No dia menos esperado, Van Aert triunfa e bate concorrência no Mont Ventoux!

O belga Wout van Aert (Jumbo – Visma) conquistou hoje a décima primeira etapa do Le Tour de France, uma ligação de 198.9km entre Sorgues e Malucene, com dupla ascensão ao Mont Ventoux, batendo a dupla da Trek – Segafredo composta por Kenny Elissonde e Bauke Mollema, segundo e terceiro, respetivamente, por 1:14.

A 11ª jornada do Tour de France apresentava uma ligação de 198.9 km, entre Sorgues e Malaucène, num dia de montanha onde o grande destaque ia para a dupla ascensão ao emblemático Mont Ventoux. Os ciclistas enfrentavam duas subidas de 4ª categoria e uma de 1ª, antes da primeira passagem pelo Gigante da Provença, numa subida de 1ª categoria, com 22 km a 5% de pendente média. O pelotão descia depois para a primeira passagem por Malaucène antes de voltar a subir o Mont Ventoux, por uma vertente distinta, num desafio de categoria especial, com 15.7 km a 8.7% de inclinação. Os 20 km finais seriam em descida até à meta.

A etapa começou em ritmo elevado, como era de esperar, com uma panóplia de corredores a tentarem a sua sorte, incluindo Peter Sagan, Julian Alaphilippe, Wout Van Aert, ou Ruben Guerreiro, no entanto, nenhuma movimentação conseguiria estabelecer-se nos primeiros quilómetros. A guerra era tremenda na frente do pelotão, com equipas a tentarem constituir a fuga e outras a procurarem manter o grupo unido, pelo menos até ao sprint intermédio, em particular a Bahrain-Victorious (que trabalhava para Sonny Colbrelli), com Marco Haller a responder a todos os ataques.

A 173 km do final, ainda sem fuga constituída, atacava decidido o campeão do mundo, Julian Alaphilippe, em conjunto com o líder da montanha, Nairo Quintana, com esta dupla a conseguir uma vantagem de alguns segundos. Neste ponto, sofria uma queda um dos maiores azarados deste Tour, Tony Martin, ficando a ser assistido à beira da estrada, e acabando por ser forçado a abandonar.

Na primeira subida do dia, uma 4ª categoria, Alaphilippe atacou, deixando Quintana isolado, com o pelotão, liderado por Wout Van Aert a alcançar o colombiano pouco depois. O francês levava o único ponto da montanha em disputa, com Quintana a deixar fracas indicações quanto à sua capacidade trepadora.

Alaphilippe corria com vários objetivos em mente, por um lado a vitória na etapa, por outro os eventuais pontos da montanha, e ainda os pontos da regularidade em disputa no sprint intermédio, que iriam somar aos que já tinha e que acabavam por não ir para nenhum rival do companheiro de equipa, Mark Cavendish. No sprint, Loulou passou mesmo em primeiro, seguido por um grupo de cinco perseguidores, sendo que depois vinha novo grupo de perseguição, onde seguiam Sagan e Colbrelli.

Alaphilippe seria absorvido pelo primeiro grupo de perseguidores, numa fase em que se entrava na segunda subida de 4ª categoria. Na retaguarda do pelotão, formava-se já o gruppetto, com Mark Cavendish a sofrer até para se manter junto dos restantes sprinters. A Deceuninck-Quick Step liderava a corrida, mas concentrava a maior parte dos seus esforços na parte de trás da mesma, com quatro elementos juntos de Cavendish, na tentativa de manter o míssil na corrida, ele que está a apenas um triunfo de alcançar o recorde de vitórias de Merckx.

No topo da subida, passou Alaphilippe, Dan Martin (Israel), e Anthony Perez (Cofidis), seguidos de perto por Pierre Rolland (B&B). Este quarteto parecia ser a fuga do dia, rolando com 1:20 sobre o pelotão, a 144 km do final, mas um grande grupo perseguidor, liderado por Wout Van Aert, colocou-se no encalço da frente da corrida.

A 120 km do final, com os quatro da frente já na contagem de 1ª categoria para Col de la Liguière, a vantagem era de 1 minuto sobre o grupo perseguidor e 4:30 sobre o pelotão, que ia sendo liderado pela Ineos, com Geraint Thomas, antigo campeão do Tour, a assumir as despesas do grupo principal nesta fase da jornada.

Na abordagem à primeira subida ao Mont Ventoux, deu-se a junção entre os grupos da frente, ficando um conjunto de 17 corredores na frente: Julian Alaphilippe (Deceuninck – QuickStep), Kenny Elissonde, Julien Bernard, e Bauke Mollema (Trek – Segafredo), Nils Politt (Bora – Hansgrohe), Xandro Meurisse e Kristian Sbaragli (Alpecin – Fenix), Luke Durbridge (Team BikeExchange), Wout van Aert (Jumbo – Visma), Pierre-Luc Perichon e Anthony Perez (Cofidis), Pierre Rolland e Quentin Pacher (B&B Hotels p/b KTM), Greg Van Avermaet e Benoît Cosnefroy (AG2R Citroën Team), Dan Martin (Israel Start-Up Nation), e Vegard Stake Laengen (UAE Team Emirates).

A fuga do dia na etapa 11 do Tour de France (Getty Images)

A 98 km da meta, começava a subida, com o pelotão a rodar com 5:14 de atraso para a fuga, onde as primeiras despesas eram feitas pela Trek, a equipa mais representada na frente. No pelotão, onde comandava novamente Geraint Thomas, ia perdendo o contacto David Gaudu, antevendo mais um dia de pesadelo para a formação da Groupama-FDJ, que nesta fase já só contava com quatro corredores em prova. O dia ia sendo profícuo em abandonos, com as saídas de Miles Scotson, da equipa francesa, mas também de Tiesj Benoot, Dan McLay, Clément Russo, Tony Martin, e Tosh Van der Sande.

Com o pelotão já a menos de 5 minutos da frente da corrida, os ataques iam-se sucedendo na fuga, com o grupo a dividir-se em dois nos primeiros quilómetros de subida. Passava dificuldades Dan Martin, de forma surpreendente, enquanto se formava na frente um grupo de sete, com Alaphilippe, Van Aert, Elissonde, Bernard, Durbridge, Meurisse, e Perez.

A fuga entrava na zona da paisagem lunar do Mont Ventoux com 5:21 sobre o pelotão, onde Geraint Thomas dava o seu trabalho por terminado. Antes do topo, Mollema conseguia juntar-se ao grupo da frente, completando um grupo de oito magníficos. No cimo do “Monte Careca”, passou em primeiro Alaphilippe, batendo Perez e Mollema, com o pelotão a 4:50.

A 50 km do fim, com a segunda subida ao Mont Ventoux a aproximar-se a passos largos, a fuga rodava com 4:30 sobre o grupo principal, ainda controlado pela Ineos Grenadiers.

Na subida final, atacou primeiro Elissonde, com a Trek a jogar com os seus números. Ficava na perseguição Alaphilippe, Van Aert, e Mollema, que rodavam a 20 segundos do francês, com o pelotão a pedalar com 5 minutos de atraso, a 14 km do cimo da ascensão e a 36 km da meta. No grupo principal, vinha para a frente a equipa do líder, a UAE-Team Emiarates.

Depois atacava Van Aert no grupo perseguidor, com o campeão belga a alcançar Elissonde, com Mollema e Alaphilippe a tentarem manter debaixo da sua vista os dois da frente. Mollema tentou ainda descarregar o Campeão Mundial, mas não conseguiu à primeira chicotada. Porém, a mexida acabou por ter efeito a 34km da meta, quando Alaphilippe quebrou por completo e deixou Mollema sozinho na perseguição ao duo que liderava a corrida. No pelotão, era Alejandro Valverde (Movistar) e Steven Kruijswijk (Jumbo – Visma) que passavam por dificuldades e descolavam por completo.

A 33km da meta, Wout van Aert descarregou por completo Elissonde, que não teve pernas para responder ao Campeão Belga, que cavalgava a passos largos para uma grandíssima vitória de etapa. Jonathan Castroviejo (Ineos Grenadiers) acabava o seu trabalho no pelotão, com Miguel Angel Lopez (Movistar) e Pello Bilbao (Bahrain Victorious), o 11º da geral, em visíveis dificuldades. Guillaume Martin (Cofidis) estava também no elástico, e ameaçava descolar do grupo dos favoritos.

Van Aert começava a ganhar progressivamente espaço aos adversários, com a Ineos a situar o pelotão a 4:30 do belga, e os ciclistas intermédios já em nítida quebra. A 32km da meta foi o australiano Ben O’Connor a pagar todo o esforço do último domingo, descolando de um grupo de favoritos já bastante reduzido, com Martin ainda na corda a aguentar-se pelos arames.

Jonas Vingegaard fez uma soberba ascensão ao Mont Ventoux (PhotoNews)

A 29km da meta, Alaphilippe era absorvido pelo pelotão, estando já em nítida quebra. O Campeão Mundial estava já a pensar nos próximos dias, e aproveitava para poupar algumas energias com vista a outras jornadas. A atmosfera na subida era brutal, e era possível sentir toda a adrenalina com que a etapa era corrida.

A 26km da meta, Pello Bilbao fazia o impossível e regressava ao grupo dos favoritos, numa fase em que a Ineos ficava apenas reduzida a um único gregário, após um grandíssimo trabalho de Richie Porte, com Michal Kwiatkowski a ser o único gregário a ficar com Carapaz, para preparar um ataque do equatoriano. Mais à frente, Elissonde esperava por Mollema, na tentativa de ajudar o holandês a ainda poder alcançar van Aert, mas o belga estava lançado para conquistar a etapa.

Com o ritmo do polaca na frente do grupo, era o nono classificado da geral, Guillaume Martin a finalmente descolar do grupo, que se reduzia a apenas 10 unidades. Majka aproveitou o momento para passar logo a seguir pela frente e dar um pequeno esticão ao grupo, deixando o canadiano Michal Woods (Israel Start-Up Nation) em dificuldades. A vantagem de Wout para o grupo de Pogacar era de 3:40 com 2.5km para o topo do Ventoux, e de 1:20 para o duo da Trek, uma margem perfeitamente confortável para o ciclista da Jumbo – Visma.

Com 24km pela frente, Kwiatkwoski acabou o seu trabalho grupo dos favoritos, deixando Carapaz por si só perante os restantes adversários. Rigoberto Uran (EF Education – Nippo) não teve receio de passar pela frente durante uns metros. Enric Mas (Movistar) era quem passava pior e descolava, mas quem aproveitou muito bem a oportunidade foi Jonas Vingegaard (Jumbo – Visma), que com um fortíssimo ataque dizimou por completo a concorrência, levando consigo apenas o líder da geral Tadej Pogacar (UAE Team Emirates), que uma vez mais respondeu muito bem à movimentação, mas mostrava pela primeira vez um ar de fraqueza, deixando o holandês sozinho, a 1.2km do topo do Mont Ventoux.

Richard Carapaz e Rigoberto Uran seguiam pouco atrás do duo, e começavam a ter o camisola amarela à vista, com Vingegaard a ganhar bastante terreno e a colocar-se virtualmente no pódio da classificação geral. Pogacar cruzou o topo do Ventoux com 40s de atraso para o camisola branca, deixando-se apanhar já na descida por Carapaz e Uran que estavam logo atrás do camisola amarela.

As vantagens mantiveram-se ao longo da descida, com a exceção de que Vingegaard não conseguiu recuperar o pouco espaço que já teve para os Trek, e viu o trio composto por Tadej Pogacar, Richard Carapaz e Rigoberto Uran ganharem tempo que haviam perdido em subida. Wout van Aert fez uma descida bastante tranquila, não perdeu tempo para os adversários, e triunfou assim em grandes estilo, conquistando a sua primeira etapa nesta edição do Tour de France, e a sua primeira etapa de montanha em toda a história da corrida!

Vingegaard bem tentou fazer a diferença, mas foi alcançado já dentro do último km, cortando a meta na sétima posição, com o mesmo tempo de Pogacar, Uran e Carapaz, a 1:38 de van Aert.

Com este resultado, Pogacar alarga e de que maneira a vantagem na classificação geral, tendo agora 5:18 sobre o segundo classificado, o colombiano Rigoberto Uran, liderança que acumula com a classificação da juventude. Nairo Quintana (Arkea – Samsic) sobrevive na liderança da montanha, e Mark Cavendish (Deceuninck – Quick Step) na liderança dos pontos.

Ruben Guerreiro (EF Education – Nippo) foi o melhor português em 25º a 12:18 e é agora 20º na geral, a 47:37 de Pogacar. Rui Costa (UAE Team Emirates) foi 63º a 24:38 e segue agora em 79º na geral, a 1:43:13 de Pogacar.

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