Alaphilippe abate titãs, em grande dia de João Almeida!

O campeão do mundo, Julian Alaphilippe, da Deceuninck-Quick Step, venceu a 2ª etapa do Tirreno-Adriático, sendo o mais forte na subida final! No 2º posto ficou o campeão holandês, Mathieu Van der Poel (Alpecin-Fenix), enquanto em 3º terminou o líder da competição, Wout Van Aert (Jumbo-Visma). Em grande destaque nesta etapa, esteve João Almeida, que atacou de longe e quase vencia isolado, sendo apenas alcançado dentro dos 100m finais!

A 2ª etapa do Tirreno-Adriático apresentava uma ligação de 202 km, entre Camaiore e Chiusdino. A jornada começava de forma bastante suave, com vários km planos, no entanto, sensivelmente a partir de meio do percurso, o terreno começava a enrugar, com muitas subidas e descidas, curtas, mas pronunciadas a espaços. O sobe e desce culminaria na subida para a meta, uma ascensão com 8 km, com inclinação reduzida, mas em crescendo até chegar perto dos 5% junto à linha de chegada.

A fuga do dia formou-se no início da jornada, com o ataque de 6 corredores: Simon Pellaud (Androni), Vincenzo Albanese (EOLO-Kometa), John Archibald (EOLO-Kometa), Simone Velasco (Gazprom), Marcus Burghardt (BORA-hansgrohe), Pieter Vanspeybrouck (Intermarché – Wanty – Gobert Matériaux).

A diferença para o pelotão chegou a ser de 5 minutos, tendendo depois a ser anulada pelo grupo principal, que ia sendo controlado pela Jumbo-Visma. A 92km apenas 4 min separavam fuga e pelotão.

Nos km seguintes, a diferença foi diminuindo e, com 49 km para a meta, a vantagem da fuga era de 1 minuto e o destino destes corajosos estava traçado.

A 45 km do fim, com o ritmo a subir e a diferença a cair para baixo dos 30 segundos, diversos ciclistas iam perdendo o contacto nas estreitas e sinuosas estradas italianas, entre eles Peter Sagan.

A fuga foi mesmo anulada a 35 km do fim, e logo de seguida, com o pelotão a ultrapassar o Poggio alla Croce, começaram os ataques no pelotão, e logo através de Egan Bernal! Kasper Asgreen e Jasper De Buyst seguiram o colombiano da Ineos, com nomes como Soler, Higuita, Simmons, Bilbao, e Wellens a tentarem também sair do pelotão.

A 32 km ataca o campeão em título do Tirreno-Adriático, Simon Yates (Team BikeExchange) e atrás de si veio o Canibal da Caldas, João Almeida! A 30 km do fim, no cimo da subida, passou um quarteto de luxo: Yates, Almeida, Mikel Landa, e Pavel Sivakov, com o pelotão a rodar com 10 segundos de atraso!

Na descida, a diferença cresceu, com os quatro da frente a colaborarem bem entre si, enquanto no pelotão apenas um elemento ia trabalhando, Tobias Foss, o último homem de apoio a Van Aert. Atrás dos dois Jumbo, acotovelavam-se os Ineos e os Deceuninck, que não trabalhavam por terem Sivakov e Almeida na frente, respetivamente. O pelotão estava já bastante depauperado, mas continha ainda assim cerca de 60 unidades.

A vantagem do quarteto chegou aos 20 segundos, mas com a chegada de mais um elemento da Jumbo-Visma à frente do pelotão, Robert Gesink, a diferença começou novamente a diminuir e, com 20 km para a meta, apenas 15 segundos separavam os grupos. Mas a tarefa era difícil para as abelhas assassinas, sem apoio das outras equipas, lutando 2 contra 4!

A 16km do fim, a diferença voltava a crescer para os 20 segundos e no km seguinte passou para os 30! A Jumbo-Visma já não tinha capacidade para recuperar o atraso para a fuga!

A 15 km, no sprint intermédio, os 4 da frente discutiram os 3 segundos em disputa, com Sivakov a lançar o sprint, mas com os restantes elementos a segui-lo, acabando por ser João Almeida a conseguir amealhar a bonificação.

Nos km seguintes, a dupla da Jumbo deu tudo para eliminar a fuga e, à entrada da subida final, com 8 km para a meta, apenas 20 segundos separavam fuga e pelotão.

E com 6,3 km para o fim, finalmente uma equipa que não a Jumbo assumiu a frente do pelotão, no caso a UAE-Team Emirates, por Rafal Majka e Davide Formolo. Pogacar sentia que a diferença para o quarteto de João Almeida e companhia era já muito perigosa.

O sangue novo na frente do pelotão fez reduzir a vantagem da fuga momentaneamente, mas aa força da Emirates não parecia ser suficiente para ameaçar decisivamente o grupo da frente. A 3 km do fim, a diferença cifrava-se ainda nos 12 segundos.

A inclinação da estrada ia aumentando de forma muito suave, culminando em pendentes na ordem dos 5% no km final. Van der Poel, Higuita, Alaphilippe, Van Aert, espreitavam por cima do ombro da Emirates, conscientes que a fuga podia ser alcançada a qualquer momento.

A 2 km do fim, a diferença era apenas de 9 segundos! A tensão era palpável entre os dois grupos! Na frente, Yates sentia dificuldades, com Sivakov a arrancar e Almeida e Landa a seguirem com o russo!

A 1.7 km da meta ataca o Canibal, João Almeida, com Sivakov e Landa a seguirem na sua roda num primeiro momento! O pelotão seguia apenas com 8 segundos de atraso!

À entrada do km final, nova investida de João Almeida, com Landa e Sivakov a sentirem dificuldades e a verem o português a seguir isolado para a meta! Extraordinário esforço jovem das Caldas da Rainha!

A 500m do fim, Almeida levava ainda 9 segundos de avanço, com a Astana e outras equipas a medirem distâncias para a meta e para o luso. A corrida ia ser decidida sobre o risco! Dá-se então uma aceleração por parte de Geraint Thomas, com Julian Alahpilippe, Wout Van Aert, e restante grupo a seguir o galês. Esta movimentação acabou por ser decisiva. João Almeida fez a última curva isolado, com 200m para a meta, mas logo atrás vinham os galos do pelotão. Alaphilippe atacou e passou por Almeida, num cenário de desolação para o ciclista português e para as hostes lusas, mas de satisfação para a equipa. O ataque de Alaphilippe foi determinado e demolidor, de nada servindo o esforço final de Mathieu Van der Poel e de Wout Van Aert. Loulou tinha abatido Godzilla e King Kong!

Tadej Pogacar fechou na 4º posição, seguindo-se Alex Aranburu e Robert Stannard.

João Almeida, que viu o seu companheiro de equipa atacar para a vitória quando o português estava ainda isolado na frente da corrida, acabou por resignar-se nos metros finais e cruzar a meta já em descompressão, no 7º lugar da etapa.

Na classificação geral, Van Aert mantém a liderança, agora com 4 segundos de vantagem sobre Alaphilippe e 8 sobre Van der Poel. João Almeida é agora 8º, a 14 segundos de WVA.

Em relação aos restantes portugueses, Nelson Oliveira terminou a etapa na 85ª posição, a 9:08 do vencedor, seguindo na geral no 90º posto, a 9:22 do líder. Quanto a Ivo Oliveira, fechou a etapa na 116ª posição, a 11:15 de Alaphilippe, e na geral ocupa o 115º posto, a 11:29 de Van Aert.

Amanhã disputa-se a 3ª etapa do Tirreno-Adriático, com 219 km entre Monticiano e Gualdo Tadino e mais um dia de sobe e desce, com um final que, embora mais fácil que o de hoje e que pode trazer os sprinters mais puros de volta à ação, promete novamente trazer espetáculo!

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