A mordidela do Canibal!

O esloveno Jan Tratnik, da Bahrain McLaren, venceu a 16ª etapa da edição 103 do Giro d’Itália, sendo o mais forte da fuga do dia. No 2º posto, terminou o australiano Ben O’Connor, da NTT Pro Cycling, com o companheiro de equipa de Tratnik, o italiano Enrico Battaglin, a fechar na 3ª posição.

Entre os homens da geral, destaque para o ataque de João Almeida (Deceuninck-Quick Step), o líder da corrida, no km final, conseguindo ganhar 2 segundos ao grupo de favoritos, o que aumenta para 17 segundos a vantagem sobre Wilco Kelderman (Team Sunweb)!

A 16ª etapa do Giro d’Itália apresentava um perfil de média montanha e uns estonteantes 229 km! Esta não era, mesmo assim, a etapa mais longa da prova, uma vez que os ciclistas irão ainda enfrentar os 253 km da 19ª etapa!

Os ciclistas partiam de Udine com destino a San Daniele del Friuli, passando por 6 contagens de montanha, uma de 2ª categoria seguida por 5 de 3ª categoria. Os últimos 75 km da etapa seriam em circuito com 3 ascensões ao Monte di Ragogna, 3.0 km a 9.0%, com algumas pendentes a 20%! O último topo estava colocado a 13 km do final, o que certamente dava ideias para muitos ataques, tanto na fase inicial como perto do desfecho da etapa. O último km de abordagem à meta era em subida.

Ao fim de 20 km de corrida ainda não havia fuga formada, com os corredores a aguardarem pela primeira subida do dia para lançar os ataques. E o primeiro a mexer foi mesmo o Iceman de Pegões! Atrás de Ruben Guerreiro saiu um grupo de cerca de 27 homens. James Whelan (EF Pro Cycling), Giovanni Visconti, Lorenzo Rota (Vini Zabu-Brado-KTM), Einer Rubio, Sergio Samitier (Movistar), Matteo Fabbro, Pawel Poljanski (Bora-Hansgrohe), Larry Warbasse, Francois Bidard, Geoffrey Bouchard, Andrea Vendrame (AG2R La Mondiale), Salvatore Puccio, Ben Swift (INEOS Grenadiers), Manuele Boaro, Fabio Felline (Astana), Ben O’Connor (NTT Pro Cycling), Enrico Battaglin, Jan Tratnik (Bahrain McLaren), Julien Bernard (Trek-Segafredo), Joey Rosskopf, Kamil Malecki (CCC Team), Filippo Zana, Alessandro Tonelli (Bardiani-CSF-Faizane), Alessandro Bisolti, Jefferson Cepeda (Androni Giocattoli-Sidermec), Stefano Oldani (Lotto Soudal), Valerio Conti (UAE Team Emirates).

Com o pelotão, liderado pela Deceuninck-Quick Step, a deixar os fugitivos ganhar algum tempo, previa-se um dia de disputa pelos pontos da montanha entre Guerreiro e Visconti, e assim foi. Na primeira subida, de 2ª categoria, o português superiorizou-se, enquanto o italiano conseguiu vencer por um cabelo o sprint na 3ª categoria que se seguiu, equilibrando a disputa.

Com 150 km para o final, a diferença entre pelotão e fugitivos era de 6 minutos, e com 120 km para disputar essa margem já se situava nos 8 minutos.

Na abordagem à parte final 3ª subida do dia, a 106 km do fim da etapa, Guerreiro e Visconti colocaram-se a postos para o sprint. James Whelan estava pronto para lançar o português e Lorenzo Rota para fazer o mesmo para o italiano, só que Guerreiro teve problemas com a pedaleira e teve que encostar para resolver a questão mecânica. Sem oposição para os pontos da montanha, Visconti passou na contagem em 1º amealhando mais alguns pontos.

A 70 km do final, já dentro do circuito final, a vantagem dos escapados era de 11 minutos e parecia decidido o desfecho da tirada, seria mesmo mais um dia para a fuga!

Na 1ª das 3 subidas finais, Guerreiro e Visconti atacaram cedo a contagem de 3ª categoria e aí o português não deu hipótese, seguindo sozinho subida acima, passando na frente na contagem, e seguindo sozinho descida abaixo. A movimentação do português resultou em muitos ataques no grupo e a completa desfragmentação do mesmo. Boaro e Tratnik conseguiram alcançar e ultrapassar o português.

Na 2ª subida, a 40 km do fim, Tratnik atacou, passando na frente na contagem e lançando-se sozinho na descida. Atrás seguia Boaro, depois um grupo de 6 perseguidores já a 40 segundos, e depois os restantes fugitivos, incluindo Ruben Guerreiro, com o pelotão a mais de 12 minutos.

A 20 km do fim, Tratnik seguia isolado na sua especialidade de contrarrelógio, sendo perseguido por um grupo de 7, que incluía Ben Swift mas também o companheiro de equipa de Tratnik na Bahrain-McLaren, Enrico Battaglin, bastante resguardado para o final.

Na subida final, atacou Ben O’Connor do grupo perseguidor, alcançando Tratnik no alto da ascensão. Os dois seguiram sozinhos, com Swift, Battaglin, e Malecki a 43 segundos, faltavam 10 km para o final. No pelotão, já a mais de 15 minutos, continuava ainda a Deceuninck a comandar, na proteção a João Almeida.

Nos km finais, Tratnik e O’Connor colaboraram bem, aumentando a vantagem para 1 minuto sobre os perseguidores, à entrada dos 3.000 metros finais, garantindo que a discussão da etapa seria a dois. Consciente que O’Connor seria mais forte no assomo final à meta, Tratnik tomou a roda do australiano e de lá não saiu até ao sprint final. A 700 metros do final, O’Connor atacou mas não conseguiu fazer descolar Tratnik, que logo depois atacou mesmo e aí abriu um espaço para o ciclista da NTT! O esloveno garantia uma etapa de forma estupenda, depois de um dia de imenso esforço, e batendo de forma inteligente aquele que parecia ser o melhor trepador da grande fuga do dia!

Depois dos dois da frente, venceu o sprint para o 3º posto Battaglin, sobre Malecki e Swift, com a restante fuga chegando aos poucos logo de seguida.

Lá atrás, no pelotão, a Deceuninck continuava a impor o ritmo em direção à meta, com um grupo já bem reduzido. E o ritmo aumentou ainda mais na abordagem à meta, com os líderes a tentarem posicionar-se. E então dá-se o ataque do Canibal das Caldas! Como prevíamos, a Deceuninck poderia mesmo armadilhar o final, na tentativa de Almeida ganhar alguns segundos para as etapas de montanha dos próximos dias. Grande arranque do português, com Kelderman e Nibali a tentarem fechar o espaço. De início ainda conseguiram, mas depois o lusitano conseguiu mesmo abrir espaço para todos, cruzando a meta 2 segundos antes do restante grupo. João Almeida aumenta para 17 segundos a vantagem sobre Wilco Kelderman e 2:58 sobre Jai Hindley, e mostra novamente raça e determinação e uma força incrível. Estamos a 5 etapas do fim do Giro e o português não desarma do 1º lugar!

Ruben Guerreiro terminou a etapa na 27ª posição, a 11:48 da frente, pouco antes da chegada do compatriota. Na classificação da montanha, o ciclista da EF Pro Cycling, tem agora 118 pontos contra os 148 de Giovanni Visconti.

Amanhã disputa-se a 17ª etapa do Giro d’Itália, com João Almeida na liderança pelo 14º dia. Serão 203 km entre Bassano del Grappa e Madonna di Campiglio e 4 contagens de montanha, 3 delas de 1ª categoria, incluindo a última, coincidente com a meta, com 11.9 km a 5.9%.

Henrique Silva volta a vencer no Passatempo, mas Luís Silva mantém liderança da geral!

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