Quem não tem Bennett, caça com Devenyns! Mais uma para a Deceuninck!

O belga Dries Devenyns, da Deceuninck – Quick Step, venceu a Cadel Evans Great Ocean Road Race, primeira “clássica” do calendário World Tour, batendo num sprint a dois o russo Pavel Sivakov, da Team INEOS.

Apenas algumas horas depois de Zdenek Stybar surpreender os sprinters na sexta etapa da Vuelta a San Juan, na Argentina, foi a vez do seu companheiro de equipa protagonizar mais uma surpresa, desta feita em solo australiano, oferecendo mais uma vitória ao rolo compressor belga, que ameaça desde cedo repetir o feito das últimas sete temporadas e ser a equipa com mais vitórias do panorama velocipédico internacional.

A previsão de uma chegada massiva e de um embate a três entre Caleb Ewan (Lotto-Soudal), Sam Bennett (Deceuninck), e o campeão europeu e vencedor desta prova no ano passado, Elia Viviani (Cofidis), saiu gorada, com a corrida a decidir-se através dos ataques no circuito final.

Disputada junto à costa australiana, no estado de Victoria, a prova que obtém o seu nome do antigo vencedor da Volta à França teve partida e chegada em Geelong, perto de Melbourne, numa distância de 171 km. Embora maioritariamente plano, o percurso apresentava algumas dificuldades, em particular no circuito final, com quatro passagens em Challambra Crescent, ascensão com apenas 1,2 km de extensão mas com 8,7% de inclinação média e com zonas a 20%! Ao contrário do que aconteceu na corrida das senhoras, a prova masculina disputou-se sem chuva.

A grande animadora durante grade parte da corrida foi a seleção nacional australiana (Kordamentha Real Estate Australia). Logo a partir do primeiro km, nada mais nada menos que três ciclistas da equipa lançaram-se ao ataque. Contudo, esta primeira ofensiva não durou muito, fruto do trabalho da Team INEOS, que procurou explorar os ventos laterais chegando mesmo a provocar alguns cortes no pelotão. A equipa britânica, sem um claro candidato à vitória nesta corrida, alinhou com um bloco musculado, procurando certamente olear as tropas tendo em vista as clássicas de Primavera.

Não obstante os esforços da INEOS, com 140 km para o fim o pelotão estava todo junto, e é nessa altura que se forma a fuga do dia. Novamente a seleção australiana ao ataque, desta feita com dois elementos: Carter Turnbull e Elliot Schultz. Após um início de corrida nervoso, o pelotão deu-se por satisfeito com esta fuga a dois e relaxou um pouco, ficando o ritmo a cargo das equipas dos sprinters, em particular a Lotto Soudal. A fuga chegou assim até aos 6 minutos de vantagem, a cerca de 115 km para o fim, altura em que o pelotão começou aos poucos a pisar o acelerador, tendo em vista um sprint massivo em Geelong.

Com 80 km para o final, a fuga dispunha apenas de 1:30 de vantagem, e foi nessa altura que a INEOS voltou à carga na tentativa de fracionar o pelotão em echelons, embora mais uma vez sem o sucesso pretendido. Assim, foi mesmo no circuito final que a corrida se decidiu. A primeira passagem em Challambra Crescent eliminou logo um dos elementos da fuga, ficando Carter Turnbull a lutar em solitário contra um pelotão que parecia controlar os acontecimentos para a chegada ao sprint.

A 26 km do fim, já com o pelotão compacto, dá-se a movimentação decisiva da corrida, protagonizada pela Mitchelton-Scott, a representante australiana no World Tour. O objetivo era endurecer a corrida na penúltima subida, de forma a eliminar os sprinters, e depois arrumar a questão na última ascensão com um ataque do britânico Simon Yates e com o campeão sul-africano, Daryl Impey, de salvaguarda para um eventual sprint reduzido. O ataque resultou numa fuga de 17 elementos (5 da Mitchelton), que já não seriam apanhados mais pelo pelotão. Para trás ficou Sam Bennett, mas não ficaram Caleb Ewan nem Elia Viviani, o que certamente preocupava a Mitchelton.

Na última subida, Simon Yates atacou mesmo, o que afastou os sprinters da discussão. Contudo, o trabalho da Mitchelton não foi perfeito, pois logo de seguida atacou Impey, o que eliminou Yates, e depois, a 5 km do fim, Pavel Sivakov atacou e apenas Dries Devenyns foi atrás. Após alguma colaboração, os dois chegaram aos metros finais com espaço para o habitual jogo do gato e do rato, onde o experiente ciclista belga foi mais forte batendo o jovem russo da INEOS sem grande dificuldade. No sprint para o terceiro lugar, a quatro segundos do duo da frente, Daryl Impey impôs-se, batendo Jens Keukeleire (EF Cycling), Dylan Van Baarle (INEOS) e Jay McCarthy (BORA). Ewan foi 7º e Viviani 9º.

O único português em prova foi João Almeida, que contribuiu para mais uma vitória da Deceuninck, terminando em 53º, a 1:37 de Devenyns.

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