Mark Cavendish faz história e iguala o recorde de Eddy Merckx!

Aquilo que parecia impossível há pouco tempo, tornou-se realidade! O britânico Mark Cavendish venceu o sprint da etapa 13 do Tour de France, chegando assim aos 34 triunfos na prova e igualando o recorde de Eddy Merckx! É a quarta do Manx Missile nesta edição, numa prova de sonho, ele que surgiu no alinhamento da equipa à última da hora, ocupando o lugar de Sam Bennett!

Nesta etapa 13, o dia e o final foram dominados pela Deceuninck Quick-Step, com o lançador de Cavendish, Michael Morkov, a fazer 2º e a oferecer a dobradinha ao Wolfpack! O 3º posto ficou para Jasper Philipsen, da Alpecin-Fenix.

A etapa 13 do Tour de France apresentava um percurso de 219.9 km, entre Nîmes e Carcassonne, numa jornada clássica de ligação entre os Alpes e os Pirinéus. A altimetria seria relativamente suave, pontuada apenas com uma contagem de 4ª categoria na fase inicial da tirada e com algumas subidas não categorizadas. Os metros finais seriam em ligeira subida.

A corrida começou em ritmo frenético, com inúmeros ciclistas a tentarem desde logo sair do pelotão. O grupo alongava e ia partindo, mas nenhuma movimentação conseguiu estabelecer-se nos primeiros quilómetros. A Deceuninck Quick-Step atuava como “patroa” do pelotão, colocando muitos elementos na cabeça do grupo, respondendo aos ataques, eliminando movimentações, impondo ritmos… A formação belga estava em modo predador e das duas uma: ou a fuga saía com um grupo forte e levava dois ou três homens da Deceuninck, ou então saíam apenas uma mão cheia de ciclistas, o que permitiria um controlo mais tranquilo da jornada.

Apenas ao fim de 30 km de prova, a fuga parecia definir-se, com Pierre Latour (TotalEnergies), Sean Bennett (Qhubeka), e Omer Goldstein (Israel Start-Up Nation) na frente. No pelotão finalmente havia alguma acalmia, com a Deceuninck Quick-Step e a Jumbo-Visma a bloquearem a largura da estrada, de modo a não permitir que mais corredores integrassem a frente da corrida. A vantagem dos três escapados ainda cresceu até mais de 2 minutos, no entanto, a Trek-Segafredo não estava satisfeita com a situação de corrida, optando por atacar do pelotão, o que voltou a trazer o mesmo cenário dos quilómetros iniciais, com a Deceuninck a envolver vários homens nas tentativas de ataque, de modo a destabilizar as tentativas de saída.

A equipa bela conseguia levar o barco a bom porto, evitando que mais ciclistas integrassem a fuga. Com o pelotão a voltar a um ritmo tranquilo, ficava definida a situação de corrida, com a vantagem dos três fugitivos a crescer para 4:25, com 173 km para o final. Este não seria um dia como o de ontem, onde a fuga ganhou uma vantagem muito grande, pelo que, no grupo principal, assumia desde logo o controlo a Alpecin-Fenix, a par da Deceuninck, com a margem a estabilizar nos quilómetros seguintes.

A fuga do dia na etapa 13 do Tour (Getty Images)

No alto da única contagem de montanha do dia, uma 4ª categoria, passou em primeiro Latour, seguido de Bennett. O pelotão rodava a 4:10 da frente da corrida, quando estávamos a 167 km da meta. Na subida, o grupo principal era liderado por uma cara bem familiar, o “Trator Azul”, Tim Declercq, da Deceuninck Quick-Step.

Seguiram-se vários quilómetros de alguma monotonia, com a margem entre fuga e pelotão a manter-se constante e depois a reduzir paulatinamente. Com 130 km para o final, era de 2:49 o avanço do trio de corajosos.

No sprint intermédio do dia, Goldstein passou na frente, com Bennett e Latour atrás de si, e depois no pelotão houve alguma luta pelos pontos, com Colbrelli a ser o mais forte, seguido de Matthews, Morkov, Philipsen, e só depois Cavendish, que acabou por não se aplicar a fundo no sprint.

A 99 km do final, a diferença era de 2:38, com o pelotão a rodar tranquilamente, por uma zona de abastecimento. Perto da frente do grupo principal, era possível ver Rui Costa a despejar o seu bidon em cima do camisola amarela, Tadej Pogacar, num ambiente descontraído mas com o português bem compenetrado no seu importante papel, ele que tem sido um dos mais fiéis escudeiros do Rei do Tour!

A corrida ia percorrendo as localidades da região, com algumas estradas estreitas e diversas ilhas de tráfego e outro mobiliário urbano, o que causava um claro alongamento do pelotão. No entanto, com a fuga a apenas 1:45, a 85 km do final, o desfecho da etapa parecia traçado e teríamos mesmo sprint em Carcassonne. O grupo principal continuava a ter as despesas 100% a cargo da Deceuninck e da Alpecin, com as restantes equipas a disfrutar de um dia relativamente tranquilo, mesmo com a longa quilometragem e com o início frenético de etapa.

A 66 km do final, com a fuga a 1:33, começaram novamente os ataques no pelotão, com a Deceuninck atenta às movimentações. Na frente, o trio de escapados também se atacava, com Latour e Goldstein a deixarem Bennett para trás.

Pouco depois, queda aparatosa no pelotão com vários corredores a desaparecerem autenticamente no meio da vegetação. Um dos mais maltratados foi Simon Yates (Bike Exchange), ele que ainda montou na bicicleta mas acabaria por desistir.

Com o pelotão a reduzir em função de vários ciclistas estarem atrasados, nomeadamente Sergio Higuita, Wout Poels, e Geraint Thomas, e com a possibilidade de ventos cruzados, era possível de sentir a tensão na frente do grupo, com Wout Van Aert a passar pela frente, intrometendo-se no meio dos Deceuninck. Com tudo isto, a vantagem dos dois fugitivos caía para os 40 segundos.

A 52 km do final, a fuga era definitivamente eliminada pelo pelotão, que era então comandado pela camisola do arco-íris, envergada por Julian Alaphilippe.

Até aos quilómetros finais, as equipas foram preparando o sprint, com a Deceuninck e a Emirates, muitas vezes através de Rui Costa, a tomarem conta da frente do grupo.

A 45 km da meta, ainda atacou Quentin Pacher (B&B), conseguindo alcançar uma vantagem de alguns segundos. A 36 km do fim, azar para Cavendish, obrigado a trocar de bicicleta, no entanto, o britânico conseguiu reentrar rapidamente no pelotão.

Pacher ia aumentando o seu avanço, chegando a 1:30, a 33 km da meta. O pelotão parecia ter a situação controlada, com Israel, Movistar, Qhubeka, e Jumbo a surgirem também na frente, embora a despesa maior continuasse a ser feita por Alaphilippe.

O campeão do mundo, Julian Alaphilippe, no comando do pelotão, com Rui Costa (desfocado mais atrás) a subir no grupo (Getty Images)

Nos quilómetros seguintes, a vantagem de Pacher caiu rapidamente, acabando por ser alcançado a 19 km do final, com a BORA a vir para a frente do grupo. O ritmo aumentava bastante, com a Ineos a surgir na frente, e o pelotão começava a cortar, com Alaphilippe a ficar para trás. O vento fazia-se sentir e todos estavam nervosos, com nomes como Sonny Colbrelli ou Wout Van Aert a passarem pela frente! A corrida entrava nos 10 km finais em autêntico ritmo de clássica!

Nos 5 km finais, entrou na frente a Cofidis e a AG2R, com o percurso bastante técnico a tornar difícil o trabalho de colocação de muitas das equipas. Depois surgia a Deceuninck, a Qhubeka, e a Bahrain, mas sem grandes comboios formados. A formação belga era a única que conseguia colocar cinco homens.

No km final, entrou a Deceuninck na frente, com Asgreen a liderar um comboio de quatro carruagens na abordagem às últimas curvas. O sprint parecia controlado, mas vinha para a frente que nem uma flecha a formação da DSM, que tomava a dianteira, obrigando a Deceuninck a reagir. Ballerini acelerou, ganhando alguns metros, com Cavendish a ficar algo fechado e a ter que fazer uma gincana para encontrar espaço. Na roda de Ballerini surgia Ivan Garcia Cortina, que levava atrás de si a dupla Morkov/Cavendish, com Philipsen logo atrás.

Nos metros finais, Cavendish e Philipsen saíram de trás de Morkov, mas apenas o britânico conseguiu fechar à frente do dinamarquês. Estava feita história! Mark Cavendish acabava de triunfar pela 4ª vez nesta edição do Tour e pela 34ª na história da prova, igualando o recorde do Canibal, Eddy Merckx!

O 2º posto acabou por ficar para Morkov, com a Deceuninck a fazer a dobradinha nesta dia tão especial para o seu sprinter. No 3º lugar ficou Philipsen, com Cortina a ser o 4º da jornada.

Na CG, tudo na mesma, com Tadej Pogacar na liderança, com 5:18 de avanço sobre Rigoberto Urán e 5:32 sobre Jonas Vingegaard.

Quanto aos portugueses, Ruben Guerreiro terminou no 23º posto, integrado no pelotão, e sobe um lugar na CG, passando a ocupar o 21º lugar, a 47:37 de Pogacar. Já Rui Costa, depois de um dia de trabalho no apoio ao camisola amarela, acabou por terminar em 99º, a 2:23 de Cavendish, seguindo agora na geral no 80º posto, a 1:45:36.

Amanhã disputa-se a etapa 14, num dia de média montanha e um percurso de 183.7 km, entre Carcassonne e Quillan.

O momento em que Mark Cavendish fez história na Volta a França (Getty Images)
O “Míssil da Ilha de Man” no pódio final da jornada (Getty Images)
Tadej Pogacar mantém a liderança da competição (Getty Images)

Classificações Completas

Classificações do Passatempo

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Releated

Please turn AdBlock off  | Por favor desative o AdBlock