Enorme!

Mais um grande dia de ciclismo e mais uma grande exibição de João Almeida! Quem venceu a jornada foi o britânico Tao Geoghegan Hart, da INEOS Grenadiers, mais forte no alto de Piancavallo, a 1ª categoria coincidente com a meta da 15ª etapa do Giro d’Itália! Na 2ª posição ficou o holandês Wilco Kelderman com o companheiro de equipa da Team Sunweb, o australiano Jai Hindley, na 3ª posição. No 4º posto terminou o líder, João Almeida (Deceuninck-Quick Step), que realizou um esforço tremendo na subida final em perseguição ao trio da frente, conseguindo agarrar-se à liderança que é agora de apenas 15 segundos de avanço sobre Kelderman!

A 15ª tirada do Giro d’Itália representava a 1ª das 4 etapas de alta montanha que faltam disputar na prova e que serão fulcrais para a definição do vencedor. Perante os ciclistas colocavam-se 185 km entre a Base Aérea de Rivolto e o alto de Piancavallo, na cadeia montanhosa das Dolomitas, com 4 contagens de montanha pelo caminho, 3 de 2ª categoria e a contagem final, coincidente com a meta, uma 1ª categoria com 14.3 km de extensão e 7.9 % de inclinação média!

A fuga do dia definiu-se no início da jornada, com a movimentação de Andrea Vendrame (AG2R), Luca Chirico (Androni), Manuele Boaro (Astana), Mark Padun (Bahrain-McLaren), Nathan Haas (Cofidis), Daniel Navarro (Israel Start-Up Nation), Davide Villella (Movistar), Rohan Dennis (INEOS), Giovanni Visconti (Vini Zabù), Thomas De Gendt e Matthew Holmes (Lotto Soudal).

Com 130 km para o final, a diferença entre o pelotão e a fuga era de 7 minutos, com Ruben Guerreiro (EF Pro Cycling) e Sergio Samitier (Movistar) a meio do caminho na tentativa de fazer a ponte para a frente, com uma desvantagem de pouco mais de 2 minutos para os líderes. As equipas que controlavam o pelotão, numa demonstração de intenções, eram a Sunweb e a NTT.

Guerreiro acabou por não seguir Samitier em direção à frente, talvez hoje num dia menos bom ou simplesmente de poupança em que preferiu não se desgastar muito, tendo em vista jornadas mais favoráveis. Dessa forma, Visconti ficou sem oposição na fuga para lutar pelos pontos da montanha e, na primeira subida do dia, pontuou os 18 pontos do 1º lugar que lhe permitiam ultrapassar o Iceman de Pegões na luta pela camisola azul.

Com o ritmo imposto no pelotão, a fuga não conseguiu obter a margem de manobra que pretendia e, com 95 km para o final, a diferença estava pouco acima dos 5 minutos e só não era menos porque a fuga contava com um Super-De Gendt que fazia vários km a puxar pelo grupo. Nos 15 km seguintes a diferença oscilou entre os 5 e os 6 minutos.

João Almeida seguia confortável na frente do pelotão juntamente com a sua equipa, novamente em bom nível na proteção ao seu líder.

Com 65 km para o final, a fuga já só tinha 4:20 de vantagem, com a Sunweb a continuar o seu trabalho, muito pela força de Nico Denz. A 50 km da meta, com a vantagem abaixo dos 3 minutos, a fuga desintegrou-se, ficando De Gendt e Dennis na frente, com o australiano a seguir em solitário pouco depois. A 20 km do final, o australiano ia tentando sobreviver na frente e, com a subida final a aproximar-se, o avanço de 1 minuto era curto para as suas aspirações.

A 10 km da meta, com apenas 20 corredores no pelotão, a Sunweb continuou a pressionar, com Pozzovivo, Fuglsang, e Bilbao a sentirem dificuldades e a perderem contacto. Dennis mantinha-se na frente com o mesmo minuto de avanço, numa luta cada vez maior contra o cansaço. Na frente do grupo de favoritos, sobravam: 3 Sunweb, Almeida, Masnada, Hart, Majka, e Nibali, com o “Tubarão” a descolar pouco depois. Depois, Jai Hindley aumentou o andamento e apenas o seu líder,  Kelderman, e Geoghegan Hart ficaram consigo, com João Almeida a perder algum terreno, quando estávamos a 7 km do final. O português lutava com todas as forças que tinha para se manter perto do trio da frente. Nibali, Pozzovivo, e Fuglsang já tinham ficado para trás.

A 5 km do final, Almeida tinha um atraso de 15 segundos, lutando sozinho mas de forma estóica e destemida, ainda em condições de poder defender a camisola rosa! Com Hindley a dar tudo também na frente, a desvantagem de Almeida cresceu para os 30 segundos, com 3 km para a meta. Mas o português não desistia, apesar de ir claramente no limite, respirando com dificuldade, mas pedalando continuamente sem hesitação!

No sprint final a três, Hindley lançou Kelderman, mas Hart foi mais forte, abrindo ainda um espaço de 2 segundos para Kelderman antes de cruzar a meta na primeira posição. Hart ergueu o braço, apontando para o céu com o indicador, enquanto gritava: “NICO!”, numa sentida homenagem a Nicolas Portal, antigo diretor desportivo da INEOS falecido recentemente. Tem estado intratável a INEOS em termos de luta por etapas, levando já 5 triunfos em 15 dias de prova!

Tao Geoghegan Hart em Piancavallo, Itália (Tim de Waele/Getty Images)

Dando o que tinha e o que não tinha, João Almeida chegava 37 segundos depois, garantindo que irá manter a camisola rosa pelo menos por mais um dia. Terminado o seu esforço, o homem das Caldas da Rainha caiu ao solo em óbvio estado de desgaste, mas certamente orgulhoso pelo esforço despendido e por mais um dia histórico para o ciclismo português, como têm sido quase todos neste Giro d’Itália!

O ciclista português tem agora 15 segundos de vantagem sobre Wilco Kelderman, e 2:56 sobre Jai Hindley, que ascendeu ao 3º posto. Os restantes candidatos à vitória no Giro, têm já uma desvantagem bem relevante para os dois da frente: Hart está a 2:57, Bilbao a 3:10, Majka a 3:18, Nibali a 3:29, Pozzovivo a 3:50, McNulty a 4:29, e Fuglsang já a 5:07.

Registe-se que na classificação da juventude, Almeida lidera à frente de Hindley e Hart.

Esta etapa de alta montanha mostrou aquilo que já se sabia: Kelderman parece ser o líder em melhor forma e o principal favorito à vitória, tendo do seu lado o bloco mais forte para a montanha (que grande etapa da Sunweb, mais uma vez!). Mostrou também que João Almeida está a conhecer neste tipo de etapas o seu limite como atleta mas, como lutador que reconhecidamente é, ele irá deixar tudo na estrada em busca do melhor resultado possível. Não se pode exigir mais do que tudo aquilo que já fez neste Giro. Se a vitória final parece difícil, o mesmo não se pode dizer da luta pelo pódio final, onde Almeida é um sério candidato a marcar presença. O trio que hoje chegou na frente está em grande forma, mas Almeida tem condições, até por haver um contrarrelógio em falta, de se bater com Hart, Hindley, ou qualquer outro. Além disso, Hindley será sempre mais uma ajuda de Kelderman do que um candidato ao pódio.

Ruben Guerreiro terminou na 106ª posição, a 40:45 da frente, ocupando agora o 38º posto, a 1:17:27 do seu compatriota. Na classificação da montanha, Guerreiro foi ultrapassado por Giovanni Visconti, que agora possui 118 pontos contra os 87 do português.

Amanhã será o 2º dia de descanso da prova, retomando-se a competição na terça-feira, com a 16ª etapa, uma longa jornada de 229 km entre Udine e San Daniele del Friuli, com um perfil de média montanha. Almeida irá partir para o seu 13º dia de cor-de-rosa, com boas hipóteses de aguentar pelo menos mais um dia, até quarta-feira, quando regressa a alta montanha com a subida a Madonna di Campiglio!

Henrique Silva volta a vencer no Passatempo e tem a liderança da geral quase na mão!

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