O rugido do Hulk!

O Hulk de Zilina, Peter Sagan (BORA), venceu a 1ª etapa do Tour de Romandie, batendo ao sprint Sonny Colbrelli (Bahrain) e Patrick Bevin (Israel)!

Rui Costa terminou a etapa perto da frente, no 11º posto, tendo subido uma posição na classificação geral, ocupando agora o 17º lugar, a 19 segundos do líder.

No topo da CG, tudo na mesma, com Rohan Dennis na liderança e os seus dois companheiros na Ineos, Geraint Thomas e Richie Porte logo atrás, a 9 segundos.

A 1ª etapa do Tour de Romandie consistia numa prova de 168.1 km entre Aigle e Martigny, num circuito de quatro voltas, com outras tantas subidas às ascensões de Produit (2.6 km a 7.1%) e Chamoson (2.1 km a 6.1%). Apesar deste perfil, com um total de nove contagens de 3ª categoria, a fazer lembrar uma mini-clássica, os 20 km finais da etapa seriam planos, o que poderia proporcionar uma chegada em pelotão mais ou menos compacto.

Após alguns ataques iniciais, a fuga do dia formar-se-ia através da movimentação de seis corredores: Filippo Conca (Lotto Soudal), Joel Suter (Switzerland), Manuele Boaro (Astana Premier Tech), Alexis Gougeard (AG2R-Citroën), Thymen Arensman (DSM), e Rob Power (Qhubeka-Assos).

Este grupo acabaria por alcançar uma vantagem relativamente confortável e que se cifrava, com 130 km para o final, nos 6:20. Nas várias contagens de montanha de 3ª categoria, ia passando em primeiro Joel Suter, acumulando pontos na luta pela montanha.

As diferenças na geral eram curtas, fruto do prólogo da véspera, pelo que era esperado que a Ineos, com três corredores no topo da classificação geral, começasse a perseguir mais cedo ou mais tarde. E assim foi, com os km a passar, a formação britânia decidiu aumentar o ritmo e, com 90 km para a meta, a margem dos fugitivos era de apenas 3:30.

A fuga do dia na 1ª etapa de Tour de Romandie

Na terceira passagem pela subida de Produit, Suter voltou a passar em primeiro, aproveitando o embalo para se aventurar sozinho para os km finais, embora sem grande sucesso. Estávamos a 57 km do final, e o pelotão rodava com 2:48 de atraso para os fugitivos.

A 51 km do fim, azar para o campeão português, Rui Costa, obrigado a trocar de bicicleta, o que o forçou a algum desgaste para recolar no pelotão, numa fase que a Ineos continuava a impor ritmo, com a fuga a 2:15.

Equipas como a Bahrain-Victorious, a BikeExchange, e a Bora-Hansgrohe, com a mente já focada no sprint final, iam trabalhando no pelotão, o que ia ceifando a vantagem da fuga. Juntavam-se depois as equipas dos corredores da geral, como a Jumbo-Visma e a Israel Start-Up Nation, tentando ganhar a melhor posição antes das subidas finais. A 30 km da meta, a margem entre os grupos era de apenas 32 segundos e a fuga estava condenada ao insucesso.

Na subida a Produit, uma estreita estrada que serpenteia por entre as vinhas desta região, voltou ao controlo do pelotão a Ineos. Na frente, isolava-se Arensman, numa última tentativa de se manter na luta pela etapa, com os restantes elementos da fuga a serem recolhidos pelo pelotão. O holandês conseguiu iniciar a descida na frente, com o grupo principal a cerca de 10 segundos.

Na subida final a Chamoson, a 23 km da meta, Arensman entrou com 12 segundos de avanço. No pelotão puxava Filippo Ganna (Ineos), com os três primeiros da geral logo atrás de si, cada um com uma camisola distintiva. Rohan Dennis seguia de amarelo, símbolo da liderança da geral, Geraint Thomas vestia de verde, símbolo da classificação dos pontos e Richie Porte de branco, símbolo da combatividade.

Arensman continuava a pedalar na tentativa de pelo menos passar em primeiro na última contagem de montanha do dia, com o pelotão a observá-lo alguns metros atrás, sem grande urgência em eliminar o último fugitivo do dia. E o jovem holandês conseguiu mesmo o seu intuito, acabando por ser alcançado logo depois da contagem. Seguiam-se 20 km em plano até à meta, com a Ineos a tomar as rédeas do pelotão.

A 18 km da meta, ataca o TGV de Clermont-Ferrand, o campeão francês de contrarrelógio, Remi Cavagna (Deceuninck-Quick Step), ele que era 5º na geral, a 11 segundos de Dennis. Ciente do perigo que representava um corredor como Cavagna isolado na frente, o pelotão respondeu de pronto, através da Ineos e da Bahrain, eliminando a movimentação.

A Bike Exchange tomou conta da frente do grupo principal, tentando controlar as operações e preparar o sprint para Dion Smith.

A 13 km da meta ataca o campeão suíço, Stefan “King” Küng, certamente com ganas de retificar o resultado menos bom do prólogo. Se Cavagna não teve margem, Küng ainda menos, e em poucos metros o pelotão anulou o ataque.

De seguida, foi a vez da Deceuninck voltar à carga, lançando dois corredores, Cavagna e Mattia Cattaneo, sendo acompanhados por um homem da Groupama-FDJ, Sébastien Reichenbach, e um da BikeExchange, Damien Howson.

Este quarteto ainda abriu um fosso acima dos 20 segundos, o que fez soar os alarmes no pelotão, com Bahrain e Bora a fecharem o espaço de imediato.

Com 8 km para a meta, tínhamos grupo compacto e o cenário estava montado para um sprint em massa. O pelotão já bastante reduzido, com cerca de 60-70 unidades, rolava numa longa reta em direção a Martigny. As previsões de chuva para os km finais acabaram se concretizar, mas sem grande intensidade, o que tornava a chegada menos perigosa e a preparação do sprint um pouco menos caótica do que era esperado.

À entrada dos 2 km finais, a luta por posição era intensa na frente do grupo, com os ciclistas a tentarem a melhor colocação nas estradas estreitas e sinuosas que davam acesso à meta. A Israel e a Bahrain seguiam bem posicionadas, mas nenhuma equipa levava mais que dois ou três corredores.

A Bahrain entrou na frente no km final, com Jan Tratnik a preparar o sprint para Sonny Colbrelli. Rui Costa seguia muito bem posicionado perto da frente do grupo.

Tratnik terminou o seu trabalho com 300 m para o risco final, e nessa altura arrancou Colbrelli, mas arrancou também Peter Sagan que, de forma inteligente, fez um compasso na roda do italiano da Bahrain, antes de se lançar com força e determinação para a vitória.

Sobre a meta, o Hulk de Zilina foi mesmo o primeiro, fechando com meia bicicleta de avanço sobre Colbrelli, com Patrick Bevin (Israel) e Andrea Pasqualon (Intermarché-Wanty) a terminarem também bem perto da frente.

Quanto à UAE-Team Emirates, acabou por haver alguma desorganização no final, com Alessandro Covi a fechar no 5º posto, Rui Costa no 11º, e Marc Hirschi no 12º.

Na geral, tudo na mesma, com a tripla da Ineos na liderança; Rohan Dennis lidera com 9 segundos de vantagem sobre Geraint Thomas e Richie Porte.

Quanto a Rui Costa, segue agora no 17º posto, a 19s do líder.

Amanhã, disputa-se a 2ª etapa da Volta à Romandia, com uma ligação de 165.7 km entre La Neuveville e Saint-Imier, num dia que irá trazer um novo conjunto de dificuldades ao pelotão. Serão um total de seis subidas categorizadas, mas desta vez bem mais complicadas, com cinco contagens de 2ª categoria e a subida final de 1ª categoria para La-Vue-des-Alpes, que antecede uma descida de 15 km até à meta.

O sprint final em Martigny

Classificações Completas

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