estavam de olhos postos na fuga, pelo que os ataques foram mais que muitos nos primeiros km. O ritmo era frenético e apenas ao fim de 90 km (!) é que uma verdadeira fuga foi finalmente formada.  Na frente seguiam então Peter Sagan (BORA-hansgrohe), Filippo Ganna e Ben Swift (INEOS), Simon Clarke (EF Pro Cycling), Jhonatan Restrepo (Androni Giocattoli-Sidermec), Dario Cataldo e Davide Villella (Movistar), Ignatas Konovalovas (Groupama-FDJ), Giulio Ciccone (Trek-Segafredo), Nicolas Edet e Stéphane Rossetto (Cofidis).

Este grupo demorou a estabelecer uma vantagem confortável devido ao trabalho da Groupama-FDJ, que fez recuar Konovalovas para auxiliar na perseguição, de modo a proteger a camisola dos pontos de Arnaud Démare, ele que também ia passando na frente do pelotão. O trabalho da equipa francesa parecia que ia colher os frutos desejados quando a fuga estava apenas a 20 segundos, no entanto, a Groupama não terminou o trabalho e, com 100 km para o final, os fugitivos voltavam a ganhar algum fôlego na dianteira. Ao fim de 30 km diabólicos, a Groupama desistiu da ideia de anular a fuga, pensando certamente que amanhã é um novo dia e uma oportunidade para recuperar pontos para Sagan, de certa forma reconhecendo e respeitando o esforço do eslovaco. Assim, a situação acalmou, com a fuga a aumentar o seu avanço para a casa dos cinco minutos.

Depois foi a UAE-Team Emirates que tomou as rédeas do pelotão, na tentativa de controlar a etapa e oferecer mais uma vitória a Diego Ulissi. Com a entrada nos 55 km finais, que apresentavam uma sequência de subidas curtas e duras até à meta, outras equipas, como a NTT, colocaram as mãos na massa, procurando eliminar a fuga. A vantagem do grupo da frente era de 2:30.

Nas várias subidas que se seguiram, os homens da fuga atacaram-se entre si na busca da vitória na etapa e, com 25 km para o final, a vantagem dos seis homens que sobreviviam na frente era apenas de 45 segundos. A chuva tornava a corrida dura e o piso escorregadio e perigoso, especialmente nas descidas.

Nesse momento, começam as movimentações no pelotão, com o ataque do terceiro à geral, o espanhol Pello Bilbao. A NTT, que tanto vinha a trabalhar, viu o seu líder, Domenico Pozzovivo, a furar numa péssima altura o que estragou os planos da equipa sul-africana. O italiano conseguiria, no entanto, recolar novamente e mais tarde atacar, numa enorme mostra de força.

Numa das subidas não categorizadas, a fuga desfez-se definitivamente, com o ataque de Sagan e Swift. Villella manteve a dupla à vista, enquanto Bilbao vinha com tudo para alcançar a frente. No pelotão seguiam apenas cerca de 30 corredores e a diferença para a frente era de meio minuto. A Deceuninck e João Almeida puxavam no pelotão, em busca de Bilbao, o que colocava todos os restantes favoritos com a faca no pescoço! Grande demonstração de categoria da equipa e do seu líder!

Na subida final, Sagan atacou Swift, quando Bilbao estava prestes a alcançá-los. No alto, Sagan levava 13 segundos de vantagem para Bilbao que entretanto tinha passado Swift.

No mesmo local onde atacou Sagan, atacou pouco depois o líder! Poucas palavras sobram para descrever aquilo que João Almeida vai fazendo por estes dias em terras transalpinas. Grande ataque do português a colocar todos em sentido! Kelderman e Pozzovivo também aceleraram e pouco depois Fuglsang tinha um problema mecânico que o faria perder tempo precioso.

Nos 7 km finais, em plano, seguia Sagan isolado, com 25 segundos de avanço sobre o reduzido grupo de favoritos, com 13 corredores, que pouco depois apanhou Bilbao e onde os ataques se sucediam em catadupa!

A vantagem de Sagan manteve-se na ordem dos 20 segundos à entrada do km final e a vitória não fugiria ao tricampeão do mundo! Num regresso às vitórias mais de um ano depois, o Hulk de Zilina triunfou em solitário, como fez na Volta a Flandres de 2016! O eslovaco completa o Grand Slam, com vitórias em etapas nas três grandes voltas, o 100º ciclista a consegui-lo!

O dia extraordinário de Sagan fica completo com o encurtar de distâncias na classificação dos pontos, estando agora apenas 20 pontos atrás do campeão francês Arnaud Démare.

Atrás de Sagan, no grupo de favoritos, McNulty ainda atacou mas não conseguiria ir muito longe. O seu esforço foi, no entanto, suficiente para o segundo posto, a 19 segundos de Sagan. Chegaria depois o grupo de favoritos, a 23 segundos do vencedor, encabeçado pelo incrível João Almeida, a forçar o andamento nos metros finais numa demonstração de nível mundial. O sprint para o terceiro lugar garante quatro segundos de bonificação, fazendo aumentar a vantagem de Almeida na geral para 34 segundos sobre Kelderman, 43 sobre Bilbao, 57 sobre Pozzovivo, e 1:01 sobre Vincenzo Nibali. O maior derrotado do dia acabou por ser mesmo Fuglsang, que perdeu 1:15 para Almeida.

Na classificação da juventude, com Vanhoucke a perder tempo, a vantagem de Almeida é agora de 1:19 sobre Jai Hindley e 2:39 sobre McNulty.

Ruben Guerreiro foi 59º, a 15:51, e na geral é agora 35º a 31:58 do compatriota. Na classificação da montanha, não houve alterações entre os primeiros classificados, mantendo-se Guerreiro na liderança, com 84 pontos, com Visconti no segundo lugar com 76.

Amanhã corre-se a décima primeira etapa do Giro d’Itália, com dois portugueses a liderar três das quatro competições individuais da prova. Serão 182 km entre Porto Sant’Elpidio e Rimini e apenas uma subida de quarta categoria, numa jornada que deverá ser discutida ao sprint.

Henrique Silva voltou a vencer no Passatempo e está na luta pela classificação geral!

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