Ewan bate a concorrência numa chegada pouco “católica”!

O australiano Caleb Ewan, da Lotto Soudal, foi o mais forte no sprint da 5ª etapa do Giro d’Italia, batendo os italianos Giacomo Nizzolo, da Qhubeka Assos, e Elia Viviani, da Cofidis!

A etapa fica marcada pelo abandono de Mikel Landa, com o ciclista basco a ficar bastante maltratado após uma queda nos km finais da etapa, resultante de um embate de vários ciclistas contra uma ilha de trânsito. O homem da Bahrain-Victorious, que tão boas indicações deixou na etapa de ontem, foi levado de ambulância para o hospital, com muitas queixas da zona do ombro. Mas Landa não foi o único a azarado do dia, já que também Pavel Sivakov e Joe Dombrowski também caíram, embora tenham conseguido continuar em prova, o que não os impediu de perder tempo considerável na geral.

Em termos de classificação geral, a liderança mantém-se no corpo do “Il Rosso di Buja”, Alessandro De Marchi, da Israel Start-Up Nation, com 42 segundos de vantagem sobre Louis Vervaeke (Lotto Soudal) e 48 sobre Nelson Oliveira (Movistar). O corredor luso acaba por beneficiar do azar de Dombrowski, anterior 2º da geral, entrando assim no pódio da Volta a Itália!

A 5ª etapa do Giro apresentava uma jornada considerada de dificuldade mínima (1 estrela em 5), visto tratar-se um percurso plano e retilíneo, que não oferecia dificuldades de maior ao pelotão. De facto, seriam 177 km, entre Modena e Cattolica, percorridos em linha reta, com a principal nuance do dia a serem as duas curvas apertadas à entrada do km final.

No início da etapa, dois corajosos lançaram-se ao ataque: Filippo Tagliani (Androni Giocattoli-Sidermec) e Umberto Marengo (Bardiani-CSF-Faizanè). A vantagem dos fugitivos ainda cresceu até aos 4:45, com 130 km para o final, mas a partir desse ponto o grupo principal começou a recuperar o tempo perdido. Aproximava-se o sprint intermédio e equipas como a Bora-Hansgrohe, a Cofidis, a AG2R, e a Lotto Soudal iam trabalhando para posicionar os seus sprinters.

A primeira fuga da 5ª etapa (Getty Images)

Nesse primeiro sprint intermédio, ainda passaram na frente os dois fugitivos, com Fernando Gaviria a bater Tim Merlier, Elia Viviani, Peter Sagan, e Giacomo Nizzolo para o terceiro posto. Logo depois, a fuga era mesmo alcançada pelo pelotão, ainda com mais de 100 km para o final! Adivinhava-se uma longa espera por motivos de interesse na etapa, sendo que tal só deveria mesmo acontecer no sprint final…

Nos km seguintes, o pelotão limitou-se a rolar nas longas retas do percurso, com formações como a Astana-Premier Tech, a BikeExchange, a Jumbo-Visma, a Bahrain-Victorious, a Trek-Segafredo, a Ineos Grenadiers, a Israel Start-Up Nation, ou a Deceuninck-QuickStep a passarem pela frente do grupo, sem grande sentido de urgência. Os corredores rodavam bem mais devagar do que a média horária mais lenta prevista para a etapa.

A 70 km do fim, o ritmo começou finalmente a aumentar, com as equipas a organizarem-se para abordar uma zona do percurso mais exposta ao vento. No entanto, mesmo esse fator não parecia ser muito significativo no dia de hoje. Estávamos ainda a mais de 30 km do sprint bonificado onde, aí sim, poderia haver alguma movimentação.

Nessa altura, dá-se um ataque no pelotão, novamente com um corredor da Bardiani e um da Androni, desta feita Davide Gabburo e Simon Pellaud, numa movimentação claramente combinada entre os dois. Com 64 km para a meta, a dupla levava 1 minuto de avanço sobre o grupo principal, e ia trabalhando bem em conjunto. Vinham para a frente do pelotão a Lotto Soudal e a Alpecin-Fenix, equipas que não queriam certamente ver acontecer o mesmo que na 3ª etapa, quando o pelotão não foi capaz de alcançar Taco Van der Hoorn antes da meta.

Com o aproximar do segundo sprint intermédio do dia, a Lotto e a Alpecin aumentaram o ritmo, mas a vantagem dos dois fugitivos manteve-se em torno de 1 minuto. O pelotão preferia deixar os fugitivos mais alguns km na frente, do que forçar e alcançá-los antes do sprint.

No tal sprint intermédio, colocado a 40 km do final, passaram na frente os dois fugitivos, e quando chegou o pelotão, a Bardiani ainda atacou o sprint com mais dois corredores, um deles Filippo Fiorelli, que tem estado em destaque neste Giro. A equipa italiana recolhia a maior parte dos pontos em disputa, importantes em termos de classificação dos sprints intermédios, um objetivo das equipas transalpinas do escalão UCI ProTeams. Os velocistas do pelotão não se fizeram ao sprint, pouco interessados em gastar energias que poderiam fazer falta na discussão pela vitória.

A 25 km da meta, a vantagem da fuga era de apenas 30 segundos, com o pelotão a aproximar-se da zona costeira, onde o vento poderia fazer alguma aparição. Neste ponto, ataca do pelotão Alexis Gougeard, da AG2R, tirando partido de uma das poucas zonas sinuosas do percurso, por entre as ruas da icónica localidade de Rimini.

Gougeard conseguiu alcançar os dois da frente e, com 20 km para o final, o trio rodava com apenas 12 segundos de avanço sobre o pelotão, numa zona de estradas largas e abertas ao vento. O grupo principal formava um autêntico rolo compressor que tapava toda a largura da estrada, tendo à sua vista o trio de fugitivos.

A 15 km da meta, queda aparatosa para Pavel Sivakov, numa zona bem rápida do percurso, com o nº 2 da Ineos a ficar visivelmente mal tratado. Nos km seguintes, o russo rolou sem grande urgência, o que significava alhear-se desde já de um bom lugar na CG final.

O trio da frente continuava no seu esforço hercúleo, com a vantagem sobre o pelotão cada vez mais escassa. Eram 10 segundos, ainda com 10 km de etapa para percorrer.

O pelotão estava já mais a preparar a chegada do que a perseguir de forma efetiva os fugitivos. Via-se na frente do grupo principal Nelson Oliveira, um homem importante para a Movistar no que toca a posicionamento em etapas rápidas, mas também o 4º classificado à geral, a 48 segundos de De Marchi.

A 9 km da meta, queda na frente do pelotão, embora com apenas dois ciclistas a ir ao chão, e com os restantes a conseguirem seguir caminho. Era palpável a tensão dentro do grupo, antes de uma chegada rápida mas técnica, num dia onde as energias tinham sido algo poupadas, pelo que se previa um furioso sprint final.

A 5 km do fim, o trio da frente seguia ainda com a sua pequena mas preciosa margem, agora de 14 segundos. O pelotão tinha que encostar rapidamente, visto que as curvas técnicas começavam a colocar em causa a eliminação da margem dos fugitivos.

E a 4 km da meta, nova queda, com três ciclistas a ficarem desta feita bastante maltratados, o pior dos quais Mikel Landa, da Bahrain-Victorious! Enorme azar para o basco, que tão bem parecia estar nas etapas de montanha! Também o líder da montanha e 2º da geral, Joe Dombrowski ficava maltratado na sequência da queda!

A 3 km do fim, na zona técnica final, já sem fuga na frente, a Lotto tomou conta do pelotão, preparando a chegada para Ewan. Com 2 km para o risco, não havia comboios; cada sprinter tinha no máximo apenas um lançador consigo.

À entrada do km final, depois das últimas duas curvas, saiu a Bora na frente, com Daniel Oss a lançar o sprint, seguindo-se Alexander Krieger (Alpecin-Fenix), e depois Simone Consonni (Cofidis). Quando estes lançadores terminaram o trabalho, os sprinters lançaram o seu ataque, com Giacomo Nizzolo a sair na frente e Viviani na roda do compatriota! Logo atrás, Tim Merlier ficou entalado entre Ewan e Sagan, saltando-lhe o pé do pedal, o que o arredou automaticamente do sprint, com o belga a descarregar as suas frustrações no guiador da sua máquina.

Ewan conseguiu encostar em Viviani, antes de ligar o nitro, para ultrapassar de forma supersónica tanto o homem da Cofidis como Nizzolo, rumo a um triunfo categórico! Grande vitória do Pocket Rocket, numa etapa que fica marcada pelo perigo das curvas finais, depois de um dia sem grandes motivos de realce. Quanto ao campeão da Europa, Giacomo Nizzolo, parecia que seria desta iria quebrar a sua malapata na prova rainha do seu país, mas acabou por colecionar o seu 16º pódio em etapas, ainda sem qualquer vitória!

Na classificação geral, Alessandro De Marchi mantém-se de rosa, com o 2º posto a ser ocupado agora por Louis Vervaeke (Lotto Soudal), a 42 segundos, e o português Nelson Oliveira no 3º posto, a 48 segundos! O corredor da Movistar beneficia da queda e da perda de tempo de Dombrowski, mas é preciso realçar que tem estado em excelente nível, tendo terminado esta etapa no 19º posto, muito bem colocado na chegada técnica e pouco “católica”.

Quanto a João Almeida e Ruben Guerreiro, terminaram ambos integrados no pelotão, no 40º e no 95º postos, respetivamente, seguindo agora o homem da Deceuninck Quick-Step no 37º lugar, a 5:38 da rosa, enquanto o corredor da EF Education-Nippo ocupa o o 31º posto, a 3:16 do líder.

Amanhã será corrida a 6ª etapa da Volta a Itália, numa jornada que voltará a colocar a montanha em cena. Serão 160 km, entre Grotte di Frasassi e Ascoli Piceno (San Giacomo), num dia com uma contagem de montanha de 3ª categoria e duas de 2ª categoria, incluindo a última, coincidente com a meta, e que constitui uma ascensão de 15.6 km a 6% de inclinação média.

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