57km em solitário foi o que Asgreen precisou para vencer a E3 Saxo Bank Classic!

O dinamarquês Kasper Asgreen (Deceuninck – QuickStep) venceu a E3 Saxo Bank Classic após 203.9km de corrida, dos quais 57km passou isolado na frente, em dois períodos distintos! A luta entre um grupo restrito de favoritos pelo segundo lugar acabou por ver o francês Florian Senechal (Deceuninck – QuickStep) ser o mais forte ao sprint, e bater o holandês Mathieu van der Poel (Alpecin – Fenix) sobre o risco de meta, ambos já a 32s do vencedor.

A corrida começou a um ritmo elevado, sem que se pudesse formar uma fuga do dia desde cedo. Só após se percorrerem 30km se decidiu quem iria ou não escapar. Um grupo de 12 elementos formou-se então com Niki Terpstra (Total Direct Energie), Andre Greipel (Israel Start-Up Nation), Taco Van Der Hoorn (Intermarche – Wanty – Gobert), Marco Haller e Jonathan Milan (Bahrain Victorious), Jelle Wallays (Cofidis), Julius van den Berg (EF – Education Nippo), Alexys Brunel (Groupama – FDJ), Johan Jacobs e Lluis Mas (Movistar), Lindsay De Vylder (Sport Vlaanderen – Baloise), e Rasmus Tiller (Uno-X Pro Cycling Team), mas foram precisos mais quase 30km para que todos estes se juntassem na frente da corrida.

A 118km do final, uma queda a envolver Fernando Gaviria (UAE Team Emirates) e Jonathan Narvaez (Ineos Grenadiers) acabou por levar ao abandono de ambos, com o colombiano a ficar queixoso do pulso direito. A 111km da meta foi a vez de Asgreen ter sofrido um azar com um furo, mas isso não iria impedir o dinamarquês de brilhar, ao mesmo tempo que também Sonny Colbrelli precisava de trocar de bicicleta devido a um problema com a corrente. A vantagem da fuga tinha estabilizado entre os 2:30 a 3:00, mas foi progressivamente reduzindo graças ao esforço de Tim Declercq (Deceuninck – QuickStep), que já antecipava o que iria acontecer logo de seguida.

A 80km da chegada, numa zona com vento e com o pelotão a entrar na dificílima rampa com parelelpípedos de Taaienberg, a Deceuninck – QuickStep assumiu a dianteira do pelotão, e meteu a mudança máxima, partindo por completo a corrida! Quatro ciclistas da equipa belga isolaram-se, Zdenek Stybar, Florian Senechal, Yves Lampaert e Kasper Asgreen, na companhia de Mathieu van der Poel (Alpecin – Fenix), Wout van Aert (Jumbo – Visma), Jasper Stuyven (Trek – Segafredo), Matteo Trenttin (UAE Team Emirates) e Michael Matthews (Team BikeExchange).

A fuga foi sendo progressivamente alcançada por este grupo, e a 70km do final eram já os 9 que lideravam, na companhia de meia dúzia de resistentes dos escapados iniciais. O pequeno pelotão seguia a 20s, comandado pela Jumbo – Visma, e fechava o espaço existente entre os grupos. A 67km do final, novo ataque da QuickStep, com Zdenek Stybar a acelerar no Boigneberg para selecionar o grupo, e Kasper Asgreen a atacar e isolar-se no topo da rampa. No pelotão, que tinha o grupo à vista, mas não estava a conseguir fechar o espaço, era Alexander Kristoff (UAE Team Emirates) quem passava pior.

A 65km da chegada, nova aceleração da Deceuninck – QuickStep no grupo de favoritos adiantado, aproveitando uma vez mais uma zona de vento para continuar a partir a corrida. Um grupo de 6 ciclistas acabou por ficar intermédio, onde se destacavam Mathieu van der Poel, Zdenek Stybar e Florian Senechal, mas a junção com o pelotão viria a acontecer a 63km da chegada, num pelotão comandado pela UAE Team Emirates e pela Groupama – FDJ, ficando Kasper Asgreen como o único isolado na frente.

A 60km do final, Asgreen seguia com pouco menos de 20s de vantagem em modo de contrarrelógio, mas o pelotão não parecia muito interessado em alcançar já o dinamarquês, e mesmo com um ou outro ataque a acontecer, a intenção era queimar uma carta da equipa belga.

A 57km da chegada, no Stationsberg, foi Mathieu van der Poel quem atacou, com Wout van Aert a chegar rapidamente à roda do holandês e Zdenek Stybar um pouco depois, e o trio a ganhar uma pequena vantagem. Alguns dos candidatos chegaram rapidamente ao trio, mas foi mais um momento em que a corrida voltou a partir e alguns candidatos como Tom Pidcock (Ineos Grenadiers) acabaram por passar por uma fase menos boa devido a estarem menos bem posicionados.

O ataque de Wout van Aert (Jumbo – Visma) no Paterberg.

Um grupo de 6 ciclistas acabou por ficar intermédio com Florian Senechal, Oliver Naesen (AG2R Citroen Team) e Anthony Turgis (Total Direct Energie) incluídos, rodando a 35s de Asgreen, enquanto o pelotão estava já a 50s, a 50km do final, e aproveitava esta fase para descansar um pouco, tendo já em vista os setores e muros que iriam decidir a corrida pouco depois. A vantagem foi reduzindo para o grupo do 6, mas aumentando um pouco para o pelotão nos kms seguintes, quando se aproximavam os principais setores da corrida.

O Paterberg, a 42.5km da chegada, acabou por fazer mais diferenças, com Wout van Aert a lançar um feroz ataque, ao qual só conseguiram responder Stybar, van der Poel, e o belga Greg van Avermaet (AG2R Citroen Team), que se mostrava pela primeira vez na corrida. O quarteto ganhou desde logo 30s ao grupo perseguidor, e progressivamente, com uma boa colaboração de Aert e de Poel, foi fechando o espaço, apesar de Stybar não passar pela frente, por ter Senechal e Asgreen adiantados, e Avermaet também não, pela presença de Naesen.

A junção entre o quarteto e o grupo perseguidor aconteceu a 38km da chegada, em pleno Oude Kwaremont, onde a corrida poderia explodir de novo! O novo grupo recuperou algum do espaço para Asgreen, muito graças ao trabalho de Wout van Aert e Mathieu van der Poel, que constantemente tentavam acelerar a corrida, mas as restantes equipas não colaboravam com eles, nem mesmo a AG2R com dois elementos. O vento foi fazendo também a diferença no pequeno pelotão, com diversos grupos a formarem-se numa zona mais exposta. A colaboração acabou por chegar a 35km da chegada, mas a vantagem de Asgreen manteve-se, com Lampaert e Dylan van Baarle (Ineos Grenadiers) intermédios a tentarem sair do pelotão.

A 26.5km, Lampaert e van Baarle conseguiram chegar ao grupo intermédio, depois de muito esforço do belga da Deceuninck – QuickStep, e a equipa ganhou ainda mais força para conquistar as primeiras posições. A vantagem de Asgreen chegou a reduzir num pequeno muro, mas na fase plana voltou a chegar aos 20s, e sem colaboração das outras equipas aos dois grandes favoritos, a mesma acabou por crescer para os 35s.

Em mais um muro, a 20km da chegada, van Aert atacou para partir o grupo, mas foi imediatamente contra-atacado por van der Poel que colocou tudo o que tinha em potência na bicicleta! Apenas Senechal, Stybar, Naesen, Avermaet conseguiram seguir, e van Baarle um pouco depois, a grande esforço. Van der Poel carregou o grupo durante vários kms, mas van Aert e Turgis conseguiram colocar o segundo grupo sempre à vista. A vantagem entre os dois grupos cifrou-se nos 10s, e a corrida permanecia em aberto, com Asgreen a ser alcançado a 12.5km do final.

Com a vantagem a crescer para o grupo de Wout van Aert, Asgreen voltou a atacar a 4.5km da chegada, para obrigar outras equipas a responder, e sem que van der Poel quisesse fechar o espaço, foi Oliver Naesen quem teve de o fazer, enquanto Avermaet se lançou depois ao ataque, e os jogos para decidir o vencedor começavam. A indecisão acabou por tomar conta do grupo e van der Poel foi forçado a atacar, mas não conseguiu descarregar ninguém. O grupo não colaborou, e Asgreen ganhou mais de 20s de vantagem, para conquistar a sua primeira E3 Saxo Bank Classic, e surpreender assim o público!

Rui Oliveira (UAE Team Emirates) foi o melhor português, em 34º, a 3:04 de Asgreen. André Carvalho (Cofidis) foi 83º a 12:47, enquanto Ivo Oliveira (UAE Team Emirates) não terminou a prova, após um dia de muito trabalho na frente do pelotão.

O momento da chegada

Classificações

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