A penitência do colosso!

O campeão holandês, Mathieu Van der Poel (Alpecin-Fenix), venceu a 5ª etapa do Tirreno-Adriático, depois de um ataque de longe e de uma exibição de sonho nos kms finais da jornada, cruzando a meta isolado em Castelfidardo! MVDP sobreviveu ainda a uma recuperação fantástica de Tadej Pogacar, ele que conseguiu recuperar cerca de 3 minutos para o holandês em apenas 15 km, terminando apenas alguns metros atrás do vencedor da etapa!

A 5ª tirada da Corrida dos Dois Mares apresentava 205 km entre Castellalto e Castelfidardo, e um perfil bastante particular, plano na primeira metade e com uma segunda metade em circuito, onde estariam presentes cerca de 14 subidas, curtas, mas duras. Em particular, os corredores ultrapassavam a subida de Castelfidardo por 4 vezes (1.5 km a 10%, com zonas a 18%!), a última das quais no assomo à meta. Os metros finais seriam ligeiramente mais suavas, com 500m a cerca de 7% de pendente média.

A fuga foi integrada por 5 corredores: Robert Stannard (BikeExchange), Jonas Rickaert (Alpecin-Fenix), Davide Ballerini (Deceuninck-QuickStep), Filippo Ganna (Ineos Grenadiers), e Pello Bilbao (Bahrain Victorious), que procurava os pontos da montanha e, quem sabe, colocar-se numa posição que pudesse dar algum apoio a Mikel Landa nos km finais.

Fuga do dia com Ganna, Rickaert, Stannard, Bilbao, e Ballerini. (Foto: Tim de Waele/Getty Images)

A 89 km da meta, com os ciclistas a iniciarem o circuito final, 3:45 separavam fuga e pelotão. No entanto, com 73 km para a meta, o avanço já era de apenas 2 min, com muitas movimentações a sucederem-se na frente do pelotão.

É então que assume a frente do pelotão o colosso holandês, Mathieu Van der Poel, dando o peito às balas sem medo, com plena confiança nas suas capacidades! Estávamos a 67 km do fim, e a fuga possuía apenas 1 minuto de avanço. A chuva e o piso molhado, aliados ao ritmo nervoso na frente do pelotão, contribuíam para o alongamento do mesmo e os cortes começaram a suceder-se. Na roda de MVDP seguiam nomes como Aranburu, Alaphilippe, Pogacar, e o pelotão estava já completamente dizimado!

Entre os muitos ciclistas a passar dificuldades estava João Almeida, mas também Julian Alaphilippe. O campeão do mundo começou a perder o contacto com a frente do pelotão, olhando para trás, possivelmente em busca de João Almeida. Não foi percetível a eventual ajuda que o francês possa ainda ter dado ao português. De qualquer das formas, este não era um dia para Loulou.

O grupo de favoritos estava muito reduzido, com MVDP a despender 100% do esforço durante largos km! A 58 km do fim, a fuga foi definitivamente anulada.

Entretanto, no grupo dos favoritos estava já João Almeida, com a Emirates a assumir a perseguição. Dá-se a junção de grupos e, ato contínuo, ataca Bernal, com Higuita, Pogacar, Van Aert, e Van der Poel a seguirem o colombiano da Ineos. Formava-se um quinteto de luxo na frente! João Almeida trabalhava no grupo perseguidor, já sem companheiros da Deceuninck junto de si.

O grupo de perseguidor foi então assumido pela Bahrain-Victorious, com Pello Bilbao a fazer um grande trabalho para Mikel Landa, após ter estado em fuga, dando tudo o que tinha para minimizar as diferenças para a frente, onde continuava a trabalhar furiosamente a locomotiva MVDP.

Com os grupos prestes a juntarem-se, Van der Poel sentiu que não podia continuar a rebocar a concorrência e atacou, ainda com mais de 50 km para a meta!

A 50 km do fim, dá-se uma avaria para Pogacar no início de mais uma subida. Formolo era o único Emirates para auxiliar o esloveno, que acabou por conseguir voltar rapidamente ao grupo dos favoritos. Na frente, seguia uma besta esfomeada, o Godzilla de Kapellen, Mathieu Van der Poel, já com 20 segundos de avanço! Vento e chuva bem fortes davam um tom ainda mais épico ao esforço do holandês!

Com as estradas molhadas, o grupo de favoritos ia perdendo tempo para o fugitivo. O holandês não representava perigo na geral, pelo que não havia estímulo para Formolo e Pogacar e mesmo muitos dos integrantes do grupo em arriscarem e forçarem o andamento e tentar eliminar a movimentação de Van der Poel.

A 41 km do final, era já de 1:12 (!) o avanço de MVDP, e a etapa parecia estar sentenciada! O holandês pedalava com convicção, ultrapassando mais uma subida bem inclinada como se nada fosse. Grande dia para o campeão holandês!

Mathieu Van Der Poel (Foto: Tim de Waele/Getty Images)

No pelotão, cedia Higuita, com o campeão colombiano a ser passado por Quintana e Yates, que tentavam alcançar o grupo de favoritos, ainda liderado por Formolo. Com 27 km para o fim, 2:29 separavam o grupo dos favoritos de Van der Poel!

A 22 km da meta, Fabio Felline (Astana), Alessandro de Marchi (Israel Start-Up Nation), e Marc Soler (Movistar) tentavam sair do mini-pelotão, sempre liderado por Formolo. Quem estava já para trás era Nairo Quintana, o que favorecia João Almeida em termos de luta pela geral.

A 20 km do final, MVDP levava 2:47 sobre o trio de perseguidores, com o pelotão já a 3:15 da frente!

A 17.4 km da meta, com o final do tremendo trabalho efetuado por Formolo, ataca o líder da Corrida dos Dois Mares, Tadej Pogacar, com Van Aert a tentar seguir o esloveno. MVDP levava 3:37 sobre os favoritos. Pogacar rapidamente alcançou Soler, Felline, e De Marchi, aproveitando os ciclistas como plataformas para ganhar cada vez mais terreno. O esloveno tentava sentenciar a vitória na geral neste Tirreno-Adriático.

Com 12 km para a meta, MVDP possuía 2:36 sobre um grupo com Pogacar, Soler, e Felline. Van Aert e De Marchi seguiam a 3:03, com os restantes favoritos, como João Almeida, um pouco atrás.

No trio de perseguidores, Pogacar tentava negociar com Soler e Felline, de modo a estes colaborarem com maior disponibilidade na rotação. Como não obteve grande resposta, a 10 km do final, arrancou sozinho na perseguição a MVDP. Uma margem de 2:13 separava os dois colossos do ciclismo mundial, e o palco estava montado para um final animado, naquele que já era um grande dia de ciclismo! Quanto a Van Aert, seguia também sozinho, agora a 2:45 de MVDP.

Claramente mais fresco que MVDP, Pogacar pedalava vigorosamente, comendo segundos ao holandês! Com 6 km para o final, a vantagem de MVDP sobre Pogacar era de 1:30. A vitória na etapa não parecia estar ameaçada para Van der Poel, mas o esforço do esloveno era extraordinário, numa demonstração de superioridade sobre a competição.

A 3.3 km do final, eram 59 segundos entre os dois! Van der Poel estava visivelmente esgotado, tentando gerir o esforço para a subida final, e Pogacar pedalava com convicção! Um golpe de teatro estava a desenhar-se!

A 2 km do fim, a diferença era apenas de 30 segundos! E Van Aert seguia a 1:30, também ele aproveitando a desaceleração de MVDP. À entrada do km final, a diferença era de 15 segundos! Pogacar tinha Van der Poel debaixo de mira!

Mas no final, Van der Poel mostrou a sua fibra, relevando-se como um verdadeiro titã, pedalando o suficiente nos metros finais para manter a curta vantagem sobre Pogacar! Sobre a meta, apenas conseguiu baixar a cabeça, apoiando-se no guiador em claro sinal de desgaste extremo!

Passados 10 segundos, cruzava a meta Pogacar, com um ar sorridente, ciente que esteve por pouco uma das mais épicas recuperações dos últimos anos!

Com 49 segundos de atraso chegava Wout Van Aert, após realizar, também ele, um enorme esforço de recuperação.

João Almeida fechou a etapa na 17ª posição, a 4 minutos de Pogacar.

Na geral, Pogacar aumentou a sua vantagem, sendo agora de 1:15 sobre Van Aert e de 3 minutos sobre Mikel Landa! Almeida desceu um lugar, sendo agora 7º, a 4:42 do líder. A luta pelo pódio não é completamente impossível para o português, mas, nesta fase, é bastante complicada a missão do ciclista das Caldas da Rainha.

Amanhã disputa-se a 6ª etapa do Tirreno-Adriático, com 169 km entre Castelraimondo e Lido di Fermo e uma chegada que deverá ser para os sprinters.

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