Pogacar arrasa e oferece mais uma à Eslovénia! Almeida entre os melhores!

O esloveno Tadej Pogacar, da UAE-Team Emirates, venceu a 4ª etapa do Tirreno-Adriático, batendo toda a concorrência no final em alto em Prati di Tivo! No 2º posto fechou o britânico Simon Yates (Team BikeExchange), enquanto a 3ª posição ficou para o campeão colombiano, Sergio Higuita (EF Education-Nippo). João Almeida esteve em grande destaque, atacando, puxando, lutando com os melhores voltistas do mundo, e fechando no 6º posto, a 35 segundos de Pogacar!

A 4º jornada da Corrida dos Dois Mares apresentava uma ligação de 148 km entre Terni e Prati di Tivo, com uma primeira metade de percurso bastante suave, estando as principais dificuldades da etapa concentradas na metade complementar. Primeiro, o pelotão ultrapassava a categoria especial do Passo Campanelle (13.8 km a 4.5 %), colocada a 40 km da meta, seguindo-se nova categoria especial, esta condizente com a chegada em Prati di Tivo, uma ascensão com 14.7 km a 7 % de inclinação média!

A fuga do dia foi composta por 5 elementos: Mattia Bais (Androni Giocattoli-Sidermec), Mads Würtz Schmidt (Israel Start-Up Nation), Benjamin Thomas (Groupama-FDJ), Marco Canola (Gazprom-RusVelo), e Emil Vinjebo (Qhubeka Assos). A vantagem do grupo de fugitivos chegou a rondar os 9 minutos, já com menos de 100 km para o final, com o pelotão a ser controlado pela Jumbo-Visma e pela UAE-Team Emirates. A partir desse ponto, as diferenças começaram a ser abatidas pelo pelotão.

Após a subida do Passo Campanelle, com os corredores a descerem em direção ao sopé da subida para Prati di Tivo, 4:32 separavam o pelotão da fuga, que contava apenas com 3 elementos nesta altura. Faltavam 20 km para a meta. No início da subida final, com 14.7 km para a meta, a diferença rondava os 4 minutos e os ataques começavam entre os fugitivos.

A 13 km do fim, ficava para trás Mathieu Van der Poel, sobre quem recaíam algumas expetativas para este final, com o campeão holandês cedo a mostrar que estas não são, pelo menos por agora, o tipo de etapas em que possa estar entre os melhores. Além disso, amanhã há nova oportunidade para o gigante da Alpecin-Fenix poder triunfar.

Outros elementos iam perdendo o contacto com o pelotão, e a razão era simples. Na frente do grupo principal, era a Ineos Grenadiers que ia puxando, colocando todos os 7 elementos da equipa ao trabalho!

Na frente, seguia agora isolado Schmidt, embora a missão do dinamarquês fosse muito difícil mediante a distância para a meta e a qualidade do pelotão que o perseguia.

A 11.5 km do final, começavam as movimentações no pelotão. Primeiro atacou Giulio Ciccone, com ciclistas como Pinot e Zakarin a perderem de imediato o contacto.

A 8 km da meta, com Schmidt com uma vantagem de 2:30, o pelotão continuava a ser controlado pela Ineos. O problema era que, nesta fase, já só eram 3 elementos: Pavel Sivakov, Geraint Thomas, e Egan Bernal. A formação britânica dava mostras que não possui neste momento um bloco forte para realizar uma corrida por eliminação como gosta de fazer.

O pelotão estava a ficar cada vez mais reduzido e a explosão definitiva deu-se com o ataque de Egan Bernal. Perante a incapacidade da Ineos de reduzir o grupo de favoritos, o colombiano arrancou com determinação, mas teve resposta imediata de Tadej Pogacar e de muitos dos restantes favoritos. O grupo de atletas que iria discutir a chegada em Prati di Tivo começava a formar-se e incluía Bernal, Pogacar, Landa, Fuglsang, G. Thomas, Higuita, Quintana, Van Aert, Nibali, Alaphilippe, Almeida, Yates, Bardet, Soler, Carr, e Fabbro.

Colocou-se ao trabalho Geraint Thomas, tentando controlar as operações para a Ineos. De seguida, veio para a frente João Almeida, que parecia estar a querer atacar ou pelo menos imprimir um ritmo forte no grupo. Quem atacou foi Geraint Thomas, com o líder da geral, Wout Van Aert a ser obrigado a fechar o espaço, com João Almeida e restante grupo a seguirem na roda do belga.

A 6 km da meta, Schmidt levava apenas 45 segundos sobre Geraint Thomas, que abria já um espaço sobre o grupo de favoritos. Ataca então Pogacar, sendo seguido por Quintana e Almeida! Se dúvidas houvesse, o português tratava de as dissipar: estamos perante um verdadeiro voltista, alguém que consegue subir a alta montanha com os melhores do mundo! Mais uma grande exibição do Canibal das Caldas!

A neve começava a aparecer à beira da estrada, indicando as condições difíceis desta chegada. Mas na corrida, a temperatura estava a escaldar! Pogacar atacava novamente e seguia sozinho, alcançando rapidamente Geraint Thomas, com o galês a tentar apanhar uma boleia do super esloveno! Almeida seguia um pouco atrás, na companhia de Quintana!

Wout Van Aert liderava o grupo dos favoritos, fazendo a subida a ritmo como é seu apanágio e como tão bem fez ao serviço de Primoz Roglic na Volta a França de 2020. A locomotiva belga levava várias carruagens atrás de si, apanhando logo de seguida mais duas: Almeida e Quintana.

A 5 km do fim, a fuga do dia é definitivamente eliminada, com Pogacar e Geraint Thomas a passarem direto por Wurz Schmidt. O esforço do galês em acompanhar o esloveno não durou muito mais, com Pogacar a seguir sozinho para a vitória na estapa! O grupo de favoritos continuava a ser rebocado por WVA, também ele a realizar uma grande etapa, mostrando a sua fibra num terreno que não o favorece!

Com Pogacar imperturbável na frente da corrida, ataca do pelotão Bernal, quando estávamos a 4 km da meta. Quem tentou fechar foi o espaço para o colombiano foi João Almeida, com WVA desta vez a sentir algumas dificuldades.

De seguida atacam Landa e Yates, com o campeão do mundo Alaphilippe a perder o contacto com o grupo principal. João Almeida mantinha a sua posição no grupo, garantindo uma boa prestação da Deceuninck na geral deste Tirreno-Adriático!

Formou-se um trio, com Landa, Bernal, e Yates, a cerca de 15 segundos de Pogacar, enquanto no grupo de favoritos, era João Almeida quem puxava! Depois, Yates atacou Landa e Bernal, na tentativa de alcançar Pogacar. A 2 km do fim, o esloveno possuía 11 segundos de vantagem sobre Yates, com o grupo dos favoritos a 36 segundos.

Yates conseguia ver Pogacar alguns metros à sua frente, mas, por muito que pedalasse, não conseguia encurtar o espaço. O esloveno ia olhando por cima do ombro, controlando o britânico e gerindo o seu esforço no duro final.

No grupo dos favoritos, com WVA a impor o ritmo, seguiam Fuglsang, Landa, Fabbro, Almeida, Higuita, Carr, Bernal, e Quintana. E logo de seguida, foi o colombiano da Ineos a perder o contacto! A perspetiva de ver Bernal de volta aos grandes momentos em alta montanha gorava-se em definitivo, com o homem da Ineos a olhar para trás percebendo que vinha lá Thomas e que seria melhor tentar minimizar as diferenças trabalhando em conjunto. Depois da queda que afetou vários elementos na etapa de ontem, este era um verdadeiro dia de pesadelo para a equipa britânica, que acabou por não ter nem gregários nem líderes ao nível do que era esperado.

À entrada do km final, Pogacar mantinha-se na frente, mas apenas com 5 segundos de vantagem sobre Yates! O britânico estava muito perto de alcançar a frente da corrida! O pelotão seguia já com 40 segundos de atraso.

O final da tirada disputava-se com um cenário deslumbrante como pano de fundo, como é tão habitual por terras transalpinas, com a neve a trazer o frio mas também um duelo escaldante para os metros finais da etapa! Que grande luta iam travando Pogacar e Yates, separados por apenas alguns metros, um e outro dando tudo pela etapa!

E nos metros finais, o esforço acabou por ser demais para Yates, que começou a ceder e a ver a diferença para Pogacar aumentar ligeiramente. Estava decidido! Pogacar tinha a vitória no bolso!

Sobre a meta, Pogacar passou isolado, festejando a vitória, naquele que foi um grande dia para a nação da Eslovénia! Depois de mais uma demonstração de superioridade de Primoz Roglic no Paris-Nice, no Tirreno-Adriático é Tadej Pogacar quem impõe a sua lei! Os dois eslovenos, 1º e 2º da última Volta a França, estão completamente imparáveis e o Tour 2021 já ferve!

Simon Yates chegou depois, também ele isolado, com 6 segundos de atraso para Pogacar. De seguida, vinha o grupo dos restantes favoritos, com João Almeida a imprimir o ritmo, na tentativa de eliminar a concorrência e garantir o 3º lugar, que dava ainda 1 segundo de bonificação! O grupo ficou reduzido a Almeida, Landa, Quintana e Higuita, no entanto, o português acabou por acusar o esforço que vinha a despender nos últimos km, abdicando do sprint. Higuita acabou por bater Landa, sobre a linha, com Quintana e Almeida a chegarem logo atrás. O português fechava no 6º posto, a 35 segundos de Pogacar, mostrando mais uma vez estar ao nível dos melhores trepadores e voltistas do mundo!

Quanto aos restantes portugueses, Nelson Oliveira terminou na 77ª posição, a 15:46 do vencedor, seguindo na geral no 81º posto, a 25:24 de Pogacar. Ivo Oliveira fechou o dia na 110ª posição, a 20:30 da frente, e na geral ocupa o lugar 105, a 31:55 da camisola azul.

Na classificação geral da Corrida dos Dois Mares, Tadej Pogacar ascende à liderança, com 35 segundos de vantagem sobre Wout Van Aert e Sergio Higuita. Landa é 4º, a 38 segundos, Quintana 5º, a 41, e Almeida é 6º, a 45 segundos. Ficam a faltar 3 jornadas para a conclusão da prova, sendo que a única passível de causar diferenças de maior será, à partida, a última, um contrarrelógio de 10.1 km. Pogacar parece ter a vitória bem encaminhada e já deverá estar a pensar onde vai colocar o tridente dourado! Já as restantes posições estão em aberto, com João Almeida a poder claramente ambicionar o pódio final deste Tirreno-Adriático!

Amanhã disputa-se a 5ª etapa, uma ligação de 205 km entre Castellalto e Castelfidardo, em mais uma jornada com muitas subidas e descidas curtas, mas duras, e um final em subida que promete espetáculo, mais uma vez!

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