Nem etapa, nem geral! Foi por pouco, campeão!

Na quarta e última etapa do Tour du Limousin houve drama e emoção, com incerteza sobre o vencedor da classificação geral até ao último metro de estrada! Rui Costa atacou nos km finais e parecia ter a vitória na geral ao seu alcance, no entanto, acabou por não ser feliz, ficando a faltar-lhe apenas 4 segundos para poder eliminar a diferença que tinha para Luca Wackermann (Vini Zabù-KTM), que acabou por ser o vencedor da prova francesa. Além disso, fruto do esforço que despendeu para fugir ao pelotão, o português não foi capaz de finalizar com potência frente ao seu companheiro de fuga e vencedor desta última etapa, o italiano Alessandro Fedeli (Nippo Delko One Provence).

A quarta e última etapa da competição francesa correu-se entre Lac de Saint-Pardoux e Limoges, numa distância de 167 km. Os ciclistas enfrentavam três contagens de montanha e ainda um circuito final com muito sobe e desce, que prometia espetáculo na luta pela etapa e pela geral.

A corrida começou com um controlo apertado por parte da Groupama-FDJ, que procurava o ataque à geral através de Jake Stewart, segundo a cinco segundos de Luca Wackermann. Aos 26 km estava colocado um sprint intermédio que garantia uma bonificação de três segundos e, de facto, o primeiro a passar foi Stewart, capitalizando o esforço da sua equipa. Rui Costa também disputou o sprint, fazendo terceiro e garantindo um segundo de bonificação.

De seguida, formou-se a fuga do dia com o ataque de três corredores: François Bidard (AG2R La Mondiale), Valentin Ferron (Total Direct Energie), e Tony Hurel (St-Michel-Auber 93), este a apontar à classificação das montanhas, ainda liderada por Delio Fernandez (Nippo Delko One Provence) e com Martin Salmon (Team Sunweb) à espreita. No pelotão, continuava a Groupama-FDJ a comandar, numa fase em que alguma chuva se fazia sentir. Volvidos alguns km, mais dois homens juntaram-se à frente da corrida: Alexis Gougeard (AG2R La Mondiale) e Peio Goikoetxea (Euskaltel-Euskadi). A AG2R apostava forte, num dia em que vários elementos da equipa não partiram para a estrada, retirados do alinhamento após o teste positivo à Covid-19 de Larry Warbasse, que tinha estado em contacto com os seus colegas durante a Volta à Lombardia.

A margem dos fugitivos nunca foi muito significativa, rondando quase sempre os dois minutos. Sensivelmente a 70 km do fim, veio para a frente do pelotão a UAE-Team Emirates, forçando o andamento e tentando provocar cortes no pelotão. E a estratégia resultou, embora apenas momentaneamente, com um corte que colocou em dificuldades o líder Wackermann. Rui Oliveira era, nesta fase, o homem que comandava o pelotão, em mais um dia de extraordinário trabalho em prol do coletivo. A Emirates procurava a terceira seguida na competição, depois das vitórias de Gaviria e Philipsen.

À entrada do circuito final, a 40 km do final, a fuga levava ainda um minuto de vantagem. Neste ponto, azar para o campeão português, que teve um furo, o que fez a Emirates parar o trabalho que vinha a realizar até conseguir recolocar o seu líder.

Com 10 km para o final, à entrada para a última volta do circuito, apenas um ciclista resistia isolado na frente da corrida: Alexis Gougeard, mas apenas com 20 segundos de vantagem. Um km depois, dá-se o ataque de Rui Costa, numa movimentação forte com olhos claramente fixados na vitória final. Atrás do português, saiu Alessandro Fedeli (Nippo Delko One Provence). A dupla rapidamente alcançou os 15 segundos de diferença que Rui Costa necessitava para vencer a competição. Nos km seguintes, a diferença para o pelotão oscilou entre os 15 e os 20 segundos, pese os esforços de Sunweb, Groupama-FDJ, e Cofidis no grupo principal. Nesta fase, o terreno em ligeira descida e algumas curvas existentes no percurso iam ajudando a dupla de atacantes.

A dois km do fim, a diferença era de 18 segundos entre os fugitivos e o pelotão. O Tour du Limousin ia ser decidido ao segundo! Rui Costa era o que mais trabalhava entre os dois da frente. A etapa seria difícil de disputar frente ao italiano mais fresco, mas a vitória na classificação geral estava cada vez mais perto.

A Groupama-FDJ forçou muito o andamento nesta fase, aproximando o já reduzido pelotão da frente da corrida. E este forcing acabou por ser fatal para Rui Costa. Nos metros finais, com o português já muito desgastado, Fedeli sprintou para a vitória sem grande dificuldade. Rui Costa cruzou a meta em segundo lugar, olhando por cima do ombro para o pelotão que chegou cinco segundos depois, liderado por Joel Suter (Bingoal-Wallonie-Bruxelles). Mesmo com uma bonificação de seis segundos à chegada, dava para perceber que não seria o dia do campeão português. Pouco depois, vinha a confirmação oficial: vitória na geral para Wackermann, segundo lugar para Stewart a dois segundos, e terceiro para Rui Costa a quatro segundos.

Rui Oliveira foi, mais uma vez, fundamental para a sua equipa, trabalhando de forma incansável como tinha feito nas restantes etapas. Termina a última etapa em 87º a 10:49 do vencedor, e na geral acaba por fechar em 83º, a 43:20 de Wackermann.

Em relação às restantes classificações do Tour du Limousin, a montanha acabou por ir para Martin Salmon (Team Sunweb), graças a um precioso ponto que recolheu no decorrer da etapa, a juventude foi para Jake Stewart, e a classificação coletiva para a Team Arkéa-Samsic.

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