Carapaz divino em terras do Papa!

O equatoriano Richard Carapaz, da Team INEOS, levou de vencida a terceira etapa da 77ª edição da Volta à Polónia. Na segunda posição terminou Diego Ulissi (UAE-Team Emirates) e em terceiro ficou Rudy Molard (Groupama-FDJ).

A terceira etapa da prova polaca correu-se entre Wadowice, a cidade natal do Papa João Paulo II, e Bielsko-Biala. Perante os ciclistas, perfilavam-se 203 km e sete contagens de montanha. Os últimos 20 km consistiam num circuito de três voltas sem grandes dificuldades, sendo o final em subida ligeira.

A fuga do dia foi composta por três homens: Patryk Stosz (Seleção Nacional Polaca), Kamil Gradek (CCC Team), e Taco Van Der Hoorn (Team Jumbo-Visma). O pelotão ia sendo controlado, em boa medida, pela Deceuninck Quick-Step que trabalhava para o seu líder, o jovem prodígio belga Remco Evenepoel que, no seu estilo canibal, teria certamente a mira apontada à vitória no dia de hoje. Os fugitivos nunca alcançaram uma margem muito significativa sobre o pelotão e, à entrada da última subida do dia, uma primeira categoria a 46 km do final, a vantagem era de dois minutos, manifestamente pouco para que a movimentação resultasse.

No início da subida, a fuga desfragmentou-se, ficando na frente apenas o homem da Jumbo-Visma. Van Der Hoorn passou em primeiro no topo da subida e fez a descida de abordagem ao circuito final isolado, oferecendo ainda alguma resistência ao andamento do pelotão. Quando estava prestes a ser alcançado o solitário fugitivo, à entrada do circuito, saltou do pelotão Nathan Haas (Cofidis). Esta movimentação não suscitou reação imediata do pelotão, com as equipas cientes que um ciclista sozinho era incapaz de triunfar e que outros ataques surgiriam com o pelotão compacto. Haas entrou nos 20 km finais com um minuto de avanço e nos 10 km finais com 25 segundos. Neste ponto, Deceuninck e BORA imprimiam um ritmo elevado, alongando bastante o pelotão.

A 7 km do fim, tínhamos um pelotão compacto e numeroso (70/80 unidades), mais do que seria de antecipar face ao perfil da etapa. Com o pelotão órfão dos homens mais rápidos, entre as desistências do primeiro dia e as dificuldades desta terceira jornada, os homens da geral tomaram as rédeas da corrida. À entrada dos 5 km finais, a frente do pelotão era comandada pela INEOS, no seu habitual trabalho de proteção aos seus líderes. Só que, desta vez, a equipa não trabalhava apenas para se defender. Dentro do km final, enquanto a UAE-Team Emirates preparava o sprint para Diego Ulissi, o líder da INEOS, Richard Carapaz, vencedor da Volta a Itália de 2019, lançou um ataque demolidor. O equatoriano ganhou de imediato alguns metros de vantagem, que acabaram por ser suficientes para garantir a vitória, não obstante a investida final de Ulissi. Rui Costa acabou por terminar integrado no grupo, deixando a ideia que se estará a resguardar para a luta pela geral que terá um dia decisivo amanhã.

Com este triunfo, Richard Carapaz assume a liderança da prova, com 4 segundos de vantagem para Diego Ulissi e para Kamil Malecki (CCC Team).

A UAE-Team Emirates voltou a estar em destaque, com a participação habitual da armada portuguesa. Na etapa, Rui Costa foi 21º, com o mesmo tempo do vencedor, Ivo Oliveira terminou na 85ª posição, a 5:42 de Carapaz, e Rui Oliveira foi 141ª, a 32:16 da frente da corrida.

Na classificação geral, Rui Costa ascendeu à 7ª posição, a apenas 10 segundos de Carapaz. Ivo Oliveira é 78º, a 6:45, e Rui Oliveira 127º, a 32:26.

Amanhã disputa-se a quarta tirada da prova polaca, com 152.9 km e muita montanha entre Bukovina Resort e Bukowina Tatrzanska. A vitória na classificação geral será muito provavelmente decidida nesta etapa, sendo que Rui Costa está claramente na luta integrando o extenso lote de ciclistas a 10 segundos de Carapaz. Será certamente um dia de muito espetáculo nas estradas polacas.

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