Mäder concretiza assistência primorosa de Mohoric!

O suíço Gino Mäder, da Bahrain-Victorious, venceu a 6ª etapa do Giro d’Itália, concretizando mais um dia onde a fuga conseguiu prevalecer face ao pelotão! No 2º posto, a 12 segundos de Mäder, chegou o primeiro homem do grupo principal, o colombiano Egan Bernal, da Ineos Grenadiers.

A Bahrain alcança assim uma grande vitória, logo no dia seguinte à perda do seu líder, Mikel Landa, que abandonou a prova devido a queda.

Na classificação geral, o líder é agora o húngaro Attila Valter, da Groupama-FDJ, com 11 segundos de vantagem sobre Remco Evenepoel, da Deceuninck Quick-Step, e 16 sobre Bernal.

Quanto aos portugueses, destaque para o trabalho de João Almeida em prol de Remco Evenepoel, e para a sua subida de 10 lugares na geral do Giro, enquanto Nelson Oliveira acabou por sair do pódio, com o melhor português a ser agora Ruben Guerreiro, com o 25º lugar da tabela.

A 6ª jornada do Giro apresentava uma ligação de 160 km, entre Grotte di Frasassi e Ascoli Piceno (San Giacomo), num dia que iria terminar com uma 2ª categoria de 15.6 km, a 6 % de inclinação média.

No início da etapa começaram os ataques, entre os quais do luso Ruben Guerreiro, da EF Education-Nippo, no entanto, iria demorar até à fuga da jornada ficar constituída. As movimentações na frente eram muitas, com a Israel Start-Up Nation, do líder Alessandro De Marchi, a tentar manter a corrida controlada.

Ao fim mais de 20 km de etapa, uma aceleração de Matej Mohoric (Bahrain-Victorious) levou consigo o seu companheiro de equipa Gino Mäder, e também Jimmy Janssens (Alpecin-Fenix), Simone Ravanelli (Androni), Dario Cataldo (Movistar), Simon Guglielmi (Groupama-FDJ). Esta fuga de seis já levava quase 3 minutos sobre o pelotão, quando Bauke Mollema (Trek-Segafredo) e Geoffrey Bouchard (AG2R Citröen) saltaram do pelotão, em busca da frente da corrida. Esta dupla lutou, e de que maneira, debaixo de sol e chuva, para conseguir colar na frente, acabando por lá chegar ao fim de 30 km de esforço. Estávamos com 96 km para o final, e o pelotão rodava a 5 minutos dos oito fugitivos.

A 67 km do final, já com as duas contagens de montanha que pontuavam a parte central da etapa ultrapassadas, Filippo Ganna, da Ineos, veio para a frente do pelotão, impondo o andamento na longa descida que levava o pelotão até à subida final para San Giacomo. A movimentação do campeão do mundo de contrarrelógio causou cortes no grupo principal que foram capitalizados nalgumas zonas ventosas do percurso. A maioria dos homens da geral conseguiu manter-se perto da frente, mas tal não foi o caso de De Marchi, que assim iria ver a sua preciosa camisola rosa passar para outro freguês.

Na frente, continuava a fazer estragos Matej Mohoric, impondo um andamento diabólico, debaixo de chuva intensa, num trabalho extraordinário para o seu companheiro Gino Mäder. O ritmo do esloveno quebrou a fuga, ficando na frente os dois Bahrain, e também Mollema e Cataldo. No início da subida final, Mohoric terminava o seu trabalho, abrindo para o lado, em claro sinal de esgotamento físico, mas tinha conseguido o seu intuito, deixar o companheiro de equipa com uma margem suficiente para aguentar a investida do pelotão na subida final. Faltavam 15 km (sempre em subida) para a meta e a fuga levava 2:42 de avanço sobre o pelotão, que ia sendo comandado pela Ineos.

A 12 km da meta, um incrível acidente, com o carro da Team BikeExchange a abalroar por trás Pieter Serry (Deceuninck Quick-Step), embora sem consequências físicas de maior para o belga.

Na subida final, passou pela frente do pelotão o Canibal das Caldas, João Almeida, trabalhando em prol do agora líder da equipa para a geral, Remco Evenepoel. Demonstração de fibra e caráter do lusitano!

Estávamos perto da baliza e era a altura de Mäder rematar para golo a primorosa assistência do seu companheiro de equipa! E, a 3 km do final, o suíço atacou mesmo, deixando Mollema e Cataldo para trás, quando o pelotão estava a 1 minuto do trio. Mäder atacou com confiança e convicção, e certamente muita vontade de retribuir o trabalho de Mohoric com a vitória na etapa.

A 1 km e meio do final, ataca do pelotão Egan Bernal, com Giulio Ciccone (Trek) e Remco Evenepoel (Deceuninck) a seguirem perto do colombiano, e Aleksandr Vlasov (Astana) a tentar fechar o espaço, mas a não conseguir. Quem conseguiu sair do grupo e alcançar o trio de atacantes foi Dan Martin (Israel).

Na meta, chegou isolado Gino Mäder, também ele visivelmente esgotado, mas com toda a certeza muito feliz pelo excelente desempenho da equipa nesta jornada. Volvidos 12 segundos, chegava Bernal, que assim bonificou 2 segundos, e também Dan Martin, Evenepoel, e Ciccone. Ciclistas como Vlasov, Simon Yates, e Hugh Carthy perderam 17 segundos para o grupo de Bernal. Também a essa distância terminou Attila Valter, o húngaro da Groupama-FDJ, que assim assume a liderança da Volta a Itália, com 11s de avanço sobre Evenepoel e 16 sobre Bernal.

Quanto aos portugueses, João Almeida terminou a etapa na 16ª posição, a 40s de Mäder, subindo 10 lugares na geral, onde é agora 28º, a 4:49 de Valter.

Ruben Guerreiro realizou mais uma grande etapa, andando ao ataque e terminando num excelente 25º posto, a 1:19 do vencedor, o que lhe garante o estatuto de melhor português na geral, onde segue no 23º lugar, a 3:06 da rosa.

Nelson Oliveira acabou por terminar no 56º posto, a 14:37 da frente da corrida, o que significou o abandono do lugar no pódio do Giro, baixando agora para a 37ª posição, a 13:56 do líder da competição.

Amanhã disputa-se a 7ª etapa do Giro d’Italia, com uma ligação de 181 km, entre Notaresco e Termoli, num dia que deverá sorrir aos sprinters.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Releated

Please turn AdBlock off  | Por favor desative o AdBlock