Mais uma para Wellens na Volta a Espanha!

O belga Tim Wellens (Lotto Soudal) venceu a 14ª etapa da Volta a Espanha, sendo o mais forte da fuga de 7 que marcou a jornada. Batido na última curva da chegada em Ourense, ficou o 2º classificado, o canadiano Michael Woods (EF Pro Cycling). O pelotão chegou com 3:44 de atraso sobre a fuga, contendo os homens da geral.

A 14ª etapa da Volta a Espanha apresentava uma jornada corrida na região da Galiza. Este era um dia que era para ter sido corrido em estradas portuguesas, mas com a reorganização do percurso, acabou por se disputar integralmente em território espanhol.

Assim, os ciclistas enfrentavam uma ligação de 204.7 km entre Lugo e Ourense e um perfil rugoso de média montanha. Seriam três contagens de 3ª categoria, além de muitas outras curtas subidas não categorizadas, uma delas no acesso à meta, uma rampa de 1.1 km e 6.5 % de inclinação média!

No início da etapa, os ataques começaram de imediato, mas nenhuma movimentação resultou logo de imediato. Apenas ao fim mais de 50 km, um grupo conseguiu isolar-se, e que grupo! Eram 7 corredores todos com muita qualidade e com boas hipóteses de triunfar neste tipo de terreno: Marc Soler (Movistar), Tim Wellens (Movistar), Zdenek Stybar (Deceuninck-Quick Step), Dylan van Baarle (Ineos Grenadiers), Michael Woods (EF Pro Cycling), Thymen Arensman (Sunweb), e Pierre-Luc Périchon (Cofidis) isolou-se na frente da corrida. Com 110 km para a meta, o grupo de fugitivos possuía 5:20 sobre o pelotão.

A fuga do dia com Arensman, Perichon, Van Baarle, Wellens, Stybar, Soler (Photo by David Ramos/Getty Images)

O grupo principal ia sendo controlado pela Astana, pela BORA, e pela Jumbo-Visma, do líder Primoz Roglic. A equipa cazaque ia mantendo o ritmo alto, na tentativa de mais tarde anular a fuga e preparar a chegada para Alex Aranburu, enquanto a equipa alemã estaria certamente a pensar em atacar a etapa com Felix Grossschartner. Se estivessem sozinhas na perseguição, estas equipas possivelmente não se iriam querer estar a desgastar durante toda a jornada, pelo que era do interesse de ambas esta aliança de circunstância. Para a fuga, isto significava que a iria ser muito complicado manter-se na frente até final. Com 85 km para a meta, a margem baixava para os 4:52.

A 57 km do final, com o braço de ferro entre fuga e pelotão a manter a margem entre os grupos nos 4:36, Astana e BORA, sujeitas já a algum desgaste durante a jornada, saíam da frente do pelotão e eram substituídas pela Total Direct Energie, trabalhando provavelmente para Julien Simon, que tentava capitalizar o trabalho de perseguição efetuado pelo pelotão nos km anteriores, de modo a não permitir que a fuga voltasse a ganhar tempo lá na frente.

O trabalho da equipa francesa surtiu algum resultado, com a margem dos fugitivos a baixar para os 4 minutos com 47 km para o fim. O grupo da frente não era um grupo qualquer e neste tipo de terreno tornava-se difícil de gerir o espaço, pelo que quem quisesse eliminar a movimentação tinha de se colocar desde logo ao trabalho.

Correndo ao longo das belas paisagens do Rio Minho, o pelotão seguia alongado, com a Total a impor o ritmo, seguida pela Lotto, seguida por sua vez pelas equipas da geral: INEOS, Jumbo, EF, e Movistar.

A 40 km da meta, a diferença continuava a baixar, situando-se nos 3:17, e continuava sem ser claro qual iria ser o desfecho desta jornada. Nos km seguintes, a diferença continuou a baixar e, com 25 km para o final, com a margem em 1:37, começava a balança a pender para o lado do pelotão. A fuga estava na última subida categorizada do dia, a 3ª categoria para o Alto de Abelaira, e os ataques sucediam-se, com os corredores cientes que a rédea do pelotão estava cada vez mais curta.

Depois do topo da ascensão, os ciclistas entraram em zonas em descida, bastante onduladas, o que tornava difícil a perseguição. A Total perdeu a pouca força que ainda tinha na subida, e sem mais equipas interessadas em se desgastar neste tipo de terreno, o pelotão abrandou o ritmo a diferença para a frente subiu para os 2:35 com 17 km para o final. A balança estava agora bem tombada para o lado da fuga. Um pouco incompreensível como, perante a incapacidade da Total Direct Energie, a Astana e a BORA não regressam para terminar o trabalho de perseguição e garantir uma chegada em pelotão compacto, depois de tanta energia despendida no início da etapa.

Com a vitória à sua mercê, os ataques sucederam-se na fuga, qua assim se desintegrou, ficando na frente um trio com Soler, Wellens, e Stybar. A 3 km do fim, o grupo levava 11 segundos de avanço sobre a restante fuga, com o pelotão a 4:36.

À entrada do km final, um outro trio com Woods, Van Baarle, e Arensman, alcançou mesmo os homens da frente. Tínhamos um sprint a 6 para o final em subida!

Woods encabeçava o grupo, com os ciclistas a entreolharem-se na expetativa de quem seria o primeiro a mexer. A 500 m do fim, arrancou Wellens, com o resto do grupo a segui-lo. Depois tentou Soler, com Wellens a aguentar junto do espanhol. Curva e contracurva em direção à meta e Wellens volta a tomar a dianteira, de forma inteligente. Woods ainda encostou no belga, mas este aguentou e analisou bem a sua trajetória para a curva final, ganhando a posição vantajosa dentro da última viragem, o suficiente para cortar a meta à frente de Woods. Bela vitória para este atacante, a segunda nesta edição da Volta a Espanha, depois do triunfo na etapa 5!

O pelotão chegou com 3:44 de atraso para Wellens. Alguns corredores ainda tentaram acelerar mas o grupo chegou todo junto, encabeçado por Dan Martin (Israel Start-Up Nation). Também na frente do grupo estava o melhor português do dia, Ivo Oliveira (UAE-Team Emirates), 11º da jornada.

Na geral, tudo na mesma, com Primoz Roglic (Team Jumbo-Visma) na liderança, com 39 segundos sobre Richard Carapaz (INEOS Grenadiers) e 47 sobre Hugh Carthy (EF Pro Cycling). O mehor luso é Nelson Oliveira (Movistar), na 42ª posição, a 1:27:01 de Rogla.

Amanhã disputa-se uma longa ligação de 230.8 km entre Mos e Puebla de Sanabria, em mais um dia média montanha, este ligeiramente mais complicado do que a jornada de hoje, o que poderá trazer algumas mexidas entre os melhores da geral.

Luís Doutel vence etapa, marcando-se cada vez mais na terceira posição da luta pela geral.

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