Kuss reacende a lâmpada e bate Valverde para vencer pela primeira vez no Tour!

O norte-americano Sepp Kuss (Jumbo – Visma) venceu a décima quinta etapa do Tour de France, uma ligação de 191.3km entre Céret e Andorra-a-Velha, após se ter isolado na subida ao Col de Beixalis, onde se conseguiu distanciar do veterano Alejandro Valverde (Movistar), que acabou por ser segundo, a 23 segundos. O terceiro lugar foi para o holandês Wout Poels (Bahrain Victorious), já a 1:15 do vencedor.

A etapa 15 do Tour trazia 191.3 km, que iriam ligar Céret a Andorra-a-Velha, num dia que contava com uma contagem de 2ª categoria e três de 1ª. A primeira subida do dia será a 1ª categoria de Monteé de Mont-Louis (8.5 km a 5.7%), seguindo-se a 2ª categoria para Col de Puymorens (5.8 km a 4.6%) e logo de seguida a 1ª categoria de Port d’Envalira (Souvenir Henri Desgrange), uma dificuldade com 10.8 km a 5.8% de inclinação média. O pelotão depois enfrentava uma longa descida que levaria à última subida do dia, a 1ª categoria para Col de Beixalis (6.2 km a 8.6%), com os corredores depois a descerem até à meta na capital de Andorra.

A jornada começou num ritmo elevado, como era de esperar, com diversos corredores a tentarem integrar a fuga do dia. O primeiro a conseguir alguma vantagem sobre o pelotão foi o “Padrinho” das fugas, Thomas De Gendt, arrancando em solitário e conseguindo abrir um espaço de 15 segundos sobre o grupo principal, mas lá atrás os ataques eram mais que muitos, com nomes como Neilson Powless, Wout Van Aert, Alejandro Valverde, Steven Kruijswijk, e o “Iceman” de Pegões, Ruben Guerreiro, a entrarem em ação bem cedo na jornada. Quem começava já a perder o contacto era Nacer Bouhanni, numa fase ainda muito precoce, prevendo-se um dia muito complicado para o “Boxeur” na luta pela continuação em prova.

Formava-se na frente um grupo de oito com nomes como Thomas De Gendt e Ruben Guerreiro, enquanto saltava do pelotão um grupo bem numeroso e com ciclistas bem interessantes, incluindo Wout Van Aert, Julian Alaphilippe, Nairo Quintana, mas também dois Ineos Grenadiers, numa demonstração de intenções para a jornada de hoje. A formação britânica procurava colocar homens na frente que pudessem servir de plataforma para um ataque de Richard Carapaz numa das últimas subidas.

Com 20 km de etapa disputados, o grupo de Guerreiro rodava a 45 segundos do pelotão, com o grupo perseguidor numa posição intermédia. O grupo principal entrava depois numa fase de acalmia, permitindo a formação de uma fuga numerosa. O grupo perseguidor alcançava a frente da corrida, completando um lote de 32 (!) fugitivos: Wout van Aert, Steven Kruijswijk, Sepp Kuss (Jumbo-Visma), Dylan Teuns, Wout Poels, Matej Mohoric (Bahrain Victorious), Vincenzo Nibali, Kenny Elissonde, Julien Bernard (Trek-Segafredo), David Gaudu, Valentin Madouas, Bruno Armirail (Groupama-FDJ), Dylan van Baarle, Jonathan Castroviejo (Ineos Grenadiers), Julian Alaphilippe, Davide Ballerini (Deceuninck-QuickStep), Michael Woods, Dan Martin (Israel Start-Up Nation), Neilson Powless, Ruben Guerreiro (EF-Nippo), Alejandro Valverde (Movistar), Nairo Quintana (Arkéa-Samsic), Michael Matthews (Team BikeExchange), Pierre Latour (TotalEnergies), Thomas De Gendt (Lotto Soudal), Lukas Postlberger (Bora-Hansgrohe), Ion Izaguirre (Astana-PremierTech), Aurélian Paret-Peintre (AG2R Citroën), Sergio Henao (Qhubeka-NextHash), Mark Donovan (Team DSM), Ruben Fernández (Cofidis), e Franck Bonnamour (B&B Hotels).

A 150 km do final, esta forte movimentação possuía 4:30 sobre o grupo principal, onde a UAE-Team Emirates assumia as despesas da perseguição. Com o mais bem colocado da fuga a ser Paret-Peintre, 13º, a 24:44, não havia uma urgência muito grande na formação do líder.

No sprint intermédio, Michael Matthews teve a oposição de Thomas De Gendt e Davide Ballerini, mas conseguiu passar na frente, reduzindo distâncias para Mark Cavendish na luta pela camisola verde.

A 126 km do final, com a fuga a chegar aos 8 min de vantagem, a Groupama-FDJ assumia as despesas na frente, fazendo uso dos seus três elementos. Na topo da primeira subida categorizada do dia, uma ascensão de 1ª categoria para Monteé de Mont-Louis, houve luta pelos pontos da montanha, com Poels a bater Van Aert e Quintana.

A 99 km do final, a vantagem da fuga chegava já aos 9:27, tornando-se evidente que seria este o grupo a discutir a vitória na final do dia. Na parte de trás do pelotão, Mark Cavendish lutava com tudo o que tinha para se ir mantendo em contacto com o grupo principal.

Com a fuga a aproximar-se da contagem de 2ª categoria para Col de Puymorens, a vantagem crescia para os 10 minutos, com 73 km para a meta. Bruno Armirail comandava a fuga do dia, numa tentativa de levar David Gaudu à vitória de etapa. Wout van Aert levou a melhor no Col de Puymorens, enquanto no pelotão acontecia algo raro de ser ver, com Movistar e Ineos a articularem-se na frente do pelotão para aumentarem o ritmo e começarem a destruir as equipas dos principais candidatos.

À entrada para o Port de Envalira, Bruno Armirail terminava o seu trabalho e era Valentin Madouas a assumir a dianteira do grupo escapado. A Trek assumiu a frente na tentativa de levar Nibali à vitória de etapa, colocando Julien Bernard e Kenny Elissonde ao trabalho. A diferença ia caindo perante o grande trabalho de Richie Porte, mas a fuga estava já demasiado longe para ainda ser alcançada.

A 47km da meta, a diferença era de 6:50, e entravamos rapidamente nos últimos 2km do Port d’Envalira. Os ataques sucederam, com Ruben Guerreiro sempre muito atento, mas foi Nairo Quintana a ganhar vantagem e a cruzar o topo da contagem na frente, com Wout van Aert a ser segundo, Wout Poels terceiro e Michael Woods quarto. O grupo do Campeão Belga acabou depois por juntar a Quintana já na descida, colocando 17 ciclistas na dianteira.

O pelotão comandado por Michal Kwiatkowski (Ineos Grenadiers) cruzou o topo a mm:ss, com Dylan van Baarle e Jonathan Castroviejo a chegarem a partir da fuga, para darem uma importante ajuda a Richard Carapaz na descida até ao Col de Beixalis. O holandês da Ineos colocou um bom ritmo durante a descida, e deixou o francês Guillaume Martin (Cofidis) em grandes dificuldades, ele que acabou por descolar sem retorno ao grupo principal.

Tadej Pogacar voltou a aguentar os ataques da concorrência.

A entrada para o Col de Beixalis, a última subida do dia, foi feita a grande velocidade, com Nairo Quintana a atacar com tudo o que tinha, e a fazer uma primeira grande seleção do grupo de fugitivos. Wout van Aert, Wout Poels, Daniel Martin e Daniel Martin, entre outros, acabaram por ceder, com um primeiro grupo a chegar ao colombiano, comandado por Alejandro Valverde e Vincenzo Nibali, e que incluía Ruben Guerreiro.

Após o primeiro km da subida, era o próprio Quintana a ceder e a passar pior, e pouco depois o próprio Julian Alaphilippe, com Alejandro Valverde, David Gaudu e Sepp Kuss bastante ativos. Ruben Guerreiro esteve também ao ataque, mas foi o norte-americano a conseguir isolar-se na frente da corrida, a pouco menos de 5km do topo. Gaudu, Valverde e Guerreiro tentavam chegar à frente, mas a desvantagem para Kuss era já superior a 30s.

No pelotão, Dylan van Baarle acabava o seu trabalho, e era Jonathan Castroviejo a pegar no grupo de favoritos já na subida final. Geraint Thomas (Ineos Grenadiers) era menos um elemento e nem chegava a passar pela frente, o que motivou a que Richard Carapaz fizesse um primeiro ataque para selecionar o grupo, levando consigo Tadej Pogacar (UAE Team Emirates) e Jonas Vingegaard (Jumbo – Visma), e pouco depois com Rigoberto Uran (EF Education – Nippo) e Enric Mas (Movistar) a chegarem ao seu ritmo. Kelderman, Lutsenko e O’Connor voltariam a chegar, mas com maiores dificuldades.

Na frente, Kuss ia mantendo cerca de 20-25s para Alejandro Valverde, quando Quintana acordava para voltar a passar pelo grupo de Ruben Guerreiro e tentar ainda chegar à frente da corrida.

A pouco mais de 18km da meta, Ben O’Connor atacava no grupo dos favoritos, e teve de ser Wilco Kelderman a fazer a ponte para a frente do grupo para defender o seu lugar na geral. Tadej Pogacar aumentou pouco depois o ritmo, deixando Alexey Lutsenko no elástico, e quem aproveitou a deixa foi Jonas Vingegaard para lançar um forte ataque que rapidamente foi seguido por Tadej Pogacar, Richard Carapaz, Rigoberto Uran e Enric Mas, com os restantes favoritos a ficarem de novo em dificuldades.

Sepp Kuss acabou por cruzar o topo de Beixalis na frente da corrida, com Valverde a dar tudo para não perder a hipótese de vencer a etapa. O veterano espanhol acreditava que ainda era possível chegar à frente e lutar pela vitória e tinha a descida a seu favor perante Kuss. A diferença no topo da subida era já inferior a 20s, e Valverde acelerou descida fora numa tentativa de ainda chegar à vitória de etapa.

Vingegaard tentava atacar de novo, mas a marcação era muito apertada e o holandês não conseguia sair do grupo que fazia a subida completamente aos repelões. Rigoberto Uran atacou já a 1.5km do topo da subida, mas Pogacar agarrou rapidamente a roda do colombiano, com Carapaz e Vingegaard bastante atentos. O equatoriano tentou lançar uma nova vaga, mas sem sucesso e o grupo voltou a juntar de novo após nova aceleração. Ben O’Connor voltou a tentar mexer na entrada do km final, mas sem sucesso, não conseguiu mais do que espevitar um pouco o grupo dos favoritos. Pogacar assumiu o km final, e colocou Lutsenko, Bilbao e O’Connor em dificuldades perante um duro final de subida.

Na descida, e contrariamente ao que se esperaria, Sepp Kuss conseguiu não perder tempo para Valverde, apesar de o cronómetro andar aos saltos e durante muito tempo não se perceber se a diferença estaria a cair ou a diminuir. O grupo de Ruben Guerreiro acabou por partir e ganhar algum tempo, com o português a ficar na metade da frente. Porém, a distância para Kuss e Valverde era já grande e o grupo não conseguiu sequer alcançar visualmente o espanhol até cruzarem a meta.

Kuss acabou por caminhar para uma vitória que se calhar o próprio não esperava, até porque teve um Tour muito apagado e nem sequer foi capaz de dar a cara no trabalho para Vingegaard, com Valverde a ter de se contentar com a segunda posição. O sprint para o terceiro lugar foi apertado, mas Poels levou a melhor sobre Izagirre e Guerreiro, com o português a conseguir assim o seu melhor resultado de sempre numa etapa do Tour.

O grupo dos favoritos acabou por chegar a 4:51, comandado por Wout van Aert, que depois de ter descolado ainda veio dar uma ajuda ao líder da Jumbo para a classificação geral. Lutsenko e Bilbao perderam cerca de 30s, mas os grandes derrotados do dia foram mesmo G. Martin, a 3:54 e Mattia Cattaneo a 4:57.

Rui Costa foi 60º a 20:06 do vencedor e segue agora em 71º da geral, a 2:00:51 de Pogacar.

Tadej Pogacar permanece assim na liderança da classificação geral e da juventude, com Rigoberto Uran a voltar ao segundo posto, a 5:18 do esloveno. Mark Cavendish (Deceuninck – Quick Step) segue na liderança da classificação por pontos e Wout Poels (Bahrain Victorious) é de novo o líder da classificação da montanha.

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