Força e panache! Finalmente, Nizzolo mata o borrego!

O campeão da Europa, Giacomo Nizzolo, da Qhubeka Assos, quebrou finalmente a sua malapata, vencendo a etapa 13 do Giro d’Itália! No sprint massivo em Verona, o italiano colocou-se de forma perfeita, utilizando a roda de Edoardo Affini, da Jumbo-Visma, como plataforma para os metros finais. O homem da Jumbo-Visma atacou perto da meta e por pouco não conseguia a vitória. No 3º posto terminou o maglia ciclamino, Peter Sagan.

Na geral, não houve alterações com Egan Bernal (Ineos) a manter a camisola rosa, com 45 segundos de avanço sobre Aleksandr Vlasov (Astana). Os corredores portugueses terminaram esta etapa integrados no pelotão, mantendo assim as suas posições na CG.

A 13ª etapa apresentava um dia completamente plano e um final em linha reta no coração de Verona. Seriam 198 km, com partida em Ravenna e chegada a uma cidade do ciclismo, cujas colinas circundantes não foram desta feita selecionadas pela organização. Em vez disso, teríamos um dia para os sprinters puros, talvez o último deste Giro.

No início da jornada, formou-se a fuga do dia, com um cenário que tem sido regra nos dias em que a fuga tem poucas ou nenhumas hipóteses de triunfar: três homens escapados em representação das três equipas italianas do escalão UCI ProTeams, todos eles já habitués deste tipo de movimentações: Samuele Rivi (Eolo), Umberto Marengo (Bardiani-CSF), e o inevitável Simon Pellaud (Androni Giocattoli). Na mente destes corredores não estava tanto a vitória na etapa, mas principalmente mostrar a camisola e os patrocinadores na transmissão televisiva e lutar pela classificativa das fugas.

O pelotão viu com bons olhos esta fuga, rolando calmamente enquanto os fugitivos acumulavam minutos na frente da corrida. Na dianteira do pelotão pedalavam Thomas de Gendt (Lotto) e também o campeão belga, Dries de Bondt (Alpecin-Fenix), em amena cavaqueira nesta fase mais descontraída da etapa.

Com 30 km de etapa percorridos, e ainda cerca de 168 para cobrir até ao risco de meta, o grupo de três corajosos possuía um avanço de 7 minutos e meio sobre o pelotão, agora controlado pela equipa do líder Egan Bernal, a Ineos Grenadiers. Depois, foi a vez das equipas dos sprinters virem para a frente do pelotão, com Jumbo-Visma, Cofidis, Qhubeka, e Emirates, cada uma delas, a colocar um elemento a puxar à frente dos Ineos, e a vantagem da fuga começou gradualmente a diminuir.

A 117 km da meta, com o pelotão a 5:49 da frente, atacou na fuga Pellaud, tentando distanciar os seus dois rivais, mas sem sucesso. Com 100 km para o final, a margem da fuga rondava os 5 minutos, com o pelotão a rodar no ritmo certo, sem dar muita folga aos escapados, mas também sem anular desde já a vantagem, o que daria ideias a novos atacantes.

A partir deste ponto, a diferença começou a baixar de forma mais significativa e, com 55 km para a meta, pouco mais de 2 minutos separavam a fuga do pelotão. Nessa altura, atacava Rivi na fuga, partindo em solitário em busca de passar em primeiro no segundo sprint intermédio do dia. E o objetivo foi mesmo conseguido, com Marengo e Pellaud a alcançarem o homem da Eolo-Kometa logo depois do sprint.

A 30 km do fim, a diferença baixava para menos de 1 minuto, com o pelotão a avistar os fugitivos ao fundo da estrada. Era possível ver ao longo do caminho diversas faixas de apoio a Elia Viviani, com referência ao facto de o sprinter italiano ter sido escolhido como porta-estandarte da comitiva italiana nos Jogos Olímpicos de Tóquio. O ciclista da Cofidis, medalha de ouro no Omnium nos jogos do Rio de Janeiro, em 2016, é natural da região de Verona, pelo que estaria certamente muito motivado para tentar a vitória neste dia.

O pelotão rodava claramente em desaceleração, adiando o mais possível o momento em que iriam alcançar a fuga, num jogo cruel para os três aventureiros do dia. Durante vários km, a diferença manteve-se entre os 10 e os 20 segundos, com o pelotão a preparar-se mentalmente para os frenéticos km finais.

A 7 km da meta, a fuga era finalmente alcançada e o palco estava montado para uma chegada em pelotão compacto, num sprint em linha reta, bem ao agrado dos grandes especialistas da disciplina. Neste ponto, veio para a frente a Qhubeka Assos, para Giacomo Nizzolo, e a Team DSM, para Max Kanter, em conjunto com a Ineos, com as equipas dos homens da geral, como é habitual, a permanecerem perto da frente até à entrada dos 3 km finais.

À entrada dos 2 km finais, com o pelotão muito alongado, estava na frente a Emirates, para Gaviria, com as restantes formações logo atrás. Os comboios consistiam em grupos de três ou quatro corredores, no máximo, com a velocidade bem elevada nesta fase.

À entrada do km final, foi a BORA a entrar na frente, com a Jumbo-Visma logo atrás. Nesse ponto, ataca um dos lançadores da equipa holandesa, Edoardo Affini, conseguindo um fosso de alguns metros para o pelotão, onde Fernando Gaviria era o primeiro a arrancar, com Nizzolo na sua roda. O campeão da Europa, de forma muito inteligente, aproveitou a roda do colombiano, para depois arrancar com força e panache, utilizando Affini como plataforma para um último impulso rumo à meta! Grande vitória do corredor italiano, ele que era o recordista de lugares no pódio do Giro sem qualquer vitória, consegue finalmente o elusivo sucesso que fica tão bem no seu palmarés!

Na 2ª posição acaba por fechar mesmo Affini, que por pouco não surpreendia tudo e todos com o seu ataque tardio. Já em 3º terminou Peter Sagan, que arrecada pontos importantes para a maglia ciclamino, com Davide Cimolai e Fernando Gaviria a completarem o top 5 da jornada.

Na geral, tudo na mesma, com Egan Bernal a manter a liderança, com 45 segundos de avanço sobre Aleksandr Vlasov e 1:12 sobre Damiano Caruso.

Quanto aos portugueses, acabaram por ter um dia tranquilo no pelotão: João Almeida fechou no 47º posto, Nelson Oliveira no 79º, e Ruben Guerreiro no 86º, todos com o mesmo tempo de Nizzolo. Na geral, mantêm as suas posições: Almeida é 16º, a 7:04, Guerreiro 19º, a 7:49, e Oliveira 27º, a 28:17.

Amanhã disputa-se a 14ª etapa da Volta a Itália, a primeira jornada categorizada com 5 estrelas, símbolo de etapa de dificuldade máxima! Os ciclistas enfrentam uma ligação que irá partir de Cittadella e percorrer 205 km, passando por uma subida de 4ª categoria e outra de 2ª, até terminar no cimo do mítico Monte Zoncolan, uma dura ascensão de 1ª categoria, com um total de 13.1 km, a 8.9% de inclinação média, e com zonas perto do topo que irão atingir uns astronómicos 27%!

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