À la Alfredo Binda, Elisa Longo Borghini vence a maior clássica italiana!

A italiana Elisa Longo Borghini (Trek – Segafredo) venceu a 46ª edição do Trofeo Alfredo Binda, a habitual clássica italiana que se corre historicamente no dia após a Milano Sanremo, chegando isolada a Cittiglio ao fim de 142.5km para conquistar a maior vitória da sua carreira. O segundo lugar foi para a holandesa Marianne Vos (Jumbo – Visma Women Team), que venceu o sprint do quinteto perseguidor, batendo Cecilie Uttrup Ludwig (FDJ Nouvelle – Aquitaine Futuroscope), que foi terceira classificada, ambas a 1:42 da vencedora.

A corrida foi, tal como esperado, bastante rápida, com o pelotão a não deixar ninguém sair e ganhar vantagem nos primeiros 30km. Ao km 34, com o segundo dos sprints intermédios do dia, a italiana Marta Bastianelli (Ale BTC Ljubljana) ganhou cerca de 15s de vantagem sobre o pelotão, na companhia da jovem Silvia Zanardi (BePink), porém, antes de começarem a subida ao Cunardo, ao km 40, o duo estava já alcançado.

A subida ao Cunardo acabou por fazer a corrida explodir. Pauliena Rooijakkers (Liv Racing) e Audrey Cordon Ragot (Trek – Segafredo) estiveram ao ataque, em busca de endurecer o ritmo, mas após a descida, de novo o pelotão compacto liderava a prova. Os ataques sucederam-se até à primeira subida da primeira volta ao circuito final de 17.75km, mas sem sucesso. Marlen Reusser (Ale BTC Ljubljana) e Marta Jaskulska (Liv Racing) tentaram isolar-se do pelotão, mas uma vez mais o alto ritmo de corrida voltou a prevalecer.

A pouco mais de 60km da chegada tivemos uma das mexidas mais significativas do dia, com Rooijakkers a voltar a atacar, com Tatiana Guderzo (Ale BTC Ljubljana) na sua companhia, e a abrirem mais de 30s para o pelotão. A vantagem porém não passou muito disso, e a 43km da meta foi a italiana Marta Cavalli (FDJ Nouvelle – Aquitaine Futuroscope) a fazer a ponte para a frente, já com o duo a 12s, e quando parecia que o pelotão iria encostar, Cordon Ragot por fazer a ponte e dar uma nova esperança ao trio, mas sem sucesso, já que a 34km da chegada o pelotão as alcançou como seria natural.

Os ataques continuaram a suceder após o quarteto ter sido alcançado, e Anouska Koster (Jumbo – Visma Women Team) acabou por sair e ganhar cerca de 10s de vantagem, parecendo que seria capaz de se segurar para um possível ataque de Marianne Vos, o que não veio a acontecer logo no momento, e a holandesa foi alcançada pouco depois, antes de começar a penúltima ascensão a Orino.

A 26.5km da meta, a corrida começou efetivamente a decidir-se, com a Trek – Segafredo a lançar uma mexida decisiva e a colocar Tayler Wyles na frente a aumentar o ritmo. A aceleração originou uma resposta pronta da TIBCO com uma ciclista logo atrás, e 400m depois foi Katarzyna Niewiadoma (Canyon // SRAM Racing) a fazer um primeiro grande ataque. Várias ciclistas conseguiram seguir a polaca, mas Elisa Longo Borghini cheia de força lançou um novo ataque, ao qual parecia que apenas Cecilie Uttrup Ludwig iria conseguir responder com Marianne Vos na sua roda. Porém, quando já estavam a cerca de 10-15m de fechar o espaço, Ludwig pediu a Vos que completasse o esforço e a holandesa não teve essa capacidade. Ao duo acabaram por se juntar Mavi Garcia (Ale BTC Ljubljana) e Soraya Paladin (Liv Racing) numa primeira instancia, com Niewiadoma a fechar pouco depois com alguma dificuldade.

Borghini cruzou o topo de Orino sozinha na frente na penúltima volta ao circuito final, e deu tudo o que tinha a descer e na fase plana, para abrir cada vez mais o espaço para as suas adversárias. A 17.75km da chegada, na entrada para a última volta, a vantagem era de 15s para o quinteto que perseguia, e de 50s pra o grupo maior de favoritas, que era comandado pela SD Worx que tentava a todo o custo fechar o espaço para as líderes. Um grupo um pouco mais atrasado seguia com Marta Bastianelli no comando, e parecia já completamente fora da corrida, a mais de 1 minuto de Borghini.

Na fase plana Borghini continuou a abrir espaço, mesmo com o quinteto perseguidor muito bem coordenado entre si. A desvantagem do quinteto acabou por estabilizar entre os 25-30s na última passagem pela rampa de Casalzuigno, enquanto o grupo colaborava bastante bem para tentar alcançar a italiana. Mais atrás, a desvantagem do grupo maior era elevada, e a SD Worx não conseguiu fechar o espaço para as escapadas, perdendo cada vez mais terreno. Na entrada para a subida final a Orino, a desvantagem era já de 1:20, pelo que a esperança de chegarem à frente era já praticamente inexistente.

A desconfiança pareceu tomar conta do quinteto na subida a Orino, e Borghini continuou a fazer crescer a sua vantagem primeiro para os 40s e depois para os 50s, enquanto todas esperavam pelos 900m finais da subida para fazerem diferenças. O ritmo de Borghini em solitário era avassalador, e a vantagem estendeu-se até ao minuto de diferença, com as perseguidoras a perceberem que não iriam conseguir alcançar a italiana e a efetivamente tirarem o pé do acelerador.

Niewiadoma tentou atacar no final da subida e Mavi Garcia foi quem acabou por passar pior, mas Marianne Vos agarrou-se na roda da polaca e não a deixou fugir em solitário. Mavi acabou por reentrar no início da descida, numa fase em que ninguém queria assumir a dianteira do grupo. A marcação continuou praticamente sempre constante até à meta, com o grupo perseguidor a seguir num ritmo já quase de descompressão enquanto Borghini regulava também o andamento até à meta, percebendo que não iria ser alcançada.

A italiana levantou os braços pela primeira vez em 2021, conquistando a maior clássica italiana, com uma exibição de luxo! O grupo perseguidor só voltou a ligar a ficha para o sprint final, com Marianne Vos a não dar hipóteses às adversárias e a ser segunda, com Ludwig a fechar o pódio. Niewiadoma bem tentou, mas acabou por ser quarta, Paladin quinta, e Mavi Garcia já sem forças fechou na sexta posição. Elisa Balsamo liderou o maior grupo, que chegou já 2:46 depois da vencedora, e foi sétima classificada.

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