Pogacar mostra quem é o patrão do Tour com vitória na etapa 17!

O esloveno Tadej Pogacar, da UAE-Team Emirates, venceu a etapa 17 do Tour de France, batendo toda a concorrência no alto do Col du Portet! Os únicos capazes de seguir o “Miúdo-Maravilha” foram Jonas Vingegaard (Jumbo-Visma) e Richard Carapaz (Ineos Grenadiers), eles que terminaram a 3 e a 4 segundos, respetivamente. Deste modo, Pogacar consolida o seu 1º posto, seguindo agora com 5:39 sobre o dinamarquês e 5:43 sobre o equatoriano.

A etapa 17 do Tour de France constituía a penúltima jornada de alta montanha da edição de 2021 e uma das tiradas mais duras de toda a competição. Tratava-se ainda da etapa do dia 14 de julho, o Dia da Bastilha, feriado nacional de França, e que tanto significado ganha também na Grande Boucle! Em mais uma aventura pela região dos Pirenéus, o pelotão enfrentava desta feita 178.4 km, entre Muret e Saint-Lary-Soulan (Col du Portet), e um dia marcado por uma primeira metade de percurso bem suave, praticamente plana, seguindo-se uma fase complementar bem difícil, com duas contagens de montanha de 1ª categoria e uma de categoria especial, coincidente com a linha de meta. A primeira subida seria o emblemático Col de Peyresourde (13.3 km a 6.9%), seguindo-se o Col de Val Louron-Azet (6.8 km a 8.1%), com o prato principal do dia a ser o Col du Portet, um monstro com 16.3 km de extensão e 8.7% de pendente média!

Como era expectável, a etapa começou a todo o gás, com inúmeros ciclistas a tentarem integrar a fuga. No Dia da Bastilha não podia ser de outra forma, e o primeiro a sair foi mesmo um francês: Pierre Rolland, conseguindo uma margem de 30 segundos sobre o grupo principal, embora durante pouco tempo. Nos quilómetros iniciais o pelotão encontrava vento de frente, pelo que se tornava difícil de uma movimentação se conseguir estabelecer. Com 15 km de etapa cumpridos, tínhamos uma situação de pelotão compacto, mas com uma guerra constante pela formação da fuga. Na frente do grupo principal marcava presença Mark Cavendish e a Deceuninck Quick-Step, num trabalho de autêntico radar, analisando quem sai, quem puxa, respondendo e fechando espaços sempre que necessário. Este era um dia chave para o objetivo de levar o britânico vestido de verde até Paris, numa jornada onde a fuga não podia ganhar uma vantagem muito grande, sobre risco de o pelotão ter pouca margem para chegar dentro do tempo limite.

A 156 km da meta, com alguns ciclistas ao ataque, o pelotão acalmou, com a Deceuninck e também a Movistar a conseguirem fazer um “tampão” na frente do grupo principal, evitando que mais corredores tentassem sair. O pelotão entrava num ritmo tranquilo, alguns ciclistas paravam para fazer as suas necessidades fisiológicas, e parecia que havia condições para se formar a fuga.

Na frente seguia um grupo de quatro: Lukas Pöstlberger (Bora-Hansgrohe), Danny van Poppel (Intermarché-Wanty Gobert), Dorian Godon (AG2R-Citroën), e Anthony Pérez (Cofidis), com outros dois na perseguição mais direta: Anthony Turgis (TotalEnergies) e Maxime Chevalier (B&B-KTM), e um pouco atrás vinha ainda Julien Bernard (Trek-Segafredo). A 148 km do final houve junção, ficando um grupo de seis na frente, com uma vantagem de 4:14 sobre o pelotão e de 1:22 sobre Bernard.

A fuga do dia na etapa 17 do Tour de France

Entretanto, chegava a informação do abandono de Steven Kruijswijk, da Jumbo-Visma, uma baixa de peso para Jonas Vingegaard.

No pelotão perseguia a UAE-Team Emirates, pelo inevitável Vegard Stake Laengen, mas também a EF Education-Nippo e a AG2R Citröen, com a vantagem da fuga a não crescer de modo muito expressivo. A 139 km da meta eram 5 os minutos que separavam o grupo principal dos corajosos do dia. Bernard rodava ainda numa posição intermédia a cerca de 1 minuto da frente. O francês dava tudo para alcançar a dianteira, mas os homens da frente não iam facilitando, cientes que por um lado até seria bom ter mais um elemento no grupo, mas por outro Bernard seria um óbvio favorito a bater todos os outros nas subidas finais.

A intransigência dos homens da frente levou mesmo o francês a desistir da sua missão, acabando por ser absorvido pelo pelotão quando faltavam 120 km para o final. Entretanto, a margem da fuga crescia para os 8 minutos, embora tal não fosse ainda decisivo para a decisão da etapa, face às dificuldades finais. Iam surgindo na frente do pelotão outras formações, como a Israel Start-Up Nation e a Arkéa-Samsic, com a margem para a frente a manter-se constante durante vários quilómetros. A etapa rolava de forma tranquila em direção ao sprint intermédio e depois às difíceis subidas finais.

O sprint estava colocado a 65 km do final e, nesse ponto, o primeiro a passar foi Danny Van Poppel, claramente o mais rápido da fuga. O pelotão rodava a 8:25 da frente, ficando a ideia que esta margem podia facilmente ser eliminada nas três montanhas que ainda por aí vinham.

A 62 km da meta, começavam então as maiores dificuldades da jornada, com os homens da frente a entrarem no Col de Peyresourde com 8:30 de avanço sobre o pelotão, que estava prestes a chegar ao sprint intermédio. Na luta pelo 7º lugar e pelos 9 pontos em disputa, o mais forte foi Michael Matthews, à frente de Mark Cavendish, com o australiano a recuperar 1 ponto para o britânico.

Começava nesta fase uma corrida diferente, e era a Arkéa que assumia a frente do pelotão, conseguindo colocar Elie Gesbert e Nairo Quintana na frente, com o líder da montanha, Wout Poels, a seguir na roda do colombiano. O trio conseguia abrir uma margem de alguns segundos para o pelotão, onde a Emirates assumia a perseguição.

Depois saía Pierre Latour (TotalEnergies), fazendo a ponte para o trio de atacantes e formando um quarteto que rodava com 30 segundos de avanço sobre o grupo principal. A diferença do pelotão para a fuga caía a olhos vistos, situando-se em 7:13, com 56 km para o final e 7 km para o topo do Peyresourde.

O grupo de Quintana e de Poels acabou por não conseguir distanciar-se, sendo alcançado a meio da subida, com Latour a arrancar ainda em solitário. Note-se que, apesar do ataque frustrado, a movimentação dos Arkéa tinha tido o condão de aumentar o ritmo no pelotão, reduzindo drasticamente o grupo principal.

No topo da ascensão, com 49 km para a meta, passaram na frente os seis fugitivos, liderados por Turgis, seguindo-se Latour a 3:20 e depois o pelotão a 4:08, onde seguiam apenas cerca de 45 corredores e onde ia controlando a Emirates, representada em peso na frente do grupo, com seis corredores, embora já sem o apoio de Rui Costa nesta fase. O português acabou por não conseguir seguir com os melhores depois de uma troca de bicicleta.

Os ciclistas desceram depois em direção ao sopé da montanha seguinte, o Col de Val Louron-Azet. Os homens da frente entraram com um avanço de 4:03 sobre Latour e 4:20 sobre o pelotão, começando o grupo a desfazer-se na subida, ficando apenas os franceses Turgis, Perez, e Godon, isolados na frente. Seria um cenário perfeito para o Dia da Bastilha, mas era impossível para estes homens chegarem à meta na frente.

No decorrer da subida, Latour foi alcançado pelo pelotão, com a Emirates a impor um ritmo constante que ia fazendo descolar vários corredores da retaguarda do grupo. Grande etapa da formação dos Emiratos Árabes Unidos, impondo a sua lei face às demais formações, em particular a Ineos Grenadiers, que seguia perto da frente, mas que não tinha ainda aparecido na corrida!

Latour voltava depois à carga, num esforço algo inconsequente perante a força do pelotão, que rapidamente alcançou novamente o francês. Na frente atacava Perez, seguindo em solitário rumo ao topo da subida. Os restantes homens da fuga iam sendo alcançados pelo grupo principal, onde seguia ainda Ruben Guerreiro, no apoio a Rigoberto Urán. Recorde-se que o Iceman de Pegões ocupava o 20º da geral, pelo que podia aproveitar para consolidar a sua posição entre os melhores do Tour.

No topo do Col de Val Louron, com 29 km para a meta, passou em primeiro Perez, seguido de perto por Godon. O pelotão cruzou a contagem de 1ª categoria passados 3:42, e então houve luta pelos pontos da montanha, com o mais forte a ser Poels, seguido por Quintana, sem resposta de Woods ou de Van Aert.

Na descida, Godon juntou-se a Perez e os dois rolaram em direção ao início da subida final, tentando aumentar o máximo a margem para o pelotão. Turgis rodava ainda em posição intermédia.

No início do Col du Portet, a 16 km do fim, Godon e Perez entraram na frente, com 1:16 sobre Turgis e 3:55 sobre o pelotão. O gruppeto, onde seguia Mark Cavendish, seguia a 15:45, sendo que, à partida, o britânico iria conseguir cumprir o limite de tempo.

A Emirates seguia ainda na frente do pelotão, com três elementos junto de Pogacar, e a jornada parecia controlada por parte do esloveno. As restantes formações estavam conformadas com a situação, com o foco mais virado para a luta pelo pódio do que para tentar destronar o camisola amarela. Ao longo da subida iam perdendo o contacto nomes como Alaphilippe, Quintana, Van Aert, entre muitos outros, mas Ruben Guerreiro mantinha-se estoicamente entre os melhores!

A 13 km do final, Perez ataca Godon, seguindo isolado rumo a uma vitória que seria épica e histórica para a Cofidis. Eram 3 os minutos que separavam o francês do grupo dos favoritos e o triunfo estava longe de estar assegurado.

A 12 km do final, saía da frente do grupo principal Brandon McNulty, ficando apenas Rafal Majka junto de Pogacar, com o polaco de pronto a acelerar. Logo atrás vinha Vingegaard, que tinha apenas Kuss consigo, enquanto Carapaz tinha ainda Thomas e Castroviejo perto de si. Depois, do grupo de apenas 15 corredores, descolava Enric Mas, de forma surpreendente, num colapso completo, obrigando Miguel Angel Lopez a esperar pelo espanhol.

Na frente, Perez entrava em quebra, perdendo rapidamente muito tempo. A 10 km do final, Castroviejo veio para a frente do grupo de favoritos, aumentando ainda mais o ritmo, reduzindo para apenas 1:08 a diferença para Perez do grupo de favoritos. Estava condenada ao insucesso a missão do bravo gaulês!

Ruben Guerreiro seguia no grupo de Enric Mas e Miguel Angel Lopez, que tentavam controlar os estragos.

A 9 km da meta, ataca Bilbao, com Majka a tentar fechar o espaço. Na frente, Perez pedalava em grande esforço, com os segundos a reduzirem-se cada vez mais e o grupo principal à vista.

A 8.4 km do final, Majka termina o trabalho e ataca de pronto o “Míudo-Maravilha”, Tadej Pogacar! Com o esloveno seguiam apenas Vingegaard, O’Connor, Urán, Castroviejo, e Carapaz! Pouco depois, nova ofensiva do “Pequeno Pogi”, com Castroviejo a responder, num último esforço, com Vingegaard a aproveitar para colar em Pogacar, juntamente com Carapaz.

Depois quebrava Urán, ficando apenas na frente Pogacar, Vingegaard, e Carapaz, ainda a mais de 7 km para o topo! O dinamarquês ia colaborando com o esloveno, de modo a eliminar Urán das contas pelo pódio, com Carapaz a limitar-se a seguir na roda dos dois jovens.

O trio de luxo rapidamente abriu um fosso de 20 segundos para os mais diretos perseguidores, um grupo com O’Connor, Urán, e Higuita, que conseguia ainda dar uma ajuda ao seu líder. Juntavam-se depois outros três a este grupo: Kelderman, Gaudu, e Bilbao.

A 5 km do final, voltava à carga Pogacar, com resposta pronta dos dois rivais. Mais atrás, era Guadu a sair em solitário rumo ao trio da frente!

Pogacar fazia o sinal do cotovelo, para ver se Carapaz passava para a frente, mas o equatoriano não lhe dava qualquer troco. Modo contínuo, o esloveno ataca novamente, mais uma vez sem se conseguir isolar. Vingegaard também já não passava pela frente, e Pogacar voltava a carregar!

A 1,5 km do final, finalmente, atacou Carapaz, numa movimentação fria do líder da Ineos, com Pogacar a responder e Vingegaard a ceder!

No último quilómetro, entraram Carapaz e Pogacar na frente, com o equatoriano a dar tudo nas íngremes inclinações para ganhar tempo sobre Vingegaard, mas o dinamarquês conseguia manter-se perto da dupla da frente. Pogacar acabava por usufruir de um lançamento de luxo de Carapaz para uma vitória fácil. A 250 m da meta, Vingegaard conseguiu colar na frente, numa grande exibição do jovem da Jumbo-Visma.

Nos 100 m finais, de modo previsível, Pogacar atacou sem dar qualquer chance, vencendo de amarelo e deixando bem claro quem é o patrão deste Tour. Vingegaard fechou em 2º, a 3 segundos, e Carapaz em 3º, cedendo mais 1 segundo.

Chegava depois Gaudu, ganhando terreno na luta pelo top 10, seguindo-se O’Connor, Kelderman, Bilbao, e só depois Urán, que acabava por quebrar muito no final.

Ruben Guerreiro realizou uma extraordinária subida final, fechando no 15º posto da etapa, o que lhe garante a subida ao 18º posto da classificação geral!

Na classificação geral, Pogacar consolida o 1º lugar, seguindo agora com 5:39 sobre Vingegaard e 5:43 sobre Carapaz!

Amanhã disputa-se a 18ª etapa, numa ligação de apenas 129.7 km, entre Pau e Luz Ardiden. No menu, constam apenas duas contagens de montanha, mas serão ambas de categoria especial: primeiro o Col du Tourmalet e depois Luz Ardiden, para a última montanha deste Tour!

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