Deus é francês e chama-se Alaphilippe!

O francês Julian Alaphilippe é o novo Campeão do Mundo de Ciclismo de Estrada, após bater toda a concorrência no circuito acidentado de Ímola, em Itália. A medalha de prata ficou para o belga Wout Van Aert e a de bronze para o suíço Marc Hirschi. Alaphilippe atacou na última ascensão do dia, segurando de forma dramática a sua vantagem sobre o grupo de perseguidores.

A prova de fundo dos Campeonatos do Mundo de Ciclismo de Estrada na vertente masculina correu-se na região de Ímola, num exigente circuito de 258.2 km, com nove voltas e 18 ascensões categorizadas, metade delas à subida de Mazzolano (2.2 km a 7.1%) e a outra metade à Cima Gallisterna (2.3 km a 7.3%). A linha de meta estava colocada 12 km após a última subida, no interior do Autódromo Enzo e Dino Ferrari.

Entre os ciclistas participantes, encontrávamos um extenso rol de favoritos, desde os voltistas eslovenos que dominaram a Volta à França, ao prodígio belga Wout Van Aert, passando por inúmeros oportunistas e classicómanos, como Kwiatkowski, Alaphilippe, ou Rui Costa.

A fuga do dia foi composta por sete unidades: Jonas Koch (Alemanha), Torstein Traeen (Noruega), Marco Friedrich (Áustria), Damiil Fomynkh (Cazaquistão), Yukiya Arashiro (Japão), Eduard Grosu (Roménia), e Ulises Castillo (México). A vantagem do grupo chegou aos seis minutos sobre o pelotão, que ia sendo controlado por Suíça e Dinamarca.

Com 100 km para o final, apenas dois corredores sobreviviam na fuga, Koch e Traeen, com pouco mais de quatro minutos de avanço sobre o pelotão. Com 80 km para o final a vantagem estava já abaixo dos dois minutos, pelo que o destino dos fugitivos estava traçado. No pelotão, mais nações iam-se juntando à perseguição, imprimindo um ritmo cada vez mais elevado: Bélgica, Eslovénia, e depois a França. A 70 km do final, com a fuga praticamente alcançada, os franceses baixaram o martelo, esticando o pelotão na subida da Gallisterna.

Com 50 km para a linha de meta, a Bélgica assumiu a corrida, puxando por um pelotão que levava ainda cerca de 60 unidades. Pouco depois, atacou o campeão da Volta à França, Tadej Pogacar, o que fez o grupo reduzir-se drasticamente na perseguição ao esloveno. À entrada da última volta, Pogacar tinha uma vantagem de 25 segundos sobre os seus perseguidores, comandados pela Espanha, pela Bélgica, e pela França. O holandês Tom Dumoulin ainda atacou, alcançando Pogacar, mas ambos seriam apanhados pouco depois. Seguiram-se movimentações de Nibali, Van Aert, Landa, e Uran, mas também essas não resultariam para quebrar o grupo, naquele ponto com cerca de 25 unidades, quando estávamos à entrada da última subida da competição.

Aí, entrou ao serviço o campeão olímpico, o belga Greg Van Avermaet, colocando um ritmo muito forte que tornava difícil a tarefa a quem quisesse escapar naquela fase. Consegui-o o suíço Marc Hirschi, com um ataque a meio da subida final, levando Van Aert na sua roda e um grupo de seis logo atrás. De seguida, atacou o polaco Michal Kwiatkowski, e desta vez apenas sobraram Van Aert, Hirschi, Primoz Roglic, Jakob Fuglsang, e Julian Alaphilippe.

Nos metros finais da subida, Alaphilippe colocou-se na roda de Kwiatkowski antes de atacar com determinação rumo à descida, onde conseguiria uma pequena margem de oito segundos para os perseguidores. Nos km finais, em reta, foi notório o cansaço de todos os corredores, com Alaphilippe a gerir da forma que podia a magra vantagem sobre os seus rivais. À entrada do último km, os 15 segundos de vantagem de Alaphilippe já não deixavam grande dúvida sobre o desfecho da corrida e o título não haveria mesmo de fugir ao gaulês. Emocionado, levantou os braços ao cruzar a meta no autódromo de Ímola, oferecendo o primeiro título mundial de fundo aos franceses desde a vitória de Laurent Brochard, em 1997.

Volvidos 24 segundos, chegaram os cinco perseguidores de Alaphilippe. No sprint pela prata, a vitória foi mesmo para o mais rápido do grupo, o belga Wout Van Aert, que garante a medalha de prata nas duas provas dos mundiais, fundo e contrarrelógio. A medalha de bronze ficou para o suíço Marc Hirschi, enquanto Kwiatkowski, Fuglsang, e Roglic completaram as posições seguintes. Com um atraso de 53 segundos, chegaria um grupo de oito, com o australiano Michael Matthews a bater o espanhol Alejandro Valverde no sprint pela sétima posição.

Rui Costa terminou na 26ª posição, a 2:03 de Alaphilippe. Nelson Oliveira fechou no 38º posto, a 8:49, enquanto Ivo Oliveira ficou no 88º lugar, a 32:08 da medalha de ouro. Ruben Guerreiro não terminou a corrida.

A vitória de Alaphilippe significa que será um dos ciclistas mais versáteis e ofensivos do pelotão a envergar a camisola do arco-íris durante um ano, o que será certamente uma garantia de vermos o campeão do mundo a dar espetáculo na discussão das maiores corridas do planeta.

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