Um sobe e desce imprevisível que tantas dores de cabeça dará a Roglic!

Tadej Pogacar (UAE Team Emirates) bateu Primoz Roglic (Jumbo – Visma) num superduelo esloveno glorioso no final de parede de Ermualde e, assim, ficou um pouco mais perto da camisola amarela. Hoje, temos uma imprevisível 4ª etapa, que com uma parede íngreme antes de um final plano, pode tornar-se um pesadelo para controlar e preparar o terreno para uma chegada que pode ter um grande número de possíveis finais diferentes e por isso ser imprevisível.

Perfil

Perfil da quarta etapa da Itzulia Basque Country

Com 189.1km, é uma etapa relativamente longa para aquilo que é normal ser corrido no País Vasco. O pelotão vai partir da capital basca de Vitoria-Gasteiz até Hondarribia, perto de San Sebastian, na costa Norte. A cidade de partida está localizada no planalto na região sul do País Vasco, por isso os primeiros kms da etapa são muito fáceis, ao seguir para nordeste em direção à costa, numa estrada que sobe apenas ligeiramente. Depois disso, a etapa será em sobe e desce até ao fim. Primeiro com uma contagem de terceira categoria, em Deskarga com 3km, a 7.7% de pendente média e rampas máximas de 12%, ao km 55. Uma nova terceira categoria aparecerá em Alkiza com 4.4km a 6.2% e um máximo de 10%, 50km depois. Passados os dois sprints intermédios do dia aparece a subida de segunda categoria em Jaizkibel, com 7.9km a 5.5% e um máximo de 12%, que é a tradicional escalada chave da Clássica de San Sebastian. Por último, a passagem por um belo muro de 3.8km com pendente média de 10.6%, categorizado como de primeira categoria com o seu topo a 22.3km para o final deverá fazer as últimas diferenças. Será aqui que se esperam as maiores movimentações e talvez as decisivas para o dia de hoje. A etapa oferece um total de 2655m de desnível positivo de altitude.

Favoritos

Será do interesse da Jumbo que a fuga chegue com sucesso para distribuir os segundos de bonificação a corredores que não aspiram à geral. Mas, em sentido contrário, UAE e Ineos terão outros interesses, sabendo que podem deixar Roglic sozinho na última subida e obrigar o esloveno a responder por si aos ataques. O problema das outras equipas será efetivamente libertarem-se de Roglic, porque o jogo pode correr mal e Roglic tem mais facilidade que Pogacar e Yates numa chegada ao sprint. Há ainda 3 equipas que poderão juntar-se à festa: Movistar com Alejandro Valverde, Astana com Alex Aranburu e Israel Start-Up Nation com Michael Woods. Será Vingegaard que terá que fazer a diferença e aguentar com Roglic, para que a Jumbo possa jogar táticas diferentes.

Com a perspetiva de um tal final “aleatório”, a aposta de hoje vai para Sergio Higuita. O colombiano tem sido bastante convincente durante toda a Primavera, e também nesta corrida tem sido imensamente bem sucedido. Há todos os motivos para acreditar que ele será um dos primeiros e terá uma boa hipótese de atacar, dada a sua perda de tempo relativamente alta na geral. É também um bom homem a descer, e acima de tudo tem um sprint venenoso, que em estradas planas é talvez o melhor do top25 da geral, a par dos eslovenos, de Maximilian Schachmann e de Alejandro Valverde. Ao mesmo tempo, ele será um bom candidato se terminar num sprint entre os favoritos.

Outro candidato, claro, é Maximilian Schachmann. Agora que já está a 1:09 na geral, pode ser autorizado a fugir, e a sua enorme capacidade de contrarrelogista torna-o incrivelmente difícil de apanhar. Ele é rápido como vimos quando ganhou a terceira etapa da corrida há dois anos, batendo Tadej Pogacar numa luta direta pela vitória. Isso também significa que ele terá uma boa oportunidade se terminar num sprint de grupo entre os favoritos, o que quer dizer que ele terá mais oportunidades se não perder terreno na parede. Também deve ser óbvio apontar para Mauri Vansevenant. Ontem o belga confirmou o seu enorme talento e era claramente um dos mais ativos na subida final. Isto sugere que ele será também um dos melhores hoje, e então também terá a oportunidade de escapar. O jovem belga está na mesma posição de Schachmann na geral, pelo que não ameaça diretamente Roglic, e já sabemos que é extremamente agressivo e está sempre pronto a atacar. A sua vitória em Larciano no GP Industria & Artigianato também testemunha que tem pelo menos um sprint decente para terminar a vencer.

Não será a primeira vitória de Alejandro Valverde no WorldTour se ele ganhar – para dizer o mínimo – mas será a primeira num ano e meio no escalão máximo, e tal não parece impossível. A preocupação é que ele está um pouco perto demais na classificação, e por isso pode não conseguir a liberdade de que necessita para atacar. Por outro lado, 50 segundos não é uma ameaça imediata a Roglic, pelo que não se pode excluir que tal lhe seja permitido. O veterano já não é tão rápido como antes, mas ainda assim é um bom finalizador. O fator decisivo será o grau de liberdade. Ao sprint também será um dos melhores. Claro que Primoz Roglic também pode ganhar. Certamente já vimos Pogacar e Higuita batê-lo em estradas planas antes, e tanto Valverde como Schachmann parecem ter uma hipótese de fazer o mesmo, mas Roglic é rápido como um raio e só temos de voltar à Volta a Romandia de 2019 para encontrar uma vitória do esloveno ao sprint num grupo restrito de 20 homens.

Michael Woods (acabou por não partir, mas fica a menção porque o texto já estava escrito previamente) é, claro, um grande wildcard. O canadiano caiu ontem e perdeu a hipótese de uma boa classificação na geral final, mas parece estar bem. Com a sua forma atual, ele vai adorar este muro e agora tem toda a liberdade de que necessita. Como também é muito rápido, tem todas as cartas na mão se estiver em forma. O desafio é a descida, que já não vai adorar assim tanto. Ele também tem uma hipótese num sprint maior, mas provavelmente haverá alguns homens mais rápidos do que ele em terreno plano.

Tadej Pogacar, Pello Bilbao, Jakob Fuglsang são outros homens que poderão surpreender hoje e levar a vitória. Também não será nada surpreendente ver uma fuga a chegar vencedora com corredores como Ide Schelling, Julien Simon, Lorenzo Rota, Odd Christian Eiking, Thomas de Gendt, Jesus Herrada, Jonathan Lastra, Krists Neilands ou Simon Geschke.

Favoritos Ciclismo Mundial

⭐⭐⭐⭐⭐ Sergio Higuita
⭐⭐⭐⭐ Maximilian Schachmann e Mauri Vansevenant
⭐⭐⭐ Alejandro Valverde e Primoz Roglic
⭐⭐ Tadej Pogacar, Pello Bilbao e Jakob Fulgasang
⭐  David Gaudu, Pierre Latour, Alex Aranburu, Omar Fraile e Bauke Mollema

Transmissão e Horas de Partida

A Eurosport1 terá transmissão a partir das 14h30. Acompanha o nosso live no Twitter.

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