À terceira foi de vez! Konrad faz um “Mollema” e leva etapa 16!

O campeão austríaco Patrick Konrad, da BORA-hansgrohe, venceu isolado a etapa 16 do Tour de France, ao ser o mais forte da fuga do dia! O grupo perseguidor chegou 42 segundos depois de Konrad, com o 2º posto a ficar para o campeão italiano, Sonny Colbrelli (Bahrain-Victorious), e o 3º para Michael Matthews (Team BikeExchange). O pelotão acabou por rodar em ritmo tranquilo até à subida de 4ª categoria já perto da meta, quando um ataque da Cofidis acabou por isolar o top 10, que chegou junto à meta, a quase 14 minutos de Konrad!

A 16ª etapa da Volta a França consistia num desafio de 169 km, com partida em El Pas de La Casa e chegada em Saint-Gaudens, na segunda jornada de alta montanha do poker pirenaico. Depois de um início com mais de 30 km em descida, o pelotão enfrentava uma contagem de 2ª categoria para o Col de Port (11.4 km a 5.5%), seguindo-se nova descida longa que levava os corredores até ao início da contagem de montanha mais difícil do dia, a 1ª categoria para o Col de la Core (13 km a 6.6%). Depois, nova descida, antes da subida de 2ª categoria para o Col de Portet-d’Aspet, seguindo-se mais uma longa descida em direção à meta, interrompida apenas pela contagem de 4ª categoria para Côte d’Aspret-Sarrat (0.9 km a 6.3%), um muro colocado a 5 km da meta.

A jornada começou com um ataque solitário, por parte de Kasper Asgreen, que optou por isolar-se na fase em descida que marcava o início. O dinamarquês da Deceuninck Quick-Step conseguia abrir um espaço de cerca de 1:20, com 142 km para a meta, com muitos ciclistas a tentar sair do pelotão, entre eles Ruben Guerreiro, mas sem que ninguém conseguisse alcançar o homem da frente.

A 122 km do final, o avanço de Asgreen era de 1:16, na fase em que começavam as dificuldades montanhosas do dia. Com o empinar da estrada, os ataques sucediam-se no pelotão e uma dupla constituída por Michal Kwiatkowski (Ineos Grenadiers) e Mattia Cattaneo (Deceuninck Quick-Step) saía no encalço de Asgreen.

A 120 km do final, tenta sair Miguel Angel Lopez e na sua roda colou o camisola amarela, Tadej Pogacar, numa postura surpreendente do líder da corrida! O “Míudo-Maravilha” ia seguindo as movimentações nesta fase da etapa, de certo modo fazendo um trabalho de gregário e desafogando a equipa, mas também lançando uma mensagem ameaçadora para a concorrência!

Apenas ao fim de 50 km de etapa, o solitário Asgreen foi alcançado pela dupla Kwiatkowski/Cattaneo, mas nessa fase o pelotão já só estava a 45 segundos do trio. No topo da subida, o pelotão rodava já a 30 segundos da frente.

Seguia-se uma descida longa, técnica, e com piso molhado, que exigia cuidados redobrados por parte de todo o pelotão. A fuga seria mesmo eliminada, antes do final da descida e, com 104 km para o final, tínhamos uma situação de pelotão compacto, com exceção do gruppeto, onde seguia o camisola verde, Mark Cavendish, já a 3 minutos do grupo principal.

Mesmo antes do início da subida seguinte, estava colocado o sprint intermédio da jornada, e aí houve luta pelos 20 pontos em disputa. Primeiro, os dois maiores interessados, Michael “Bling” Matthews (Team BikeExchange) e o campeão italiano, Sonny Colbrelli (Bahrain-Victorious), tentaram sair do pelotão, ainda na descida, mas sem sucesso. Depois foi a vez de saírem, desta vez com sucesso, Jan Bakelants (Intermarche-Wanty), Fabien Doubey (TotalEnergies), mas também de Christopher Juul-Jensen, numa tática algo estranha da BikeExchange. Este trio de atacantes passou na frente no sprint intermédio e depois no pelotão Matthews bateu Colbrelli, acabando por fazer apenas 13 pontos e não usufruindo na totalidade desta hipótese de encurtar distâncias para Cavendish.

Seguia-se então a principal ascensão do dia, a 1ª categoria para Col de la Core (13 km a 6.6%), que se iniciou com 80 km para o final, e onde entraram na frente os três fugitivos, com um grupo alargado de perseguidores muito perto. O pelotão rodava a cerca de 2 minutos da frente.

No início da ascensão, a vantagem dos três da frente começou a crescer, tanto para o grupo de perseguidores como para o pelotão, onde a UAE-Team Emirates colocava um ritmo confortável de controlo, através de Vegard Stake Laengen. No grupo perseguidor atacava o campeão austríaco, Patrick Konrad (BORA), tentando chegar à dianteira.

A 71 km do final, a 3 do cimo da subida, Konrad alcançou Juul-Jensen, Bakelants, e Doubey, formando um quarteto que possuía 6:22 sobre o pelotão e 45 segundos sobre o grupo de perseguidores, onde David Gaudu impunha um ritmo elevado. O grupo incluía ainda Michael Matthews (Team BikeExchange), Sonny Colbrelli, Fred Wright (Bahrain Victorious), Franck Bonnamour (B&B Hotels p/b KTM), Lorenzo Rota (Intermarché-Wanty Gobert), Benoît Cosnefroy (AG2R Citroën), Pierre-Luc Perichon (Cofidis), David Gaudu (Groupama-FDJ), Alex Aranburu (Astana-Premier Tech), e Toms Skujins (Trek-Segafredo).

Entretanto, na frente, Juul Jensen perdia o contacto, acabando por ser absorvido pelo grupo perseguidor, com Konrad a colocar um andamento forte na dianteira da corrida. No pelotão vinha para a frente a equipa de Urán e de Guerreiro, a EF Education-Nippo, defendendo a sua posição na luta pela classificação por equipas. Note-se que a formação norte-americana seguia no 2º posto, a 11:37 da Bahrain-Victorious, que ia colocando dois homens na frente. Tratava-se, contudo, de uma opção algo questionável, que significava o desgaste da equipa, algo que se podia refletir mais tarde (na etapa e na prova) quando fosse necessário apoiar Urán.

No topo do Col de la Core, a 68 km do final, e com o pelotão a 6:52 da frente da corrida, passou em primeiro Konrad, à frente de Bakelants e Doubey, com os perseguidores já muito perto.

Na descida, o trio da frente conseguiu manter uma vantagem de cerca de 30 segundos para os perseguidores, conseguindo entrar com essa margem na ascensão de 2ª categoria para o Col de Portet-d’Aspet. Nos primeiros metros de subida, Konrad atacou, certamente farto de despender a maior parte do esforço no grupo da frente. O austríaco arrancava a 37 km do final, numa tentativa de “fazer um Mollema” e alcançar uma épica vitória em plenos Pirinéus, a maior da sua carreira!

Ao longo da ascensão, com a chuva a brindar os corredores, a vantagem de Konrad foi crescendo para a maior parte da concorrência, com os perseguidores a sofrerem nas zonas mais inclinadas. Apenas Gaudu e um super-Colbrelli iam-se mantendo na perseguição mais direta ao austríaco.

No topo da subida, a 32.5 km do final, Konrad passou em primeiro, com 24 segundos sobre Gaudu e Colbrelli, com os restantes perseguidores um pouco atrás. O pelotão, ainda com a Emirates e Laengen no controlo, rodava já a 11 minutos da frente da corrida! Acabava por ser um dia tranquilo para a maior parte dos corredores, antes das duas decisivas jornadas montanhosas.

Seguia-se mais uma descida perigosa, com os homens da frente a pedalar com óbvias precauções, tentando evitar uma queda. Por pouco Sonny Colbrelli não perdia o controlo numa das curvas fechadas e encharcadas do percurso!

Konrad parecia estar a dar-se bem, tantos com as subidas como com as descidas, e a sua vantagem sobre os perseguidores ia aumentando para cima de 1 minuto, com Gaudu e Colbrelli a serem alcançados pelo grupo de Skujins, Périchon, Matthews, Aranburu, Bakelants, Rota, e Bonnamour.

Na abordagem à última subida do dia, a curta 4ª categoria para Côte d’Aspret-Sarrat, Konrad conseguiu alcançar 1:15 de vantagem, mas perdeu algum fôlego na ascensão, passando na frente com apenas 50 segundos sobre os rivais mais diretos. Gaudu e Skujins impunham um ritmo elevado tentando tudo para descolar os concorrentes e ainda alcançar Konrad.

Seguiam-se 7 km em descida para Konrad tentar aguentar a sua vantagem sobre o grupo de perseguidores. Pedalando com convicção, o campeão austríaco conseguiu manter a margem na casa dos 50 segundos, chegando isolado ao quilómetro final. Nos metros finais, em subida, Konrad rodou tranquilamente, festejando bastante a sua primeira vitória como profissional! À terceira foi de vez para o austríaco da BORA, depois de dois top 10 nesta edição do Tour!

Na luta pelo 2º posto, Périchon parecia ter vantagem, depois ter atacado o grupo perseguidor, mas acabou por ser alcançado por Colbrelli e Matthews mesmo sobre o risco, uma dupla que acaba por amealhar pontos importantes na luta pela camisola verde.

Entretanto, na contagem de 4ª categoria, a Cofidis endureceu a corrida no pelotão, trabalhando para o top 10 de Guillaume Martin. O ataque da equipa francesa fraturou a frente do pelotão, isolando-se um grupo de 15. Atacava também Wout Van Aert, contribuindo para o abrir do fosso. Pogacar e Vingegaard estavam na frente, assim como Carapaz e o restante top 10. Nos quilómetros finais, WVA mostrou mais uma vez a sua classe e capacidade, impondo o ritmo no grupo de favoritos, com a vantagem para o resto do pelotão a aumentar

No sprint entre favoritos, para o 13º lugar da tirada, Carapaz foi o mais forte, seguido de Pogacar, com o grupo a fechar já a 13:49 de Konrad. O resto do pelotão chegou depois a “conta-gotas”.

Na geral, tudo na mesma, com Tadej Pogacar a manter a amarela com 5:18 sobre Urán e 5:32 sobre Vingegaard.

Quanto aos portugueses, Ruben Guerreiro chegou no “grosso” do pelotão, terminando no 38º posto, a 14:44 de Konrad, e na geral mantém-se no 20º lugar, a 44:56 de Pogacar. Rui Costa foi 68º, fechando a 16:33 da frente, seguindo na geral no 73º lugar, a 2:03:35 da amarela.

Amanhã disputa-se a etapa 17, com 178.4 km, entre Muret e Saint-Lary-Soulan (Col du Portet). A primeira metade da jornada será praticamente plana, mas depois haverão duas contagens de 1ª categoria e uma de categoria especial, com 16.3 km a 8.7%, num final verdadeiramente diabólico!

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