Geral, montanha e juventude em 2 anos seguidos! Simplesmente Tadej Pogacar!

O esloveno Tadej Pogacar (UAE Team Emirates) conquistou hoje a sua terceira etapa nesta edição do Le Tour de France ao 18º dia de corrida! O camisola amarela voltou a ser mais forte que os adversários e bateu o holandês Jonas Vingegaard (Jumbo – Visma) e o equatoriano Richard Carapaz (Ineos Grenadiers) por 2s na chegada a Luz Ardiden, após 129.7km desde a famosa vila de Pau, onde Rui Costa já venceu.

A última jornada de alta montanha deste Tour de France prometia espetáculo com as decisões do top10 da classificação geral a estarem ainda em aberto, apesar de Tadej Pogacar ter distanciado os rivais no que à vitória final dizia respeito. A etapa foi lançada a partir de Pau, com o esloveno Matej Mohoric (Bahrain Victorious), o norte-americano Sean Bennett (Team Qhubeka NextHash) e o dinamarquês Christopher Juul-Jensen (Team BikeExchange) a atacarem e a ganharem 1min de vantagem ao pelotão após estarem decorridos 7km.

Os ataques no pelotão foram uma constante, e a vantagem do trio ainda oscilou durante algum tempo, mas sem nunca cair abaixo dos 30s. Julian Alaphilippe (Deceuninck – Quick Step) conseguiu colocar-se em posição intermédia, e com a ajuda do compatriota Pierre-Luc Périchon (Cofidis) acabou por chegar à frente da corrida ao km32, com o pelotão a rodar já com 1:30 de atraso.

Juul-Jensen acabou por não passar mais pela frente a partir da chegada de Alaphilippe, claramente com intenções de se poupar para ajudar Michael Matthews na chegada ao sprint intermédio. Na subida ao Côte de Loucrup, ao km 54, a BikeExchange tomou conta do pelotão, na tentativa de deixar Mark Cavendish em dificuldades antes do sprint intermédio. Porém, a iniciativa não correu bem, e Cavendish aguentou-se com o comboio da Quick Step. Juul Jensen ainda aguardou para ajudar na tentativa de quebrar o líder da classificação por pontos, mas seria o britânico o primeiro do pelotão na linha do sprint, com Morkov a cruzar logo atrás e garantir a defesa do sprinter do Wolfpack.

Vários ataques surgiram após o sprint e antes da chegada ao Tourmalet, com Dan Martin (Israel Start-Up Nation) a ser o mais ativo na iniciativa, mas a não ter sucesso e a voltar ao pelotão ainda antes da subida começar. A entrada na mítica subida acabou por partir logo a dianteira, com Alaphilippe a ficar sozinho com Mohoric. A 40s seguiam Pierre Latour (Team Total Energies) e Kenny Elissonde (Trek – Segafredo), com o pelotão a rodar a 1:10 sob o comando da UAE Team Emirates. Valentin Madouas (Groupama – FDJ) e Pierre Rolland (B&B Hotels p/b KTM) chegariam ao duo intermédio, quando este rolava já a 1:05 da frente, mas as principais movimentações estavam ainda para chegar.

Miguel Angel Lopez (Movistar) foi o primeiro nome de relevo a mexer-se durante a subida, rapidamente com Ruben Guerreiro (EF Education – Nippo) a agarrar-se à sua roda, e posteriormente com David Gaudu (Groupama – FDJ), Nairo Quintana (Arkea – Samsic) e a dupla Omar Fraile e Ion Izagirre (Astana – Premier Tech) a chegarem até ao duo. Madouas deixou-se descair logo de seguida, o que permitiu a que o ritmo do grupo aumentasse. Quem não aguentou foram os dois colombianos, Lopez e Quintana, que rapidamente voltaram ao pelotão.

Madouas foi apanhando todos os ciclistas que estavam intermédios, até levar Gaudu à dianteira da corrida, e após mais uns metros, deixou-se ficar, com o jovem francês a acelerar o ritmo. Apenas Guerreiro e Alaphilippe o conseguiram seguir de imediato, mas Pierre Latour, ao seu ritmo, acabou também por alcançar o trio a 4km do topo. Alaphilippe foi o primeiro dos quatro a ceder, ainda a 3km do alto, e depois seria Ruben Guerreiro já a 1.3km do topo, deixando a dupla de franceses sozinha no alto. Latour venceu a contagem, e arrecadou assim 20 pontos para a classificação da montanha.

No pelotão, a Ineos já havia assumido o comando, com Dylan van Baarle a impor um ritmo alto e constante, que colocou os próprios colegas de equipa, Geraint Thomas e Richie Porte, em dificuldades. Quem também quebrou de forma agressiva foi Rigoberto Uran, quarto classificado na geral à entrada para a jornada de hoje. Uran tentou minimizar perdas com Magnus Cort Nielsen e Neilson Powless, mas o descolar numa altura tão precoce revela já que o dia seria complicado para o colombiano.

Michael Woods (Israel Start-Up Nation) e Wout Poels (Bahrain Victorious) ainda atacaram no pelotão para defenderem a luta pela montanha. O holandês conseguiu ainda ser quarto no alto do Tourmalet, com o canadiano a ficar apenas pela sexta posição, mas com tudo a ficar em aberto para a chegada a Luz Ardiden, onde os pontos dobrariam.

Logo no início da descida, Gaudu meteu o pé no acelerador e descarregou Latour com grande facilidade. O francês da FDJ ficou sozinho na frente, enquanto um grupo intermédio se formava com Guerreiro, Latour, Poels e Fraile, já a 45s do líder. O pelotão seguia a 1min da frente, mas rapidamente alcançaria o quarteto com 20km para o fim.

A vantagem de Gaudu foi sendo encurtado, com o francês a perder claramente para van Baarle numa fase plana. A diferença na entrada para a subida final a Luz Ardiden era já de apenas 20s, e apesar de Gaudu ainda ter permanecido alguns kms adiantado, tal só aconteceu porque a Ineos assim o quis. Com 9.5km para a meta, Gaudu era alcançado, numa fase em que Woods e Quintana já tinham dito adeus ao curto grupo que seguia agora na dianteira da corrida.

Tao Geoghegan Hart (Ineos Grenadiers) deu a cara durante muito tempo na frente, mas o destaque seguia para Wout Poels (Bahrain Victorious), que um pouco mais atrás fazia uma enorme recuperação para voltar ao grupo dos favoritos, um pouco ao estilo de João Almeida, com a língua de fora deixando tudo na estrada.

A 5.5km da meta foi o polaco Rafal Majka (UAE Team Emirates) a assumir o comando, com claras instruções de Tadej Pogacar para aumentar o ritmo. Majka aguentou durante bastante tempo na frente, e 2km depois foi o camisola amarela, Tadej Pogacar, a lançar um primeiro ataque! Ao esloveno apenas Jonathan Castroviejo, Richard Carapaz, Jonas Vingegaard, Sepp Kuss e Enric Mas conseguiram responder, mas Castroviejo rapidamente abriu para o lado, após deixar Carapaz com o líder da geral.

Um grupo intermédio com os restantes nomes do top10 da geral, à exceção de Alexey Lutsenko (Astana – Premier Tech) conseguiu resistir a 15s, enquanto lá na frente era Kuss a assumir o grupo até à chegada ao km final. Enric Mas parecia muito na corda e com menos forças que os adversários, mas na entrada do km final o espanhol atacou, na tentativa de que ninguém o seguisse, mas Pogacar estava atento e a movimentação não deu em nada. Kuss abriu por completo para o lado, e as marcações começaram, com ninguém a querer assumir a dianteira do grupo.

Mas voltou a atacar a 800m, mas a mexida apenas serviu de rampa de lançamento para um novo e fortíssimo ataque de Tadej Pogacar, desta vez com o efeito de conseguir descarregar os adversários e levar o camisola amarela à sua terceira vitória de etapa nesta edição do Tour! Com o triunfo, o esloveno faz história e torna-se o primeiro ciclista de todos os tempos a vencer geral, montanha e juventude por dois anos consecutivos!

Vingegaard voltou a ser segundo, e Carapaz terceiro, com a dupla a garantir quase por completo a ida ao pódio final em Paris.

Ruben Guerreiro voltou a ser o melhor português, ao fechar em 22º, a 3:15 do vencedor, enquanto Rui Costa (UAE Team Emirates) foi 110º, a 23:13, após mais uma jornada de trabalho para Pogacar. Na geral, Guerreiro mantém a 18ª posição, enquanto Rui Costa é agora 77º.

O britânico Mark Cavendish (Deceuninck – Quick Step) voltou a sobreviver, chegando a 32:06 de Pogacar, caminhando agora para uma histórica vitória na classificação por pontos, que ainda terá de confirmar em Paris.

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