71km em solitário valem a Damiano Caruso a primeira vitória de etapa na La Vuelta!

O italiano Damiano Caruso (Bahrain Victorious) venceu a nona etapa da La Vuelta a España, uma ligação de 188 km entre Puerto-Lumbreras e o Alto de Velefique, uma contagem de categoria especial, com um magistral ataque a mais de 70km da chegada! No segundo lugar terminou o Camisola Vermelha, o esloveno Primoz Roglic (Jumbo – Visma), a 1:05, e no terceiro o espanhol Enric Mas (Movistar), a 1:06.

A primeira metade da nona jornada da La Vuelta seria relativamente simples, com apenas uma contagem de montanha de 2ª categoria, seguindo-se uma segunda parte duríssima, com uma ascensão de 1ª categoria para Alto Collado Venta Luisa (29.2 km a 4.3 %), seguida de outra de 3ª categoria antes da subida final, uma categoria especial para Alto de Velefique (13.1 km a 7.2%)!

No início da jornada deram-se os primeiros ataques, mas sem nenhuma movimentação a estabelecer-se de imediato. O pelotão rodava num ritmo elevado, cumprindo os primeiros 30 km de corrida em apenas 33 minutos e, ao final de uma hora de corrida, ainda sem fuga formada, o grupo principal tinha já cumprido mais de 50 km!

Ao fim de 70 km de etapa, o pelotão preparava-se para enfrentar a primeira subida do dia, a 2ª categoria do Alto de Cuatro Vientos, onde finalmente poderia haver condições para a fuga sair.

Na subida, atacou Wout Poels, seguido por mais alguns corredores, o que causou uma autêntica sangria no pelotão, que rapidamente ficou reduzido a cerca de 50 corredores. O homem da Bahrain passou na frente na contagem de montanha, mas seria alcançado pouco depois.

O pelotão comandado pela Ineos Grenadiers

De seguida, houve novo ataque com a movimentação de 11 corredores: Oliver Le Gac, Rudy Molard (Groupama-FDJ), Damiano Caruso (Bahrain Victorious), Robert Stannard (Team BikeExchange), Kenny Elissonde (Trek-Segafredo), Rafal Majka (UAE Team Emirates), Lilian Calmejane (AG2R Citroën), Angel Madrazo (Burgos-BH), Julen Amezqueta (Caja Rural-Seguros RGA), Romain Bardet e Martijn Tusveld (Team DSM). Este grupo possuía um avanço de 45 segundos sobre o grupo principal, quando faltavam 95 km para o final, uma margem que cresceria até aos 3:40 no início da longa subida de 1ª categoria para Alto Collado Venta Luisa. Entretanto, a fuga passava na frente no sprint intermédio, com Calmejane a levar a pontuação máxima.

No início da subida, a Ineos entrou à morte, reduzindo drasticamente a margem para a frente e, a 70 km, apenas 1:15 separava a fuga do grupo principal. Na dianteira, atacava Caruso, formando-se um grupo perseguidor no encalço do italiano.

A meio da subida, Caruso rodava com uma vantagem de 40 segundos sobre os mais diretos perseguidores, Bardet e Majka, e de 1:40 sobre o pelotão, onde seguiam agora cerca de 30 unidades e onde a Ineos ia mantendo um ritmo alto e constante. Dylan Van Baarle e o líder da montanha Pavel Sivakov iam realizando boa parte do trabalho, com Richard Carapaz, Adam Yates, e o líder da juventude Egan Bernal logo atrás.

O homem da Bahrain rodava com força e convicção na dianteira, conseguindo aumentar a vantagem tanto para o grupo de perseguição, onde tinham reentrado Amezqueta e Tusveld, como para o pelotão. No topo da contagem, Caruso passou na frente, com 1:28 de avanço sobre o grupo de perseguidores, liderado por Bardet, e 2 minutos sobre o pelotão, quando faltavam 57 km para a meta.

Na descida, Caruso aumentou o seu avanço, entrando na subida de 3ª categoria com 2 minutos de vantagem sobre os perseguidores, onde já não seguia Tusveld, e 3 sobre o grupo principal, onde era agora a Jumbo-Visma a controlar o ritmo. Recorde-se que Caruso era o 24º à geral à partida para esta etapa, a 6:47 de Roglic, pelo que convinha não deixar o italiano ganhar uma vantagem demasiado grande.

No topo da ascensão, já a menos de 30 km do final, Caruso passou com 2:22 sobre o grupo de perseguidores, onde seguiam Bardet, Majka, Amezqueta, e também Geoffrey Bouchard, que tinha conseguido fazer a ponte a partir do pelotão! O grupo principal rodava a agora a 4:15 da dianteira.

Faltava apenas a subida de categoria especial para o Alto de Velefique, que iria decidir a etapa e talvez até mexer na classificação geral. Caruso entrou na subida com mais de 5:00 de vantagem para o pelotão, e tinha apenas de gerir o seu ritmo até final, para não entrar em quebra, pois as suas capacidades de trepador eram mais do que suficientes para lhe garantir a vitória para uma diferença tão grande.

Koen Bouwman (Jumbo – Visma) liderava o pelotão à entrada da subida final, com os favoritos ainda a pensarem em alcançar os ciclistas intermédios e apanharem alguns segundos de bonificação no final da etapa. No grupo intermédio, Amezqueta descolava com Bouchard a aumentar um pouco o ritmo, e logo de seguida era Bardet a descolar após lhe saltar a corrente enquanto trocava de prato.

Damiano Caruso escapado em solitário.

A Ineos assumiu o controlo da subida logo nos primeiros 500m de subida, quando Bouwman abriu para o lado após um grande trabalho, com o russo líder da montanha, Pavel Sivakov, e com o holandês Dylan van Baarle a assumirem o trabalho e a reduzirem rapidamente a diferença para os 4:30. Quem não passou uma melhor fase com o movimento foi Mikel Landa, que descolava e ficava na companhia de Wout Poels e Mark Padun, para tentar limitar as perdas.

Aquilo que era o pelotão foi-se partindo aos bocados, e quando Sivakov chegou ao fim das suas forças foi o britânico Adam Yates (Ineos Grenadiers) a mexer-se e a atacar com o colombiano Miguel Angel Lopez (Movistar) e o norte-americano Sepp Kuss (Jumbo – Visma), com o trio a precisar de apenas 500m para alcançar o francês Romain Bardet, que seguia intermédio. Aleksandr Vlasov (Astana – Premier Tech) era outro dos ciclistas em dificuldades a perder terreno.

Caruso tinha 8km para percorrer e Primoz Roglic já estava a pouco menos de 4:00 de distância, quando lançou um fortíssimo ataque ao qual apenas o espanhol Enric Mas (Movistar) conseguiu responder de pronto, com o trio comandado por Adam Yates (Ineos Grenadiers) a parar assim que o Camisola Vermelha reentrou. Egan Bernal (Ineos Grenadiers) não foi ao choque, e na companhia de Richard Carapaz acabou por fazer a ponte a ritmo. Vários ciclistas se iam chegando de novo ao grupo, quando a pouco mais de 8km para a meta Adam Yates voltou a atacar com Bernal, Lopez, Mas e Roglic a acompanharem o movimento que ganhava cada vez mais vantagem para os rivais.

Miguel Angel Lopez ainda deu uma ajuda a Adam Yates, mas foram por poucos metros, com o grupo de trás a juntar-se rapidamente, o que motivou a um ataque de Richard Carapaz, ao qual Miguel Angel Lopez teve de responder e fechar espaço. A Ineos voltou a assumir a dianteira do grupo dos favoritos, mas foi Sepp Kuss a assumir o grupo e a colocar um ritmo confortável em função de Primoz Roglic. Steven Kruijswijk (Jumbo – Visma) chegaria pouco depois e seria mais uma ajuda para Roglic perto da meta.

Adam Yates voltou a atacar a 5.5km da chegada, e foi Miguel Angel Lopez a ter de responder uma vez mais com Primoz Roglic na roda do colombiano e Enric Mas na roda do camisola vermelha. Egan Bernal voltou a seguir a ritmo, na companhia de Richard Carapaz. A mexida de Yates acabou por fazer o britânico alcançar Geoffrey Bouchard, o último dos ciclistas escapados ainda em posição intermédia. Com Bernal já no grupo, era Miguel Angel Lopez a assumir a perseguição a Yates e a gastar forças uma vez mais.

Enric Mas atacou pela primeira vez a 5km da chegada e apenas Primoz Roglic conseguiu seguir o espanhol, com a dupla a rapidamente alcançar Yates e a deixá-lo perder terreno, com Miguel Angel Lopez a ter toda a situação debaixo de olho. Atrás da dupla, a cerca de 20s, formou-se um grupo com quatro elementos, em que Adam Yates comandava com Egan Bernal na roda, Miguel Angel Lopez a controlar, e ainda o australiano Jack Haig (Bahrain Victorious). Enric Mas pedia a colaboração de Primoz Roglic, mas o camisola vermelha não tinha grande vontade de passar pela frente.

A pouco mais de 2km do fim, Bernal era incapaz de seguir ao ritmo de Yates, que era obrigado a abrandar e a esperar pelo camisola branca, mas Lopez e Haig também não tinham grande interesse em seguir sozinhos. Jack Haig atacou à entrada dos últimos 2km e foi Adam Yates a tentar responder uma vez mais, com Miguel Angel Lopez na sua roda. Egan Bernal passava pior e voltava a descolar e a ceder tempo importante.

Primoz Roglic assumia agora o trabalho com Enric Mas, de forma até um pouco surpreendente, mas o ciclista de Jumbo – Visma poderia estar apenas à procura de ganhar um aliado caso viesse a precisar dele na fase final da Vuelta. Damiano Caruso chegava exausto à meta, mas era coroado um grande esforço do italiano com a sua segunda vitória de etapa em grandes voltas, num grandíssimo triunfo de um ciclista excecional!

Roglic chegava 1:05 depois, batendo Enric Mas na luta pelo segundo posto e pelas bonificações, com o grupo de Haig, Lopez e Yates a perder quase 40s para os dois, mas a ficar com o pódio da geral claramente à vista. Egan Bernal perdia o dobro de Roglic para o vencedor, terminando na companhia de Giulio Ciccone (Trek – Segafredo) e Gino Mader (Bahrain Victorious).

Entre os derrotados do dia, Aleksandr Vlasov ainda salvava alguma coisa após ter descolado muito cedo, e perdia 3:48 para o vencedor, enquanto Mikel Landa chegava a 5:04 do colega de equipa.

Entre os portugueses, Rui Oliveira (UAE Team Emirates) foi 69º a 26:35 e Nelson Oliveira (Movistar) foi 98º a 28:36.

Com o segundo lugar de hoje, Primoz Roglic é mais líder da classificação geral, tendo agora 28s sobre Enric Mas, enquanto Egan Bernal permanece como o melhor jovem. Fabio Jakobsen (Deceuninck – Quick Step) segue na liderança da classificação por pontos e Damiano Caruso é o novo líder da classificação dos trepadores.

Amanhã será o primeiro dia de descanso da Vuelta, com a prova a retomar na terça-feira com a realização da etapa 10, numa ligação de 189 km entre Roquetas de Mar e Rincón de la Victoria e um dia maioritariamente plano mas que ficará marcado por uma subida de 2ª categoria muito perto do final.

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