Pogacar deu recital, mas Van der Poel continua de amarelo!

O “Míudo-Maravilha”, Tadej Pogacar (UAE-Team Emirates), levou de vencida o contrarrelógio da etapa 5 do Tour de France, colocando uma pressão enorme sobre a concorrência na luta pela classificação geral! O campeão em título da Grande Boucle realizou um tempo de 32 minutos certos, 19 segundos mais rápido que o campeão europeu e suíço da especialidade, Stefan “King” Küng”, e 27 melhor que o dinamarquês Jonas Vingegaard (Jumbo-Visma)!

No 4º posto ficou Wout Van Aert, que falhou o assalto à amarela, enquanto na 5ª posição terminou o “patrão” deste Tour, Mathieu Van der Poel, ele que cedeu apenas 31 segundos para Pogacar, o que lhe permite manter-se na liderança do Tour, com 8 segundos de vantagem sobre o esloveno!

A etapa 5 da Volta a França apresentava um dos primeiros dias-chave em termos de luta pela classificação geral, com o primeiro contrarrelógio individual, numa ligação de 27.2 km, entre Changé e Laval Espace Mayenne. Apesar de se tratar de um percurso plano, na sua maioria, não seria um contrarrelógio simples, com algumas zonas em subida e diversas partes técnicas.

Um dos primeiros tempos de referência do dia foi obtido pelo austríaco Marco Haller (Bahrain-Victorious), com 35:44. Esse registo seria batido por um dos grandes especialistas da história, quatro vezes campeão do mundo de contrarrelógio e atual campeão alemão, Tony Martin (Jumbo-Visma), com uma marca de 35:33.

Quem também terminava o seu esforço era um dos históricos presentes nesta edição do Tour, o tetra campeão da prova, Chris Froome (Israel), com um registo de 36:20, longe do que conseguia fazer nos seus tempos áureos!

Haveria de ser um companheiro de equipa de Tony Martin, no caso Sepp Kuss, a conseguir o novo melhor registo, com 33:57. Ninguém conseguia ficar sentado no “trono” durante muito tempo, com a “dança” a continuar, primeiro com o jovem australiano da Lotto Soudal, Harry Sweeny, que fez 33:54, seguido de Mikkel Bjerg (UAE-Team Emirates), o triplo campeão do mundo de contrarrelógio em sub-23, com um tempo canhão de 33:01! A média horária do dinamarquês foi de uns estonteantes 49.43 km/h, realizando uma prova onde certamente pôde tirar conclusões importantes para fornecer ao seu líder, Tadej Pogacar.

O tempo de Bjerg era já um grande registo, claramente a poder ameaçar a vitória na etapa e não ia ser fácil para quem quer que fosse fazer melhor. Anthony Perez fez o segundo melhor registo do dia pouco depois, sendo sucedido por Luke Durbridge, mas ambos terminando a mais de 40 segundos de Bjerg. Este top 3 manteve-se durante bastante tempo, começando entretanto a chover nesta região de França, o que iria certamente condicionar aqueles que ainda não tinham partido para a estrada. E isso rapidamente se verificou, e logo na prova de um dos grandes favoritos para esta etapa, o suíço Stefan Bissegger (EF Education-Nippo), que por pouco não sofria uma queda numa das curvas do percurso, acabando por conseguir controlar a sua bicicleta, num verdadeiro exercício de equilibrismo.

Com o piso a ficar cada vez mais perigoso, diversos corredores optavam por não arriscar em busca do melhor tempo da jornada, como por exemplo Victor Campenaerts ou o campeão espanhol, Ion Izagirre, claramente a fazerem provas em ritmo tranquilo. Não menosprezando o extraordinário registo de Bjerg, tornava-se complicado para os seus rivais fazerem as melhores performances com o piorar das condições meteorológicas. Chegava à meta Bissegger, com o suíço a fazer na altura o 2º melhor registo do dia, a 21 segundos de Bjerg.

No entanto, com a chuva a diminuir a estrada a secar, parecia abrir-se uma janela de oportunidade para quem quisesse desafiar o tempo de Bjerg. Na meta, outro dinamarquês, Magnus Cort Nielsen, roubava o 2º posto da etapa ao seu companheiro de equipa, Bissegger, fazendo um grande registo de 33:07, a apenas 6 segundos de Bjerg!

A faltarem já menos de 50 ciclistas para realizar a sua prova, saía para a estrada um dos grandes favoritos, o campeão suíço e europeu, Stefan Küng (Groupama-FDJ).

Depois, caía o tempo de Bjerg, que se podia finalmente levantar da cadeira quente, por troca com o italiano Mattia Cattaneo (Deceuninck Quick-Step), ele que realizou um tempo de 32:55, o primeiro abaixo da barreira dos 33 minutos. O italiano também não ficou no 1º posto durante muito tempo, pois pouco depois chegava Stefan “King” Küng, com uma marca de 32:19, pulverizando todos os registos anteriores, numa média supersónica de 50.5 km/h!

Chegava depois Richie Porte, com o 3º tempo do dia (32:55), e depois Jonas Vingegaard, com o 2º melhor registo naquela altura, com 32:27, e também Kasper Asgreen, que passou a ser o 3º do dia, com 32:37.

Começavam depois a chegar nomes importantes da geral, como Primoz Roglic (ele que começou o dia no 20º posto da geral, a 1:35 de Van der Poel), com o esloveno a ressentir-se das lesões sofridas nas quedas dos primeiros dias e a fazer apenas o 4º melhor tempo da jornada, àquele ponto, com 32:44. Note-se que outro dos azarados da atribulada fase inicial deste Tour, Geraint Thomas, fez 34 segundos pior que Roglic, um registo modesto para os seus pergaminhos.

Saíam depois para a estrada os últimos ciclistas do dia, incluindo o camisola amarela. Nos primeiros km, Van der Poel fazia um tempo em linha com os melhores, numa demonstração clara que a amarela pode dar “asas” aos ciclistas!

Depois, chegava à meta o “Menino Prodígio”, Tadej Pogacar, fazendo um registo de 32:01, ainda com uma margem de 18 segundos para Küng, mostrando, se dúvidas houvessem, que a vitória no contrarrelógio final do Tour 2020 não foi obra do acaso! Grande registo para o “Pequeno Pogi”, colocando enorme pressão sobre os seus rivais na luta pela CG!

Outro dos grandes favoritos do dia, Wout Van Aert, acabou por não fazer melhor que o 4º registo à chegada, com um tempo de 32:31, perdendo a esperança de vestir a amarela, cada vez mais do lado de Pogacar.

Quem tinha também pretensões à amarela, mas que acabou por não fazer melhor que o 13º registo à chegada, com um tempo de 33:12, foi Julian Alaphilippe.

Faltava apenas o “patrão” deste início de Tour, Mathieu Van der Poel, que num grande dia acaba por conseguir manter a camisola amarela, perdendo apenas 31 segundos para Tadej Pogacar! O Godzilla mantém-se, assim, de amarelo, com 8 segundos de vantagem sobre o esloveno, sendo que Pogacar acaba por ganhar 44 segundos a Roglic, 1:08 a Urán, 1:11 a Alaphilippe, 1:18 a Thomas, e 1:44 a Carapaz, começando, desde já, a sentenciar a luta pela geral!

Quanto aos portugueses, Ruben Guerreiro (EF Education-Nippo) realizou o 41º melhor tempo do dia, com 34:09, enquanto Rui Costa (UAE-Team Emirates) foi 140º da etapa, com um tempo de 36:45. O rei da montanha do Giro 2020 ocupa agora o 32º posto da CG, a 4:47 de MVDP, enquanto o antigo campeão mundial é 89º, a 14:41 da amarela.

Amanhã, disputa-se a 6ª etapa do Tour de France, numa ligação de 160.4 km, entre Tours e Châteauroux, e que deverá terminar ao sprint.

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