Colbrelli bate Evenepoel e é o novo Campeão da Europa!

O italiano Sonny Colbrelli é o novo Campeão da Europa da estrada, batendo ao sprint o belga Remco Evenepoel, após 4:19:45 de corrida e 179.2km percorridos ao redor de Trento! Numa prova muito disputada e emocionante, o terceiro lugar foi para o francês Benoit Cosnefroy, já a 1:30 do vencedor.

Com o abanar da bandeira que marcava o início da última prova destes Campeonatos da Europa de estrada, foi lançada a última corrida do evento, com a prova de fundo para os Elites Masculinos. Os ataques começaram desde cedo, e as inclinações começaram a fazer as suas vítimas, com Sam Bennett a descolar praticamente de imediato. O belga Harm Vanhoucke, os franceses Aurelien Paret-Peintre e Franck Bonnamour e o espanhol Antonio Jesus Soto foram os primeiros a atacar, com o pelotão a rolar a um ritmo moderado e a deixá-los obter uma vantagem que chegou ao minuto e meio.

O ritmo mais calmo permitiu a reentrada de Bennett, mas os ataques não pararam. A Itália aumentou o ritmo, e a diferença caiu para abaixo do minuto, com a descida do Cadine concluída. Rapidamente se entrou na segunda subida do dia, a Vigo Cavedine, e os ataques continuaram, com Thibaut Pinot a fazer a ponte para a frente e Soto a descolar por alguns metros, para que a Espanha fizesse um ataque massivo, lançando Mikel Landa, Gorka Izagirre e David de la Cruz, com o alemão Jonas Rapp a aproveitar e a seguir na roda. O suíço Sebastien Reichenbach, o austríaco Felix Grossschartner e o italiano Andrea Bagioli conseguiram também colocar-se em posição intermédia e os grupos juntaram-se ainda antes de começar a descida.

O pelotão tirou um pouco o pé, e a vantagem dos escapados voltou a passar 1min, mas desta vez o grupo era mais perigoso, já que França e Espanha tinham elementos que poderiam trabalhar para os outros e com isso gerar entendimento e dificultar a tarefa ao pelotão. A 131km do fim, Rui Oliveira atacou no pelotão, ainda em descida, levando consigo um elemento da equipa alemã, mas acabou por não conseguir sair e a vantagem dos escapados chegou ao 1:20.

Sem ninguém representado na frente, Portugal viu-se obrigado a assumir a corrida e era Nelson Oliveira quem comandava o pelotão, um super gregário da equipa portuguesa, que já muito tinha feito pela Movistar na La Vuelta a España, nas quatro semanas anteriores a estes Europeus. O trabalho do ciclista português na terceira subida do dia, a Candriai, colocou muita gente em dificuldades, com o pelotão a desfazer-se por completo e a ficar a apenas 30s dos escapados, que iam sendo também cada vez menos, com o pelotão a passar direto por aqueles que descolavam.

A descida acabou por fazer a corrida partir ainda mais, com 2 pelotões de cerca de 20 ciclistas a ficarem nas primeiras posições, separados por apenas 15s. Rui Costa, Ruben Guerreiro e João Almeida seguiam na frente, enquanto Nelson Oliveira estava no segundo grupo. A junção acabou por se dar a 100km do final, com a entrada no circuito local de Trento, ao qual os ciclistas iram dar oito voltas.

Nelson Oliveira rapidamente voltou a agitar a corrida, desta vez com um ataque que levou consigo o francês Warren Barguil, o alemão Jonas Rapp, o belga Stan Dewulf e o espanhol Roger Adrià. Os cinco ganharam cerca de 20s, mas foi já na volta seguinte que o grupo alterou ligeiramente, com o suíço Matteo Badilatti a chegar e Rapp a regressar ao pelotão com um problema mecânico.

No pelotão, era o italiano Diego Ulissi a atacar, com Victor Campenaerts a seguir, e na frente apenas Dewulf e Nelson conseguiam seguir o ritmo. A junção voltou a acontecer à terceira passagem pela meta, com pouco menos de 80km por percorrer e ainda seis voltas por dar ao circuito local.

A 68km do final, Tadej Pogacar, Matteo Trentin, Victor Campenaerts, Mark Padun e Markus Hoelgaard atacaram e abriram rapidamente um grande espaço, cruzando a meta com 5 voltas e 66km por percorrer com 32s sobre um pelotão que já estava reduzido a apenas 33 ciclistas.

A França assumiu a perseguição, e aquilo que parecia tão simples como impor ritmo na frente para não deixar o quinteto ganhar muito espaço e jogarem as suas cartas no final, acabou por não o ser. Valentin Madouas entrou na subida “à morte”, e com os grupos já bem mais próximos o ataque deu-se com Benoit Cosnefroy a ser seguido por Marc Hirschi e por Remco Evenepoel, e a junção sucedeu. Vários ciclistas tentaram ainda lançar-se, mas ficariam em posição intermédia.

O bloco português Elite presente em Trento.

Sete ciclistas ficaram na frente, com Mark Padun a passar por dificuldades e a serem Sonny Colbrelli, Trentin, Pogacar, Evenepoel, Cosnefroy, Campenaerts e Hoelgaard a liderarem. Ben Hermans e Marc Hirschi, assim como o russo Pavel Sivakov, estavam muito próximos da frente e a junção acabou por acontecer, com 56km para o final. Mark Padun e Romain Bardet seguiam intermédios, estiveram a 15s, mas não conseguiram chegar, e acabaram por receber a companhia de João Almeida, que também seguia intermédio e não havia conseguido reagir atempadamente, graças a estar mal posicionado na subida, assim como os restantes elementos da Seleção Nacional.

Na quarta volta para o final, com 50km por percorrer, Padun não aguentava o ritmo de Almeida na subida e descolava, enquanto Bardet seguia na roda do português. Campenaerts rapidamente esperaria pelo português e pelo francês, e tentava desestabilizar a perseguição, que recebia a companhia de Bauke Mollema e Stan Dewulf logo nos primeiros metros da descida. O quinteto ainda fecharia o espaço para 22s, mas a falta de colaboração não ajudaria ninguém. Mollema e Campenaerts prenderam-se numa discussão e João Almeida ganhava metros atrás de metros, mas ao perceber que não teria grandes chances, o português esperava e aproveitava para alongar um pouco.

O grupo receberia a companhia de Simon Geschke ainda antes de chegar à meta, que cruzava com 48s de atraso para a frente. Aquilo que era o “pelotão” seguia com 16 ciclistas, entre os quais se incluíam Nelson Oliveira e Rui Costa, já a 2:53 da dianteira. Com a ausência de colaboração, a vantagem chegava ao 1:40, e o grupo parecia já ter abdicado, preparando-se para lutar “apenas” por um lugar nos 10 primeiros. A 26km da chegada, na antepenúltima passagem pela linha de meta, a diferença era já de 1:45, agora com Matej Mohoric e Diego Ulissi a 2:42 e o “pelotão” de 14 unidades a 3:57.

Na penúltima volta, Pavel Sivakov foi o primeiro a atacar, esgotando Ben Hermans, mas isso só motivou um grandíssimo ataque de Remco Evenepoel, com Benoit Cosnefroy e Sonny Colbrelli a agarrarem-se com unhas e dentes à roda do belga, distanciando todos os restantes adversários. Tadej Pogacar e Marc Hirschi ficavam a cerca de 6-7 segundos, mas não conseguiriam fechar o espaço, e um grupo com 6 unidades colocar-se-ia na perseguição, juntando todos os elementos que perderam contacto com o trio. A vantagem que era de 15s numa fase inicial, rapidamente chegou aos 35s, diferença com que os grupos cruzavam a linha de meta. O grupo de João Almeida estava já com 4:41 de atraso, tendo recebido a companhia de Ulissi e Mohoric, enquanto o “pelotão” rodava a 6:19.

Na entrada para a última passagem pela subida, Evenepoel assumiu o comando do trio e fez Benoit Cosnefroy descolar, mas Colbrelli agarrou-se à roda do belga e não se deixou ficar durante a subida. O duo cruzou o alto no topo, e, já na descida, Evenepoel pedia a passagem de Colbrelli, mas o italiano jogava frio e dizia que para a frente ele não ia, pois o sprint era a sua principal arma.

Nos 3km finais, Colbrelli começou a ir passando pela frente, por pouco tempo, mas se o italiano o fazia, era porque acreditava na vitória ao sprint, mas Remco Evenepoel nunca era de fiar. Colbrelli controlou, deixou Evenepoel na frente para o km final, e a 300m da meta lançou-se num grandíssimo sprint, imbatível para Evenepoel, e chegou assim ao primeiro título Europeu, numa grandíssima corrida! Cosnefroy chegaria a 1:30 para completar o pódio, e Matteo Trentin levava a melhor num sprint a 6 para ficar com a quarta posição. Victor Campenaerts completaria o pódio, a 5:41. João Almeida cortava a meta em 14º, a 6:00, enquanto Rui Costa e Nelson Oliveira foram 18º e 28º, a 9:13. Rafael Reis, Ruben Guerreiro e Rui Oliveira não terminaram.

O final ficou ainda marcado por um feio gesto de Remco Evenepoel, que desagradado com a segunda posição foi apanhado pelas câmaras a fazer um “Zé Povinho”, em mais um momento infantil e desrespeitoso do jovem belga. Por muito desapontante e frustrante que possa ser perder assim, há valores como o respeito que nunca se devem perder.

O Pódio Final

Pódio Final com Evenepoel – Colbrelli – Cosnefroy (da esquerda para a direita)

Classificações Completas

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