Champoussin vence etapa 20 da Vuelta em dia de verdadeiro golpe de teatro!

O francês Clement Champoussin (AG2R Citroen Team) venceu a etapa 20 da La Vuelta, uma ligação de 202.2km entre Sanxenxo e Mos, com chegada no Alto de Castro de Herville, após a fusão da fuga do dia com o grupo dos favoritos ter gerado algum impasse. O líder da geral, Primoz Roglic (Jumbo – Visma), foi segundo a 6s, e o britânico Adam Yates (Ineos Grenadiers), terceiro, a 8s.

A última etapa em linha da La Vuelta começou de forma bastante rápida, com vários ciclistas a tentarem formar a fuga do dia. Só a partir do km 30 é que o pelotão acalmou e vários ciclistas foram tendo a oportunidade de escapar e aventurar-se num dia complicado como o que o pelotão enfrentaria. Nick Schultz (BikeExchange), Chris Hamilton, Michael Storer e Romain Bardet (Team DSM), Stan Dewulf, Lilian Calmejane e Clement Champoussin (AG2R Citroen Team), Floris de Tier (Alpecin – Fenix), Sylvain Moniquet (Lotto Soudal), Jesus Herrada (Cofidis), Mikel Bizkarra (Euskaltel Euskadi), Daniel Navarro (Burgos – BH), Jan Hirt (Intermarche – Wanty – Gobert), Mark Padun (Bahrain Victorious), Matteo Trentin e Ryan Gibbons (UAE Team Emirates) foram os aventureiros de um dia que seria atípico, e rapidamente conseguiram colocar uma vantagem de oito minutos sobre o pelotão.

A vantagem foi crescendo e ainda chegou perto dos 12:00, quando o grupo entrava na primeira subida do dia, a terceira categoria do Alto de Vilachán. Storer foi o primeiro a cruzar o alto e dava força à sua liderança na classificação da montanha. A partir daí a vantagem começou a cair progressivamente e o grupo rapidamente entrou na segunda contagem do dia, a segunda categoria do Alto de Mabia.

O elevado ritmo no pelotão começava a fazer vários ciclistas perderem o contacto, e rapidamente, em cerca de 15km, a vantagem voltava aos 8:00. Thomas Pidcock (Ineos Grenadiers) era quem comandava o pelotão, que estava já reduzido a apenas 35 unidades, perante um ritmo avassalador. Com a chegada ao alto, Storer voltava a ser o primeiro a cruzar e colocava-se cada vez mais em posição de vencer a camisola das bolinhas azuis.

A fuga do dia na última etapa em linha desta La Vuelta.

O traçado levou os ciclistas a rapidamente chegarem ao Alto de Mougás, com Matteo Trentin isolado, após ter atacado na fase de descida. O pelotão rodava já a 5:30 da frente, tal era o bruto ritmo que era imposto por Pidcock, o qual cada vez menos ciclistas conseguiam seguir. No grupo perseguidor, Mark Padun atacava a 66km do fim e a ele se juntavam outros ciclistas, que pareciam querer apenas seguir na roda do ucraniano.

No pelotão, a decisão da corrida fazia-se precisamente na primeira categoria de Mougás, e os ataques começaram a juntar apenas os principais favoritos. Adam Yates e Gino Mader eram talvez os mais irrequietos, e foi numa mexida do britânico que a corrida se decidiu. Apenas Roglic, Jack Haig e Gino Mader (Bahrain Victorious) e Enric Mas (Movistar) seguiram, com Miguel Angel Lopez (Movistar) e Egan Bernal (Ineos Grenadiers) a ficarem a entreolhar-se. A vantagem foi crescendo, e o grupo dos colombianos cruzava o alto já com 30s de atraso, após Lopez assumir a perseguição para não perder o terceiro lugar da classificação geral. Na frente, Storer passava em primeiro na contagem e garantia a vitória virtual na classificação dos trepadores.

A 55km do fim, durante a descida, Ryan Gibbons atacava na frente e ganhava vantagem sobre os perseguidores, com a diferença a consolidar-se cada vez mais no pequeno vale que se seguiu. Entre os favoritos, Mader fazia a diferença aumentar e o próprio Mark Padun descia até ao grupo dos favoritos para ajudar o seu líder Haig. Lopez e Bernal sabiam que não tinham vantagem no plano, e acabaram por abdicar da perseguição, perdendo rapidamente mais de 4:00 para o grupo do camisola vermelha. Só quando Jose Joaquin Rojas (Movistar) chegou até Lopez e Bernal é que a perseguição se voltou a fazer, mas a corrida estava já perdida.

O grupo dos perseguidores perdia 1:30 para Gibbons com 20km para o final, e a junção iminente com o grupo de Roglic acabou por se dar, apesar de alguns ataques se terem dado para que isso se evitasse. Entretanto caía a notícia do abandono de Miguel Angel Lopez, e instaurava-se a polémica, com diversos boatos sobre os motivos para o abandono do colombiano assim como sobre o que havia sucedido.

A chegada à subida final, o Alto de Castro de Herville, Gibbons ainda acreditava na vitória e dava tudo, mas o grupo que o perseguia, comandado por Mark Padun, aproximava-se perigosamente. Os ataques começaram a surgir a 6km do fim, com Mikel Bizkarra a ser o primeiro a mexer, mas a motivar nova movimentação de Adam Yates, que foi seguida de perto por Haig, Mas e Roglic. Yates tentou de seguida voltar a colocar Haig em dificuldades, mas o australiano reentrava sempre nas fases mais tranquilas da subida.

O ritmo abrandaria já dentro dos últimos 5km, permitindo que Bizkarra voltasse a reentrar e atacar, quando Gibbons já estava a apenas 25s. Um novo ataque de Yates, a 3.4km do fim, fez o grupo passar direto pelo espanhol e alcançar Gibbons, que ainda se aguentou na roda dos grande favoritos. A 2.9km do fim foi Enric Mas a atacar, e Gibbons contra-atacou de seguida, mas a marcação apertada de Roglic mostrava que ele queria também vencer a etapa. O grupo abrandava para Bizkarra e Champoussin encostarem, mas uma última tentativa de Yates voltava a reduzir a dianteira aos 4 favoritos.

O Wolfpack terminou escoltando Fabio Jakobsen.

Ao ver que não conseguiria fazer Haig descolar, Yates não mais tentou atacar, e o ritmo, consequentemente, abrandou. Bizkarra, Champoussin, Chris Hamilton e o próprio Gino Mader voltaram a reentrar, e aproveitavam para respirar. Uma nova aceleração partiria de novo o grupo, mas Champoussin aguentou com os melhores e atacou quando eles voltaram a abrandar, sem qualquer resposta dos seus adversários. O jovem francês percebeu que o triunfo estaria ao seu alcance e acelerou até à meta, para conquistar assim a sua primeira vitória World Tour! Mais atrás, Enric Mas mexia à falta de 900m, mas não era capaz de fazer Roglic e Yates descolar, tendo agora Haig perdido uns metros. O grupo quase alcançaria Champoussin, mas teria que se contentar com a batalha pela segunda posição, com Roglic a levar uma vez mais a melhor.

Egan Bernal era o grande derrotado do dia e chegaria já a 6:55 do vencedor, na companhia de Felix Grossschartner (Bora – Hansgrohe), David de la Cruz (UAE Team Emirates) e Steven Kruijswijk (Jumbo – Visma). O colombiano acabaria por perder também a classificação da juventude, com Gino Mader a superá-lo agora na geral por quase 3:30.

Entre os portugueses, Nelson Oliveira (Movistar) foi 66º a 22:24 e Rui Oliveira (UAE Team Emirates) 77º a 24:45.

Primoz Roglic é agora mais líder da geral, e amanhã deverá confirmar o esperado triunfo no contrarrelógio final! Fabio Jakobsen (Deceuninck – Quick Step) e Michael Storer (Team DSM) apenas precisam de terminar para confirmar o triunfo nas classificações por pontos e da montanha. Gino Mader (Bahrain Victorious) é agora o melhor jovem, roubando a camisola a Egan Bernal (Ineos Grenadiers) no último dia da corrida.

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