Brambilla leva tudo num grande dia de ciclismo!

O italiano Gianluca Brambilla, da Trek-Segafredo, brilhou a grande altura na 3ª e última etapa da 53ª edição do Tour des Alpes Maritimes et du Var, levando a etapa e a geral, num grande dia de ciclismo! Com 13 segundos de atraso fechou o primeiro grupo de perseguidores, encabeçado pelo britânico Tao Geoghegan Hart (Ineos Grenadiers), 2º na etapa. O grupo dos favoritos terminou a 18 segundos de Brambilla, o que significa que o italiano é o grande vencedor da prova, com uma vantagem de 5 segundos para o anterior líder, o canadiano Michael Woods (Israel Start-Up Nation).

A 3ª e última jornada do Tour du Var apresentava uma ligação decisiva para o desfecho da prova. Seriam apenas 136 km, com partida e chegada em Blausasc, mas com 3 contagens de 1ª categoria pelo caminho, duas delas ainda na primeira metade da jornada: o Col Saint-Roch (5.8 km a 7,2%) e o Col de Braus (10 km a 6,3%), seguindo-se a última, colocada a 30 km da meta, e que poderia ser o ponto fulcral da decisão da prova, o Col de la Madone de Gorbio! Nos 10 km finais, havia ainda o Col de Nice, uma curta ascensão não categorizada, que antecedia os últimos km, em descida.

Se a etapa prometia espetáculo, desde cedo os ciclistas trataram de apimentar ainda mais o caldo que estava a ser preparado para este final de Tour du Var. A equipa que desde cedo animou a corrida foi mesmo a Groupama-FDJ, colocando na fuga do dia três unidades: Bruno Armirail, Rudy Molard, e Valentin Madouas, os dois últimos claros perigos para a geral, distando Molard apenas 10 segundos para Woods e Madouas 13. Em conjunto com o trio de franceses, seguiam outras 8 unidades de grande valor, com destaque desde logo para o campeão em título do Giro d’Itália, Tao Geoghegan Hart (Ineos). Completavam o grupo David De la Cruz (UAE-Team Emirates), Julien El Fares (EF Education – Nippo), Jimmy Janssens (Alpecin-Fenix), Martijn Tusveld (Team DSM), Alexis Vuillermoz (Total Direct Energie), Gorka Izagirre (Astana), e Gianluca Brambilla (Trek).

A Israel Start-Up Nation tentava controlar esta perigosa fuga, mas o grupo impulsionado pelos homens da Groupama, e em especial por Armirail, ia abrir a sua vantagem que chegou mesmo aos 3 minutos. O braço de ferro entre os dois grupos ia animando as ocorrências, com a corrida completamente aberta em relação à vitória final!

Durante largos km, todo o trabalho na frente da corrida ia sendo despendido por Bruno Armirail, numa exibição de enorme categoria! A época ainda agora começou, mas este foi desde já um dos grandes trabalhos de gregário do ano!

A 34 km do fim, com os ciclistas em plena subida ao Col de la Madone, começaram os ataques na fuga, com a movimentação de Geoghegan Hart, com Brambilla e a restante fuga a segui-lo, embora Madouas começasse a passar algumas dificuldades. De seguida o ritmo abrandou, e Armirail voltou ao comando do grupo, puxando durante mais alguns km. A 30 km do fim, apenas Molard, Madouas, Brambilla, Hart, e Izagirre resistiam na roda de Armirail, com o pelotão com um atraso de 1:50.

No grupo dos favoritos, apenas 15 unidades iam sobrevivendo ao ritmo de perseguição da Israel, que ia sendo imposto por um nome de respeito, Dan Martin, que tentava deixar Woods o mais próximo possível da frente no alto da subida. O ritmo do irlandês fazia diminuir a diferença para a frente da corrida, que em 2 km baixou cerca de 20 segundos, para 1:30.

Nessa altura, terminava o trabalho de Armirail e de pronto atacava Madouas, com Brambilla a seguir o francês e com Hart a passar algumas dificuldades. Recorde-se que à partida para esta jornada, Madouas e Brambilla faziam parte do lote de corredores a 13 segundos de Woods, pelo que o final tinha tudo para ser decidido pela dupla, ou na descida ou no sprint! Se chegassem os dois à meta, a vitória seria para Madouas, fruto da melhor posição na geral, pelo que Brambilla teria que tentar abrir um espaço de pelo menos um segundo para o francês!

No grupo dos favoritos, atacava Ben O’Connor, com Sivakov, Woods, Quintana, Gaudu, Fuglsang, e Mollema a tentarem seguir o australiano da AG2R.

Na frente, Brambilla tentava descarregar Madouas! No grupo dos favoritos, era Fuglsang e depois Woods a imporem ritmos fortes que iam colocando Mollema em dificuldade! O holandês tentava não perder o comboio do grupo Woods/Fuglsang/Gaudu/Quintana! A subida do Col de la Madone estava a cumprir todas as expetativas, com dois focos de espetáculo em simultâneo para gáudio dos fãs velocipédicos!

Com 26 km para o fim, Woods volta à carga, distanciando os adversários momentaneamente! Grande exibição do camisola amarela, mostrando que, de facto, o ataque é a melhor defesa!

No cimo da subida, passavam em primeiro Brambilla e Madouas, seguidos por Hart, Izagirre, e Molard a cerca de 25 segundos. Depois, com um atraso, de 53 segundos, passava o líder, Michael Woods, que pese a grande mostra de força e disponibilidade física, não conseguia abrir uma grande vantagem sobre os seus perseguidores.

Na descida do Col de la Madone, a dupla Madouas/Brambilla conseguiu manter a vantagem sobre a tripla Hart/Molard/Izagirre, com o grupo dos favoritos a perder terreno. A 15 km do fim, era já de 1:11 a diferença e parecia que a vitória na etapa e na geral estava mesmo lá na frente!

Antes do final, os ciclistas enfrentavam ainda o Col de Nice, uma subida não categorizada, relativamente simples, mas que pesaria certamente nas pernas dos corredores após tão dura jornada. Lá atrás, atacava novamente Woods, distanciando o restante grupo dos favoritos e tentando o tudo por tudo para alcançar a frente da corrida!

A 11 km do fim, ataca Brambilla, deixando Madouas sozinho e em visíveis dificuldades físicas! O italiano tinha tudo para levar etapa e geral neste épico dia, perante a frustração do jovem francês! Entretanto, o grupo de favoritos (com Mollema, Fuglsang, Gaudu, Quintana, O’Connor, e Izagirre) alcançava Woods, e o ritmo baixava, o que ajudava e muito Gianluca Brambilla! Pelo meio estavam ainda Hart e Molard.

A 10 km do final, 1 minuto separava o grupo de favoritos de Brambilla! O italiano mordia a língua, pedalando vigorosamente, conseguindo ainda sorrir para a câmara! Apenas um pensamento corria na sua cabeça, levantar os braços em Blausasc e garantir a vitória na geral! No pelotão, atacava Ben O’Connor, depois Woods, depois Fuglsang, embora sem a coordenação necessária para ganhar terreno aos homens mais adiantados.

A 5 km do fim, com Brambilla a descer furiosamente na polémica posição super-tuck, o mais direto perseguidor era agora Molard, a 24 segundos. Logo atrás seguiam Hart, O’Connor, e Madouas (ele que havia entretanto sofrido uma queda) e também o quinteto de favoritos Woods/Mollema/fuglsang/Quintana/Gaudu. A junção parecia iminente mas não viria a suceder-se.

Após uma jornada épica de ciclismo, os corredores iam proporcionando um final espetacular para esta competição, com o vencedor a ser decidido ao segundo!

Brambilla entrou no km final ainda com alguma margem sobre os perseguidores, levantando os braços isolado ao cruzar a meta! Contavam-se depois os segundos para os perseguidores. Com 13 de atraso fechou o grupo de Hart, O’Connor, Molard, e Madouas, e com 18 o grupo de Fuglsang, Gaudu, Mollema, Quintana, e Woods! Isto significava que a vitória na geral ficava mesmo para Brambilla, com a 2ª posição a ficar para Woods, a 5 segundos apenas do italiano, com o último lugar do pódio a ficar para Mollema, a 6 segundos do companheiro de equipa.

Quanto ao campeão português, Rui Costa (UAE-Team Emirates), terminou na 58ª posição, a 14:17 de Brambilla, e na geral fecha no 53º posto, a 20:03 do italiano.

Acabou por ser um dia inglório para a equipa que tanto animou esta última jornada, a Groupama-FDJ. Os franceses não só falharam a conquista da etapa e da geral, como nem no pódio conseguiram colocar um corredor, fazendo apenas 4º, 5º, e 7º na geral final. Como prémio de consolação para a formação gaulesa fica a classificação por equipas e a classificação da juventude de David Gaudu, notoriamente pouco para as aspirações da equipa no início da competição.

Quanto às restantes classificações, Bauke Mollema vence os pontos enquanto Martijn Tusveld (Team DSM) leva a montanha.

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