Hugh Carthy conquista o Alto do Angliru!

Na 12ª etapa da Volta a Espanha, o britânico Hugh Carthy (EF Pro Cycling) foi o mais forte, conquistando o mítico Alto do Angliru, 16 segundos à frente de um grupo com Aleksandr Vlasov (Astana), Enric Mas (Movistar), e Richard Carapaz (INEOS), e 26 segundos à frente de Primoz Roglic (Jumbo-Visma) e Dan Martin (Israel Start-Up Nation). Na classificação geral, Carapaz regressa à liderança, com 10 segundos de avanço sobre Roglic, 32 sobre Carthy e 35 sobre Dan Martin.

A 12ª etapa da Volta a Espanha apresentava uma ligação curta mas bastante exigente de 109.4 km entre Pola de Laviana e o Alto de l’Angliru! Seriam 5 contagens de montanha, as duas primeiras de 3ª categoria e as últimas três de 1ª, com destaque para a subida final que iria coincidir com a meta. O Alto do Angliru representa um dos mais difíceis e icónicos desafios velocipédicos do mundo, com 13.2 km e 9.4% de inclinação média! A segunda metade da ascensão seria a mais difícil, apresentando 6.2 km a uns surreais 13.7%, com zonas a atingirem uns inacreditáveis 24%!

A expetativa era grande para esta jornada se tivermos em conta que os dois principais favoritos à conquista da prova, Primoz Roglic e Richard Carapaz, partiam com o mesmo tempo para esta que seria a 12ª etapa das 18 que compõem a edição de 2020!

Como esperado, o início de etapa deu-se em ritmo muito elevado, com diversos corredores a tentarem formar a fuga da jornada. Ao fim de 25 km de prova, um grupo de cerca de 20 corredores conseguiu isolar-se, entrando na frente na primeira subida categorizada do dia, a 3ª categoria para o Alto del Padrún.

Na frente seguiam: Mattia Cattaneo, Michael Mørkøv (Deceuninck-QuickStep), Nans Peters (AG2R La Mondiale), Aleksandr Riabushenko (UAE Team Emirates), Luis León Sánchez (Astana), Andreas Schilling (Bora-Hansgrohe), Cameron Wurf (Ineos Grenadiers), Robert Stannard, Alex Edmondson (Mitchelton-Scott), Anthony Roux (Groupama-FDJ), Lukasz Wisniowki (CCC Team), Kobe Goossens, Tosh Van Der Sande (Lotto Soudal), Guillaume Martin, Pierre-Luc Périchon (Cofidis), Imanol Erviti (Movistar), Jhojan García (Caja Rural-Seguros RGA), Ángel Madrazo, Juan Osorio (Burgos-BH), Enrico Gasparotto (NTT Pro Cycling), com mais três corredores na perseguição: Jasper Philipsen, Davide Formolo (UAE Team Emirates), e Tomasz Marczynski (Lotto Soudal). O sprinter belga foi ajudar a colocar o trepador italiano na fuga e foi depois absorvido pelotão.

A fuga da 12ª etapa da Volta a Espanha (Photo David Ramos/Getty Images)

No topo da subida passou o líder da montanha, Guillaume Martin, no 1º lugar, amealhando mais alguns pontos para essa classificação. O pelotão, comandado pela Jumbo-Visma, seguia a 2 minutos da frente, com Formolo, Marczynski, Osorio, e Gasparotto a meio caminho.

Na subida seguinte, a 3ª categoria para o Alto de San Emiliano, que se iniciou com 70 km para o final, a fuga tinha 2:30 de vantagem sobre o pelotão, com o grupo de Formolo a sentir dificuldades para encostar na frente, ainda a 1 minuto dos líderes. No topo da ascensão, voltou a passar na frente Guillaume Martin, com Formolo e Marczynski finalmente a conseguirem encostar nos líderes.

Seguia-se a 1ª categoria para o Alto de La Mozqueta (6.4 km a 8.2%). E aí atacaram do pelotão o 13ª e o 14º à geral, David de la Cruz e Esteban Chaves, a 5:09 e a 5:40, respetivamente. A lançar o ataque do espanhol da UAE-Team Emirates estava o português Ivo Oliveira, em mais uma demonstração de talento ao serviço da sua equipa. Perante esta movimentação, o pelotão foi então assumido pela Movistar, com a formação espanhola a defender as três posições que ocupa no top 10. O ritmo mais elevado no pelotão ia fazendo muitas unidades caírem como fruta madura na retaguarda! A meio da subida, entrou ao serviço Nelson Oliveira na frente do grupo principal, o que alongou ainda mais o pelotão e reduziu a diferença para a fuga para baixo dos 2 minutos, com De la Cruz ainda a tentar encostar na frente, juntamente com Thymen Arensman (Sunweb). Chaves já tinha entretanto sido absorvido pelo pelotão.

No cimo da subida, para variar, passou Guillaume Martin na liderança, aumentando o pecúlio na classificação da montanha. Estávamos a 49 km do final, e o pelotão já só estava com 1:23 de atraso para a frente, ainda com Nelson Oliveira a rebocar o grupo principal! Na descida, isolou-se na frente Davide Formolo, no entanto, devido ao piso escorregadio, o italiano acabaria por cair, embora sem grandes consequências além do ataque frustrado. Mesmo azar teve o ciclista que tem sido o braço direito de Carapaz na INEOS, Andrey Amador!

A Movistar imprimia um ritmo muito forte na descida, com 7 ciclistas na frente do pelotão, baixando a diferença para a frente para apenas 40 segundos à entrada do desafio seguinte, a 1ª categoria do Alto del Cordal, com 5.6 km e 8.8%. Estávamos a 26 km do final. Na subida, a fuga despedaçou-se, ficando na frente Luis Leon Sanchez e Mattia Cattaneo, com Guillaume Martin na perseguição, numa tentativa desesperada de ainda pontuar na penúltima subida do dia. No pelotão, com Esteban Chaves a pagar a fatura do ataque e a perder contacto com o grupo, continuava a liderar um dos homens da jornada, Nelson Oliveira. Enorme trabalho do português em prol da equipa espanhola, depauperando o pelotão!

A 1 km do cimo da subida, Guillaume Martin conseguiu encostar no duo da frente, conseguindo depois arrecadar novamente os pontos máximos da montanha.

A INEOS já só tinha Froome e Carapaz no grupo mas os dois passaram para a frente dos Movistar a meio da subida e de seguida quebraram mesmo o grupo, com a Jumbo obrigada a fechar o espaço para os dois INEOS. Grande trabalho de Froome! O pelotão estava reduzido a pouco mais de 20 corredores no cimo da subida, com os três da frente com 30 segundos de vantagem.

Na descida, a Jumbo tomou a dianteira do grupo principal, controlando o ritmo em direção à última subida do dia, o icónico Alto de l’Angliru! No início da ascensão, com 10 km para o final, o pelotão eliminou o trio de fugitivos. Na parte de trás do grupo, Marc Soler sentia dificuldades, correndo o risco de voltar a cair na geral.

O mítico Alto de L’Angliru (Photo Tim de Waele/Corbis via Getty Images)

A Jumbo imprimia um ritmo forte, tentando impedir qualquer tipo de ataque por parte dos rivais. Robert Gesink ditava o ritmo, sendo seguido por mais quatro abelhas assassinas, Kuss, Vingegaard, George Bennett, e a abelha vermelha, Roglic. Carapaz estava sozinho, enquanto as restantes equipas tinham no máximo dois elementos no grupo.

A 7 km do fim, o grupo entrava em zonas cada vez mais íngremes, sempre com Gesink a puxar na frente. Pouco depois, terminava finalmente o trabalho do holandês, entrando Vingegaard ao trabalho. Apenas 10 corredores iam sobrevivendo ao zumbido das abelhas! Os ciclistas entravam nas zonas a 20% e o esforço era notório em todos os corredores! O grupo continha os 3 Jumbo, Vingegaard, Kuss, Roglič, e depois Carapaz, Mas, Dan Martin, Carthy, Woods, Vlasov, e Poels.

A 3.5 km do final, com Poels descolado e Carapaz na retaguarda do grupo, ataca Enric Mas, o líder da juventude. Vingegaard saiu finalmente da frente do grupo e entrou Sepp Kuss ao trabalho. Apenas Roglic, Carthy, Vlasov e Carapaz seguiam o norte-americano na perseguição a Mas, com Dan Martin a perder o contacto. Sepp Kuss estava muito confortável em mais uma zona de 20%, tendo mesmo de acautelar o ritmo para Roglic não perder o contacto!

Depois atacou Hugh Carthy, com Vlasov a seguir o britânico! Roglic não conseguia seguir os da frente e Kuss tentava de alguma forma rebocar Roglic, com Carapaz e Dan Martin a tentarem aguentar na roda do esloveno.

Com 2.5 km para o final, com cada corredor a dar o seu máximo na zona mais íngreme da subida, com uns inacreditáveis 24% de inclinação, Enric Mas forçava o ritmo na frente, com os restantes favoritos uns metros atrás de si, todos num agonizante esforço!

A 2 km do final, Carapaz saiu do grupo, sendo seguido por Carthy, e os dois alcançaram Enric Mas, enquanto Roglic, com Kuss a ajudá-lo, ia cedendo algum terreno.

À entrada do km final, Hugh Carthy conseguiu alguns metros de vantagem na frente do grupo, com Carapaz e Mas a ficarem uns metros para trás. Seguiam-se Vlasov, Dan Martin, Kuss e Roglic, que cedia já alguns segundos.

Hugh Carthy dava tudo em cima da bicicleta, pedalando de forma desengonçada mas convicta! Ia mesmo para a vitória o britânico da EF Pro Cycling, que tentava ainda atacar o pódio da Vuelta. Enorme vitória de Carthy, a primeira em grandes voltas, e logo no Alto do Angliru! Depois chegaram Vlasov, Mas, e Carapaz, com 16 segundos de atraso, e depois Roglic, Kuss, e Dan Martin, com 26 segundos para Carthy.

Na geral, Richard Carapaz recupera a camisola vermelha, possuindo agora 10 segundos de avanço sobre Roglic, 32 sobre Carthy, e 35 sobre Dan Martin!

Em relação aos portugueses, o melhor da jornada acabou por ser mesmo Nelson Oliveira, na 47ª posição, a 16:10 de Carthy. Na geral, o ciclista da Movistar é também o melhor luso, no 46º posto, a 1:24:53 de Carapaz.

Amanhã será dia de descanso na Volta a Espanha, regressando a competição na terça-feira, com um contrarrelógio individual de 33.7 km, na sua maioria plano mas com um final duro que pode baralhar as contas de muitos corredores!

Rodrigo Rodrigues vence etapa e aumenta a liderança na classificação geral!

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