Arco-Íris surge depois da tempestade!

O campeão do mundo, Mads Pedersen, da Trek-Segafredo, foi o mais rápido na chegada ao sprint da segunda etapa da 77ª Volta à Polónia, batendo o grande favorito Pascal Ackermann, da BORA-hansgrohe, e Davide Ballerini, da Deceuninck Quick-Step. Esta foi a primeira vitória do dinamarquês com a camisola do arco-íris.

Depois de um primeiro dia marcado por uma queda arrepiante nos metros finais da etapa, os ciclistas alinharam à partida para o segundo dia de Volta à Polónia com os acontecimentos da véspera bem frescos na memória.

Fabio Jakobsen, campeão holandês e ciclista da Deceuninck Quick-Step, foi o mais afetado pela queda do primeiro dia. Durante a noite, o sprinter holandês foi sujeito a uma cirurgia facial de cinco horas e meia e, à hora do arranque para a segunda etapa, encontrava-se estável mas ainda em coma induzido.

Na sequência do incidente, Dylan Groenewegen, da Team Jumbo-Visma, foi afastado da prova e poderá ainda enfrentar penas disciplinares acessórias pela sua abordagem irresponsável ao sprint e pelo toque que provocou a queda de Jakobsen. Refira-se, contudo, que este era um local reconhecidamente perigoso, em descida e com proteções praticamente inexistentes. A organização da prova e a UCI têm muitas culpas no sucedido, ainda para mais após muitas vozes de pessoas ligadas à modalidade terem avisado para os perigos de chegadas como esta. 

Além dos dois sprinters holandeses, também Eduard Prades (Movistar), Marc Sarreau (Groupama-FDJ), e Damien Touzé (Cofidis) não se apresentaram à partida para a segunda tirada, fruto das lesões sofridas na queda do primeiro dia.

A fuga que marcou esta segunda etapa foi composta por dois ciclistas que já no primeiro dia tinham andado escapados: Maciej Paterski (Seleção Nacional Polaca), que levava vestida a camisola azul da combatividade, e Julius Van Den Berg (EF Pro Cycling), que envergava a camisola de líder da montanha. A vantagem dos fugitivos nunca foi muito elevada, sendo que no pelotão BORA-hansgrohe, Lotto Soudal, Mitchelton-Scott, Israel Start-Up Nation, e UAE-Team Emirates iam controlando as operações. Destaque para o trabalho de perseguição sempre incansável de Thomas De Gendt, da Lotto, e do homem da casa Maciej Bodnar, da BORA, duas verdadeiras locomotivas na cabeça do pelotão.

A 16 km do fim, os fugitivos foram alcançados e os blocos começaram a posicionar-se para a abordagem ao sprint final. Já dentro do último km, a equipa mais bem posicionada era mesmo a Trek, que fez um trabalho de manual para o campeão do mundo. Pedersen aproveitou o lançamento da melhor maneira e mostrou a sua fibra, aguentando a investida final de Ackermann e de Ballerini.

Destaque para o trabalho da armada portuguesa da UAE-Team Emirates, em particular dos irmãos Oliveira. Primeiro, Ivo Oliveira, fulcral na condução do comboio da Emirates que surgiu tarde mas em força, e depois Rui Oliveira, no espetacular lançamento final para o sprinter da equipa, Jasper Philipsen, que terminaria na oitava posição. Rui Costa terminou no 17º lugar e Rui Oliveira foi 34º, ambos com o mesmo tempo do vencedor. Ivo Oliveira terminou na 142ª posição, a 55 segundos.

Em termos de liderança da prova, com a vitória de etapa, Pedersen passa a ser o novo camisola amarela. Nota para o facto de na etapa de hoje a camisola de líder ter sido envergada pelo polaco Kamil Malecki (CCC Team), embora a vontade inicial da equipa fosse de não vestir a camisola em honra de Fabio Jakobsen. Na classificação geral, Pedersen tem agora 4 segundos de vantagem para Ackermann e para Malecki.

Amanhã será disputada a terceira etapa, num total de 203.1 km, entre Wadowice, cidade natal do Papa João Paulo II, e Bielsko-Biala, prevendo-se que os candidatos à vitória final comecem a esgrimir argumentos nas várias ascensões do percurso.

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