Portugueses em destaque num dia épico de ciclismo!

O belga Jasper Philipsen (UAE-Team Emirates) venceu a 15ª etapa da Volta a Espanha, batendo ao sprint os alemães Pascal Ackermann (BORA) e Jannik Steimle (Deceuninck-Quick Step)! Foi um dia em que a equipa dos Emiratos Árabes Unidos esteve em destaque: Rui Costa esteve na fuga e teve um dia duro de luta na frente da corrida e Ivo Oliveira, que também tentou estar na fuga, assistiu Philipsen para uma vitória numa jornada épica de ciclismo!

A 15ª etapa consistia na ligação mais longa da prova, num total de 230.8 km entre Mos e Puebla de Sanabria, muitos deles percorridos ao longo da fronteira com Portugal. Em condições normais, este seria o dia da chegada do pelotão à cidade do Porto, com a reorganização do trajeto da prova a significar a impossibilidade de a caravana entrar em território português. No menu, constavam 5 contagens de montanha de 3ª categoria e mais algumas ascensões não categorizadas. A última subida da jornada seria o Alto de Padornelo (6.8 km a 3.8 %), cujo topo estaria colocado antes de uma descida de 18 km até à meta. O último km apresentava um falso plano que, no caso de uma chegada em pelotão compacto, podia trocar as voltas aos homens mais pesados.

Como tem sido hábito, perante a possibilidade de uma fuga resultar novamente, o início da corrida decorreu em ritmo frenético, com uma panóplia muito alargada de corredores a tentarem a sua sorte, nomeadamente Ivo Oliveira (UAE-Team Emirates). Apenas ao fim de quase 80 km de prova, a fuga ficou finalmente definida, através de uma movimentação de 13 corredores, incluindo o campeão português Rui Costa (UAE-Team Emirates) e ainda Guillaume Martin (Cofidis), Julien Simon (Total Direct Energie), Jonathan Lastra (Caja Rural-Seguros RGA), Mattia Cattaneo (Deceuninck-Quick Step), Rob Power, Mark Donovan (Sunweb), Alex Aranburu, Luis Leon Sanchez (Astana), Nick Schultz, Robert Stannard (Mitchelton-Scott), Tim Wellens (Lotto Soudal), e Jose Joaquin Rojas (Movistar).

A fuga do dia (Photo by Justin Setterfield/Getty Images)

Com 120 km para o final, a fuga possuía uma vantagem de 5 minutos. No pelotão, começava a perseguir a BORA, tendo mais tarde a companhia da Trek, da NTT, e da Movistar, e a margem dos fugitivos começou a ser anulada.

Com 60 km para a meta, a vantagem da fuga rondava os 3 minutos. O vento frontal era um adversário de peso para todos os ciclistas, mas em especial para os fugitivos, que iam acusando o grande desgaste e com 47 km para o fim, a diferença era de apenas 1:50. O pelotão seguia alongado, com o vento a soprar forte, o que podia ameaçar cortes no grupo!

A 38 km do final, com o pelotão numa subida não categorizada, acusou o desgaste o irlandês Sam Bennett. Não seria dia para o sprinter da Deceuninck-Quick Step, mas no pelotão mantinha-se Pascal Ackermann e Jasper Philipsen, candidatos fortes a uma vitória em pelotão compacto. A diferença para a fuga baixava para baixo de 1 minuto! Na frente, quem também tinha atingido o limite era Tim Wellens, muito desgastado depois do dia de ontem, optando por poupar as energias e regressar ao pelotão.

A Deceuninck marcava também presença na frente do pelotão, pensando talvez em endurecer um pouco a corrida, caso a fuga fosse alcançada, de modo a reduzir um pouco o grupo principal, tendo em vista o sprint de Andrea Bagioli ou mesmo de Jannik Steimle.

Com 30 km para o fim, com o grupo da frente a caminho da última subida categorizada do dia, atacou Cattaneo, conseguindo uma vantagem de 23 segundos sobre os companheiros de fuga e 1:13 sobre o pelotão. Além de tentar a sua sorte na etapa, o italiano obrigava o pelotão a manter o ritmo alto, o que poderia prejudicar Ackermann e Philipsen.

No início da subida, Cattaneo tinha já 1 minuto de avanço sobre o resto da fuga e 1:40 sobre o pelotão. A chuva e as estradas sinuosas e em mau estado tornavam complicada a missão dos perseguidores, com o transalpino a pedalar de forma forte e destemida perante as difíceis condições! Na perseguição, Luis Leon Sanchez realizava uma grande parte do trabalho, em prol de Alex Aranburu.

No topo da ascensão, com um nevoeiro cerrado a somar às muitas dificuldades que os ciclistas já tinham enfrentado nesta jornada, Cattaneo passou em 1º, com a restante fuga já a mais de 1:30 e o pelotão a 2 minutos.

Na descida, saltou do pelotão Gino Mäder (NTT), na perseguição a Cattaneo, agora o único sobrevivente da fuga. A 10 km do final, e já com Mäder absorvido pelo pelotão, Cattaneo seguia ainda isolado, com o pelotão a uns meros 56 segundos! Perspetivava-se um final épico e dramático neste dia dantesco! No pelotão, trabalhava a BORA, que certamente esfregava as mãos perante a possibilidade de levar Ackermann à vitoria.

A 5 km da meta, a margem de Cattaneo era de apenas 20 segundos. Estava praticamente alcançado o italiano, num final de etapa muito inglório depois de tão belo esforço durante todo o dia!

A 3.4 km do fim, Cattaneo foi alcançado, e o pelotão preparava-se para o sprint final. Além da BORA, também Lotto, NTT, e UAE trabalhavam na frente do grupo principal, já algo reduzido. Entretanto, chegava a notícia que os tempos seriam tirados a 3 km da meta, devido às condições perigosas do final da jornada. Assim, acabou por haver um corte no pelotão no acesso à meta, com os homens da geral a ficarem para trás, e o restante grupo a seguir para a discussão da etapa.

No sprint final, a Mitchelton-Scott vinha na frente a lançar Dion Smith, depois passou para a frente Michael Morkov, da Deceuninck, a lançar o sprint para Jannik Steimle. De trás de Morkov, arrancaram os principais galos do grupo, Philipsen e Ackermann, com Steimle a segui-los de perto. Nos metros finais, Philipsen mostrou a sua velocidade, vencendo à frente dos dois alemães!

Festa enorme de Philipsen depois da vitória, gritando efusivamente junto de Ivo Oliveira, que fez um grande trabalho em prol do sprinter belga no assomo à meta! Foi um dia muito complicado, a nível de clima, de terreno, de luta com a fuga, onde não seria claro que haveria um sprint, pelo que a Emirates aproveitou da melhor forma a oportunidade que se presenteou diante de si!

Ivo Oliveira acaba por ser o melhor luso da jornada, na 19ª posição.

Os homens da geral chegaram pouco depois, já com a garantia que ficariam todos com o mesmo tempo de Philipsen. Assim, Primoz Roglic mantém a liderança, com 39 segundos de avanço sobre Richard Carapaz e 47 sobre Hugh Carthy.

Quem pôde sorrir neste dia foi o francês Guillaume Martin (Cofidis), que garantiu matematicamente a vitória na classificação da montanha desta Volta a Espanha!

Amanhã, disputa-se a 16ª etapa, com uma ligação de 162 km entre Salamanca e Ciudad Rodrigo. Será mais um dia duro, com muito sobe e desce, apenas com duas contagens de montanha mas que serão de 1ª e de 2ª categoria.

Rui Viana bateu o camisola vermelha, Rodrigo Rodrigues, na etapa, mas a vantagem na geral voltou a alargar!

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