O míssil está de volta e o impossível já parece não o ser!

O britânico Mark Cavendish, da Deceuninck-Quick Step, triunfou na etapa 4 do Tour de France, batendo ao sprint o francês Nacer Bouhanni (Arkéa-Samsic) e o belga Jasper Philipsen (Alpecin-Fenix)! Além do regresso às vitórias na Grande Boucle deste histórico da modalidade, cinco anos depois do seu último triunfo, o destaque do dia vai para a incrível performance de Brent Van Moer (Lotto Soudal), o mais combativo do dia, que por pouco não alcançava uma épica vitória!

A etapa 4 da Volta a França constituía a última jornada na região da Bretanha, numa curta ligação, de apenas 150.4 km, entre Redon e Fougères. O percurso apresentava-se ainda mais plano do que aconteceu no dia de ontem, desta vez sem qualquer subida categorizada. O final seria também menos complexo do que na etapa 3, mas ainda assim com partes técnicas e em subida.

O dia começou com um protesto dos corredores, que pretendiam chamar a atenção para os condições de corridas impostas pela UCI, em particular a falta de flexibilidade na regra dos 3 km, em particular quando existem situações de perigo eminente, com aconteceu na etapa de ontem. Lembre-se que o percurso da etapa 3 acabou por ser fértil em acidentes e lesões, em particular a de Caleb Ewan, que significou o abandono do australiano.

Assim, no km zero, os ciclistas pararam durante um minuto, sob a batuta de Andre Greipel, iniciando depois a etapa, embora num ritmo muito lento nos primeiros 10 km de jornada.

O protesto do pelotão na etapa 4 da Volta a França

Terminado o protesto, iniciaram-se as hostilidades desta 4ª etapa, com o ataque de Brent Van Moer (Lotto Soudal) e Pierre-Luc Périchon (Cofidis). O pelotão estava satisfeito com esta situação, permitindo que os dois corajosos formassem a fuga do dia.

Os integrantes da fuga do dia

Na frente do pelotão seguiam as equipas da Alpecin-Fenix, do líder Mathieu Van der Poel, mas também a Groupama-FDJ e a Deceuninck-Quick Step, com a fuga a rolar com 2:35 de vantagem, com 127 km para a meta.

A vantagem ainda cresceu até aos 3 minutos, altura em que o grupo principal começou a recuperar paulatinamente o tempo perdido. Com 76 km para a meta, a margem era de apenas 1:32.

A 36 km do final, no sprint intermédio do dia, passou Van Moer em primeiro e Périchon em segundo, com o pelotão a 1:19 de distância e com muitos pontos ao seu dispor. No lançamento do sprint, vinham a BORA-hansgrohe e a BikeExchange, mas de trás surgiu a dupla da Deceuninck Quick-Step, Michael Morkov e Mark Cavendish, a pedalar de forma furiosa e a conseguir bater a concorrência. O britânico foi o mais forte do pelotão, seguido de Morkov, Bouhanni, Matthews, Greipel, Sagan, Colbrelli, Coquard, e Démare. Também o líder dos pontos, Julian Alaphilippe, acabou por ainda ir buscar 2 pontos, mantendo em aberto a possibilidade de lutar por esta classificação durante o Tour.

À entrada dos 16 km finais, numa fase em que a estrada estreitava, houve um autêntico sprint no grupo principal, com todos a quererem estar na frente naquele ponto chave do percurso. Na frente, ficavam a Ineos e a BORA, com diversos corredores a tentarem chegar à frente, em particular o camisola amarela, Mathieu Van der Poel.

Os dois fugitivos tinham cerca de 30 segundos de avanço e sabiam que tinham os segundos contados. Ciente que era agora ou nunca, Van Moer arrancou sozinho, num esforço final para fazer a gracinha nesta etapa. O belga conseguiu ganhar alguns segundos, tirando partido do percurso sinuoso e das estradas estreitas. A 10 km da meta, o homem da Lotto Soudal possuía cerca de 1 minuto sobre o pelotão, e na sua mente começavam certamente a surgir imagens da sua grande vitória a partir da fuga no Critérium du Dauphiné!

A 5 km da meta, o avanço de Van Moer era ainda de 52 segundos e o belga preparava-se para nos proporcionar mais uma ode ao ciclismo e ao mesmo tempo oferecer uma vitória ao seu colega, Caleb Ewan, o grande azarado do dia de ontem! A Deceuninck dava tudo para apanhar Van Moer, com a Lotto a infiltrar homens na frente, de modo a destabilizar a perseguição!

A 3 km do fim, a margem era 33 segundos, e a incerteza pairava ainda sobre o desfecho da etapa! Neste ponto, vinha para a frente a Trek-Segafredo e a DSM. A diferença baixava para os 21 segundos, à entrada dos 2 km finais, com o pelotão a alongar bastante em direção à meta.

Na frente surgia Julian Alaphilippe, com o campeão mundial e camisola verde deste Tour a preparar a chegada para Cavendish!

Entrávamos no km final com Van Moer na frente, mas com o pelotão em ritmo alucinante poucos metros atrás de si! O sprint era lançado por Tim Merlier, com a formação da Alpecin-Fenix desta vez a apostar em Jasper Philipsen como sprinter protegido, e no último fôlego, o pelotão acabou mesmo por alcançar Van Moer, quando faltavam apenas 200 metros para a meta! Final inglório para o belga, que por muito pouco não iludia o pelotão!

No assomo final à meta, Philipsen estava na frente, com Mark Cavendish na sua roda. O britânico teve o sangue frio para se desviar de Van Moer, que rolava num ritmo bem mais lento do que o pelotão, antes de aumentar a potência e passar em estilo por Philipsen, com Nacer Bouhanni a conseguir também terminar à frente do belga da Alpecin.

No final, Cavendish estava obviamente feliz e muito emocionado, destacando o trabalho da equipa, em particular do campeão do mundo, Julian Alaphilippe, um gregário de luxo para este final. Recorde-se que, até há pouco tempo, as perspetivas de Cavendish de participar na Grande Boucle eram ínfimas, quanto mais estar na discussão das etapas! A última vitória de Cav no Tour datava já de 2016!

Com este triunfo, o Manx Missile atinge as 31 vitórias em etapas do Tour, estando agora a apenas três triunfos do mítico recorde de Eddy Merckx. Com um total de seis hipóteses até ao final da competição e tendo ao seu dispor uma das melhores equipas do mundo na preparação dos sprints, o britânico estará certamente nas nuvens e com níveis de motivação absolutamente estratosféricos!

Em termos de classificação geral, a amarela mantém-se nos ombros de Mathieu Van der Poel, com 8 segundos de avanço sobre Alaphilippe e 31 sobre Richard Carapaz.

Em relação aos portugueses, Ruben Guerreiro terminou na 73ª posição, integrado no pelotão, seguindo no 32º posto da CG, a 3:09 da amarela, enquanto Rui Costa cedeu 1:07 para o grupo principal, terminando no lugar 141 da etapa e ocupando agora a 81ª posição, a 10:27 de MVDP.

Amanhã disputa-se o primeiro contrarrelógio da Volta a França, com 27.2 km de esforço individual, entre Changé e Laval Espace Mayenne, num dia que promete baralhar bastante a classificação geral!

Mark Cavendish foi o mais forte no sprint final
O britânico estava obviamente emocionado no final da etapa

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