Um aperitivo bem saboroso!

A primavera belga do ciclismo prossegue hoje, com a disputa da 76ª edição da clássica Dwars door Vlaanderen – Através da Flandres. Trata-se de mais uma competição flamenga com peso na história do ciclismo e que serve de aperitivo para o monumento que irá fechar esta semana, a Volta à Flandres, no próximo domingo.

No ano passado, esta prova foi cancelada em virtude dos condicionamentos associados à pandemia, sendo que em 2019 a vitória tinha ficado para Mathieu Van der Poel.

Note-se que, apesar do seu longo historial, esta é uma prova sem grandes dominadores. Nunca um ciclista conseguiu vencer esta competição por três ocasiões, sendo que 13 corredores já conseguiram triunfar por duas vezes, sendo os mais recentes Niki Terpstra (2012 e 2014) e Yves Lampaert (2017 e 2018).

A 76ª Dwars door Vlaanderen apresenta um percurso de 184.1 km, corridos entre Roeselare e Waregem. No menu, os ingredientes habituais desta caldeirada flamenga: pavé, bergs inclinados, e vento, embora não se preveja que este último vá causar grandes estragos na edição deste ano.

Esta é uma corrida com o figurino habitual da Flandres: início plano, depois zonas com empedrado e inclinação acentuada, terminando novamente em plano. No caso de Dwars door Vlaanderen, depois da subida mais dura do dia, o Taaienberg (um muro com 530m a 6.6% e pendente máxima de 15.8%), os 50 km finais serão relativamente fáceis, com a última subida da jornada a mais de 10 km da meta.

Perfil da 76ª Dwars door Vlaanderen

Se a corrida não for muito atacada, o cenário de um sprint é bastante plausível. Apesar de não se verificar um sprint em pelotão compacto nesta prova desde 2016, a startlist desta edição, pejada de homens rápidos, pode indicar que haverá muitos interesses numa chegada mais ou menos massiva. Essa será a esperança de muitas formações que apostam em velocistas renomados para atacar esta competição. A seu favor, estas formações têm a seu favor o facto da quilometragem não ser muito extensa, como noutras clássicas, e também de o percurso ter sido ligeiramente suavizado para esta edição, acrescendo o facto de não se prever um clima desfavorável, o que pode facilitar a tarefa de perseguição do pelotão.

Favoritos

A equipa-chave é, como sempre, a Deceuninck-Quick Step, que apresenta novamente cartas fortes tanto para o sprint, como para um ataque de longe. A postura da formação belga irá ditar muitos dos acontecimentos do dia e, depois do dia falhado na Gent-Wevelgem, quererão mandar uma mensagem forte ao resto do pelotão sobre quem manda por terras belgas. No entanto, o Wolfpack terá de ter muita atenção a uma ameaça bem grande: o Godzilla!

Se a tática da equipa belga é fulcral para o desenrolar da prova, o mesmo se pode dizer de um dos monstros das clássicas dos tempos modernos, o campeão holandês, Mathieu Van der Poel. Na ausência do seu Némesis, Wout Van Aert (que após a vitória na Gent-Wevelgem optou por descansar antes da Volta à Flandres), MVDP será o grande joker desta corrida, e aquele que maior perigo irá colocar para as equipas dos sprinters. Ele será, muito provavelmente, um dos grandes animadores quando existirem os ataques, e muitos quererão aproveitar a movimentação do holandês que tão perigosa pode ser.

Por um lado, a Deceuninck saberá do perigo de enviar nomes como Lampaert, Asgreen, ou Alaphilippe para discutir uma chegada reduzida com Van der Poel, podendo talvez preferir apostar num sprint compacto para Bellerini. Por outro lado, o Wolfpack também pode jogar com números numa eventual fuga, como tão bem fez na vitória de Asgreen na E3 Harelbeke, quando MVDP se viu sozinho a lutar para alcançar o dinamarquês, levando dois Deceuninck e outros ciclistas na sua roda. Se o cenário se repetir, MVDP não quererá certamente voltar a desgastar-se sozinho a anular os ataques, muito menos nas vésperas da Ronde.

Pesando todos os fatores, o grande favorito é, mesmo assim, Mathieu Van der Poel, sendo que o gigante da Alpecin-Fenix pode triunfar em todos os cenários possíveis: sprint em pelotão compacto, sprint em grupo reduzido, ou ainda através de um ataque de longe em solitário, como fez na 5ª etapa do Tirreno-Adriático.

Apesar de tudo, o sprint em pelotão mais ou menos compacto é uma forte possibilidade nesta jornada, pelo que dois nomes surgem como fortes candidatos a baterem toda a concorrência se chegar um grupo alargado a Waregem, Davide Ballerini, da Deceuninck-Quick Step, e o campeão europeu, Giacomo Nizzolo, da Team Qhubeka Assos.

Quanto a candidatos para se poderem bater com Mathieu Van der Poel se a corrida for atacada de longe, temos um poker de ases na Deceuninck, sendo que a principal aposta da equipa poderá ser Florian Sénéchal, tendo também Kasper Asgreen, Yves Lampaert, e Julian Alaphilippe como alternativas bem seguras. No caso do campeão do mundo, no entanto, este é um percurso que não o favorece na totalidade.

Refiram-se também Matteo Trentin, da UAE-Team Emirates, e Japer Stuyven, da Trek-Segafredo, como fortes candidatos a poderem vencer em vários cenários, à imagem de MVDP.

Já no que toca a sprinters que possam estar na luta pela vitória, refira-se que existe um lote alargado de velocistas de qualidade: Tim Merlier, Arnaud Démare, Pascal Ackermann, David Dekker, Jasper Philipsen, Sonny Colbrelli, Alexander Kristoff, Elia Viviani, Ethan Hayter, Edward Theuns, Danny Van Poppel, ou Bryan Coquard, entre outros.

Refiram-se ainda ciclistas como Søren Kragh Andersen, Anthony Turgis, Stefan Küng, Greg van Avermaet, Oliver Naesen, Tom Pidcock, ou Tiesj Benoot, que terão uma palavra a dizer se a corrida for bastante movimentada ainda longe da meta.

Quanto aos portugueses em prova, nota para os irmãos Oliveira, Rui e Ivo, no apoio a Matteo Trentin e Alexander Kristoff dentro da UAE-Team Emirates, e também para André Carvalho, ao serviço da Cofidis, que terá em Elia Viviani e Christophe Laporte os seus líderes para esta corrida.

Favoritos Ciclismo Mundial

⭐⭐⭐⭐⭐ Mathieu Van der Poel
⭐⭐⭐⭐ Davide Ballerini e Giacomo Nizzolo
⭐⭐⭐ Florian Sénéchal, Matteo Trentin, e Jasper Stuyven
⭐⭐ Tim Merlier, Arnaud Démare, Pascal Ackermann, e David Dekker
⭐ Kasper Asgreen, Yves Lampaert, Julian Alaphilippe, Søren Kragh Andersen, e Anthony Turgis

Presença Portuguesa

Ivo Oliveira (25), Rui Oliveira (26) e André Carvalho (152) são os três portugueses presentes.

Transmissão em Direto

Podes acompanhar a corrida em direto na Eurosport1 a partir das 13h45!

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