Pogacar dá um recital numa jornada épica ganha por Dylan Teuns e sobe à amarela!

O belga Dylan Teuns (Bahrain Victorious) venceu a oitava etapa do Tour de France, uma ligação de 150.8km entre Oyonnax e Le Grand-Bornand, após integrar a fuga do dia, numa jornada de ciclismo que ficará sem dúvida na história do Tour. No segundo lugar terminou o espanhol Ion Izagirre (Astana – Premier Tech), a 44 segundos, e em terceiro o canadiano Michael Woods (Israel Start-Up Nation), a 47 segundos do vencedor.

A etapa 8 do Tour de France trazia-nos a primeira jornada de alta montanha da competição, numa ligação de 150.8km, entre Oyonnax e Le Grand-Bornand. Os ciclistas enfrentavam cinco ascensões categorizadas, sendo que três delas seriam de 1ª categoria, com destaque para a última subida do dia, para o Col de la Colombière (7.5 km a 8.4%), colocado antes de uma descida de 13km, em direção à meta.

No início da jornada, logo em subida, os ataques começaram de imediato, com muitos corredores a tentarem formar a movimentação que iria marcar a jornada. Para trás ficavam desde logo os sprinters do pelotão e também Chris Froome, uma autêntica sombra daquilo que foi outrora nesta mesma competição.

O início nervoso e as estradas molhadas causavam uma situação de corrida caótica, com várias quebras no pelotão. Num dos cortes ficava Geraint Thomas, começando desde cedo a ceder terreno para a concorrência. Sem qualquer fuga nos primeiros 2km, o pelotão seguia já muito reduzido, incluindo ainda o camisola amarela e também os dois portugueses, Rui Costa e Ruben Guerreiro, que tentava atacar a corrida.

Quem também tentava sair do pelotão era Wout Van Aert, com a Emirates a ver-se obrigada a responder de pronto ao 2º classificado da geral, que está ainda mais de 3 minutos à frente de Pogacar! Pouco depois, perdia o contacto Primoz Roglic, num adeus claro a qualquer chance de lutar pelo Tour!

A 118km do final, Roglic perdia já 1 minuto para o pelotão e o grupo de Thomas, que era no fundo o gruppetto, onde seguiam também os sprinters mais pesados, cedia já 3 minutos! No sprint intermédio, a 105km da meta, Sonny Colbrelli bateu Michael Matthews, somando pontos preciosos na luta pela camisola verde, embora ambos estejam ainda longe da liderança de Cavendish.

Na frente do grupo principal continuavam os ataques, nomeadamente de Ruben Guerreiro, mas este não parecia ser dia para a formação de uma fuga convencional. Porém, isso não demovia os corredores, cientes que um ataque certeiro nesta altura, com três contagens de 1ª categoria ainda por ultrapassar, podia ter condições para vingar, face a um pelotão já bastante reduzido.

Dylan Teuns foi o vencedor da etapa.

Os ataques sucederam-se e até o próprio Pogacar chegou a estar num grupo adiantado de 25 unidades, na companhia de Brandon McNulty e de homens como David Gaudu, Miguel Angel Lopez ou Michael Woods. A 94km do final, Wout Poels (Bahrain Victorious) desferiu um forte ataque, isolando-se dos adversários e permitindo assim que a corrida se começasse a definir, após um início fulgurante. Atrás do holandês voltou a ficar o pelotão, com 84km para o final, e já a 40s de distância.

A pouco mais de 80km da chegada, uma nova vaga de ataques voltou a surgir, com Soren Kragh Andersen (Team DSM) a ser o primeiro a acelerar e a levar consigo mais duas dezenas de ciclistas, que iriam finalmente integrar a fuga do dia. Sepp Kuss (Jumbo – Visma), Jonathan Castroviejo (Ineos Grenadiers), Michael Woods (Israel Start-Up Nation), Kenny Elissonde (Trek – Segafredo), Mattia Cattaneo (Deceuninck – Quick Step), Alejandro Valverde (Movistar), Bruno Armirail (Groupama – FDJ), Guillaume Martin (Cofidis), Aurelien Paret-Peintre e Nans Peters (AG2R Citroen Team), Nairo Quintana (Arkea – Samsic), Soren Kragh Andersen e Tiesj Benoot (Team DSM), Dylan Teuns (Bahrain Victorious), Christopher Juul – Jensen e Simon Yates (Team BikeExchange), Ion Izagirre (Astana – Premier Tech), Sergio Henao (Team Qhubeka NextHash) e Victor de la Parte (Team TotalEnergies) foram os homens que saltaram em busca de Poels, com o pelotão a retirar pé e a deixá-los finalmente ganhar algum terreno.

A 58km do final, Poels acabou por se render e esperar pelo grupo que perseguia, quando estava na iminência de ser alcançado, e pouco depois Valverde acabou também por abdicar da iniciativa e regressar ao pelotão, para permitir que uma maior margem fosse dada e os lideres da Movistar mais atrás pudessem recuperar. Rapidamente se atingiu a subida para o Côte de Mont-Saxonnex, com o pelotão a ser comandado por Rui Costa, e na frente o grupo a seguir a bom ritmo. Poels foi o primeiro na primeira contagem de primeira categoria ultrapassada nesta edição do Tour, e assumiu virtualmente a liderança da classificação da montanha.

Na descida que se sucedeu, a DSM atacou em força com Kragh e Benoot, e a dupla ganhou espaço na frente, mas sem grande sucesso. No pelotão, Stefan de Bod (Astana – Premier Tech) sofria uma queda feia, que o retirou da corrida praticamente de imediato, com Pogacar a pedir calma a Rui Costa para que a descida fosse feita com cautela. Jonas Vingegaard (Jumbo – Visma) também foi um dos que foi ao chão, mas o jovem holandês conseguiu recuperar e reentrar no grupo dos favoritos já no início da penúltima subida do dia.

A ascensão ao Col de Romme, a segunda primeira categoria da jornada, viu Benoot não conseguir seguir com Kragh, e o dinamarquês a ficar sozinho na dianteira, mas não por muito tempo, já que o grupo perseguidor seguia pouco atrás, e Michael Woods não se fez rogado para atacar e isolar-se na frente da corrida em grande estilo, ganhando 50s para os ciclistas que o conseguiam perseguir. Nairo Quintana, Guillaume Martin, Dylan Teuns, Wout Poels, Simon Yates e Ion Izagirre compuseram o grupo intermédio, que apesar de todo o esforço não conseguiu chegar a Woods no Col de Romme.

Para o pelotão, a subida foi decisiva, e a UAE entrou logo a fundo para destruir os adversários. McNulty passou apenas 1km na frente, e a seguir foi Davide Formolo a surgir na frente para acabar com os adversários. Perante o trabalho do italiano, Mathieu van der Poel cedeu, Wout van Aert cedeu, Bauke Mollema cedeu, Miguel Angel Lopez e Vincenzo Nibali cedeream, e até Rigoberto Uran passou menos bem. A Ineos tentou demover Formolo da frente, mas sem sucesso acabou por perder Tao Hart e Richie Porte, deixando Carapaz isolado.

A 33km do final, Pogacar lançou um fortíssimo ataque ao qual apenas Richard Carapaz conseguiu responder, com os restantes favoritos a ficarem completamente a pé, sem capacidade de resposta. Vendo que o equatoriano o conseguia seguir, Pogacar rapidamente colocou uma segunda vaga e foi embora, deixando Carapaz a pé, para aquilo que seria uma jornada épica de ciclismo. O esloveno seguiu subida fora, apanhando sucessivamente ciclistas intermédios e cruzou o topo já com 1:10 de vantagem sobre Carapaz, que recebia a companhia do escapado Castroviejo para fazer a descida.

Numa curta descida sem grande história, a emoção voltou a aparecer na subida para o Col de la Colombiere! Woods perdeu 20s na descida e Pogacar estava já a 3:00 da frente, mas o esloveno não ficaria apenas por aí. Enquanto no grupo perseguidor era Dylan Teuns a atacar e a chegar progressivamente até Woods, o esloveno cavalgou subida fora, passou pelos homens da fuga um a um, sem qualquer dificuldade aparente, e só Teuns sobreviveu. O belga cruzou o topo da Colombiere na frente, com Pogacar a 30s, e a dupla Woods/Izagirre logo atrás. No grupo dos favoritos, nenhum ataque aconteceu, e Carapaz cruzou o topo já com 3:00 de atraso para o esloveno, mas ainda adiantado ao grupo com os restantes favoritos.

Na descida para a meta, Izagirre utilizou as suas grandes capacidades de descedor para alcançar Pogacar a 7km da chegada, e ainda tentou chegar a Teuns, mas já não teria sucesso na sua perseguição. O belga foi abrindo espaço, arriscando um pouco curva atrás de curva, e garantiu que a vitória não escaparia, sendo o primeiro a cruzar a meta e a triunfar numa jornada que ficará na história. O grupo de Pogacar acabou a perder algum tempo nos últimos kms, mas o esloveno também não precisava de arriscar na descida, já que com tanta vantagem o importante era efetivamente terminar em segurança. Pogacar levou Woods e Izagirre até à meta nos últimos 2km planos, deixando os discutir a segunda posição, para fazer quarto a 49s de Teuns e assegurar a subida à liderança da classificação geral.

Richard Carapaz ainda se aguentou na subida para o grupo dos favoritos, mas a descida foi fatal para o equatoriano, que voltou a ser alcançado pelo grupo e com ele cortou a meta, a 4:09 de Teuns, e a 3:20 de Pogacar. Wout van Aert fez também uma etapa impressionante, geriu muito bem os seus esforços, e foi 21º, a 5:45 de Teuns, segurando assim a segunda posição na classificação geral.

Ruben Guerreiro (EF Education – Nippo) foi 38º, chegando a 18:55 de Teuns, e Rui Costa 84º, a 34:46, após uma grandíssima jornada de trabalho.

Com esta prestação, Tadej Pogacar é o novo líder do Tour de France, classificação que acumula com a da juventude. Wout Poels é o novo líder da montanha e Mark Cavendish (Deceuninck – Quick Step) segue como o líder da classificação por pontos.

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