Almeida caiu de pé! Guerreiro faz história!

O australiano Jai Hindley, da Team Sunweb, venceu a 18ª etapa do Giro d’Itália, a jornada rainha da competição, batendo no sprint a dois o britânico Tao Geoghegan Hart. João Almeida acaba por perder a camisola rosa ao fim de 15 dias mágicos! O português da Deceuninck-Quick Step é agora 5º a 2:16 do novo líder Wilco Kelderman.

Na subida do Passo do Stelvio, a Sunweb optou por dar liberdade a Hindley para seguir Hart, deixando o líder da equipa, Wilco Kelderman, sozinho na subida. O resultado foi a vitória na etapa e os dois primeiros lugares da geral mas vêm Hart ficar a apenas 3 segundos de Hindley e a 15 de Kelderman na geral, o que promete um final de Giro espetacular.

A 18ª etapa apresentava 207 km numa ligação entre Pinzolo e Laghi di Cancano, no Parque Nacional do Stelvio. Eram 4 contagens de montanha, começando por 2ª categoria que punha os ciclistas a subir logo desde o km 0. Seguia-se uma 1ª categoria e depois uma categoria especial, o mítico Passo do Stelvio, com 24.8 km a 7.4%. A Cima Coppi deste Giro, ponto mais alto ultrapassado dos ciclistas respresentava um desafio portentoso que prometia não deixar dúvidas sobre a forma dos corredores. Terminado o Stelvio, haveriam 20 km em descida e depois uma subida final de 1ª categoria, o Torri di Fraele (9 km a 6.8%), cujo topo estava colocado antes de uma descida de 2 km até à meta.

Logo de início começaram muitos ataques, incluindo de homens como Sam Oomen, da Sunweb, e Fausto Masnada, da Deceuninck, numa demonstração de interesses destas equipas. No entanto, nenhuma fuga concreta se formaria e, no cimo da 1ª subida, quem tomou os pontos foi, claro está, o Rei da Montanha de Gelo, o Iceman de Pegões, Ruben Guerreiro, aumentando ainda mais a sua vantagem na classificação dos trepadores!

O pelotão depois reagrupou e novo grupo de fugitivos tentou a sua sorte, desta feita sem Guerreiro mas com o seu rival mais direto, Thomas de Gendt (Lotto Soudal). O português não seguiu com os fugitivos mas também não ficou parado. Juntamente com um companheiro de equipa colocou-se ao trabalho na frente do pelotão, de forma a eliminar a movimentação.

O grupo da frente era de 6: Fabio Felline (Astana), Dario Cataldo (Movistar Team), Thomas De Gendt (Lotto Soudal), Stéphane Rossetto (Cofidis), Daniel Navarro (Israel Start-Up Nation), Filippo Ganna (Ineos Grenadiers), mas depois passou a 10, com outros 4 a juntarem-se à fuga: Ben Swift (Ineos Grenadiers), Ben O’Connor (NTT Pro Cycling), Alessandro Tonelli (Bardiani), e Héctor Carretero (Movistar).

A 150km do final, na 2ª subida do dia, com o grupo da frente a 35 segundos, Guerreiro saiu do pelotão em busca da fuga. Outros 5 corredores seguiam com o português. Com a saída do português da frente do pelotão, as coisas acalmaram, com a Deceuninck-Quick Step a colocar-se na frente, numa espécie de tampão da estrada. O grupo de Guerreiro conseguiu colar na frente, passando a existir um grupo de 16 na liderança da corrida.

Ao contrário do que se poderia pensar, a fuga não começou a ganhar tempo significativo, uma vez que a Sunweb ia mantendo o ritmo alto, não permitindo à Deceuninck de certa forma adormecer a corrida. Na 2ª contagem de montanha do dia, De Gendt passou em 1º, fazendo 40 pontos, com Guerreiro a ser 2º, amealhando 18.

Com 123 km para o final, a vantagem dos fugitivos era de 2:20, com a malha ainda não totalmente desapertada por parte do pelotão. A 85 km da meta, com os ciclistas a prepararem-se mentalmente para a abordagem a um desafio tão exigente como o Passo do Stelvio, a diferença entre fuga e pelotão era 4 minutos, e havia a hipótese de ainda termos luta pelos pontos de montanha entre Guerreiro e De Gendt, embora tal só fosse acontecer se o ritmo no pelotão não fosse muito forte, o que era pouco provável. No grupo principal, Sunweb e INEOS trabalhavam na frente.

 A 57 km da meta, no início da ascensão do Stelvio, o ritmo aumentava no já muito reduzido pelotão, o que fazia a diferença para a frente diminuir para os 2 minutos. Quem não aguentou o andamento na frente foi Thomas de Gendt, o que favorecia bastante os objetivos de Ruben Guerreiro, que por sua vez também não duraria muito na frente da corrida. Entretanto, atacou Ben O’Connor, vencedor do dia de ontem, pelo 3º dia consecutivo em fuga, lançando-se sozinho subida acima!

O primeiro favorito a descolar foi Domenico Pozzovio, ainda na fase incial da subida. A Sunweb aumentava o ritmo, com 4 homens na frente do grupo, e João Almeida começava a passar dificuldades, no elástico na cauda do grupo. Ruben Guerreiro, entretanto alcançado, dava ainda uma ajuda preciosa ao compatriota, numa grande demonstração de companheirismo! O nº2 da Deceuninck, Fausto Masnada, não parecia com muito vontade de perder a sua posição no grupo para ajudar o líder!

Com a paisagem cada vez mais branca, a Sunweb continuava a forçar o andamento, com João Almeida a ir aguentando, agora ligeiramente mais bem posicionado no grupo. Estávamos a 48 km do final e Ben O’Connor seguia ainda isolado, com 1:30 sobre o grupo de favoritos. Nessa altura, o português começou a perder terreno novamente, com Masnada finalmente a baixar para auxiliar o português.

Depois, a INEOS juntou-se à Sunweb, o que desfez completamente o grupo. Almeida seguia a 30 segundos do grupo que já só tinha os dois Sunweb e dois INEOS, Tao Geoghegan Hart e Rohan Dennis. O português lutava com tudo o que tinha para não perder muito terreno, juntamente com Masnada, Pernsteiner, e os dois BORA, Majka e Konrad. Era 1 minuto de diferença para o grupo de Kelderman!

Depois, quem cedeu foi mesmo Kelderman, ficando os dois INEOS na frente com Hindley! Tática arriscada da Sunweb, optando por deixar Hindley a marcar Hart, ficando Kelderman sozinho, com muito Stelvio por percorrer! Eram grandes notícias para João Almeida que se alcançasse Kelderman, teria de passar a preocupar-se com Hindley e Hart, quase 3 minutos atrás de si na geral!

A 45 km do fim, Ben O’Connor era alcançado por Dennis, Hart, e Hindley, com Almeida a 1:30, e Kelderman pelo meio sozinho. A 40 km do final, com Kelderman já a 40 segundos do trio da frente, João Almeida seguia a 2:40 da frente, com o desfecho da etapa e da geral do Giro ainda em aberto. O Canibal das Caldas lutava com todas as suas forças, trabalhando sozinho no seu grupo.

No cimo da subida, passou Dennis, Hart, e Hindley. Kelderman passou a 50 segundos, e João Almeida a 3:45, acompanhado por Konrad, Pernsteiner, e Masnada. Pelo meio estavam ainda Nibali, Bilbao, e Fuglsang. O português era naquele ponto 4º na geral virtual do Giro, e ainda não estava completamente afastado da luta pelo pódio.

Iniciava-se a longa descida por entre um mar branco. Aí, o grupo de João Almeida ainda conseguiu recuperar algum tempo para a frente a dado ponto, mas voltou a perder na abordagem à subida final.

A 15 km do fim, Kelderman perdia 1 minuto para a frente com João Almeida a 3:50 da frente. Com Dennis a puxar forte em direção à subida, a vantagem do trio da frente aumentava a olhos vistos. A 11 km do fim, havia um sprint intermédio e aí Geoghegan Hart passou na frente bonificando 3 segundos contra 1 do australiano, o que permitia ao britânico passar para a frente de Hindley na geral virtual. A Sunweb estava a brincar com o fogo, não dando apoio ao seu líder, que se quebrasse não teria qualquer ajuda, e arriscando-se a ver Hindley ser batido por Hart tanto na montanha como muito possivelmente no contrarrelógio do útlimo dia!

No início da subida final, a 10 km da meta, Kelderman levava já 1:45 para a frente e era alcançado e ultrapassado (!) por Fuglsang e Bilbao. O holandês estava em queda livre. Almeida estava a 4:20 da frente. Entretanto, Dennis terminava o seu trabalho na frente, ficando Hart e Hindley para discutir a etapa e possivelmente a geral do Giro. A 6 km do fim, Bilbao deixou Fuglsang para trás enquanto se ia aproximando da frente da corrida, apenas a 1 minuto da frente. O grupo de Almeida seguia a 4:30 e alcançava Nibali.

No cimo da subida, passaram Hart e Hindley, com Bilbao a 43 segundos, Kelderman a 2:02, e João Almeida a 4:45. Seguiam-se 2 km em descida até à meta. No sprint a dois, Hindley bateu Hart, fazendo uso da maior frescura por praticamente não ter trabalhado nas duas subidas. Bilbao fechou em 3º, a 45 segundos, Fuglsang em 4º, a 1:25, e Kelderman em 5º, a 2:17! Almeida chegou com Nibali, Pernsteiner, e Masnada a 4:50, com o português em esforço constante até ao último centímetro de estrada! Grande demonstração de força, de alma, e de caráter do homem das Caldas da Rainha, 7º num dia épico disputado por grandes campeões!

Sunweb garantia etapa, 1º e 2º na geral, e liderança da juventude. Uma tática arriscada e proveitosa, mas para já apenas no curto prazo. A vitória final no Giro não está garantida. Kelderman fica com 12 segundos de avanço sobre Hindley e apenas 15 sobre Geoghegan Hart! Com uma etapa de montanha e um contrarrelógio por disputar!

João Almeida fica em 5º a 2:16 de Kelderman e a menos de 1 minuto do 4º posto de Pello Bilbao. O português pode ainda tentar melhorar a sua classificação geral final ou pelo menos defendê-la com algum conforto nas etapas finais.

Quanto a Ruben Guerreiro, fez história mais uma vez, garantindo a vitória na classificação da montanha do Giro d’Itália! Com apenas uma etapa de montanha para disputar, o português tem 234 pontos contra os 122 de Thomas de Gendt, já não havendo pontos suficientes para o belga poder sonhar com a vitória. Grande feito do Iceman de Pegões, tornando-se no 1º português da história a vencer uma camisola de uma classificação individual de uma grande volta! Parabéns, Ruben!

Amanhã corre-se a 19ª etapa da prova italiana, com uma etapa completamente plana para os sprinters discutirem e para os homens da geral descansarem um pouco antes das decisões do fim de semana. Será, no entanto, um dia brutal com 258 km, que pode deixar marcas em alguns corredores especialmente depois do esforço do Stelvio.

Henrique Silva volta a vencer no Passatempo e é cada vez mais líder!

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