Alpecin faz a dobradinha, em mais um dia de pesadelo!

O belga Tim Merlier, da Alpecin-Fenix, venceu a 3ª etapa do Tour de France, num dia novamente marcado por muitas quedas, a última das quais nos derradeiros metros de estrada, com Caleb Ewan a cair e a levar Peter Sagan consigo! A formação da Alpecin-Fenix acabou por fazer a dobradinha, com Jasper Philipsen a terminar no 2º posto, enquanto na 3ª posição ficou o francês Nacer Bouhanni, da Arkéa Samsic!

A 3ª etapa do Tour de France apresentava a primeira oportunidade para os sprinters do pelotão brilharem na edição deste ano. O percurso incluía 182.9 km, com partida em Lorient e chegada em Pontivy, num dia praticamente plano, com exceção de algumas pequenas subidas, duas delas de 4ª categoria, mas que não deveriam ser suficientes para impedir uma chegada em pelotão compacto.

A fuga do dia formou-se logo no início da jornada, sem grande contestação por parte do pelotão, com os corredores a agradecerem um início de etapa tranquilo depois dos nervos dos dois primeiros dias. Ao ataque estavam cinco corredores: Michael Schär (AG2R Citroën), Cyril Barthe (B&B Hotels), Maxime Chevalier (B&B Hotels), Jelle Wallays (Cofidis), e Ide Schelling (Bora-Hansgrohe), ele que envergava mais uma vez a camisola da montanha, embora desta feita seja por “empréstimo” do seu dono, o camisola amarela do Tour, Mathieu Van der Poel. Com pouco mais de 3 km de etapa disputados, a fuga possuía já 1 minuto de avanço, uma margem que cresceria para cima dos 3 minutos, antes do pelotão começar a controlar de forma efetiva a margem dos escapados.

Começava a chover de forma abundante, o que deixava o grupo principal algo nervoso, não deixando grande espaço para os fugitivos. No controlo do grupo principal estavam a Lotto Soudal e a Groupama-FDJ, duas das formações mais interessadas numa chegada massiva.

A 144 km da meta, com a fuga a rolar com 2:18 de vantagem sobre o grupo principal, dá-se uma queda no pelotão, que resultaria na desistência de Robert Gesink (Jumbo-Visma) e na lesão de Geraint Thomas (Ineos). O azarado galês ficou com o ombro deslocado e esteve a receber assistência, antes de voltar a subir à bicicleta e iniciar um doloroso esforço para, pelo menos, recolar no grupo principal. Com a ajuda da equipa, Thomas conseguiria mesmo regressar ao pelotão, mas a sua continuidade em prova será sem dúvida uma questão a ser analisada depois da etapa.

Geraint Thomas, o azarado do dia na 3ª etapa do Tour de France (Foto AFP/Getty Images)

A 100 km do final, com a Alpecin-Fenix também a contribuir para a perseguição, a margem dos escapados rondava os 2:10, com o pelotão claramente a “fazer tempo”, de modo a apanhar a fuga numa fase mais adiantada da etapa. O clima ia dando tréguas aos ciclistas, com o sol a fazer uma agradável aparição.

Na primeira contagem de 4ª categoria, passou em primeiro Schelling, o que garantia a ascensão à liderança da classificação da montanha. Com o objetivo cumprido, o homem da BORA desligava-se da fuga, poupando forças para os próximos dias, e era alcançado pelo pelotão pouco depois.

No sprint intermédio, colocado a 64 km do final, a fuga passou com 1:20 de avanço sobre o pelotão e depois houve luta entre os candidatos à camisola verde. Caleb Ewan foi o mais forte, passando à frente de Cavendish, Morkov, Colbrelli, Démare, Sagan, Matthews, e Philipsen.

A corrida entrava depois numa zona de estradas estreitas, com equipas como a EF Education-Nippo, de Ruben Guerreiro, e também a Deceuninck Quick-STep, a colocarem-se na frente do grupo principal, de modo a prevenir qualquer sobressalto. No entanto, sem chuva e sem grande vento, os quilómetros seguintes acabaram por ser realizados num ritmo tranquilo.

A 20 km da meta, a vantagem da fuga caía finalmente para baixo de 1 minuto, numa fase em que as equipas começavam a preparar o sprint, lutando de forma feroz pela melhor posição na frente do pelotão. Trabalhava nesta fase o campeão belga, Wout Van Aert, tornando-se claro que o foco neste dia seria mais a proteção ao seu líder, Primoz Roglic, e não tanto a vitória na etapa.

Numa nova fase de estradas muito estreitas, a 12 km do fim, vinha para a frente a DSM, conseguindo fazê-lo com cinco elementos, com as restantes equipas a apresentarem blocos de apenas 3 ou 4 elementos. Pouco depois, o andamento frenético causava estragos, com mais uma queda no pelotão, desta vez com Primoz Roglic a escorregar na gravilha à beira da estrada e a ficar visivelmente maltratado, com escoriações e vários rasgões no seu equipamento! O esloveno voltou à bicicleta, com os restantes elementos da Jumbo a colocarem-se ao trabalho de forma a levar Rogla de volta ao pelotão. A diferença era já superior a 1 minuto sobre o grupo principal, que se tinha fracionado em dois grandes conjuntos.

Com a fuga já anulada, o pelotão rodava num ritmo absolutamente alucinante, com Roglic a rodar a 50 segundos da frente. A 4 km do final, dá-se mais uma queda aparatosa, numa zona muito estreita, onde uma curva bem apertada acabou por causar mais um trambolhão, com ciclistas como Jack Haig e Arnaud Démare a ficarem envolvidos. Na frente, ficava um grupo muito reduzido, de cerca de 20 unidades, com o restante pelotão a pedalar de modo fracionado ao longo da estrada.

A 2 km da meta, vem para a frente o camisola amarela, Mathieu Van der Poel, preparando o sprint para Tim Merlier. O Godzilla continuava na frente à entrada do km final, num trabalho extraordinário em prol dos seus companheiros!

Nos metros finais, Jasper Philipsen lançou Merlier, com Ewan e Sagan logo atrás dos dois belgas. O final era perigoso, em descida e em curva, com faixas de piso empedrado a atravessarem a estrada. Com o acidente a parecer eminente, o pior aconteceu mesmo, com Ewan a perder o controlo da bicicleta e a cair com violência, sobre a zona da clavícula, acabando também por causar a queda de Sagan. O eslovaco levantou-se pouco depois mas o australiano ficou muito maltratado, permanecendo deitado no alcatrão durante vários minutos, enquanto o pelotão chegava a conta-gotas.

A vitória na etapa essa foi mesmo para Tim Merlier, com o seu colega Jasper Philipsen a confirmar a dobradinha para a Alpecin-Fenix, tudo isto no dia seguinte à vitória e subida à liderança de Mathieu Van der Poel! É um início de sonho do Tour de France para a formação belga, que nem sequer pertence ao escalão World Tour!

Na classificação geral, Van der Poel mantém-se de amarelo, com 8 segundos de avanço sobre Julian Alaphilippe e 31 sobre Richard Carapaz. Note-se que foi um dia difícil para todos, com o equatoriano da Ineos a ser o grande beneficiado desde dia de pesadelo, sendo que, entre os homens da geral, apenas ele e Alaphilippe chegaram no grupo da frente. Tadej Pogacar, Geraint Thomas, e Rigoberto Urán, perderam 26 segundos, enquanto Primoz Roglic e Miguel Angel Lopez cederam 1:21!

Quanto aos portugueses em prova, Ruben Guerreiro terminou no 70º lugar, a 26 segundos do vencedor, seguindo agora no 32º lugar da CG, com 3:09 de atraso para MVDP. Já Rui Costa fechou no 101º posto, a 1:27, e na geral é agora 77º, a 9:20 da amarela.

Amanhã disputa-se a etapa 4 do Tour, com uma ligação de 150.4 km, entre Redon e Fougères, num dia que deverá voltar a terminar ao sprint, e que marca o último dia na região da Bretanha, que tão pouca sorte tem dado a este pelotão!

Tim Merlier, vencedor da etapa 3 do Tour de France

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